Cobaias - A Luta Pelo Amanhã
16 Capítulo 15
EM ALGUM LUGAR DO CENTRO-OESTE BRASILEIRO
Entramos há algum tempo em um região cheia de árvores, uma floresta como as que vi na pequena televisão que minha cela mantinha. Em um momento ficamos de frente a um paredão de pedras, vi Eric afastar algumas pedras e galhos, liberando um buraco naquele muro natural, atravessamos e vi Jess ser responsável por fechar a passagem. Quando me virei quase não acreditei no que via, era um portão forte e que escondia o que ficava atrás dele, os muros, onde ele estava, continuavam e eu não podia ver o fim graças à vegetação densa que parecia cooperar para esconde-los.
O portão se abriu de repente, me assustando, foi quando dois homens vestidos com o que parecia um uniforme, no braço direito eles levavam um tecido vermelho com um símbolo que eu nunca vi antes, eles cumprimentaram Eric e Adri e entramos, o portão sendo fechado em seguida. Então notei mais pessoas vestidas como eles em cima do muro, não os percebi pelo lado de fora, por isso sabiam que estávamos lá sem precisarmos avisar.
— Chegamos! — Raquel estava muita animada, como se ficasse ansiosa por mim
— Não entendo o que tem demais aqui, além de tanta segurança quanto uma base científica — Fui sincera
Só andávamos por um terreno sem nada além de pessoas com aqueles "uniformes" que me pareciam guardas e vi umas três cabanas, onde eles deviam morar, dois campos pequenos que pareciam de treinamento
— Isso é como aqueles campos militares? — Um arrepio subiu por minha espinha, quando lembrei das cenas que já vi em filmes da TV
— O que? — Ela pareceu notar então o nosso arredor — Ah, é que ainda estamos na zona de atenção
— Zona de atenção? — Questionei
— Sim, os arredores daqui tem tudo para fazer nossa segurança, mesmo assim se algo invadir terá de passar por toda a zona de atenção antes de chegar a nós, assim os guardas dão conta da maioria dos inimigos — Assumiu um tom leve, como se isso a acalmasse — Mas agora sim chegamos!
Ela virou meu rosto e eu quase tropecei com o que vi!
A entrada do que parecia uma vila linda, entramos e eu olhava admirada com cada casa ou barraca com alimentos ou tecidos, objetos em geral. Enquanto passávamos pelo meio daquele lugar, encantava-me mais e Raquel explicava-me mais sobre o aqui...
—Este é o centro da zona segura, pelo que expliquei da zona de atenção você já deve ter uma noção do que significa zona segura — Sorriu para mim e assenti em concordância — Então, aqui algumas casas, principalmente dos "mercadores"
Minha amiga morena sinalizou as pessoas com barracas de venda em frente dos prédios em que deviam morar e soltou uma breve curiosidade sobre eles...
—São rebeldes parados, alguns se aposentaram, algumas mulheres engravidarem e decidiram evitar as missões pelos filhos, outros ficaram muito machucado em alguma missão e foi aposentado pacificamente ou à força, para sua própria segurança. Muitos deles ficaram aqui porquê ainda sentem vontade de nos ajudar e mesmo tendo que cuidar de suas famílias, preferem nos ajudar no que podem, saindo em missões de quase nenhum risco, mas principalmente escolhendo viajar para conseguir alimentos e coisas para suas barracas.
—Como funcionam essas compras aqui? — Tive curiosidade
—Compra? Na verdade o que temos é um sistema de trocas, nós damos algo para obter outra coisa. — Me respondeu e eu assenti — Enfim, também temos outras ruas, essas sem saída, no final dessa, é onde está a maior parte dos prédios com os apartamentos, aonde moramos nós, as equipes oficiais — Seu sorriu brilhou
—Equipes oficiais? — Sorri por sua animação, porém ainda assim questionei
— Sim! Antes de poder ir para missões de alto nível como de invadir bases, os nossos rebeldes passam por um treinamento e, quando atingem a idade necessária e já estão prontos, formam equipes oficiais. Todos passamos por isso! — Raquel abriu os braços, mostrando todo o grupo com o que vim, e parando no local
Parei em sua frente, com a pergunta que não quer calar:
—E aonde é esse treinamento? — Todos, exceto Victor, sorriram para mim
Observação: Que assustador!
Victor parecia paralisado. Então Jess foi a primeira a se aproximar de mim e me virou no lugar, meu pensamento? "Ai. Meu. Pai!"
BASE (40) DA CORÉIA DO SUL
O dia chegou e como eu esperava estou bem. Meu corpo já está quase completamente curado, apenas minha cintura naquela conhecida região que parecia a cada vez demorar mais para regenerar, fazia um tempo que ela deixava algumas marcas também, não chegavam a ser cicatrizes, todavia alarmou os cientistas que temeram por meu experimento, por eu virar mais um fracasso deles, ele parecem se esforçar para arrumar um modo de consertar isso. Minha regeneração não vem sendo mais tão eficiente nessa região há um tempo... Suspirei e olhei para o quarto vizinho pelo vidro.
Lucca ainda tava bastante mal, suas feridas pareciam até pior que ontem, alguns hematomas que antes estavam vermelhos, hoje estão roxo. Às vezes, penso que seria melhor que ele tivesse a regeneração, mas não é algo que se possa passar para outra pessoa assim.
Ouvi seu gemido de dor e ele me olhou
—Maya, estive pensando em algo esta noite
Esperei ele continuar e pareceu entender
— Já estou cansado daqui, Maya, não aguento mais esses testes idiotas, essa tortura!
Senti a tensão me invadir
—Eu vou fugir, Maya
Aconteceu. Meu coração se apertou e me aproximei do vidro
— Lucca... Não... Não faz isso de novo — Senti que as lágrimas queriam cair, mas tentei segurar — Eles vão machucar você... De novo — Não adiantou e algumas lágrimas já escapavam
—Ele não vão me pegar desta vez, Maya
—Mas você está machucado! — Constatei o óbvio
—Não planejo fugir agora, esperarei me recuperar por inteiro
—Lucca... — Não consegui dizer nada, só chorar silenciosamente
—Maya... Você sabe que sempre estivemos juntos, sempre fomos nós dois. Eu não posso ir e te deixar aqui! — Meu coração falhou uma batida em antecipação à sua fala — Eu quero que venha comigo, Linda... O que me diz? — Lucca sorriu docemente para mim
—Eu... — Agora era a hora, o que eu devo decidir? — Lucca, eu... — Ele merece a liberdade e eu não poderia ficar aqui sem ele — Eu aceito!
Ele sorriu tão grande e brilhante que me perguntei se não teria machucado mais
BASE (10) DE TREINAMENTO — COMOR
Eu dei de cara com um portão enorme de grade e lá dentro um incrível e enorme campo de treinamento, não conseguia nem vê-lo inteiro daqui.
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