Notas iniciais
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EM ALGUM LUGAR DO CENTRO-OESTE BRASILEIRO

Saímos daquela base e estamos andando novamente há horas agora, se entendi bem estamos indo para uma verdadeira base de treinamento, já que a por qual passamos era atacante, uma base apenas com membros oficiais. Me aproximei de Raquel...

— Então... Ainda falta muito para chegarmos? — Questionei

— Ansiosa? — Ela sorriu para mim, que assenti — Você vai gostar muito de lá, como você vai ser treinada terá uma equipe, que logo vai se tornar como sua família! Mas não esqueça da gente, afinal, te soltamos e já te considero minha irmã — Ela me abraçou de lado, brincando

Sorri e retribui o abraço

— Claro que não vou te esquecer, Irmã!

— Bom mesmo. Você também terá um mentor ou mentora, responsável por toda a equipe... Se bem que você já tem alguém cuidando de você, né? — Me soltou, jogando maliciosa enquanto insinuava ao Eric

Percebi que o mesmo me olhava e revirei os olhos, virando um pouco a cabeça e inspirando

— Não sei se posso dizer que ele está cuidando de mim, mas é algo assim... — Então sorri tão maliciosa quanto — Já você, hein! — A cutuquei com o ombro — O que fez para o senhor 'sou assustador' não desviar o olhar de você? — Mencionei Victor

Ela riu e jogou o cabelo para trás brincando

— O que posso fazer se ninguém resiste aos meus encantos?

Um silêncio confortável caiu entre nós enquanto continuávamos andando, até que notei que Eric não era o único me olhando, Adri, a loira mais velha e irmã do Eric fixava seu olhar em mim de maneira furiosa

— Vem cá, é de família me encarar ou a loira realmente parece me odiar de repente? — Perguntei a Raquel, que procurou a loira com o olhar

— Ah, não se preocupe — Riu — Ela é irmã mais velha do Eric e, você sabe, super protetora

— E isso justifica o que?! Eu não puxei nenhuma faca contra o pescoço dele e minha memória tá boa o suficiente para me lembrar que vocês quem convidaram para entrar no clubinho!

— Não é desse sentido de ameaça que eu estou falando — Sorriu maliciosa

— Não — Reconheci o que Raquel queria dizer — Ela realmente não pode está pensando isso?! Como assim?! Eu e Eric estamos longe de sermos um casal ou o que for!

— Bom, não é assim que ela pensa — Raquel apontou

Respirei fundo, tentando assimilar e retomei meu ar defensivo

— Seja o que for! Não me lembro de ter me atirado para o irmãozinho dela para ela ter essa vontade de me matar explícita em seus olhos! — Me defendi — E o que há com seu escudeiro?!

Me referi ao Bruno que andava ao lado dela e parecia que falavam sobre mim

— Ela deve tê-lo mandado ficar de olho em você ou algo do tipo — Raquel deu de ombros

Revirei meus olhos

— Ele não devia ser o preguiçoso? — Questionei

— Pois é, mas ele tem um certo medo da Adri — A morena riu

— E quanto a irmã dele? — Foquei na morena mais adiante, que parecia focada em tudo ao seu redor, alerta a qualquer coisa e sua expressão indiferente e assassina sempre presente em seu rosto

— O que tem a Jess? — Raquel pareceu realmente curiosa por eu trazer a outra morena à questão

— Não sei, ela só me parece... Diferente

— A Jess só tem o jeito dela, você sabe, ela é difícil com a maioria das pessoas, mas é do bem — Sorriu

— Certeza que ela está nessa para libertar os outros e não só pela parte violenta e cheia de sangue? — Sorri brincando e Raquel me acompanhou

— Eu acho que é um pouco dos dois, na verdade — Rimos

— Vocês duas sabem? Eu estou um pouco a frente, mas ainda posso ouvir vocês — Jess falou um pouco mais alto conosco e nossos risos pararam, nos entreolhamos e quando voltei meu olhar para a Jess pensei ter visto a sombra de um sorriso em seus lábios

BASE (28) DA CORÉIA DO SUL

A sala estava mal iluminada, o cheiro desagradável já era comum para o olfato da jovem acorrentada no centro, bochecha esquerda inchada, olho direito roxo e inchado, escoriações, contusões e cortes cobriam todo o seu corpo, que exausto desabava mantido somente pelas correntes.

A garota devia ter por volta dos 16 anos, parecia estar sem se alimentar direito há dias, a palidez em seu rosto contrastando com o sangue seco misturado ao suor, o quarto abafado não oferecia um mínimo de conforto. Como se para romper o silêncio mortífero no cômodo a porta se abre e a luz que invade o quarto, por segundos, relembra a menina de como era diferente do lado de fora, porém o som do fechar da porta e a volta do breu a trazem de volta a realidade miserável.

O homem que entrou tinha musculatura forte, mas pose de comando, o olhar brilhante de maldade brutal fixo na garota, que aparentava não ter forças nem para encontrar seu olhar. Ele se aproximou e um sorriso se fez presente em seu rosto...

— Então, garotinha, como passou a noite?

— Para variar, acorrentada — A resposta sagaz e ácida da voz intensa não pareceu agradar o seu interlocutor

— Olhe para mim quando estiver falando com você — O puxão forte em seu cabelo trouxe seu rosto a permitir fitá-lo e não soltou as medeixas loiras breve

— Não me toque, seu escroto! — A jovem cuspiu em seu agressor

A cena parecia entrar em câmera lenta, enquanto o mais velho limpava a saliva de seu rosto, sua expressão se contorcendo em pura fúria e a garota ainda teve tempo de se arrepender amargamente, ao tomar nota do que tinha feito, antes que o soco lhe atingisse, firme e forte em seu estômago, a fazendo arfar por vida e se não estivesse presa às correntes estaria ao chão

— Nunca mais fale assim comigo! — o tapa forte em seu rosto deixou a marca da grande mão em sua pele e ela soube que começaria outra sessão de pancadaria, onde ela era o saco de pancadas daquele homem cujo o próprio nome a trazia raiva

EM UM PRÉDIO ABANDONADO

Eric nos fez chegar rapidamente até um prédio diferente, o local estava bagunçado e descuidado, mas estava em bom estado comparado aos outros por qual passamos.

Bem, todo local que vi até agora, que antes devia ser uma cidade, hoje está em estado fantasma, as calçadas e asfalto em geral estão quebrados e a vegetação os invadiu, o mofo dentro dos prédios e casas, que estão também revirados, sinais de brigas e carros abandonados, no que seria a esquina dessa rua as casas vizinhas estão em cinzas, na confusão algo deve ter iniciado um incêndio, também encontramos em um caminho de mais mato dois carros acidentados... Este lugar não parece em nada com o que já vi sobre outros países na TV da minha cela.

Para a minha surpresa Eric tirou um armário, que estava jogado torto sobre a parede, e lá havia uma passagem, dentro daquele cômodo estava tudo mais arrumado e tinha colchões velhos no chão, um banheiro ao lado

— Não é a primeira vez que paramos aqui, exceto pelos novatos, todos sabemos que da base (12) até o nosso destino, a base (10) de treinamento, são dois dias de viagem, por isso, arrumamos este local para prováveis paradas futuras. — Eric falava — Com isto dito, Raquel e Sara, deixo com vocês a preparação do jantar, Jess e Bruno vão checar a segurança do perímetro, Adri, organize tudo que conseguimos nesta missão e depois encontre comigo e Ian, nós três temos que tratar dos assuntos sérios.

Todos assentiram e iniciaram suas tarefas, Jess e Bruno saindo, eu me aproximei de Raquel que já havia se abaixado com uma mochila, retirando o necessário para o jantar e me entregando...

— Então, como é isto? Como vamos cozinhar e tudo? — Questionei

— Fique tranquila, estou acostumada com isso, afinal, sou só eu de garota na minha equipe — Riu Raquel

— Como assim? Mas e a Jess e a Adri? — Perguntei confusa e ela me sorriu

— Bem, elas não são da minha equipe, as equipes oficiais são de apenas três integrantes, no meu caso: eu, Eric e Ian. A Adri é a líder da equipe dela, ou seja, do Bruno e da Jess. Só estamos juntos porquê fomos em uma missão de grupo, você sabe, não podíamos chegar em uma base estadunidense apenas três e achar que não seríamos pegos ou mortos — Ela riu — Eric foi escolhido como líder da missão, mas ele já era o líder da nossa equipe, então — Deu de ombros e assenti em compreensão

Raquel já estava começando a cozinhar, enquanto eu olhei para o lado e vi Adri tendo que levar todas as outras mochilas com ela, pedi para Raquel esperar um pouco e me aproximei da loira...

— Quer ajuda? — Ofereci e ela me olhou irritada

— Não, não sou como você, posso cuidar de mim mesma! — Se afastou furiosa

Voltei até Raquel e olhei surpresa para a morena que riu pouco

— Dê um tempo a ela, logo ela se acostuma com você — Sorriu e me puxou para quê a ajudasse