Cloud
1 O começo e o fim de tudo.
Notas iniciais
Finch estava ao meu lado, sentado em meu balanço, uma garrafa de uísque aberta nas mãos. Ele olhava para mim a todo momento, esperando que eu surtasse.
— Mas que inferno, pode parar de me olhar como se eu fosse uma granada prestes a explodir? – Ele riu, riu alto. Idiota.
— Não me culpe, baby, seu temperamento é assustador. E você costuma ser bem imprevisível. Então, está pronta para me falar o que diabos aconteceu?
— Você já sabe o que aconteceu, Finch. Ele foi embora. Foi para casa. – Ele assentiu com a cabeça, confirmando. Olhei para o céu. Meu corpo pesado, apesar de me sentir vazia por dentro.
— Ele ficaria por você se tivesse dito as palavras. – Eu olhei para Finch com os olhos cheios de lágrimas.
Não existe fim
Não há despedida
Desaparecerem com a noite
Sem tempo, sem tempo
Sem tempo, sem tempo
— Não chore Alasca. Que droga. – Finch me abraçou, e apesar de ter me dito para não chorar, chorei muito. As memórias do tempo que passei com ele, invadindo minha mente e o meu coração. Tão doloroso. Tão insuportável.
☓
— Eu te amo. – Ele disse, o rosto um pouco corado. O choque dessas palavras foi tão grande que não soube como reagir. Meu olhos começaram a lacrimejar enquanto eu tentava absorver o que havia acabado de acontecer. Assim como eu, ele me amava. Mas não poderíamos ficar juntos. Nikolai era um anjo. De certa forma, se eu dissesse que o amava, sentia que ele desistiria de tudo e não era o que eu queria. Mas ao mesmo tempo, não conseguia não corresponder aos seus sentimentos.
— Você demorou muito. Estive esperando. – Eu disse, chorando enquanto ele me abraçava. Ele se afastou, me olhando nos olhos. Um olhar terno, carregado de emoções. E então ele me beijou. Um beijo cheio de promessas, amor, carinho, desejo. Um beijo que ambos estivemos esperando desde o momento em que nos conhecemos. A maciez de seus lábios sobre os meus, seu cheiro inebriante. Meu dedos enterrados em seus cabelos negros, sua mão firme em minha cintura.
Eu estou andando nessa nuvem
Nesta nuvem, sobre o amor
Mas ainda assim, eu sinto esta duvida
Sinta esta dúvidas, sobre nós
☓
Nós estávamos deitados no chão da sua varanda, olhando o céu nublado.
— Não dá para ver as estrelas, as nuvens estão atrapalhando. – Eu disse, sem nenhuma emoção na voz.
— Eu gosto das nuvens. – Ele disse, simplesmente. Olhei para ele e dei risada.
— O que foi? – Perguntou ele, sorrindo para mim.
— Bom, é que a maioria das pessoas preferem as estrelas, são mais brilhantes e bonitas. – Ele suspirou e se sentou. Me sentei também.
— É exatamente por isso, Alasca. Eu gosto de ser diferente. Eu sou diferente. Gosto de ver beleza onde a maioria das pessoas não enxerga nada. – Olhei para ele, um olhar terno, um sorriso bobo nos lábios.
— Você é mesmo diferente. Por isso é tão especial. – Ele me segurou pela cintura e me beijou. Todas as vezes que nós nos beijávamos, o mundo ao redor parecia desaparecer. Dessa vez não foi diferente, apenas eu, ele e o céu nublado.
Eu estou andando nessa nuvem
Nesta nuvem, sobre o amor
Esta estrada não pode ser minha, não pode ser minha
☓
— Alasca, nós não temos mais tempo. Eu tenho que voltar. Ele sabe que fui escolhido para ser seu protetor, mas também sabe que você já está fora de perigo e que eu já deveria ter voltado. Se eu não partir logo, ele virá atrás de mim e isso só vai piorar tudo. A hora chegou, Alasca. Você tem que escolher. – Eu chorava de cabeça baixa, com o coração pesado de culpa, dor, mágoa.
— Você sabe que jamais poderia te pedir para ficar. Não posso fazer algo tão egoísta com você. – Ele segurou meu queixo gentilmente, me obrigando a olhá-lo. Ele tinha uma expressão destruída, de quem estava prestes a desabar. Ele me puxou para junto de seu corpo e me beijou como nunca havia beijado antes. Um beijo desesperado, cheio de desejos que não poderiam ser realizados, cheios de promessas que nunca poderiam ser cumpridas. A hora havia chegado. A nossa tão temida despedida. Sua língua pediu passagem e eu autorizei, aprofundando ainda mais nossos beijos cheios de uma paixão incontrolável. Tirei sua camisa ao mesmo tempo que ele tirava a minha blusa, grudando nossas bocas novamente. Esfomeados um pelo outro. Ele depositava beijos cálidos provocantes no meu pescoço, provocando arrepios por todo meu corpo. Mordia, chupava e lambia. Sussurrava em meu ouvido que me amava. O joguei na minha cama, tirando suas calças enquanto ele desabotoava meu shorts. Ambos estávamos apenas de roupas íntimas. Eu mordia sua orelha e o beijava, chupando seu pescoço e deixando marcas. Ele foi até o fecho do meu sutiã e o abriu, contemplando os meus seios.
— Perfeita. – Sussurrou em meu ouvido. Ele começou a chupar o meu peito, e isso estava me deixando louca. Ele foi descendo e beijou minha barriga. Quando chegou na minha calcinha, tirou ela com a boca. Eu não aguentava nem mais um segundo, queria logo senti-lo dentro de mim. Agarrei sua bunda o puxando para perto, e ele tirou a sua cueca a chutando violentamente, como se não suportasse aquele tecido entre nós. E então eu o senti dentro de mim. Dor. Dor. Dor. Fechei os olhos com força e cerrei os dentes.
— Olhe para mim. – Ele pediu de forma carinhosa. Olhei para o seu rosto. Cheios de amor, paciência, carinho, ternura, felicidade. Eu encarava seus olhos azuis; Um tom azul-cobalto. Os olhos mais lindos que eu já vira.
— Eu te amo, Alasca. Olhe para mim. – Fiquei olhando seus olhos enquanto ele voltava a fazer movimentos dentro de mim. Depois de um tempo, a dor virou prazer. Eu segurava sua bunda impulsionando os movimentos. Forte, impiedoso, grosso. Seu ritmo acelerado só melhorando aquela sensação maravilhosa. Eu estava chegando ao meu ápice e ele também. Eu gemia baixo, sussurrando seu nome. Ele também gemia e dizia meu nome. Éramos um só. Ele havia me tornado dele, de corpo e alma. E ele seria meu, para sempre. Chegamos ao nosso ápice juntos. Ele sussurrou mais uma vez que me amava e deitou em meu peito, dormindo logo em seguida. Não consegui dormir, não queria dormir. Eu precisava aproveitar esse momento pois o fim estava próximo.
Nós fomos empurrados para trás e para baixo
Eu estou fora da minha mente de outra forma
Nós fomos empurrados e caímos
Dentro dessa terra e do espaço
☓
Quando eu acordei, vi que Nikolai não estava mais lá. Por um momento eu me desesperei, achando que ele tivesse ido embora sem se despedir. Mas quando vi um bilhete em cima da minha cômoda, relaxei e comecei a ler.
''Me encontre no lugar onde nos vimos pela primeira vez. Será onde nos veremos pela última, a menos que você mude de ideia. E eu sinceramente espero que sim, porque não há nada nesse mundo que eu vá querer mais do que você. Eu te amo com todas as minhas forças, com todo meu ser. Eu te amo mais do que achei ser possível. Você é minha protegida e eu sou seu anjo da guarda. Nada jamais mudará isso.''
Não sei em que ponto do bilhete comecei a chorar, mas as lágrimas eram insistentes e não paravam de cair. Tomei um rápido banho e me troquei, colocando o primeiro par de roupas que encontrei. Eu o havia encontrado pela primeira vez em um pequeno morro um pouco afastado de um parque, de onde dava para ver quase toda a cidade. Ele deveria estar me esperando lá. Quando cheguei lá, ele estava sentado, a cabeça nos joelhos, as asas caídas no chão. Ele era um anjo e eu, uma humana. Ele não nasceu para ter uma vida como os humanos normais, e eu jamais permitiria que ele descobrisse como ter essa vida é cruel.
— Achei que tivesse ido sem se despedir de mim. – Ele levantou a cabeça, assustado, mas quando me viu relaxou visivelmente.
— Eu jamais poderia fazer isso. – Olhei para o céu e quando voltei a encará-lo, percebi que ele estava chorando. Assim como eu, ele sofria. Eu o abracei e acariciei os seus cabelos, mas não aguentei e comecei a chorar. Vê-lo tão destruído partia meu coração, e ainda mais por saber que eu era parte do motivo, ou o motivo em si. Ele segurou meu queixo e me fez olhar em seus olhos. Lá ele viu minha decisão; Eu não pediria para que ele ficasse. Como poderia?
Envie seus sonhos
Onde ninguém se esconde
Dê suas lágrimas
Para a maré
Sem tempo, sem tempo
— Eu queria que tivéssemos mais tempo. – Tempo. Tudo depende do tempo. Tempo era necessário para que tivéssemos tempo para descobrir que tudo depende do tempo que temos. E que se não houver tempo o suficiente, então tudo estaria perdido. Assim como estava perdido agora. Um último beijo, misturado a nossas lágrimas. Um último eu te amo, uma última vez para tudo, para nós.
☓
A sua expressão angelical de uma maneira perturbadoramente melancólica enquanto ele voava em direção a sua casa. Eu já não conseguia mais vê-lo, mas sabia que ele estava me olhando. Ele sempre estaria, afinal, ele era meu anjo da guarda e eu era sua protegida. Nada jamais poderia mudar isso. Ele era meu e eu era dele.
Fale com o autor