Coaching Daddy
6 Capítulo 6
Notas iniciais

— Okay... Estamos prontas! – disse Thea saindo pelo corredor com Julianna já pronta em seu uniforme escolar e com o cabelo arrumado e preso. O uniforme da escola era muito antiquado, mas a remelenta quis usar ele completo.
Saia, blusa, meias horrorosas, sapatilha, blazer e até uma gravata. Ela parecia uma daquelas crianças de internato suíço. Thea havia prendido o cabelo dela em uma trança complicada. Olhei para Damien que estava lendo o que parecia ser a última página e seu livro e a única coisa que tive que fazer para arrumá-lo foi o nó de sua gravata já que ele já tinha penteado o cabelo sozinho.
— O que você está fazendo, Oliver? – perguntou vindo até mim e abraçando minhas pernas.
Ela tinha começado com essa coisa de me abraçar sempre que podia.
— Meu café da manhã... – eu respondi virando uma lata de sardinha dentro do copo do liquidificador.
— Eca... – disse Thea e Damien ao mesmo tempo.
— É gostoso, água, ferro em capsulas, sardinhas, couve, pepino e para terminar... – eu disse pegando dois ovos. – Pintinhos líquidos.
— A gente vai ter que comer isso aí? – perguntou Damien torcendo o nariz. – Você sabe que se a gente passar fome é considerado maus tratos, né?
Revirei os olhos e apontei para mesa quando tampei o copo e o posicionei ele em cima da base do motor. Damien e Julianna foram para mesa comer o café da manhã deles e Thea apenas veio para o meu lado.
— Hey... Fazem mais de duas semanas que eles chegaram, não acha que temos que contar para mamãe? – perguntou Thea e eu ri.
— Oh, ela já sabe que é avó. Confie em mim. – eu disse ligando a máquina.
Moira Queen assim que viu as manchetes com o meu nome fez a ligação mais cara da minha vida. Direto da fodida Rússia, mamãe me bombardeou com perguntas mais do que os repórteres nas últimas horas, e eu passei uma boa e longa hora conversando com ela e a tranquilizando de todas as formas possíveis.
Ela não soltou fogos de artifício como eu havia esperado, apenas me disse que queria entrar no próximo voo de volta para Starling e conhecer os remelentos. Graças ao bom Deus, Walter estava lá e a lembrou da negociação com as Dawn Industries que não podia ser adiada, ou seja, eu tinha mais duas semanas antes que o furação Moira chegasse.
Desliguei a máquina e contei para Speedy como havia sido minha ligação com mamãe e ela riu de tempos em tempos, enquanto eu coava meu suco e o colocava em minha garrafa e alguns sanduíches dentro da bolsa. Era dia de academia. Musculação e sabe-Deus mais o que Slade havia preparado para o time.
— Estão prontos? – perguntei assim que eles voltaram do banheiro com os dentes escovados.
— Estamos capitão! – cantarolou Julianna passando na minha frente até o elevador.
Thea estava segurando sua bolsa, cor-de-rosa bem vibrante e visível, e a seguiu rindo para a caixa de aço. Damien fechou seu livro e o deixou para trás, acho que ele terminou, e depois as seguiu levando a própria bolsa que era verde escura e bem mais discreta.
Peguei a minha própria, apaguei as luzes e me despedi de Archer. Se Rory tiver voltado, irei pedir para ele levar meu amiguinho para um passeio. A manhã foi muito agitada e eu não tinha conseguido levar ele.
Assim que chegamos no estacionamento, entramos na Range Rover todos juntos e eu vi minha Ducati pegando pó no estacionamento. Suspirei com saudades dela e liguei o motor do carro.
Deixei Thea na Verdant primeiro, ela realmente queria levar os remelentos para o primeiro dia de aula, mas tinha diversas reuniões com fornecedores e não podia faltar, mas se contentou em tomar o café da manhã com eles. Peguei um pouco de trânsito, mas ainda sim chegamos na hora da escola. Alunos de diversos tamanhos e idades estavam entrando para o lado de dentro também.
Coloquei meu boné e meu óculos escuros, a última coisa que queria era chamar atenção. Saí do carro com as mochilas e as coloquei no ombro de cada um.
— Okay. Tenham uma boa aula, e Jules... – eu disse chamando-a e ela se virou para mim. – Se alguma menina folgada roubar algo seu, lembre-se do que eu ensinei ontem.
— Mire no nariz. – ela disse fechando a pequena mão em um punho e eu assenti.
Ela abraçou minhas pernas mais uma vez.
— Qualquer coisa, Leo e Mick estarão por perto. – eu disse olhando para Damien que assentiu e pegou a mão da irmã. – Boa aula.
— Bom treino. – disseram juntos e começaram a andar em direção a porta.
Mick e Leo acenaram levemente e seguiram eles bem discretamente. A escola havia sido informada que eles estariam sempre por perto discretamente, só nas primeiras semanas, até que a atenção neles diminuísse e eles se acostumassem com o ambiente novo.
Voltei para o carro e só dei partida quando vi os dois passarem pelas portas de entrada.
—--
— Vamos Queen, mais uma série! – bradou Slade. – Cinco segundos respirando.
— Se você tivesse com duzentos e cinquenta quilos nas suas coxas, iria precisar mais do que cinco segundos, coroa. – eu respondi e comecei mais uma série, erguendo a barra até as coxas. – Talvez um Viagra bem potente também.
Uma. Respire. Duas. Respire. Três. Respire. Quatro. Respire. Cinco.
Descanso.
Escalei a estação de exercícios funcionais de modo ofegante. Deus, estava fora de forma. Nunca iria admitir isso em voz alta, mas era a maldita verdade. Me posicionei e comecei a fazer as flexões usando apenas o peso do corpo e senti o suor começar a acumular em minha pele e pingar já que não podia mais se acumular em minhas roupas. A fadiga veio com tudo depois que eu terminei a terceira série de quinze flexões. Me deixei cair no chão depois disso e concentrei na minha respiração.
— Sr. Queen? — chamaram e eu levantei um dedo pedindo um minuto.
Estava mais ofegante do que Archer quando subia as escadas do prédio.
— Sr. Queen?
Virei minha cabeça e a primeira coisa que eu vi foram sapatos altos laranjas vibrantes. Subindo por pernas lindas que eu reconheci na hora. Professora gostosa na área. Hoje estava usando um vestido cinza que marcava muito bem seu quadril e... Eu estava babando no chão. Me levantei rapidamente e vi que ela estava segurando a mão de Julianna.
— O que aconteceu?
— O senhor aconteceu! – ela rebateu e apontou um dedo fino para o meu peito. – O horário escolar é das 8h até as 15h!
— E daí?
— São quase 19h! – ela disse e eu olhei pela janela.
A professora estava certa, já estava escurecendo.
Voltei minha atenção para ela.
— Você acha que eu os esqueci na escola? – perguntei erguendo uma sobrancelha.
— Eu tenho certeza que esqueceu.
— Escute aqui professora, os dois estavam acompanhados de seus seguranças que tinham instruções bem claras de trazer eles para cá assim que as aulas terminassem, ou seja, algo aconteceu para que eles ficassem na sua escola por tanto tempo... – eu disse usando meu tom autoritário sem nem me importar com o par de olhos azuis me fuzilando por trás das lentes dos óculos que os protegia. – Julianna?
A remelenta 2 apenas balançou a cabeça e soltou da mão da professora. Correu para fora da sala de musculação que percebi estar quase vazia. Apenas Barry, Roy e René estavam ali, observando tudo sem ao menos dar o trabalho de disfarçar. Mick e Leo estavam ao fundo da sala com Damien e Anthony?
— Sim, eles estavam esperando o senhor ir busca-los, mas aparentemente essa... – ela disse fazendo um gesto abrangendo os equipamentos de musculação ao nosso redor. – Coisa parece ser mais importante para você do que os seus filhos.
— Essa coisa é a minha profissão. Professora, você veio até aqui me lembrar que além de ter dois filhos, eu tenho um time e uma cidade inteira dependendo de mim? – eu perguntei e não consegui controlar o tom da minha voz.
Isso fez com que os outros se retirassem na hora.
— Eu vim te lembrar que eles são as únicas pessoas que dependem de você, ganhando ou perdendo essa merda de campeonato. – ela disse sem se abalar e elevando a voz assim como eu havia feito. – Aquilo é uma escola e não uma creche!
— Tem muita diferença? — perguntei erguendo a sobrancelha.
— Quando vi você na escola com seus filhos, realmente pensei que fosse um pai diferente, mais estranho do que o normal, porém diferente. Não um daqueles pais. – ela disse e coçou a testa e sorriu, mas desta vez seu sorriso era malvado. — Acho que eu me enganei.
— Um daqueles pais?
— É, o tipo de pai que acha que pagar uma escola cara e comprar tudo que o filho precisa e quer é tudo que um pai pode fazer, mas no final... – ela disse e olhou diretamente em meus olhos. – Apenas não se importam.
— Eu só conheço aquelas crianças á duas semanas, então me perdoe professora se eu não sou o melhor pai do mundo. – eu disse. – E quem é exatamente é você para falar que eu não me importo com eles, sendo que você só viu os dois duas vezes?
— Você está certo... Eu sou uma estranha e não devo dar lições de moral quando claramente elas não foram pedidas. Eu me excedi e peço desculpas. – ela disse, e eu até poderia ter acreditado se não fosse o tom de voz que ela usou.
Deboche puro escorria de seus lábios que estavam pintados de rosa hoje.
Sem dizer mais nada, ela girou-se em cima dos saltos laranjas e saiu andando até a saída, e eu usei toda a minha força de vontade para não olhar para nenhum lugar além de sua cabeça. Eu tinha a mais absoluta certeza que eu era o certo nisso tudo, mas por que estava me sentindo um verdadeiro merda?
Suspirei.
Depois da discussão com a professora gostosa e surpreendentemente irritante, eu desisti de treinar mais e apenas fui para o vestiário. Mandei Mick e Leo levarem os remelentos para casa e disse que estava indo logo atrás. Eu me sentia merda por não ter pensado que deveria ter pego eles na escola hoje.
Levar já não estava bom? Aparentemente não.
E foi por isso que quando cheguei em casa, estava segurando duas sacolas debaixo do meu braço. Deixei minha mochila em cima do balcão da cozinha e fui atrás dos dois. Imagine a minha surpresa quando os encontrei sentados no sofá.
Julianna estava com a mesma cara que Thea usava contra mim quando queria me fazer me sentir mal só porque tinha ganhado dela em algum jogo, só que desta vez a cara era real e não um fingimento. Damien havia recomeçado sua leitura.
Mick e Leo se retiraram assim que me viram e eu os dispensei.
— Vocês já comeram? – perguntei e ganhei silêncio em retorno. – Estão com fome?
Silêncio.
— Estão bravos comigo?
Desta vez consegui um aceno de Julianna, confirmando minhas suspeitas.
— Okay... Precisamos conversar. – eu disse indo até eles com as duas sacolas. Sentei na mesinha de centro e desliguei as tevês, depois tirei o livro das mãos de Damien fazendo ele finalmente notar minha presença ali. – E eu vou adorar a atenção dos dois.
Ele revirou os olhos e cruzou os braços. Julianna imitou a pose.
— Eu realmente não quis estragar o primeiro dia de escola de vocês, e por isso eu peço desculpas, mas eu ainda não ser pai. Estou aprendendo com vocês agora. – eu disse e peguei uma das sacolas. – Para o que aconteceu hoje não se repita e eu não receba o tratamento de silêncio novamente, eu comprei dois celulares para vocês.
Dei para cada uma caixa e eles pareceram confusos.
— Se precisarem, quando precisarem, sempre que precisarem... Me liguem. – eu expliquei. – Eu já gravei meu número aí, assim como o de Thea e Tommy. Mesmo que Mick e Leo estejam na cola de vocês o dia inteiro, o número deles está aí também. Eu sou a discagem rápida.
Eles ligaram os celulares e eu sabia que tinha acertado em ter comprado o rosa para Julianna e o preto para Damien, enquanto eles observavam os presentes com olhos arregalados.
— Mas é claro que eles são para emergências, podem usá-los á vontade em casa, mas na escola sempre no modo silencioso. – eu disse firme frisando a palavra "emergência" e os dois assentiram. – Eu não leio mentes e nem tenho bola de cristal, vocês precisam me dizer quando quiserem algo ou não gostarem de alguma coisa. Temos que nos comunicar.
Eles assentiram entendendo o que eu estava falando.
Maldita Oprah.
Ela estava coberta de razão naquele vídeo do Youtube e havia dado certo!
— Agora... – eu disse alcançando a outra sacola.
Tirei um pacote para cada um de lá.
— Mais presentes?
— Agora são os presentes, os celulares são uma necessidade. – eu respondi a pergunta de Damien.
Entreguei os embrulhos e eles abriram.
Julianna arregalou os olhos e quase fez suas sobrancelhas loiras se unirem ao cabelo ao ver a boneca e seus acessórios que a vendedora da loja havia escolhido. Eu não tinha achado nada do Bob Esponja que fosse legal e não fosse de pelúcia, então deixei a vendedora escolher uma boneca bem cara com um monte de coisa junto. Ela tinha acertado pela expressão da remelenta 2. Olhei para Damien que não estava muito diferente da irmã vendo a capa do terceiro livro do Harry Potter escondido pelo embrulho.
Achei que dar um castelo de brinquedo e a coleção inteira seria forçar a barra demais.
— Isso é uma oferta de paz... Aproveitem. – eu disse recolhendo os embrulhos do chão e juntando tudo em uma das sacolas. Damien começou a ler imediatamente e Julianna praticamente arrancou sua boneca da embalagem de segurança. – Vocês comeram?
— Sim. – responderam juntos.
— Leo fez sanduíches para nós. – disse Julianna penteando o cabelo de sua boneca.
Me foquei em lavar minhas roupas de treino e percebi pijamas pequenos demais para serem meus no cesto de roupa suja do banheiro e ri com isso. Eu estava virando uma fodida dona de casa.
—--
No dia seguinte, eu estava lá na porta da escola com óculos escuros e boné ao lado de Adrian que também iria pegar Anthony. Ele estava tagarelando sobre como estava ansioso para a primeira reunião de pais do ano letivo só para ver a diretora gostosa novamente. Eu apenas assentia e soltava alguns "Sim" e outros "Não" nas horas certas, enquanto fitava a porta de entrada e saída das crianças.
O sinal soou estridente e todos começaram a sair.
Reconheci a cabeleira loira de Damien e Julianna de longe, e assim que me viram, vieram correndo. Anthony percebeu que nós estávamos ali e veio correndo também.
— Oliver! — Julianna gritou e se lançou em meus braços, se eu não a tivesse pegado, estaria com o rosto arranhado e cheio de terra e grama. Seus bracinhos se fecharam ao redor do meu pescoço e eu sustentei seu corpo com facilidade.
— E aí? Tudo bem? — perguntei alisando sua cabeça e ela assentiu com um sorriso brilhante. — Dame?
— Tudo bem... — ele respondeu reticente, enquanto recolocava seu boné dos Rockets com a aba virada para trás.
— Anthony?
— Hoje foi legal, eu e o Dame somos parceiros de laboratório! — ele exclamou no colo de Adrian. — A gente começou estudar as plantas hoje!
— Uau... — exclamei querendo parecer tão ansioso como ele.
Bati o dedo na aba do boné de Damien que desviou e entrou no carro sorrindo.
Eu nunca mais ia perder uma saída deles.
— Por que a gente não vai comer no Big Belly com eles? — perguntou Adrian e eu fechei a cara, enquanto Julianna gritou animada ainda em meu colo. — Eles são crianças, Oliver.
— Que devem comer apropriadamente. — adicionei e Adrian gargalhou.
— Eu nunca pensei que veria isso acontecer, mas Oliver Queen virou um pai chato... Você também está vendo isso, né filho? — perguntou Adrian para Anthony que deu ombros e depois desceu dos braços do pai e foi se sentar ao lado de Damien.
— Mick e Leo vão conosco. — decretei e Adrian assentiu e apertou a bochecha de Julianna que riu.
Prendi os três no banco de trás com os cintos e guardei as bolsas no porta-malas junto com a minha bolsa do treino. Adrian veio comigo no meu carro e Mick levou seu carro, Leo estava vindo atrás no SUV deles. Assim que fiz a manobra para sair do estacionamento da escola, vi a Professora Smoak na saída ajudando duas crianças a entrar em um ônibus.
Julianna gritou o nome dela da janela e eu buzinei duas vezes. A professora acenou de volta com um sorriso e eu fingi que não vi seu olhar de "Eu te disse" sendo dirigido para mim, muito menos a sobrancelha loira erguida.
— Olha! É a Tia Lissy, pai! — gritou Anthony no banco de trás. Ele estava no meio dos remelentos e tentava arrumar um ângulo melhor para ser visto até onde seu cinto permitia.
— Estou vendo, filho. — respondeu Adrian acenando e Felicity sorriu para ele e acenou também com direito a beijo lançado.
— Você conhece a Professora Smoak, Tio Adrian? — perguntou Julianna.
— Sim, princesa.
— O Oliver ficou todo bobo perto dela... — cochichou ela e Adrian gargalhou me olhando com as sobrancelha erguida, enquanto eu parava em um farol vermelho.
— Ficou é? A professora Smoak é bem bonita mesmo. — Adrian respondeu e Julianna concordou na hora.
— Ela parece uma princesa!
O farol abriu e eu apenas fiz uma curva leve e entrei no estacionamento do Big Belly Burguer que era do lado da escola, junto com outras redes de fast-food e papelarias enormes. O que não era coincidência. Quando todos saíram do carro, Anthony liderou os gêmeos até onde tinha brinquedos á disposição.
— Tira o olho, Queen. — disse Adrian batendo em meu ombro pesadamente quando foi escolher uma mesa.
— Por que? — perguntei curioso. — Você não tinha uma coisa pela diretora?
— Porque ela não é para o seu bico. — respondeu ele se afastando. — Eu quero um Triplo Belly.
Adrian também tinha uma queda pela professora? Uau.
Assenti e entrei na fila para o atendimento. Fiquei de cabeça baixa e braços cruzados. O restaurante não estava cheio, mas estava movimentado o suficiente para virar uma zona. Olhei para trás e vi Adrian conversando com Mick e Leo em uma das mesas mais afastadas, mas ao mesmo tempo mais perto dos brinquedos onde os três estavam pulando e escorregando.
— Próximo! — gritou a atendente. Dei um passo para frente e comecei a pensar no meu pedido já pensando em quantas séries eu teria que fazer para perder tudo que iria comer com eles. — Bem-vindo ao Big Belly Burguer!
—--
— Então quer dizer que o Sol faz com que as plantas cresçam? — perguntou Damien, enquanto eu fazia o meu shake noturno e tentava explicar de uma maneira simples como era o processo de fotossíntese que era o tema do seu dever de casa.
Os livros de biologia estavam abertos no balcão e eu estava tentando traduzir a matéria para uma língua que eu e o remelento 1 conseguíssemos falar.
— Sim, a luz dele na verdade. Ela bate nas plantas e no solo que fazem ativar os organismos e minerais das raízes e a planta vai se alimentando disso e de água também, mas o solo é a principal fonte de energia e alimento. — eu disse quebrando dois ovos dentro do copo do liquidificador. — É o que seu livro diz.
Damien estava na minha frente com seu caderno e lápis e com uma expressão concentrada. Ele já estava tendo introdução em biologia básica que era disfarçada com projetos mais dinâmicos de ciências para as crianças.
— O que a gente vai comer hoje? — perguntou Julianna aparecendo correndo com Archer em seu encalço.
— Estava pensando em fazer uma sopa com alguns legumes... — disse eu e virei uma medida de proteína em pó dentro do copo do liquidificador.
— Sopa é só quando está frio ou quando a gente fica doente. — protestou Julianna enquanto tentava fugir das lambidas de Archer.
— Sem correria na cozinha, por favor. — pedi e me virei para pia para caçar a tampa.
— Archer, não! — protestou Julianna quando Archer agarrou a barra da calça de seu pijama.
Archer continuou puxando o que causou um pequeno desiquilíbrio em Julianna que foi se apoiar na bancada e ligou o liquidificador. Sardinhas, ovos, couve, espinafre e proteína em pó para todo lado. Julianna gritou, Damien gritou e Archer latiu bem alto antes de começar a lamber o chão.
Eu respirei bem fundo e olhei para o lado onde Julianna estava sentada no chão toda melecada com Archer lambendo ao redor dela. Olhei para Damien que estava olhando para seus cadernos completamente arruinados, com um olhar desesperado, e depois voltei para Julianna que havia adotado um olhar culpado em seu rosto.
— Desculpa, Oliver. — disse tentando se levantar, mas escorregou de novo e caiu.
Respirei fundo mais uma vez e a peguei no colo.
— Damien traz o Archer. — eu disse e ele assentiu chamando Archer junto dele.
Fui até o banheiro principal que era o do meu quarto e abri o box bem amplo, todos entraram juntos. Fechei a porta atrás de mim e peguei a mangueira que possuía sete jatos diferentes.
— Primeiro você, o causador de tudo. — eu disse mirando em Archer que tentou correr da água, porque ele odiava banhos, mas escorregou e foi acertado do mesmo jeito.
Damien pegou o sabonete líquido e começou a lavar o pelo de Archer. Julianna seguiu a deixa. Archer costumava tomar banho duas vezes por mês, e o segundo banho foi adiantado para hoje mesmo.
— Segundo você, que não escutou quando eu pedi. — eu disse e Damien riu quando o jato acertou sua irmã de surpresa fazendo ela gritar.
Archer latiu querendo agora participar também.
— Está rindo do que? — perguntei e mirei em Damien e foi a vez de Julianna rir.
Depois que o grosso da sujeira saiu, eu enchi a banheira para Julianna tomar banho enquanto Damien tomava no box e levei Archer para o lado de fora para dar um banho mais meticuloso do que o necessário. Meu cachorro não ia feder a peixe e ovo no meu turno. Não, não. Resisti aos olhos pidões do buldogue bravamente e fechei a porta quando terminei tudo e o deixei do lado de fora para que não voltasse a se sujar.
Com uma rápida checagem, vi Damien se vestir com seu pijama e ajudar Julianna com as mangas da camiseta do dela. Voltei para a sala e olhei para a cozinha com as mãos na cintura.
Suspirei e fui limpar o que podia.
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