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1 Único


Notas iniciais
hoooy ~ espero que desfrutem desse leve angst
boa leitura!

Megumi estava destruído, fisicamente, emocionalmente e psicologicamente.

Desde que Gojou fora selado, isso abalou o garoto herdeiro das dez sombras de muitas maneiras. Confiava em Satoru; aquele homem tinha a sua vida na palma das mãos desde que ele lhe comprou, mas não era por esse motivo que se sentia assim a respeito dele.

Deitado no asfalto irregular e pedregoso, doendo suas costelas fraturadas e outros machucados abertos e que clamavam por clemência e descanso para se curarem, os olhos cor de esmeraldas encaravam por detrás dos cílios compridos e escuros o céu nublado e repleto de nuvens pesadas. Mas nenhum sinal de chuva vinha, elas pareciam estar se escondendo; aguardando algo.

Suas pestanas beijaram suas bochechas sujas de suor, sangue e lama. Seu cabelo de corvo, um azeviche tão intenso que parecia que esse era o fundador de suas sombras, estava úmido de exaustão e grudado na lateral de seu rosto, um pouco de sua testa e a sua nuca.

Megumi estava tão cansado. Completamente exausto.

Ele não queria ter se tornado um feiticeiro Jujutsu. Viver com Tsumiki, por mais que as coisas fossem difíceis e suas vidas apertadas financeiramente, não era de todo ruim. Eles eram felizes juntos. Sem preocupações além do que poderiam comer na refeição seguinte — isso antes de Satoru aparecer e invadir a pequena "família" deles.

Agora tudo era tão incerto. Seu coma devido a uma maldição inexplicável e até então sem reversão para ela agora, mantendo-a naquela cama por sabe-se lá quanto tempo. Ela poderia morrer agora e nada poderia ser feito a respeito.

Megumi não aguentava mais ter pessoas importantes em sua vida, criar laços parentais, de amizade, e até mesmo românticos com elas — por mais que esse último ele jurava que nunca aconteceria e queimava sua língua por isso —, e depois tudo isso ser arrancado de si com garras mais afiadas do que a transformação de Kuro com a junção do sangue de Shiro após sua destruição. Aquilo tudo era doloroso demais para suportar.

Ele era um jovem fechado, durão e acostumado com a morte. Afinal, convivia com ela, era praticamente uma rotina de mau gosto, mas já habitual e passageira. Contudo, isso não significava que por baixo da fachada de rapaz sério e um tanto irritadiço, ele fosse feito de ferro. Seus sentimentos, dependendo do ocorrido, derretiam mais rápido do que algodão-doce de encontro à saliva da boca de um viciado em docinhos.

Perder seus pais não foi o pior de tudo; ele mal os conheceu completamente. As memórias eram vagas e a essa altura já não importava mais. Mas o coma de sua meia-irmã estúpida o tirou de uma órbita que ele não sabia que se mantinha de tudo e todos. A desigualdade realmente era a única coisa na vida que era dividida igualmente a todos. Ela era tão doce; ingênua e agora estava assim.

Yuuji fora o próximo. Conheceu-o e ele tomou um espaço na sua vida e desapareceu tão rápido quanto apareceu. Vê-lo vivo novamente lutando em algum lugar de Shibuya o fazia crer que nem tudo estava acabado. A não ser o próprio emocional e psicológico do garoto que mal sabia o que era essa vida e agora carregava o peso de tantas mortes e tanta responsabilidade para evitar o pior desastre.

Nobara foi tão alegre e única. A mulher era excepcional. Ele precisaria de um exemplar de quinhentas folhas para descrevê-la e ainda faltaria coisas a falar e acrescentar. Uma rosa perfeita, perigosa e forte. Ela foi longe, mas não tanto quanto Megumi pensou que ela iria; não tanto quanto gostaria que fosse.

E o último, e com certeza o mais importante — por mais que preferisse morrer do que admitir isso em volta alta.

Megumi tossiu, um pouco de sangue escapando de seus lábios para a palma de sua mão. Suas pálpebras pesaram, porém, ele se forçou a encarar com afinco o cinzento querendo se tornar branquinho das nuvens no céu. Elas pareciam lutar contra o clima, uma possível tempestade. Não queriam ceder e derramarem-se para todos abaixo delas. Não seria justo.

Megumi às vezes desejava se tornar uma daquelas nuvens. Pensar em preocupar-se em acumular o suficiente para então simplesmente chover. Fazer sombra quando o clima pedisse. Tudo bem simples, sem ter que se preocupar com sua morte ou das pessoas que gostava e de inocentes que arriscavam a vida para salvar. Era egoísta pensar assim? Depois de tudo? Aonde ele finalmente chegou. Ele sempre pensou em todos antes de si, Megumi não sabia ser egoísta ainda.

Não era justo.

Uma lágrima quente e solitária escapou do olho esquerdo de Megumi, seu coração indo a mil tão rápido que ele poderia jurar ter um problema cardíaco em plenos quinze anos de sua juventude.

Isso tudo era tão injusto.

Satoru estava selado. Que droga era essa?! Ele era para ser o homem mais forte, o feiticeiro mais aclamado e o único que pararia até mesmo Sukuna. Por que tudo teve uma reviravolta tão rápida e grande?

Seu peito doía.

Olhar as nuvens só fazia seu desejo de ser uma delas aumentar cada vez mais. Isso até ele escutar passos vindo em sua direção. A energia era extremamente forte, caso fosse uma maldição, ele finalmente poderia realmente virar uma nuvem. Só que a do tipo rosa.

— Fushiguro? Consegue me ouvir? — A voz familiar lhe chamou, a figura entrando em seu campo de visão logo após. Ele se agachou ao seu lado, e por mais que traçasse um semblante ligeiramente cansado, sorriu gentilmente para si. — Estou feliz em te achar a tempo.

Era Yuuta. Ele não estava no exterior? Então as coisas haviam chegado a esse nível de precisar chamar alguém do calibre dele.

— O-Okkotsu-senpai, eu… — Megumi não conseguiu terminar nem uma sentença, o sangue se acumulando em sua boca e as dores aumentando.

Ele tentou ficar de pé, ficar mais apresentável e não ser apenas mais um trapo para seu sênior, mas seu corpo inteiro estava moído para essa tarefa e Yuuta notou isso claramente.

— Está tudo bem, não se esforce. Eu vou cuidar de você como puder, afinal, Gojou-sensei não pode sair do selamento e não ter você para ver por lá — ele comentou em um tom usual, esperançoso para Fushiguro e sua mente perturbada que precisava ouvir um pingo de algo bom. — Precisamos de você, Fushiguro. Acha que consegue continuar?

A indagação não media tons doces como de costume. A guerra não era para ser macia e afável. A técnica de energia reversa curou bastante do que se dizia os mais sérios do corpo de Megumi, algumas cicatrizes inevitavelmente permanecendo. E ele precisou apenas olhar mais uma vez para algumas nuvens lutando para se tornarem branquinha no céu em meio às escuridões alheias, e o clima nada favorável para tomar sua decisão.

Aquela era uma pergunta que não precisava de resposta em palavras.

Megumi gostaria sim de virar uma nuvem. Nada para se preocupar, ninguém para interagir ou até mesmo ter dores de cabeça em lidar com assuntos mundanos.

A vida havia colocado uma família, amigos e um amor em sua azarada linhagem, e isso o impedia de desistir, por mais destruído e dilacerado que ele pudesse se encontrar.

Porém, uma nuvem Megumi não poderia ser. Se ele fosse uma nuvem, Megumi não poderia continuar salvando todos com a mesma igualdade desigual que a vida distribuía. Inclusive, não poderia salvar a quem mais queria. E não sendo uma, ele poderia trazer o branquinho que elas lembravam e remetiam a Satoru de volta. E retornar para seus abraços grudentos e melosos, em ouvir seu nome sendo chamado repetidas e incontáveis vezes ao dia que lhe faziam ficar aquecido e feliz por dentro como nada nem ninguém mais podia causar.

Se Megumi fosse uma nuvem, ele não seria capaz de trazer Satoru de volta. Por isso, ele seria Fushiguro Megumi, e iria trazer Gojou Satoru para todos eles, independente do que isso custasse — e principalmente o faria retornar para si.

Notas finais
na hora que eu vi esse plot da gaby eu gritei que era meu porque tive mil pensamentos sobre o arco de Shibuya e eu PRECISAVA esboçar uma parcela de sentimento que tenho sobre ele. Muito obrigado, @Gabygalaxy pelo plot doado ♡

E o que seria de mim sem ele? @Daroon esbanjando perfeição, organização e servindo em bandeja de ouro a betagem pra mim que tá IMPECÁVEL. mto obrigado, bb ♡

E essa capa absurdamente linda, meu mundo todinho e que me fez sentir realmente no fofinho das nuvens e trouxe o que eu exatamente pensava para a fanfic? @piffie meu amor eu te idolatro e você sabe, minha rainha. a capa de uma deusa, eu amei. obrigadão. ♡

E obrigado a todos e você também que leu! Favoritos e comentários são sempre bem apreciados ♡

see'ya.
Você chegou ao fim do livro. Parabéns!