Clove Miller: De Que Lado Lutar?
3 Capítulo 3
Quando me acalmei do estresse que eu estava, arrumei uma mochila com tudo que eu precisava para essa missão. Eu sabia como sair da sede sem ser vista, Johanna me ensinou o ano passado. Eu deveria sair quando as luzes haviam apagado, ir para a sala de comando, pegar as chaves e sair correndo feito louca. O único problema seria na hora do trem, teria que aprender a pular do trem igual o pessoal da Audácia faz.
Saio do meu quarto e vou para o elevador. Quando chego ao corredor da sala, está muito escuro, lá é o único lugar do prédio em que fica tudo apagado. Nunca entendi o motivo, acho que por segurança. Acendo a lanterna e fico paralisada quando me deparo com um rosto bem na minha frente. Percebo que é David, e respiro aliviada. Só que lembro que vou ter que inventar uma desculpa para ele e começo a respirar rápido de novo.
- O que está fazendo aqui Clove? –pergunta David
- Pergunto o mesmo?
- Eu perguntei primeiro. Me conte a verdade pelo menos uma vez, pode confiar em mim.
- David eu não posso confiar em você.- Disse num som de amargura, mas então percebo que estou sendo grossa e melhoro o tom da voz – Não posso contar a você sinto muito. Só preciso que não conte a ninguém que está aqui e se for preciso, um favor seu.
- Não posso te ajudar já que você não confia em mim. – Explicou David
- David vou para a base da Audácia, preciso falar com Tyler.
- Viu? Não foi difícil falar a verdade. O que você quer que eu faça.
-Quero que distraia os quardas e faça com que eles saíam da sala por alguns minutos. Use aquele seu jeito de convencer todo mundo, depois me encontre no elevador de serviços, quando descobrirem que era mentira já vamos estar correndo para a entrada.
- Mas e quando eu chegar da Audácia, eles vão querer respostas.
- Você quer que eu pense em tudo. Depois eu dou um jeito
- Falar é fácil.
- Pode ficar tranquilo, vai dar tudo certo.
David entra na sala de comando e ouço murmúrios. Depois de um tempo os quardas vão para o elevador e David vai atrás deles. Entro correndo na sala de comando e demoro muito para encontrar as chaves. Parece que eles levaram. Nó último minuto acho uma da porta dos fundos do prédio. Em silêncio e no escuro vou andando no corredor até o elevador de serviço.
Quando entro no elevador David não está lá e então eu tive a escolha mais egoísta da minha vida: vou sem ele. Ele vai me perdoar, tenho certeza. Mas que outra escolha eu tinha? Se eu esperasse por ele os quardas poderiam me achar e acabar que nenhum de nós conseguiria sair daqui.
Quando chego ao hall do prédio, vou sem ser vista, para a porta dos fundos e consigo abrir a porta e vou para a avenida.
Quando avisto o trem me preparo para o salto, tomo impulso e consigo. Mas um dos meus pés agarraram na base e sou jogada no chão.
Quando acordo, já amanheceu, deve ser 6 horas da manhã, mas eu ainda não desisti. Vejo que meu pé direito está muito vermelho e doendo muito. Mas tem um lado bom nisso: sou canhota. Vou mancando até a base e fico esperando o trem. Na rua, ainda não há muito movimento, mas vejo que ninguém me reconheceu.
Quando o trem chega dou impulso e salto. Dessa vez eu consigo. Mas quando caio para dentro do trem, bato com força meu pé machucado. Grito alguns palavrões e arrastando no chão, vou para o interior.
Não sei se vou conseguir andar quando chegar a Audácia, mas sei que vou tentar, tenho que tentar, pelo David, ele se arriscou por mim, tenho que retribuir.
Quando vejo que estou aproximando da base da Audácia, me levanto com dificuldade e fico pronta para saltar. Dou o impulso e caio no prédio e vejo que vou ter que pular e cair numa rede, Tyler já me contou sobre isso mas é pior do que eu pensava.
Quando estava me preparando para saltar ouço alguém me chamando. Vejo que é num prédio de vidro bem ao lado do que eu estou e graças a Deus, vejo Tyler.
Ele vai até onde estou e pergunta:
- O que houve com você? Por que veio até aqui? Você poderia ter morrido sabia- e dizendo isso ele me levanta e vai me carregando até o prédio onde ele estava.
- Bom te ver também – disse depois de um tempo. – Sentiu minha falta?
- Que pergunta amor, é claro que senti.
Quando chegamos ao prédio ele me deita no chão e pega um kit de primeiros socorros e começa a enfaixar o meu pé.
- Como aconteceu isso? – ele perguntou.
- Quando eu estava saindo da base da Erudição e pulando do trem, meu pé agarrou e fui lançada para o chão
- Você é louca sabia? É por isso que te amo – e dizendo isso ele me beijou.
— Tyler tenho que te falar uma coisa. – falei
- Diga então, deve ser muito importante para você vir até aqui.
Então expliquei tudo para Tyler desde o começo. Quando terminei ele vez uma expressão que nunca havia visto nele, ele fez uma cara estranha, muito estranha que nem eu sei como descrever.
— Esqueci de pegar um curativo para você, já volto.
- Mas Tyler...
- Fique aí.
E como eu não sou nada obediente eu comecei a explorar o local, ele era muito bonito, tinha uma decoração fantástica. Eu estava olhando a cidade quando ouvi murmúrios subindo a escada que leva a esse andar. Tyler está trazendo outras pessoas para me ver? Mas ele tem que me esconder. Então me escondi atrás de uma parede em no canto da sala. E comecei a ouvir Tyler falando com outras pessoas.
- Mas ela estava aqui agora! Eu mandei ela ficar bem aqui – essa era a voz de Tyler.
- Parece que a garota não confia muito em você – disse uma voz de homem
- Mas se ela está com o pé machucado , não deve ter ido muito longe. Procurem em toda a sala. – Agora era a voz de uma mulher.
Comecei a ouvir passos mas eu não conseguia me mexer. O que Tyler está fazendo? Ele está me entregando para esse povo? Não é possível. Foi nesse momento que percebi que tinha que sair de lá, ou poderia morrer. Mas para onde eu fugiria. Minha única opção era pular da janela e me matar. Mas não sei se sou capaz de fazer isso.
Foi quando um homem bem mais alto que Tyler apareceu bem na vinha frente. E me prendeu.
- Achei!! – ele gritou.
- Até que enfim – disse a mulher.
A mulher se aproximou de mim e disse:
- Olha só, uma traidora. Pena que com Stacey traição não tem perdão.
Eu nem prestei atenção no que ela disse. Vou olhar estava focalizado no Tyler. E eu gritei antes de ser arrastada escada abaixo:
- Eu achei que poderia confiar em você! Você sempre me disse que me ama. Mas vejo que Johanna estava certa, você não passa de um insignificante. EU TE ODEIO. Tenho novo de você. Sua presença me faz querer vomitar. – Então como ele estava bem perto de mim, eu cuspi na cara dele. A única coisa que me lembro é de ser acertada na cabeça.
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