Clube da Luta - Colateral
5 Capítulo 5 - O quinto pecado
Hoje era o dia.
Depois que completávamos as missões, Tyler pedia que nos reuníssemos na sala de TV do Galpão e fazíamos uma exibição de nossos feitos no noticiário. O Jeff era o responsável por gravar todos os nossos atos em fitas K7 para o arquivo pessoal de Tyler.
Foi a primeira vez que Tyler sentou perto de mim. Meu corpo estremeceu. "Chega pra lá" comentou, enquanto seus olhos encaravam todo o meu interior e dançavam na minha mente, como se lesse todos os meus pensamentos mais sórdidos. Tyler conhecia todos nós. Quando dormíamos, ele cuidadosamente ia até nós e organizava nossos pensamentos, corrigia o que devia ser corrigido e eliminava o que devia ser eliminado. Não pergunte, Tyler sempre sabe o que fazer.
Naquela noite eu me tornei uma estrela em ascensão. Minha foto apareceu no noticiário. Minha vó estava mobilizando a mídia local para conseguir me encontrar. Fui dado como desaparecido. Todos riram e me deram tapinhas nas costas. Era um ritual de passagem. Você precisava desaparecer para se tornar totalmente visível. Foi assim que Tyler disse que seria, e foi assim que aconteceu.
"Você! Invisível, vamos dar uma volta" Tyler me jogou um casaco. Eu agarrei aquele jeans surrado e disparei a segui-lo pela casa. Saí pelos fundos e me deparei com Tyler bolando um baseado próximo da horta.
"Você mostrou um bom trabalho, Invisível" Tyler não me olhava, mas de alguma forma, me enxergava de todos os ângulos.
Eu agradeci enquanto sentia meu coração acelerar. Estar próximo dele era o meu maior desejo enquanto membro do Clube da Luta. Ele finalmente olhou pra mim, com o cigarro entre os lábios. A barba por fazer me provocava.
"Fogo...!" pediu e eu logo lhe lancei um isqueiro. A fumaça deformou no ar depois da pequena fagulha de luz. Tyler carregava um fardo tão pesado. Eu faria qualquer coisa para dividir o peso com ele.
"Cê tem que fazer uma coisa pra mim, Invisível..." qualquer coisa para Tyler Durden. Ele tinha minha total atenção.
"Sabe aquela sua amiga Vanessa? Ela não tá com a gente. Ela andou espalhando sobre o C.L" meu coração parou por alguns segundos e Tyler percebeu. Não há como esconder nada de Tyler. Tyler sabe. Tyler vê. Tyler é.
"Pode ser um engan..." Tyler gritou e arremessou o cigarro na minha direção. Ele apanhou um vaso e o partiu na parede. Um pouco de terra sujou meu rosto.
"Talvez eu esteja me enganando a teu respeito, Invisível!" Não, Tyler! Eu sou seu servo mais fiel. Na hora, eu tava com tanto medo que não disse nada. Mas eu não precisava, Tyler conseguia conversar com nossos silêncios, ele fazia isso o tempo todo.
"Você vai pegar isso" ele me jogou uma arma roubada de um policial "e vai encerrar a participação de Vanessa no C.L, entendeu?!"
Aquilo foi como se pegasse um desfibrilador e dessem choques dentro do meu peito. Senti minhas entranhas revirarem. Eu estava transando com Jared ou Vanessa há duas semanas. Ela me comia, eu comia ela. Assim como Tyler falou que seria.
"Você entendeu?" Ele me olhou e diminuiu a distância entre nós. De forma suave e inesperada, tocou meus cabelos espatifados com a ponta dos dedos. Beijou minha testa. A arma estava em minha mão. Em Tyler eu confio!
Depois de quinze minutos de metrô, cinco de caminhada na Principal, eu estava defronte a pocilga que Jared ou Vanessa vivia e, eventualmente, trabalhava. Bati na porta, nenhum sinal. Não era um problema. Tyler me contou onde a vadia escondia a chave. Sentia que Tyler me acompanhava e docemente segurava minha mão. Ele disse que estaria comigo quando eu puxasse o gatilho. Sim, ele vai estar!
Jared ou Vanessa não estava na sala. Jared ou Vanessa não estava no quarto. Jared ou Vanessa estava fodendo um cara no andar de cima. Eu adorava a forma como ela me penetrava retirando todo o pênis e depois recolocava ele inteiro dentro de mim. Aquilo me excitava bastante. Por que aquela vagabunda está transando com outro? Tyler perguntou.
Eu subi as escadas com tanta força, que a poeira do assoalho começou a chover sobre mim. Eu espirrei. Ouvi a porta abrindo. Era hora de receber os pombinhos.
"Kyle... O que faz aqui, docinho?" Jared ou Vanessa estava vestindo um roupão rosa desbotado. Numa das mãos, um livro. O que essa vadia quer com literatura? Perguntou Tyler.
Tyler disse que eu deveria fechar os olhos. Eu fechei. Nesta hora, lembro de apenas uma coisa: Jared ou Vanessa abria o cinto que prendia minhas calças. Eu apenas abri os olhos quando Tyler disse que eu deveria abrir. Leitor, Tyler não estava fisicamente ali, mas ele me mandou fazer exatamente assim. Ele estava na minha mente, eu deixei ele entrar.
Enquanto Jared ou Vanessa gemia de prazer cavalgando no meu pau, eu peguei a arma de forma discreta e pressionei no peito dela. Ela gemia, tomada pela excitação. Tyler estava ali, ao meu lado. Ele sorria de forma tão doce. A marca do beijo que ele me dera estava pulsando. Era sua mão metafísica segurando a minha. Foram três tiros e eu matei Jared ou Vanessa.
Eu estava banhado com aquele sangue. Tyler se acomodava em minha mente e me parabenizava de forma gentil. Ele ficaria tão orgulhoso quando eu contasse a ele, ainda que, de alguma forma, ele já sabia que eu tinha conseguido. Em Tyler nós confiamos!
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