Clube da Luta - Colateral
2 Capítulo 2 - O segundo pecado
Minha vida antes do Tyler
Eu moro num apartamento com a minha avó. Sim, eu moro com a minha vó. Antes de tudo, das lutas, das palavras de Tyler, eu era uma espécie de reflexo de minha avó. Assistíamos novela todos os dias, depois do meu expediente de merda. Cozinhávamos bolinhos aos sábados e íamos a igreja nos domingos. Amém.
Eu tenho 21 e sou virgem. Isso não era um problema, pois eu tinha todo o conforto que precisava com a minha avó. É, mas não dá pra transar com ela! Então eu vivia a base de pornografia. É um mágico e infinito, onde você pode encontrar tudo que quiser. Você tem loiras de quatro, morenas em dupla penetração, orgias, sexo em público... Tudo isso com um click. Qual o deus que pode conjurar janelas recheadas de sexo grátis na minha frente? Talvez algum deus romano... Aqueles caras eram doentes!
Todos os dias eu saía cedo, depois de tomar um café da manhã feito pela minha avó: pão quente, ovos, café e bacon. Todos os dias. No meu emprego, eu era uma espécie de carrasco de luxo do meu chefe. Uma puta constitucional. Ele jogava todo a parte burocrática e chata pra mim, como se batesse com o pau na minha cara. E eu ia lá, e fazia tudo com o maior prazer, como aquela atriz pornográfica que masturba o pênis do cara, enquanto encara o membro, sorrindo. Eu amava meu trabalho, até o Tyler aparecer... Mas nós ainda não chegamos lá.
Eu tinha amizades artificiais e amava tudo aquilo. A Sarah, secretária do meu chefe, era a mais artificial de todas. Eu amava aquele jeito pérfido que ela tinha. Eu adorava a forma como ela tentava entender as conversas burocráticas dos outros advogados associados; Eu amava a forma como ela sorria sem entender as piadas dementes que eles contavam; Eu amava ouvir os gemidos dela no estacionamento privativo dos doutores, enquanto ela fodia com eles. Sarah era uma vencedora. Ela sabia se manter ali. Eu invejava Sarah.
Eu conheci o clube da luta por causa de Jared ou Vanessa. É, eu vou explicar. Meu melhor amigo de infância, o cara mais pegador e inteligente do colégio hoje é uma travesti aidética que se prostitui por uns trocados. Eu estava com muita dor de cabeça naquele dia, e fui tomar um ar na cobertura. Eis que encontro Jared ou Vanessa de joelhos, feito uma bailarina sueca fazendo sexo oral no meu chefe, o Dr. Brown. Eu fiquei completamente sem jeito ao ver aquilo: Jared ou Vanessa tinha movimentos precisos e provocantes, igual ao das atrizes pornôs. Os olhos do meu chefe reviravam enquanto ele gemia em completo êxtase. Confesso que Jared ou Vanessa tinha curvas incríveis.
O sonho acabou quando meu chefe saiu do transe e começou a gritar feito um idiota. Calça levantada. Zíper fechado. Vergonha alheia.
“O que está fazendo aqui, Wayne?!” perguntava. O bigode de leão marinho pendia sobre sua boca seca, fruto dos seus gemidos incansáveis sob os cuidados da língua de Jared ou Vanessa.
“Vim tomar um ar, sr” Eu não tinha coragem de enfrenta-lo. Hoje? Quem sabe.
“Kyle?!” Sabe aquela voz caricata? Aquele mix de feminino e masculino? Então, era exatamente isso. Jared ou Vanessa olhou para mim e sorriu, com os lábios cobertos de sêmen. Meu chefe nos encarava desesperado. Talvez pensasse que sua reputação estava acabada.
“Que surpresa! Sou eu, Jared!” Cumprimentou, ainda sorridente. Recebi um abraço daquele que fora meu melhor amigo.
“Er... T-tem... s-sêmen na sua... b-boca!” comentei, tomado pela vergonha que não me pertencia, afinal, o sêmen estava na minha boca ou na dela/dele?
“oh... Desculpe, querido! São ossos do ofício! E como você está? Você trabalha aqui! Incrível!” a alegria de Jared ou Vanessa me contagiava de uma forma que eu nunca havia sido cativado. Havia nela/nele a mesma simpatia de sete anos atrás, mas agora, todos os trejeitos de uma quase mulher. Jared ou Vanessa era incrível.
“Eu vou bem... Eu acho! E você?” Arrisquei uma pergunta. Toda aquela situação parecia com aqueles sonhos loucos em que você se mija ou acorda com uma ereção.
“Estou ótima! Como o Oswald está te tratando? Bem! Olhe lá, hein? Se esse velho canalha se maltratar me avisa que arranco o pênis dele fora!” Ela/ele gargalhou. Encarei o Sr. Oswald Brown e nossos olhares se beijaram, com um gosto amargo. Ele fingiu uma risada e eu acompanhei, aquilo estava me dando náuseas. Ele era casado com uma gostosa e tinha dois filhos obesos e idiotas.
“Estou brincando! Bobinhos!” Ufa... Não queria ganhar o pênis murcho do Sr. Oswald Brown como troféu. Jared ou Vanessa tocava meus cabelos e me contemplava, tomado por uma estranha nostalgia.
“Se você abrir sua boca para alguém, Wayne, eu vou te...” Jared ou Vanessa o interrompeu. Virou-se para ele e o chamou de “Maricona”. Disse a ele para ir embora senão ela mesma iria revelar os presentes que havia ganhado dele. O gordo sumiu pelo elevador.
“Quanto tempo! Como vai a tia Hannah?” Era assim que Jared chamava minha avó. Eu devia ter desconfiado... Jared era um semi-deus na escola, mas fazia tricô com minha avó depois da igreja nos domingos. Teve até uma vez que nos tocamos na piscina..., mas eu jurava que isto era apenas uma fase.
“Jared...” ele me corrigiu. Disse que agora era Vanessa. Eu sorri sem entender e consertei a frase. “Vanessa, quer tomar um café comigo?”
“Eu iria adorar, querido!” fomos pelas escadas. Eu sabia que Jared tinha pavor de elevadores e Vanessa também teria. Eu acho que ele ficou feliz que eu tenha lembrado disso, mas acho que nunca vou saber. Fomos num café barato e ruim que sobrevive duas quadras do escritório.
“Dois cafés” pediu ele. Sentamos e ele/ela me encarava sorridente.
“Você já ouviu falar do Clube da Luta? ” Perguntou. Aquilo era o começo da melhor coisa que iria acontecer em minha vida.
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