Cobaias - A Luta Pelo Amanhã
2 Capítulo 1
BASE (40) DA CORÉIA DO SUL
— Wendy então pede para voltar com seus irmãos para sua casa, pois seus pais poderiam estar preocupados. Peter Pan então os leva. Ao chegar na casa de Wendy, seus irmãos entram e ela fica para dar o último adeus a Peter Pan. Eles conversam e ela pergunta se ele não quer ficar ali com eles. Ele diz que não, pois a Terra do Nunca é a sua casa e lá ele não cresceria e poderia viver para sempre como criança. Ele se despede de Wendy e voa, enquanto ela o observa pela janela, o contemplando e pede bem baixinho que ele nunca deixe de olhar por ela.
O adolescente ruivo fechou o livro e sorriu para a linda morena do outro lado do vidro. Vivendo presos naquelas celas, era bom o fato do vidro não impossibilitar sua comunicação ou imagem com sua amiga. Por algum motivo os seus outros vizinhos tinham paredes opacas, mantendo sua socialização restrita aos guardas
— Mas... — Começou a amiga — Alguns meses depois, Peter voltou a visitá-la, a saudade deu lugar a surpresa e felicidade em Wendy, que acreditava que não o veria mais. No entanto, a eterna criança não estava lá por bons motivos, Gancho tinha sequestrado Sininho e vindo ao mundo de Wendy, agora Peter precisava de sua ajuda para achar a pequenina amiga, antes que alguém duvidasse da existência de fadas, ato que tirava a vida de uma a cada vez que era dito, essa uma poderia facilmente ser sua amiga Sininho, que estava mais vulnerável estando neste mundo — A morena completava a história mansamente com sua própria imaginação e criatividade, sua voz aveludada deixando o rapaz encantado
EM UMA CASA ABANDONADA
— Então pegaremos todo tipo de informação útil e sairemos com quantas cobaias pudermos, quero o máximo de pessoas livres, mas lembrem de se manter em segurança, se um de nós for pego já sabe o procedimento. — O olhar autoritário do rapaz lhe fazia parecer mais velho do que realmente era, apenas um adolescente. Ele se voltou ao mapa — Não voltaremos por aqui, nós faremos um contorno para chegarmos, porque quero passar no E-12
— No E-12? Que interesse você teria em passar lá? — Uma moça, que aparentava ser a mais velha do grupo, questionou
— Tenho um assunto a tratar com a Beatriz, isso é tudo — E somente esta foi sua explicação
BASE (40) DA CORÉIA DO SUL
— E então? — Pediu o ruivo, quando a morena parou como se imaginando o desenrolar da história
— Então, Wendy segurou em sua mão e eles voaram pelo céu noturno...
Os jovens são interrompidos pelo barulho perturbadoramente estridente que soa em suas celas, os levando a tapar os ouvidos em busca do silêncio. O som sendo escutado níveis mais alto pelo garoto, cuja tinha audição bem mais aguçada, a tortura só cessou, quando ele já se mostrava a beira de um ataque, onde poderia desmaiar ou mesmo perder a audição de uma vez, tamanha a dor que alcançava sua cabeça.
Buscando a fonte já conhecida de seus problemas, a garota encontrou em sua visão um guarda, o mesmo que estava quase dormindo em seu turno há pouco tempo atrás. O guarda teria acordado e se incomodado com seus quase sussurros de conto de fadas? Parecia que sim!
— Já passou da hora de estarem dormindo! Vamos, andem logo para suas camas! — A autoridade os deu as costas e voltou ao seu posto
Os olhos negros da garota correndo ao corpo encolhido em si mesmo do garoto trêmulo.
— Lucca? Você está bem? — Sabia que a pergunta era estúpida, lógico que ele não estava, porém, sua mente preocupada só importava-se com a condição do vizinho
A falta de resposta só a deixou mais nervosa, a fazendo se levantar e se aproximar mais do vidro
— Se afaste — A ordem do guarda não foi acatada — Se afaste agora! — Ele repetiu
Sua mente um caos buscando qualquer forma de ajudar o amigo que pudesse existir, ela se desconectou de todo o resto ao seu redor, sendo trazida de volta pelo puxão forte e bruto do guarda em seu braço
— Acha que pode simplesmente me ignorar?! — soltando- a repentinamente, a garota quase se desequilibrou em seus próprios pés — Não foi criada para ser desobediente, coisa inútil!
Seus olhos se fecharam fortemente, esperando pelo golpe com o cassetete que veio mais forte que a mesma supôs, a levando ao chão. O guarda não satisfeito a puxou pelo braço e a jogou na cama
— Ou você me obedece de uma vez ou o próximo será pior! — Ele deixou a cela, se afastando
Se confortando na cama, a morena engolia as lágrimas e segurava o braço atingido pela arma, a dor foi forte, mas logo estava sendo anestesiada por seu corpo, mesmo assim sua preocupação pelo ruivo não sumira e a mesma poupou um olhar discreto que alcançou os olhos, agora à vista e em choque, do rapaz. Seu rosto, com sardas que pontilhavam da ponte de seu nariz às suas bochechas, estava marcado com o caminho das lágrimas de dor. Entretanto, a única coisa que saiu daqueles lábios trêmulos foi seu nome...
— Maya...!
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