Clove Miller: De Que Lado Lutar?
4 Capítulo 4
Acordo em um quarto muito pequeno e com paredes brancas, não há nenhum móvel, estou deitada no chão e há uma única lâmpada me atrapalhando a dormir. Meu corpo está todo dolorido. Não consigo me mexer, talvez tenham aplicado alguma coisa em mim para eu não fugir ( se tivesse como ). Tudo que eu quero é que esse pesadelo acabe logo. Preciso ajudar a Abnegação, mas ao mesmo tempo, quero morrer. Não sei quantos dias se passaram mas sei que meu fim está próximo. Tudo que eu faço o dia inteiro é dormir e as vezes chorar. Não sou uma garota que chora, mas nessa situação estou sempre com água nos olhos. Mas não lágrimas de tristeza, e sim de raiva, muita raiva. Meu único passatempo é socar a parede, se alguém mora do lado do meu quarto, com certeza quer eu morta o quanto antes.
Um dia, em uma hora, em um minuto e em algum segundo, não faço ideia porque ainda estou viva, ouço vozes no corredor. Ninguém nunca passa nesse lugar, tirando as vezes que me dão comida e água. Ouço passos, correndo e quando vejo, David, Johanna e Luke estão parados na porta olhando para mim. Devo estar com uma aparência horrível mas não tenho tempo para me preocupar com isso agora.
– Acho que algum dia vou te perdoar por você ter me abandonado – disse David
– Esse dia pode ser hoje? – perguntei
– Talvez – responde David
– Oi Clove, sua aparência está horrível – diz Johanna sem graça.
– Também senti sua falta Johanna e bem... me desculpe, sou ridícula. – falei
– Eu fui grossa, me desculpe – diz Johanna
– Gente depois vocês se desculpam, não podemos ficar parados o dia todo, ainda podemos morrer, lembram? – diz Luke
– Como vocês entraram aqui? –perguntei
– Somos ninjas – responde David
– Vamos Clo – diz Johanna
Me espreguiço e tento me levantar, mas doí muito.
– ANDA LOGO CLOVE – grita David – temos que ir
– Eu não consigo – disse na defensiva – devem ter aplicado algum soro para que eu ficasse fraca e meu corpo doer todo.
–Aff – diz David. Então ele chega perto de mim e me carrega. – Melhorou?
–Se você for forte para me tirar daqui, sim, melhorou muito.
– Vou checar o corredor – diz Luke – Fiquem aí
Luke entra no corredor, volta e fala:
– Barra limpa, podemos ir.
– Luke já foi da Audácia – diz Johanna – ele conhece o terreno.
–Toma – diz Luke me entregando uma arma – se precisar atirar, não vai ter problema. Clove, não tenha medo.
– Eu não tenho medo de nada – tirando aranhas, escorpiões e cobras — Então nesse caso – diz David – pode atirar à vontade.
Seguimos para os túneis e damos de cara com um menino que deve ter uns 10 anos.
– Quem são vocês? –pergunta o menino
– Somos pessoas muuuuito amigáveis que estamos salvando essa linda garota que torceu o pé. – diz David
– A tá – diz o menino – eu também torci o pé quando tinha 7 anos.
– Que legal! Muito emocionante – ironiza Johanna – menininho tem algum soldado nesse túnel que você passou agora?
– Uhum, meus pais estão de guarda – tem uma menina presa em uma das celas e ela é muito parecida com essa menina que torceu pé. – diz o menino
– Tenho uma irmã gêmea. Eu não sabia – falei rindo.
– Temos que ir criança, vou muito bom conversar com você – diz David
Seguimos o túnel que não tinha soldados e entramos no prédio de vidro. Subimos as escadas e quando chegamos, damos da cara com Tyler, dois homens e aquela mulher. Todos ficam perplexos. Nós e os outros.
– Estão autorizados a mata-los, todos, sem exceção — diz a mulher
Então começa um tiroteio dos dois lados, David me coloca no chão e eu luto para me levantar a ajudar. Nós nos escondemos de uma coluna e ficamos atirando. Tento mirar em Tyler mas parece que ele sabe que quero fazer isso, então fica desviando.
Uma bala atinge a mulher e eu avanço um pouco procurando Tyler. Quando percebo ele está me imobilizando e pondo uma faca contra o meu pescoço.
– Se não largarem as armas agora, eu a mato – diz Tyler.
– Eu te amava, por que fez isso? – tento me dialogar para distrair a atenção dele
– Eu te amo Clo, mas prefiro servir a minha facção, você poderia se juntar a nós, o que você acha? – prgunta Clore.
– Acho só uma coisa – e com isso usando toda a força que me resta, tiro a faca do meu pescoço e a cravo no peito dele.
– AIIII –grita Tyler
– Isso é justiça – aumentei a voz para os meus amigos escutarem – eu não sirvo a ninguém, não sou aliada de ninguém, faço só o que é certo, ajo com meus instintos.
Nesse tempo, meus amigos conseguiram atirar nos homens, mas Johanna levou uma bala no braço.
– JOHANNA!? – gritei – Vamos dar um jeito, só temos que sair daqui agora !
Juntos ( e é claro, com David me ajudando a andar ), saímos do prédio e estamos atravessando a avenida para pular no trem.
Quando estamos no trem, fazemos o máximo para melhorar o braço de Johanna.
– Onde vamos agora? – pergunta Luke
– Para a franqueza – respondo – não posso deixar eles roubarem o soro da verdade a além do mais eles vão nos dar abrigo
– Ok – diz Luke
Estava sentada olhando para a paisagem passar quando David chega perto de mim:
– Você foi muito corajosa, parabéns – diz ele
– Sou corajosa, estava com muita raiva dele, tive que mata-lo.
– Me mataria se estivesse com raiva de mim? – retruca David
– Ele me traiu
– Não foi isso que eu perguntei – diz David
– Eu NUNCA te mataria seu bobo – roubei de David – David, quando eu subi para a sala de controle da Erudição, por que você estava lá?
Ele demora um pouco para responder mas acaba respondendo:
– Estava te seguindo – responde ele
– Por que? – perguntei, mesmo a resposta ter saído óbvia.
– Porque eu te amo – e dizendo isso ele me beijou. Pode-se dizer que muito melhor que Tyler, pois aquilo sim era um beijo apaixonado.
– Eu...eu... também – e assim retribui o beijo.
Continua...
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