Notas iniciais
Ciao! Oi oi minha gente! Voltamos com mais um capítulo recheadinho para vocês lerem. Aqui em SP está chovendo bastante o que é o tempo perfeito para fazer maratonas e ler um pouquinho, não acham? Eu sei que a maioria está acostumada com as maratonas de atualizações serem seguidinhas, mas ontem foi o aniversário da autora que vos fala e essa semana tem sido uma pequena loucura na minha rotina de quarentena, mas algo me diz que vocês vão me perdoar assim que lerem este capítulo... Obrigada á todas que comentaram no capítulo passado, ainda estou no processo de responder todos os comentários, mas eu vou chegar lá! Saibam que eu os aprecio muito e sou muito grata por cada um deles, okay? Boa Leitura!

Esfreguei meu rosto pelo que parecia ser a vigésima vez, só na última hora.

Eu havia saído do treino e ido direto para o escritório de Lyla Michaels, minha advogada. E também esposa do meu querido guard, John. Tommy já havia ligado para ela assim que eu e os gêmeos chegamos em casa do hospital dois dias atrás. Eu queria saber quais eram os direitos de Laurel e se ela realmente podia entrar em alguma batalha legal contra mim sendo que eu tinha a guarda dos dois e uh, eu era o fodido pai.

De acordo com Lyla, Laurel tinha sim, alguns direitos, e ela poderia iniciar um processo legal contra mim sobre a guarda das crianças sendo que ela era a única irmã de Sara e possivelmente tinha passado muito mais tempo com os remelentos do que eu. O que era ridículo porque quando a irmã dela morreu e deixou os dois para trás, onde infernos elas estava? Ah sim, ninguém sabia.

— Eu conheço Laurel Lance de alguns casos passados, nunca ficamos em lados opostos em um tribunal e eu nunca lidei com um caso diretamente com ela, mas eu posso dizer que isso não vai ser fácil, Oliver. Ela vai jogar com todas as cartas, e vai jogar sujo. — disse Lyla oferecendo suco de maçã para a pequena Charlie em seu berço.

A firma de Lyla poderia ser no segundo prédio mais alto do centro financeiro de Starling City, perdendo apenas para a Queen Consolidated, e ela poderia ganhar mais do que seis dígitos por mês, mas ainda sim... Seu escritório estava repleto de brinquedos, mordedores e tapetes coloridos por toda a parte. E a pequena Charlie até tinha um berço para si ali ao lado da mesa da mãe. Acho que o pequeno Andrew deveria estar na creche á este horário.

— No nosso plano inicial eu preciso que você aumente seu sistema de segurança em casa. Seu porteiro é confiável? — perguntou ela limpando o queixo de Charlie e eu assenti. — Ótimo. Não seria a primeira vez que alguém como Lance tente plantar evidências.

Charlie que estava em seu berço depois de alguns tapinhas em seu bumbum, adormeceu e Lyla se virou para mim com as mãos na cintura. Ela estava vestida socialmente, mas conseguia ver uma mancha de suco de maçã em seu ombro e um pouco de papinha de cenoura em sua saia. Não a fez menos letal, no entanto.

— Vamos tentar manter um perfil baixo até que a mudança para a nova casa aconteça. Ela vai tentar fazer contato com as crianças nesse meio tempo e te provocar, sei que vai ser difícil, mas temos que tentar minimizar as munições dela. Sem uma ordem legal, você tem todo o direito de manter as crianças longe dela e de qualquer pessoa na verdade. — ela disse e eu apoiei meus cotovelos nos joelhos. — E isso vale para todos ao seu redor, porque isso não se trata mais apenas sobre você. Sua irmã, Tommy, e até mesmo sua mãe também entram no quadro.

— O que você acha sobre tudo isso, Lyla? Seja sincera. Eu tenho chance de ganhar esse processo? — perguntei encarando seus olhos castanhos.

— Sim. Você é o pai, Oliver. Os únicos argumentos viáveis que ela tem é o seu passado e o fato de você não ter estado com as crianças desde o nascimento, mas isso não é inteiramente culpa sua e pessoas mudam com o tempo. Até mesmo um jogador de futebol que mijou em um policial. — ela disse erguendo uma sobrancelha para mim e eu ri revirando os olhos. — Não deixe isso te atormentar muito, okay? Temos que garantir que a rotina dos gêmeos siga normalmente e o processo não afete muito eles mais do que o necessário.

Depois de assinar alguns contratos com Lyla que foram enviados por Tommy, e um abraço e um beijo em Lyla e em uma Charlie adormecida, eu sai da firma dela com determinação. Não deixaria essa merda chegar até mim.

Não mais do que ja chegou, isto é.

Coloquei meu boné e meus óculos escuros antes de chegar na calçada.

Eu tinha duas horas para passear com Archer e responder duas entrevistas por e-mail para revistas de esportes. Eu tinha postergado a mídia em geral por muito tempo e chegou a hora de voltar para a floresta selvagem que tudo aquilo era.

Tommy me ligou quando eu saí com Archer para um passeio rápido depois de responder duas longas listas de perguntas sobre minha rotina de treinos, o campeonato, o esporte e leves insinuações sobre minha vida pessoal, e nós dois conversamos sobre o que Lyla me falou. Ele não havia ido comigo para reunião porque estava resolvendo uma questão sobre a Verdant com Thea e nenhum dos compromissos conseguiu ser adiado. Logo, ele colocou minha ligação no viva-voz para minha irmã ouvir também. Contei todos os detalhes e pedi para que eles se controlassem pelos próximos meses, eu não precisava de má publicidade logo agora.

Ainda tinha um tempinho antes de buscar os remelentos na escola, então decidi ir para casa comer alguma coisa. Slade havia inquirido que nós tomássemos pelo menos 6 litros de água por dia, o que era mais fácil quando estávamos no campo treinando um contra os outros, mas treino em casa? Não era tão fácil assim. Eu conseguia no máximo apenas quatro. E com tudo que andava acontecendo, a quantidade de água que eu tomava era o menor dos meus problemas.

— Prontinho, amigão... — eu disse saindo do elevador com Archer no meu colo e me abaixando para soltá-lo de sua coleira.

Ele correu para a sala de estar e começou a latir feito louco. Andei até lá e vi mamãe sentada no sofá com uma revista em seu colo, enquanto folheava a mesma sem um pingo de interesse. Ela direcionou apenas um olhar duro para o meu cachorro e ele parou de latir e começou a rosnar.

— Archer. — chamei e ele obedeceu vindo até mim.

Respirei fundo e me preparei mentalmente para o que estava por vir no caminho até a lavanderia onde deixei Archer preso. Seu olhar traído me magoou, mas no momento atual eu tinha uma briga para ganhar. Archer sempre aceitava meu perdão em formato de biscoitos depois.

— Vou ter que começar a trocar as minhas trancas pelo jeito... — eu disse em alto e bom som quando abri as portas da geladeira.

— É assim que você fala com a sua mãe?

— Sim. — rebati sem hesitar a questão que flutuou no ar em minha direção.

— Eu te criei melhor que isso, Oliver...

— Aí é que está, mãe... Não foi você que me criou, foi Raisa. — eu disse despejando todos os ingredientes para um sanduíche em cima do balcão. — Não lembro de você ter ido em qualquer reunião de pais minha, ou em qualquer coisa que eu participei na escola ou na faculdade, em nenhuma das quatro que eu larguei... Muito menos em algum jogo do meu time.

Deslizei o patê por três fatias de pão integral e comecei a recheá-lo. Sabia que estava magoando ela com minhas palavras, mas advinha só? Ela tem feito isso comigo e com Thea por anos e agora era a hora do basta. Demorou vinte e oito anos, mas chegou.

— Como está Damien?

— Melhor, não graças á você, no entanto. — eu disse colocando rodelas de tomate em cima dos quadradinhos de queijo branco e um pouco de cenoura ralada. — Ele teve uma recuperação completa, mas agora acha que a avó o odeia.

— O que? — ela perguntou elevando seu timbre como se estivesse chocada.

— Depois de tudo que você, generosamente, comentou no jantar e quão receptiva foi, você não deveria se surpreender. Você os tratou como párias, mãe. — eu disse colocando uma última camada de queijo e fechando o sanduíche e o pressionando contra o prato para não desmoronar.

— Eu confesso que poderia ter pensado melhor no que eu disse e talvez ter sido um pouco mais aberta, mas eu ainda não superei o fato que sou avó. É tudo muito novo para mim ainda. A última criança com quem tive contato foi sua irmã e isso já diz o bastante. Estou enferrujada. — ela disse cruzando os braços e apoiando o quadril contra o encosto do sofá.

Minha fome foi embora com suas palavras. O lanche apetitoso agora fazia meu estomago torcer ao redor de si mesmo e eu fiquei enjoado. Deus. Como é que ela consegue ser assim? Eu não tinha a mínima ideia. Minha própria mãe, de todas as pessoas.

Enferrujada? Tudo muito novo? — eu perguntei apoiando minhas mãos na bancada de mármore e olhei nos olhos dela. — Engraçado, o fato de eu ter filhos não deveria ser surpresa sendo que você conhecia a mãe deles e fez questão de incentivar ela á ficar quieta sobre a gravidez. Um incentivo com vários zeros eu devo adicionar.

Minha mãe congelou e foi a primeira vez que eu vi medo em seus olhos.

Eu não me vangloriei por isso, no entanto. Ela sabia agora o quanto eu estava puto com toda a situação e aquele medo de perder um filho por causa de um merda que fez anos atrás? Eu estava sentindo também, só que duas vezes mais forte do que ela.

— Oliver...

— Não vai querer negar, vai? — eu perguntei erguendo uma sobrancelha. — Você chegou a conhecer Sara? Entregou o dinheiro pessoalmente depois dos gêmeos nascerem? Ou quando quitou todo o débito hospitalar dela? Eu acho meio impossível você não ter descoberto que ela estava com câncer, logo você mamãe que assina tantos cheques para instituições que sofrem da mesma doença...

— Não vou me desculpar pelo que fiz, Oliver. Se está procurando uma desculpa, não irá encontrar. Eu não a conheci, todas as transferências foram feitas através de um bancário. Sim, ela estava com câncer e perdeu a batalha dela, é uma tragédia, mas você sabe quantas pessoas morrem por câncer neste país todos os dias? — perguntou com um tom gélido.

— Ela não era mais uma estatística, no entanto. Ela era a mãe dos meus filhos. — eu disse transformando meu próprio tom para algo frio também.

— Você não estava pronto para este tipo de responsabilidade, havia acabado de ganhar seu primeiro campeonato e tudo que conseguia pensar era em festejar com seus amigos. — ela disse e seu tom virou acusatório.

— Eu não estava pronto antes e muito menos agora, e olha onde estamos. — eu disse dando ombros. — Eu passei dois dias inteiros vigiando o meu filho dormir com medo de alguma mancha aparecer de novo ou do rosto dele voltar a inchar, porque eu não sabia quais eram as alergias deles. Ele poderia ter morrido. — eu disse em um tom cortando e vi a postura ofensiva de mamãe falhar. — Sei que não é a sua culpa por ele ter escolhido aquele chocolate em particular, mas é sua culpa por ter me privado de ter conhecido eles antes.

Ela soltou um suspiro e eu esfreguei meu queixo.

— Eu não vi eles nascerem. Eu perdi quase seis anos de momentos com eles porque você achou que sabia o que era melhor. Você entende o quão fodido isso é? — eu perguntei e vi seus lábios torcerem em desgosto pelo uso do palavrão. — E essa foi a gota d'água para mim.

Seus olhos se estreitaram.

— Eu não sei como vai ser daqui pra frente, mamãe, mas eu não quero você perto deles e nem de mim. Outra hora e outro dia iremos conversar de novo e quando estiver pronta para me ouvir e não apenas falar, iremos ter um bom relacionamento. mas não antes disso. — eu disse sentindo um cansaço psicológico horrível. Basicamente quando você finalmente nota que está falando com uma parede na sua frente. — Quando você aceitar que eu e Thea temos uma vida e tomamos nossas próprias decisões. Eu já disse isso antes, eu não vou ser como você e papai foram, eu vou ser melhor ou eu vou morrer tentando.

Ficamos em silêncio por um momento e eu admiti para mim mesmo que o fato de eu estar dizendo tudo isso para minha mãe me magoava mais do que magoava ela, porque sempre tivemos um relacionamento bom, e cem vezes melhor do que eu tinha com meu pai. Eu sempre relevei seus comentários sobre futebol porque sabia que ela estava querendo o melhor para mim, mas agora ela precisava aceitar que EU sabia o que era melhor para mim.

— Eu ainda não contei nada disso para Thea, mas ela vai descobrir eventualmente agora que a irmã de Sara está pronta para entrar em guerra comigo sobre a guarda das crianças. Algo que eu acho que você também já sabia. — eu disse e estralei alguns dedos.

Ela não reagiu de forma alguma, mas eu ainda era suspeito á isso.

— Os próximos meses serão brutais, mas acho que é a oportunidade perfeita para termos tempo e espaço para refletir sobre tudo isso e sobre o futuro dessa família também. — eu disse e deixei meu cansaço soar em minha voz. A raiva tinha evaporado e eu não tinha mais forças para lutar contra minha mãe, eu teria que guardar tudo que eu tinha para Laurel. — Eu estarei de mudança para outra casa, então da próxima vez que entrar aqui vai encontrar apenas Thea. Ela vai ficar com o lugar.

O relógio medonho em forma de maçã da Branca de Neve me avisou que eu tinha que buscar os remelentos na escola em poucos minutos, se não iria me atrasar um pouco. Embalei o prato com plástico e o coloquei dentro da geladeira, poderia comer o sanduíche depois.

— Solte Archer quando for embora, por favor. Eu tenho que ir buscar as crianças na escola. — eu disse pegando minha carteira e chaves no aparador. — Mãe?

Me voltei para ela e ela parecia tão frágil agora e jurei ter visto uma lágrima correr por uma de suas bochechas finas, mas não tinha certeza porque ela não estava me encarando.

— Eu vou ter mais alguma surpresa?

Ela ficou em silêncio e isso foi tudo que eu precisava como resposta. Entrei no elevador e fui atrás das únicas pessoas que importavam agora, os esqueletos no armário dela tinham um hábito de chegar a mim de qualquer jeito.

—-

— Você tem certeza sobre isso?

— É apenas uma noite, Queen, tenho certeza que dou conta. — disse Adrian pegando a mochila de Julianna de minhas mãos. — Agora vai embora antes que eu mude de ideia.

— Como se Anthony fosse deixar. — eu disse gesticulando para o mais animado dos três remelentos. Adrian revirou os olhos e me expulsou de sua casa logo depois disso, não consegui nem me despedir das crianças antes dele bater a porta na minha cara. — Okay... Entendi.

Caminhei de volta para o carro e saí pelos portões automáticos indo em direção ao estádio. Eu estava de folga. Completamente de folga. E isso não acontecia á quase dois meses. Não tive treinos hoje e o único exercício que havia feito hoje foi uma caminhada cedo com Archer no parque depois que levei as crianças para escola. Eu dormi mais do que gostaria de admitir e assisti a primeira série que vi no catálogo da Netflix. Almocei e preparei as malas paras os remelentos. Anthony tinha começado a falar sobre uma festa de pijama desde o dia do hospital e Adrian havia prometido que eles fariam uma, assim que Damien melhorasse e se reinstalasse, o que na mente de Anthony foi uma semana depois.

Não era que eu não tinha fé no meu amigo, mas eu não conseguia ficar com os três sozinho, dei sorte da última vez porque Felicity estava comigo e apenas por isso. Eu teria sido despedaçado sozinho, mas já que Adrian não queria ajuda e sim provar seu valor, eu deixaria ele fazer do jeito dele então.

Era apenas uma noite, o que poderia acontecer em um noite?

Muita coisa.

Decidi não pensar assim e foquei no pequeno trânsito na minha frente.

Costurei pelos carros até chegar na avenida do estádio. Estava bem tranquilo para uma sexta-feira a noite. Estacionei meu carro em uma das ruas atrás do estádio e acionei o alarme. Olhei ao redor e vi alguns bares e restaurantes bem cheios, mas as pessoas pareciam completamente alheias á mim. E esse era a uma das melhores sensações do mundo.

Dei uma corridinha leve até chegar na rua certa e consegui ver ela de longe. Ela estava vestida com jeans e camiseta, bem casual como eu havia pedido e a sacola com o logo do sino mais famoso balançava levemente em suas mãos. Seu cabelo estava solto e ela usava seus óculos hoje. Sem falar que havia chegado vinte minutos mais cedo do que havíamos combinado já que ela não quis que eu a buscasse em casa.

— Oi. Eu sei, eu sei. Eu estou muito adiantada, mas eu odeio me atrasar, então prefiro chegar uma hora antes e esperar... — ela disse assim que me viu andando na calçada até ela. — Mas eu acho que consegui fazer o pedido certinho!

Me aproximei o suficiente e sorri levemente para ela.

— Mas por que estamos aqui? — perguntou levemente confusa. — Me faça calar a boca se não, eu não vou parar e a noite nem começou ainda...

Emoldurei seu rosto com as minhas mãos e depositei um leve selinho contra os seus lábios que a fizeram ficar da cor de uma beterraba, mas ainda sim sorrir para mim assim que me afastei. Por um momento eu achei que tinha sido um movimento ousado demais, mas seu sorriso me aliviou.

— Oi.

— Oi. — ela repetiu e eu me afastei por completo agora.

— Vamos? — perguntei estendendo uma mão que ela aceitou e ergueu uma sobrancelha para mim. Seu rubor estava desaparecendo tão rápido como havia chegado, acho que eu teria que me empenhar para mantê-la corada a noite inteira.

— Aonde vamos?

— É uma surpresa, mas é um dos meu lugares favoritos. — eu respondi sentindo nossos dedos se entrelaçarem levemente. Peguei a sacola do Taco Bell de suas mãos e a guiei até um portão lateral. Coloquei meu polegar no leitor bem escondido e ele abriu. Felicity parecia mais curiosa do que nunca agora. — As damas primeiro.

Abri o portão e ela entrou. Não estava muito escuro, tinha luz suficiente para enxergar o chão e as paredes do túnel. Essa não era uma porta muito usada no estádio, mas normalmente quando as coisas ficavam agitadas antes ou depois de algum jogo o time entrava por aqui para evitar fãs excitados demais ou fotógrafos imbecis.

— Okay. É essa a hora que eu te conto que eu não superei o medo do escuro por completo quando era criança? — ela sussurrou assim que eu fechei o portão atrás de mim e ficou um breu. Sorri levemente e a puxei pela mão novamente.

— Relaxe, professora. Se eu fosse te matar, estaríamos em um lugar bem mais remoto do que este. — eu disse e ela tropeçou em seus pés levemente, mas se recuperou rápido. — Estou brincando.

— Ha ha. Muito engraçado. — resmungou e eu ri.

Fizemos uma série de curvas e subimos mais um pequeno lance de escada. Agora com uma iluminação mais decente, Felicity se acalmou e se colocou a observar tudo ao nosso redor, quando atravessamos a saída de emergência e o campo inteiro se abriu, ela ficou boquiaberta.

— Vamos, temos o melhor lugar da casa. — eu disse sorrindo e ela abriu um sorriso brilhante para mim em resposta.

Eu adorava vir aqui quando precisava ficar sozinho e parecia ser uma ótima opção para um primeiro encontro. Eu tive que pesquisar opções alternativas de jantar porque não queria o meu rosto e muito menos o de Felicity estampados em uma capa de revista. Lyla iria acabar comigo depois e a professora ficaria desconfortável, eu acho.

— Okay. Nós vamos até lá em cima, né? — perguntou ela começando a subir os degraus da arquibancada.

— Você nunca assistiu um jogo daqui?

— Não. Só aquela vez com o meu pai, o resto sempre foi em algum camarote com meus pais. Principalmente quando Adrian estava no Patriots. Os fãs eram meio malucos. — ela disse e começou a subir. Não tinha ninguém por perto, então me permiti encarar a bunda da professora. Era perfeita. — Aí quando ele mudou para os Rocketes, ganhamos o camarote cativo.

Revirei os olhos para um dos nossos times adversários. Sim, infelizmente Adrian já fez parte daquela equipe horrível. Meia temporada, no entanto, mas ele ainda sim vestiu aquele uniforme.

Paramos na última fileira e sentamos nas cadeiras de plástico. Felicity jogou seus pés para cima do assento na nossa frente e eu entreguei o seu burrito para ela e abrimos as latinhas de refrigerante com floreio. Eu vi fodidas estrelas cadentes assim que dei a primeira mordida. Eu não queria nem pensar no que tinha dentro daquela massa de tortilha, mas era muito bom.

— Oh meu Deus... Eu nunca comi um Taco Bell tão bom assim. — ela disse de boca cheia e eu ri e quase me engasguei. — É serio. Todos os burritos que comi fora de casa sempre eram meio rançosos, mas esse está uma delícia.

Engatamos em uma conversa tranquila. Ela me contou de algumas viagens que fez sozinha e em família, eu também contei, mas as minhas não eram nenhum um pouco engraçadas em comparação ás dela. Depois fomos para histórias de faculdade, e aí sim as minhas histórias eram mais interessantes e engraçadas do que as dela.

— Como nunca nos trombamos em Boston? Harvard não era tão longe do MIT. — eu disse limpando minha boca com um guardanapo.

— Ahm, é verdade, mas eu não frequentava tantas festas como você. Tentava ficar longe dos garotos de fraternidade. — ela disse antes de virar sua latinha com provocação brilhando em seus olhos azuis.

— Hey, o que você tem contra garotos de fraternidade? Somos inofensivos.

Seu olhar provocador se transformou em algo cético e eu gargalhei.

— Qualquer coisa com peitos consegue influenciar um garoto de fraternidade. — ela disse e eu coloquei a mão no meu peito.

Eu era um garoto de fraternidade. — eu protestei e ela riu.

— E assim o caso é encerrado. — ela rebateu e eu revirei os olhos, mas não neguei.

Juntamos nosso lixo dentro da sacola e ela tomou o restante do meu refrigerante, mas não antes de soltar uma piadinha sobre os perigos mortais do açúcar com um revirar de olhos.

— Afinal por que largou quatro faculdades? Estamos falando Ivy League aqui...

— Futebol. Acho que por isso eu fiquei um ano e meio inteiro em Harvard. O programa de futebol deles era melhor do que Yale, Princeton e Dartmouth foram. — eu disse dando ombros e fingi que não notei quando ela se aproximou mais de mim. — E depois de um tempo comecei a receber propostas para treinar em times grandes e duas propostas que já me garantiam um uniforme titular.

— Rocketes?

Eu neguei.

— Patriots e Giants, mas eu sabia que queria jogar para o Rocketes e quando a proposta deles chegaram, eu nem pisquei. — eu disse sorrindo levemente. Levantei meu braço e o joguei pelo recosto do assento dela sem me importar de ser discreto e fingir um bocejo. Não fazia meu estilo. — Larguei a faculdade e voltei para Starling City para treinar.

— Seus pais não devem ter gostado disso. — ela disse deitando a cabeça no meu bíceps estirado.

— Meu pai morreu já fazia alguns anos, mas minha mãe odiou a ideia e até ameaçou me cortar. Ela tinha planejado que eu assumiria a empresa e seria um CEO melhor do que ela e meu pai jamais foram, mas não era bem a minha praia. — eu disse voltando a dar ombros. — Eu sei que ninguém leva futebol realmente a sério se não estiver dentro daquele campo, mas era e ainda é o que faz meu sangue correr. É natural.

— Oh sim, ser perseguido por cinco caras com mais de 150kg de puro músculo querendo seu sangue e seu braço é algo muito natural. — ela disse e nós dois rimos. — Mas eu entendo, Adrian também tem esse brilho no olhos quando fala de futebol. É a paixão de vocês dois e não são obrigados á explicar isso para ninguém.

— Fiquei um tempo treinando com Slade. Ele foi mais do que brutal, nunca pensei que eu seria o cara com um pacote de oito, mas agora sou graças ao treinador acabando comigo dentro da academia e do campo. Depois de um ano inteiro, ele me colocou como reserva de Shawn Rogers e quando Rogers foi derrubado em um jogo, eu entrei em campo pela primeira vez e marquei seis touchdowns em vinte minutos. — disse e até me vangloriei um pouco. — Vencemos, mas não foi um dia de celebração.

— Rogers se machucou?

Assenti pesadamente.

— O impacto teve complicações. Ele não pode usar muito o ombro agora, e até treinou treinar com o esquerdo mas não conseguia lançar mais do que quinze jardas com ele. Ele se aposentou cedo demais, mas nunca me fez sentir que eu não era bem-vindo no time. — eu disse. — Eu me tornei titular depois disso e quando ganhamos o campeonato, Slade me fez capitão.

— O horror que isso fez para o seu ego... — ela alfinetou, mas depois riu.

— Depois daquele primeiro campeonato, tivemos ótimas temporadas, mas eu só fui ganhar meu anel de campeão como capitão anos depois. Eu sou o único jogador da NFL que tenho dois anéis do SuperBowls consecutivos. E só não fomos para o terceiro por causa da Olimpíadas.

— Nem me lembre disso, foi a época que eu fiquei com Maggie no apartamento que ela e Adrian costumavam morar juntos para ajudá-la com Anthony e foi um inferno. — Felicity disse tremendo de leve. — E sem falar no show que Adrian deu quando voltou com a medalha para casa. Eu quis mandá-lo de volta para o Japão.

Eu ri.

— Foi a nossa primeira vez nas Olimpíadas e ganhamos ouro, é claro que iriamos nos exibir, por mais que algumas pessoas não entendam isso até hoje. — eu disse lembrando que Thea quase jogou minha medalha pelo vaso sanitário.

— Planeja em se aposentar?

— Nunca pensei seriamente nisso, mas eu também nunca pensei que ao mesmo tempo que ganhava meu primeiro campeonato, eu também me tornei pai de gêmeos. — eu disse e sorri dando ombros. — Por que infernos sempre acabamos falando de futebol e das crianças em todas as nossas conversas? Eu não sei nada sobre você ainda.

Felicity gargalhou agora.

— Eu gosto de manter o mistério, Queen. — ela disse erguendo uma sobrancelha e sorrindo levemente. — Mas sendo sincera você seria um ótimo treinador ou professor.

— Por que?

— Porque quando você abre a boca para falar sobre algo que realmente gosta é muito interessante e até mesmo fascinante, por isso você sempre acaba fazendo a parte de falar e eu faço a parte de ouvir. — ela deu ombros e eu agradeci á Deus pelos assento no topo da arquibancada não terem uma iluminação tão boa assim porque tinha certeza que eu havia ficado meio vermelho. — Mas o que você quer saber?

— Como saiu do MIT e acabou sendo professora do fundamental? — perguntei o mais fácil e ela sorriu.

— Bom, passei quatro anos em Boston para me formar em ciências da computação e sistemas de informação. Nesse meio tempo eu tive um namorado chamado Cooper, ficamos juntos por três anos. — ela disse e se afastou levemente de mim agora, mas não quebrou o contato visual. — Até que um belo dia eu o encontrei com a minha colega de dormitório em uma posição nada favorável.

— Então ele tinha uma condição especial, certo?

— Por que a pergunta?

— Quem em consciência te trairia, professora? — eu perguntei o óbvio e ela voltou a corar.

— Obrigada, isso foi bem lisonjeiro, mas você não me conhecia naquela época. Eu não era loira, não usava óculos e era muito magra. A ponto de mais de um professor sugerir que eu tinha algum tipo de distúrbio alimentar. — ela continuou contando e eu não consegui imaginá-la assim. — Minha mãe e o pai de Adrian haviam acabado de se casar, e quando eu contei o que aconteceu, Harry pediu para que eu me mudasse para um loft perto do campus e visse um terapeuta.

— Por que?

— Porque aparentemente eu fui a última a descobrir que estava dentro de um relacionamento abusivo. Ele nunca me bateu ou coisa parecida, mas ele era muito persuasivo. Eu literalmente esquecia todas as merdas que ele fazia porque o cara tinha muita lábia, até o dia que eu o flagrei. Então eu me mudei no dia seguinte, não tinha muita coisa de qualquer jeito, e fiz terapia e descobri os verdadeiros danos no meu drive. — ela disse calmamente. — Eu me formei, e depois tirei um ano para viajar sozinha, e quando voltei Anthony nasceu e eu tentei trabalhar na minha área, mas não fui muito longe, parecia que eu não me encaixava mais ali, então decidi fazer uma coisa louca.

Ergui uma sobrancelha e ela riu dando ombros.

— "Professora" era a última palavra que todos usariam para me descrever naquela época, então eu experimentei com adolescentes e fui muito bem, então decidi fazer a faculdade de pedagogia em seguida, mas ainda me envolvia em alguns projetos. — ela disse dando ombros mais uma vez. — Eu que desenhei e montei o site inteiro da Maggie e outros de suas amigas que tem canais no Youtube sobre maternidade e essas coisas. Aprendi muita coisa com elas sobre como lidar com crianças.

— Você não se arrepende?

— Não, porque eu não gosto de sofrer com as minhas escolhas. — não houve nem um pingo de hesitação em sua voz. — E eu amo as crianças, ver elas descobrirem tecnologia é sempre muito divertido.

— Espere aí... Quantos anos você tinha quando se formou pela primeira vez?

Ela riu.

— 19. — disse e eu fiquei mais do que surpreso. — Eu sempre fui uma criança curiosa.

— Você fala "curiosa" e eu escuto "genia". — eu disse e ela corou.

— Depois me formei na faculdade de pedagogia com 22 e estou ensinando na escola vai fazer dois anos em outubro. — ela disse parecendo satisfeita com todo seu processo. — Eu te contei meu último relacionamento sério, agora sua vez.

— Ahm... O que você define por sério? — eu perguntei com cuidado.

— A última pessoa que você levou em um encontro.

— Makenna Hall. Nós nunca tivemos nada sério porque as nossas agendas não eram compatíveis em nenhum sentido. Ela sempre foi ocupada demais assim como eu, mas de todos os meus breves relacionamentos, ela foi a mais constante? Não sei se posso descrever assim. Nós já saímos várias vezes e sempre nos divertimos, mas nunca colocamos um rótulo. — eu tentei explicar sem parecer um babaca.

— Você nunca quis algo mais sério?

— Sinceramente? Três meses atrás eu tinha outras coisas em mente. Outras prioridades que se resumiam a ganhar o campeonato e levar meu cachorro para tomar banho no pet shop. — eu disse e encolhi os ombros, mas não vi julgamento algum nos olhos de Felicity. — Não posso culpar Adrian inteiramente pelo seu discurso. Com certeza sou o tipo de cara que o seu pai disse para você ficar longe.

Ela revirou os olhos e sorriu levemente se aproximando de novo.

— E você? Tirando o Cooper fiasco.

— Eu tentei alguns relacionamentos depois de Cooper, mas simplesmente não funcionou. E eu vou te falar, se Anthony não gosta do meu namorado, então não é o cara certo. — ela disse e eu sorri ao pensar no pequeno furacão Chase. — Acho que é uma coisa boa que ele já ame você até a morte.

Meu sorriso se alargou e eu balancei a cabeça.

Alcancei meu bolso e peguei o pequeno post-it rosa que havia pegado do bloquinho de Jules junto com uma de suas canetinhas e passei para Felicity que aceitou curiosa. Ela desdobrou o papel e soltou uma risada abafada quando viu o que eu havia escrito ali. Destampou a caneta e escreveu sua resposta e me devolveu.

"Posso te beijar? Marque "Sim" ou "Não".

Ela havia desenhado um "X" na caixinha ao lado do sim, então eu me inclinei e ela me encontrou na metade do caminho. O beijo começou reticente e com um simples tocar de lábios, mas eu me tornei um fodido viciado quando falávamos da professora. Apliquei um pouco de pressão e senti suas mãos subindo por meus ombros até a minha nuca por onde ela me puxou para mais perto. Suas unhas arranharam minha pele e eu senti arrepios por toda parte.

Esse beijo fez parecer que era o primeiro. Eu sabia que não era, mas parecia.

Repousei minha mão no quadril de Felicity levemente e senti seu corpo ondular bem levemente debaixo do meu toque, isso me fez sorrir feito um idiota, mas era aqui que eu fazia ela suspirar. Angulei minha cabeça um pouquinho só e pedi permissão com a minha língua, ela me deu e o cenário mudou drasticamente.

A situação do meu jeans era desconfortável. Sentia meu próprio pulso acelerar, mas não mais rápido do que o de Felicity. Escorreguei minha mão para baixo e encontrei o topo de suas coxas. Quando ia um pouco mais Sul, um alarme soou pelo estádio inteiro fazendo eco. Nos separamos e eu vi Felicity soltar um suspiro dolorido. Ela alcançou algo em sua bolsa no chão e notei que era o seu celular que estava fazendo o barulho inteiro.

— Você tem que estar curtindo com a minha cara! — ela exclamou e depois virou a tela para mim. A foto de Adrian e Anthony sorridentes em uma piscina estava ali e este primeiro estava ligando para ela. Ela atendeu a ligação e colocou no viva-voz. — Hey!

— Hey! Eu preciso de ajuda!— ele disse se atropelando em palavras e nem parando para notar o quão irritada ela parecia.

— O que aconteceu?

— Como eu lavo cabelo de menina? Julianna se melecou toda com guacamole dos nossos nachos...— ele revelou e eu tive que colocar meu punho na frente da boca para não rir, mas Felicity riu livremente e sua irritação foi esquecida. - Não ria!

— Ahm, okay. Tire o grosso com água, depois lave o cabelo em seções, mas não use muito shampoo. Depois penteie devagar. Quer que eu te mande o link de um tutorial? — perguntou Felicity sorrindo para mim e eu balancei a cabeça.

— Não, eu acho que entendi. Tirar o grosso, lavar por partes... Okay. Eu consigo fazer isso. Obrigada, beijo, tchau.— ele disse acelerado e eu consegui ouvir algo caindo do outro lado da linha que o fez xingar e desligar sem esperar Felicity se despedir também.

— Okay... Isso foi estranho para dizer no mínimo. — ela disse guardando o celular de bolsa. — Mas está ficando tarde de qualquer jeito... Vamos?

Ela se levantou e estendeu sua mão para mim. Eu aceitei e levantei, agradeci por estar escuro suficiente para que a situação dos meus jeans fosse disfarçada. Isso estava começando a parecer tortura e tudo que era preciso era um fodido beijo.

— Espere... — ela disse assim que entramos no túnel antes da saída de emergência.

— O que? Esqueceu algo? — eu perguntei usando uma das lixeiras ali perto para descartar as embalagens de comida. Eu me virei e a encontrei bem ao meu lado e ela me empurrou até a parede do túnel. — Estou gostando de você mandona, professora. É muito excitante.

Ela não respondeu nada, apenas me puxou pela camisa enquanto ficava na pontas dos pés para alcançar meu rosto, ou melhor dizendo, meus lábios. O beijo foi de tirar o fôlego e eu tive usar todo o meu auto-controle ali para não agarrá-la ali mesmo e rasgar suas roupas.

— Hmm. — ela disse quando nos separamos. Eu estava ofegante e ela parecia pensativa. Até bateu o indicador no queixo. — Talvez seja diferente com o uniforme...

— O que? — perguntei confuso e ela sorriu como se aquilo fosse uma piada particular apenas dela.

— Vamos, está tarde e eu tenho uma garrafa de vinho com o seu nome no meu apartamento. — ela disse me puxando pelo braço até a porta. — Você não vai embora até me dar um orgasmo, Queen.

Graças ao fodido Deus.

—-

— Por que você faz isso? Se auto-deprecia desse jeito? — ela perguntou assim que eu tirei a rolha da garrafa de vinho e ela me ofereceu duas taças para encher.

Joguei a rolha em cima da sua pia e me voltei para onde ela estava sentada em cima do balcão. Seu apartamento era maior do que eu esperava e era uma explosão de cores. Bem Felicity mesmo. E sem falar que Anthony parecia ter seu próprio espaço aqui se o cesto de brinquedos fossem algum indicação.

— O que quer dizer? — perguntei e servi uma das taças que ela me oferecia.

— Você é um cara inteligente, mas gosta de bancar o papel de loiro burro para todo o mundo. Ninguém ganhar campeonatos se não tem raciocínio rápido ou saiba o básico de estrategismo. — ela disse e eu dei ombros servindo a outra taça. — Você é muito inteligente, Oliver.

Ela me entregou uma e batemos as taças levemente em um brinde.

— Obrigada, mas eu apenas entendi depois de um tempo que se eu mostrar o que eles querem, eles me deixam em paz eventualmente. — eu disse depois de beber um pouquinho vinho gostoso. Iria me limitar á uma taça hoje, não planejava acordar com ressaca amanhã. — Quanto menos você mostra, mais eles vão querer saber.

— A mídia? — perguntou e eu assenti em resposta. — Eu tento acompanhar um pouco o que acontece no mundo dos esportes por causa de Adrian, mas eu noto que eles meio que te perseguem, principalmente aquele cara do canal 56.

— Billy? Oh sim, ele é o meu maior fã encubado. — eu disse sorrindo e ela riu. — Por mais louco que pareça, ele nunca expressa sua opinião quando estamos cara-a-cara.

— Isso se chama auto-preservação. — ela sorriu e eu ri levemente. — Por isso as crianças tem guarda-costas na escola?

Eu assenti.

— Eles são apenas uma medida de segurança. Eu e minha irmã crescemos sendo perseguidos por paparazzis e meu pai nem era uma figura pública tão importante assim, não estou dizendo que eu sou, mas eu não quero que eles passem pelo mesmo e tenham medo de sair de casa. — ela assentiu como se entendesse e eu até acho que ela entendia mesmo.

— Não posso nem imaginar crescer assim. Parece ser solitário. — ela disse se virando para mim quando me apoiei no balcão ao seu lado.

— E foi, mas eu tinha Tommy. E os gêmeos tem Anthony e as trezentas amigas de Julianna. — eu disse sorrindo levemente e ela riu concordando.

— Você realmente desceu pelo tobogã aquele dia?

— Sim. Wendy estava com medo de altura e Julianna me fez ir atrás dela, acho que eu até quebrei algumas partes daquele negócio, mas nós escorregamos juntos. — eu disse e ela voltou a rir. — O que?

— É incrível como uma garotinha de seis anos tem um homem adulto de o que? 1,90? — assenti. — Com um 1,90 de altura ao redor do dedinho dela.

— Você está começando a soar como a minha irmã agora.

— Mas é verdade. Se Julianna pedisse para você vestir um tutu e dança com ela, você faria? — perguntou erguendo uma sobrancelha assim que terminou sua taça e alcançou a garrafa para um refil.

Fiquei em silêncio.

— Oh meu Deus! Ela pediu isso! — ela exclamou arregalando os olhos com um sorriso. — E você fez!

— Eu não estou confirmando ou negando isso. — eu disse e tomei um grande gole da minha taça.

— Hey... Não precisa se envergonhar, algo me diz que você ainda consegue mesmo com um tutu. — ela disse batendo seu dedo indicador em meu nariz. — Oliver?

— Hm?

— Você ainda vai demorar muito para me beijar ou eu vou ter que te atacar de novo?

Bebi o resto da minha taça em apenas um gole e me virei para Felicity. Suas bochechas estavam coradas, o sorriso fácil e os olhos brilhavam. Ela estava meio alegre, no caminho para ficar bêbada. Não sabia se era sensato fazer um movimento nela agora, mas foi ela que deu a ideia do vinho para começo de conversa.

Puxei suas pernas para a beira do balcão e me coloquei entre seus joelhos. Ela soltou uma risadinha e se apoiou em meus ombros. A taça e a garrafa de vinhos foram esquecidas. Senti suas mãos passearem dos meus ombros até a minha nuca em um ritmo lento.

— Está me apalpando, professora? — perguntei sorrindo com suas mãos começaram a explorar meus braços e parte das costas, não estava reclamando de maneira alguma porque para fazer isso ela teve se aproximar ainda mais.

— Sim. — respondeu sem pudor algum. — Você é muito alto, não tive chance alguma de fazer isso antes. Eu pensei que você seria todo duro, mas é tão... Tão...

— O que?

Minhas mãos subiram por seus joelhos até o topo das coxas e por fim, sua bunda.

— Eu esqueci o que ia falar. — ela disse quando eu colei nossas testas juntas.

Beijei seus lábios levemente e senti o gosto do vinho ali. Beijei-os novamente com um pouco mais de pressão e as mãos de Felicity voltaram para os meus ombros. Nos separei e senti sua respiração alterar bem levemente, trouxe ela ainda mais perto e voltei a beijá-la. Ela teve tempo suficiente para recuar, e não o fez.

Seus lábios se abriram em um claro convite que eu aceitei. Eu quis gemer assim que sua língua encontrou com a minha. Eu sei-lá sabia o que Felicity fazia e como ela fazia, mas seja o que for me fazia querer cair de joelhos. Enchi minhas mãos com sua carne protegida apenas pelo seus jeans e ela suspirou entre o beijo e entrelaçou suas pernas ao redor da minha cintura, colando nossos corpos. Seu corpo era quente. Em todos os sentidos possíveis. Decidi me aventurar pelo seu corpo com minhas mãos, subi um pouco para suas costas em direção as costelas e quando ia subir mais um pouco...

Felicity resmungou ao se separar de mim ao ouvir novamente seu celular gritar aquele toque de chamadas horrível. Ela se deitou no balcão e isso não me ajudou em nada, só me fez querer usar meus dentes nela. Respirei fundo e quando ela voltou a sentar, me mostrou a tela do seu celular.

— Qual é... Ele sabe que estamos juntos? — perguntei e ela negou.

— Não. — respondeu e atendeu a ligação e ligou o viva-voz. Ao menos seu tom parecia tão chateado como o meu. — Hey... O que foi agora?

— Quão alta a temperatura deve estar para ser considerado febre?

— Mais alto que 37° graus, por quê? — perguntou Felicity franzindo as sobrancelhas.

— Julianna parecia quente demais.— Adrian respondeu e algo dentro de meu cérebro começou a apitar.

— Ela está bem? Está sentindo alguma coisa? — perguntou Felicity soando preocupada e seus olhos refletiam isso. — Você deu alguma coisa diferente para eles comerem?

— Não. Nós comemos nachos com queijo. E agora eles estão assistindo um filme de fadas e comendo pipoca.— respondeu Adrian. — Depois do que aconteceu com Damien não quis arriscar com as fajitas.

— Provavelmente é neura sua, Adrian. Vale lembrar que eu me voluntariei para te ajudar hoje e você me dispensou. — ela disse revirando os olhos e o alarme dentro da minha cabeça parou de apitar.

— Eu sei, eu sei. Eu consigo ligar com os meninos, mas nunca fiquei com uma criança menina. É meio intimidante.— ele disse com um pequeno suspiro e eu maneei minha cabeça. Felicity riu levemente. Depositei um beijo em seu pescoço e senti seu pulso acelerar contra a minha boca. — Ela parece tão mais frágil que os meninos, isso é normal?

— Sim, isso apenas significa que você se importa, irmãozinho. — ela respondeu e eu desci por seu pescoço. Desci uma das alças de sua regatinha junto com a do seu sutiã que por sinal era rosa pink, e beijei se ombro e fui em direção ao seu colo. — Algo mais? Estou no meio de maratona de Doctor Who...

— Você não faz isso ás sextas, Felicity.— murmurou desconfiado e eu sorri.

Infiltrei minhas mãos por baixo do tecido de sua regata e subi por sua barriga até a borda do sutiã que ela usava.

— Eu preciso de um mimo depois da pilha de provas que corrigi para Talia hoje, e agora você está meio que atrapalhando... — ela disse e vi ela afastar o telefone para soltar um suspiro e me fuzilar com seus olhos azuis. Eu apenas sorri e emoldurei um de seus seios e sem quebrar o contato visual, o apertei. Vi o prazer passar por seus olhos, mas ela ainda insistia na cara ameaçadora que não funcionava em mim.

— Não, era apenas isso. Vou ligar para Oliver agora, as crianças querem dar boa-noite para ele.— Adrian disse e ao ouvir meu nome eu parei tudo que estava fazendo como se havia sido pego assaltando a geladeira no meio da noite.

— Okay então. Boa noite, dê um beijo nas crianças por mim. — ela se despediu e a ligação foi cortada. — Oliver Queen, o que exatam...

Sua frase foi cortada pelo meu toque de celular agora.

— Salvo pelo gongo. — ela disse e eu fui até minha jaqueta que estava em uma das banquetas de seu balcão. Respirei fundo e atendi a ligação de Adrian, mas de rabo de olho vi Felicity correr por um corredor.

— Esse é você pedindo socorro?

— Ha ha ha, você é hilário, Oliver.— Adrian respondeu ranzinza e eu sorri um pouco. — Seus filhos querem dar boa-noite.

Ouvi vozes ao fundo e logo o celular do meu colega de time foi parar em outras mãozinhas. Um certo par que eu tive o prazer de, tentar, fazer a manicure ontem a noite.

— Oi papai...

— Oi Jules. Como você está? — eu perguntei sentindo meu sorriso aumentar.

— Estou bem. O Tio Adrian é tão bobinho, papai.— ela contou e eu ri levemente. — Ele lavou meu cabelo com muito cuidado hoje, e ficou com medo do shampoo cair nos meus olhos, mas eu tinha contado para ele que o meu shampoo não faz arder!

— Sério? — perguntei e ela continuou seu mini-monólogo.

— Sim, ele fez nachos para gente comer e o Damien quase não deixou nada para mim e o Tony.— ela contou e eu ouvi as vozes dos dois ao fundo.

Logo a ligação foi compartilhada com mais gente.

— Oi meninos.

— Oi!— eles disseram juntos.

— Estão se divertindo? O que estão fazendo? — perguntei e ouvi alguma coisa cair no outro cômodo ao lado e dei alguns passos além do sofá, preocupado. O que ela estava fazendo lá dentro?

— Assistindo um filme. Tinker Bell. Eu e o Tio Adrian ganhamos dos dois no pôquer e escolhi o filme.— disse Jules orgulhosa.

— Nós deixamos você ganhar, Julianna.— corrigiu Anthony e eu consegui sentir que minha filha estava revirando os olhos enquanto Damien dava ombros. — Não é um dos piores filmes do mundo.

— Okay, okay. Assim que vocês terminarem, escovem os dentes, sim? — pedi e os três gritaram "Sim". — Damien e Jules obedeçam o tio Adrian e qualquer coisa é só pedir para ele me ligar, okay?

— Okay!— eles gritaram agora e eu ri levemente. — Damien, posso falar com você em particular?

Julianna protestou assim como Anthony, mas ouvi a voz de Adrian pedindo para eles irem arrumar as almofadas para construírem um forte. Céus. Eu nem queria saber como estava o estado daquela casa agora. Damien tirou a ligação do viva-voz e me chamou.

— Papai?

Eu sorria toda vez que escutava ele me chamar assim agora.

— Hey campeão, cuide da sua irmã, okay? Tony consegue ser muito agitado ás vezes. — eu pedi.

— Eu sei, mas até agora ele fez tudo que ela pediu! Até fez a gente perder no pôquer...— seu tom de voz não o fazia parecer chateado, Damien parecia mais confuso e eu ri levemente.

Sério mesmo que Anthony seria o primeiro garoto que eu teria que lidar?

— Acho que ele não quer que ela se sinta deixada de lado, ela é a única menina aí lembra? — perguntei e ele soltou um longo "Aaa" como se entendesse tudo agora. — Se ela tiver um pesadelo, pode me ligar, ouviu?

— Tudo bem, mas acho que a gente vai ficar bem com o Tio Adrian. Ele é muito legal.— ele disse e senti o sorriso do outro lado da linha. — Mas não tão legal como você, ele ainda não sabe fazer caminhas no chão muito confortáveis.

Este é o meu garoto...

— Boa noite, Dame. Dê um beijo em Jules e Anthony por mim, okay? — pedi e ele concordou. — Posso falar com Tio Adrian agora?

Ouvi uma porta se abrir e me virei para o corredor que Felicity havia ido e senti minha boca secar completamente ao mesmo tempo que Adrian pegou seu celular de volta e Felicity apareceu no corredor usando apenas uma camisa dos Rocketes com o meu número, mas não era aquela que eu havia emprestado para ela, era outra um pouco maior que batia um pouco abaixo do topo de suas coxas.

Deus... Suas pernas.

— Então, o que está fazendo?

— Você realmente não quer saber. — eu respondi á pergunta de Adrian.

Felicity apontou para o sofá e eu me deixei cair lá.

— Está vendo filmes adultos em casa, Oliver?

— Não. Eu não preciso disso. — respondi e Felicity veio até mim e montou em meu quadril sem cerimônia. Um pequeno suspiro estrangulado saiu pelos seus lábios assim que notou minha ereção.

— A-ha! Está sem ação á quase dois meses, cara, conta outra.— zombou Adrian e eu revirei os olhos. Felicity sorriu e se inclinou contra mim. Dei uma olhar de aviso e ela fez seu caminho até meu pescoço enquanto sua mãos passeava pela minha barriga e mais para baixo.

— Quem te contou isso?

— Tommy.

— Vocês deveriam cuidar da vida de vocês. — eu rosnei ao sentir a mão de Felicity trabalhar o botão e o zíper da minha calça. Apertei sua cintura e ela olhou para mim e sorriu ao ver minha expressão.

Notei pelo tecido da camisa que ela havia tirado seu sutiã e seus mamilos estavam sendo marcados ali. Tortura. Isso era algum tipo de tortura e eu nem fiz nada para merecer. Eu acho, pelo menos. Felicity beijou meus lábios bem levemente e puxou a barra da minha camiseta para cima.

— Cuide dos meus filhos, Chase. — eu disse e desliguei a ligação e deixei meu celular cair no chão em um baque surdo, mas não me importei. Arranquei a camiseta de mim e depois fui para cima de Felicity o fez ela rir livremente agora.

Pressionei seu corpo contra o sofá com o meu e ataquei seus lábios. Ela suspirou, mas correspondeu com o mesmo fervor. Eu sentia a situação dos meus jeans ficar cada vez mais desconfortável, mas o inferno iria congelar antes que eu pudesse parar e realmente apreciar as pernas de Felicity Smoak. Como eu já disse antes, era o meu fetiche.

— Oliver... — ela suspirou assim que eu deixei seus lábios e fui para o seu pescoço novamente.

Sua pele era tão macia, notei que ela não usava qualquer tipo de perfume, mas ainda sim emanava um cheiro floral delicioso. Passeei minhas mãos da sua cintura até suas coxas, toquei e apertei do jeito que havia imaginado fazer desde a primeira vez que a vi e era muito melhor do que qualquer coisa que eu havia pensado.

— Aonde é o seu quarto, professora? — perguntei no pé da sua orelha enquanto observava sua respiração ficar ofegante, suas pernas se entrelaçarem com força ao redor do meu quadril e suas unhas fincarem em meus ombros.

— Primeira porta á direita. — ela respondeu depois respirar fundo.

A peguei no colo e ela grudou em mim feito um coala e voltou a me beijar.

Abri a porta de seu quarto e bati a mesma atrás de mim. Caminhei até a sua cama e depositei seu corpo bem no centro. Ela estava muito corada agora e percebi que suas coxas também, eu estava certo, sua pele ficava vermelha com facilidade e isso me excitou ainda mais.

— Adorei a sua camiseta, esse cara joga muito bem. — eu disse deslizando o tecido para cima e revelando uma calcinha branca e mais pele para eu tocar.

Felicity riu em resposta e se contorceu embaixo de mim assim que sentiu meus lábios perto de seu umbigo. Continuei deslizando o tecido ao mesmo tempo que beijava cada trecho de pele que era me exibido, até que Felicity tomou as rédeas e arrancou a camisa de si mesma. Eu quase gozei em minhas calças como um adolescente ao ver seu primeiro par de seios na vida. Sem cerimônia alguma eu os apertei e mordi, o que fez Felicity arquear suas costas e arranhar minha nuca.

Eu não iria ficar cansado de ouvir ela gemendo o meu nome tão cedo.

— Oliver... Suas calças, fora, agora. — ela disse e eu ri contra sua pele e assisti de camarote ela se arrepiar, merda, até eu me arrepiei com isso. Meu corpo entrou em sincronia com o seu. — Por favor.

Ela não precisou pedir duas vezes.

Eu não ia parar até ouvir ela gritar o meu nome.

Notas finais
Hey people, então eu gosto de chamar esse capítulo de mexidão... Teve drama, teve fofura, teve safadeza, teve mais fofura e depois mais safadeza. Foi muita coisa? Muita informação? Não quis separar esse aqui por parte porque para mim iria ficar nem muito sexo, não sei (?) Vocês gostaram? Moira e Oliver tiveram uma boa conversa, mas agora que Moira saiu da frente, quem nos espera? Um milhão de dólares para quem disser Laurel Lance! Comentem! Indiquem! Favoritem! Recomendem! Outras fics_ https://fanfiction.com.br/historia/736715/Dangerous_Love/ https://fanfiction.com.br/historia/784341/The_Perfect_Nanny/ (Atualizada!) L.W PS: Venham conversar comigo no Twitter! Meu nome por lá é @juju100_! Vamos conversar sobre Arrow, fanfics... Qualquer coisa! Estou começando a postar pequenos trechos e spoilers sobre minhas fics por lá também! PS²: Vamos bater #250 comentários? Ou mais uma recomendação?