Notas iniciais
Uma original que escrevi há um tempo, cuja existência lembrei esses dias enquanto mexia na aba de enviados do meu email. Não sei se a terminarei, mas planejo, por isso a postei.O prólogo está meio confuso, mas no capítulo 1 tudo se esclarece. Espero que gostem.

John Hastings entrou na loja sorrateiramente. Usava um casaco enorme e preto e seus cabelos castanhos encontravam-se bagunçados. Os olhos azuis muito claros esquadrinhavam as prateleiras de um lado a outro.

Quando ninguém observava, puxou alguns pequenos aparelhos eletrônicos da vitrine e escondeu-os no casaco.

Saiu da loja caminhando lentamente, como se nada tivesse acontecido e dirigiu até as piores ruas de Nova York, ouvindo uma música qualquer de Led Zeppelin e cantando com a voz embargada.

Afundava-se na coisa que mais odiava no mundo. Mas continuou, não podia parar.

–--

Poucas horas mais tarde, no mesmo lugar, Sophie Hastings implorava:

– Foster, por favor, você precisa me ajudar! – tinha os olhos cheios de lágrimas que teimava em não deixar cair.

– Eu não posso, Hastings – ele disse sem encará-la.

Logan Foster não poderia olhar nos olhos úmidos da garota, se o fizesse, sabia que cederia. E não poderia ceder, não poderia fazer o que a menina queria. Ele certamente perderia seu emprego, e sua irmã e sua mãe dependiam do dinheiro dele.

– Eu já te ajudei o máximo que pude, você sabe disso – murmurou para a garota. – Eu nem deveria ter ligado para Alice, deveria ter deixado seu irmão idiota ser preso.

Então as lágrimas caíram dos olhos azuis muito claros da menina. Ela enxugou-os com as costas da mão e foi embora.

Mas bastou um único segundo de contato visual que eles mantiveram quando ela virou o rosto enquanto andava pelo corredor para que Andrew se arrependesse de ter sido tão cruel. E então o fez.

–--

– Hastings? – Logan murmurou ao telefone depois de seu expediente acabar.

– O que é, Foster? – ela disse com escárnio na voz.

– Eu apaguei as gravações, ok? – ele disse com a voz cansada.

– Como é? – a menina disse pasma.

– Eu apaguei as gravações! Seu irmão não vai ser preso, mas talvez eu seja – Foster riu amargo e em seguida Sophie ouviu a ligação ser encerrada.

– Obrigada – murmurou sozinha, sabendo que ele não ouviria.