Notas iniciais
MY HANDS YOUR HANDS TIGHT UP LIKE TWO SHIPS DRIFTING eu não tenho muito o que falar até porque aparentemente eu não posso me dar o luxo de demorar a postar porque você NÃO APARECEM ENFIM, só quero dizer para os que ficam e dão sinal de vida para apertarem os cintos, daqui pra frente só vai vir bomba. Até porque eu pus hentai no capítulo passado para amaciar o coração de vocês, amados, portanto, é sério, se segurem. Essa fic não vai ter, tipo, 70 capítulos, portanto esse capítulo vai ser um divisor de águas. Daqui em diante essa história só vai estourar o coração de vocês portanto todos a bordo! Esqueçam que eu disse isso.

p.o.v Percy

Acordei mais cedo do que realmente gostaria e do que estava acostumado. Olhei pela alta janela de vidro ao meu lado sem nenhum sinal do amanhecer, as luzes de lampiões lá em baixo na cidade mostravam homens bêbados caídos ou quem sabe mortos, alguns bares continuavam abertos ainda que com poucas pessoas.

Três horas da manhã, presumi. Quando tudo se silencia para voltar à velha rotina apenas duas horas mais tarde.

Annabeth se remexeu e meus pensamentos voaram para a garota loira deitada abraçada a mim, me usando descaradamente como travesseiro. Respirava lentamente, soltando o ar com a boca entreaberta, fechando-a logo em seguida. Poderia ficar a observando até conseguir dormir de novo, mas pelo visto meu corpo queria o contrário: mal consegui pregar os olhos.

Levantei-me com cautela, pondo um travesseiro no meu lugar para que Annabeth não acordasse. Coloquei uma calça qualquer e peguei a haste dourada com uma vela solitária acesa, antes de sair do quarto olhei para trás, averiguando se a garota loira ainda estava inconsciente.

Ela nem sequer mexera um dedo.

Com isso, fechei a porta às minhas costas.

***

Uma coisa engraçada de quando você acorda no meio da noite e não tem absolutamente nada de útil para se fazer, é que você se encontra vagando pela casa a procura de algo que possa lhe fazer dormir. Como água, leite quente, um livro de química, essas coisas.

Andei pelo terceiro andar da casa do meu pai ainda sem saber o que fazer, os andares abaixo não eram de grande utilidade quando não havia ninguém. O segundo andar, por exemplo, era uma biblioteca, o tipo de local ao qual eu não tenho muita empatia. E o primeiro só tem o hall de entrada e uma sala que deveria ser de reuniões pacificas entre comandantes de vários navios e suas tripulações, mas no fim acaba sendo uma mistura de briga de família com ameaças de guerra.

Comecei a pensar que seria melhor se voltasse ao quarto e esperasse pelo alvorecer, mas uma luz fraca no fim do corredor chamara minha atenção. Apagara a minha vela com um sopro e a deixei perto da parede, no chão. Tomei cuidado para não pisar em nenhuma madeira rangida e espiei pela fresta da porta.

Era apenas Charlotte.

Revirei os olhos e abri a porta, apoiando-me no batente.

– Você deveria estar dormindo. – digo, no meu melhor tom de irmão preocupado.

A garota inclinou a cabeça em minha direção em uma expressão de tédio. Estava em condições melhores que da noite passada, percebi, os cortes no rosto já não passavam de finas cicatrizes brancas, sem chamar muita atenção. Vestia um hobby preto fechado na cintura, a grande fenda mostrava uma das pernas sem pudor algum. Estava em uma cadeira de balanço, inclinada até ser impedida pela parede perto da janela; seus pés estavam para cima, apoiados na boca de um... Berço? Feito do que parecia vime trançado.

– E você deveria usar menos camisa, fica bem bonitinho sem elas. Qual sua questão?

– Charlotte! – quase gritei, mas contive o som e fechei a porta do quarto, dando um pouco mais de privacidade. – O quanto bebeu, mulher?!

– Não bebi nada, criatura, só falei a verdade. – ela deu de ombros, sorrindo logo depois – Own, você ficou rubro que fofo!

Uma adega inteira, provavelmente, pensei.

– Vá para o inferno, e vê se no caminho relembre que eu sou seu irmão.

Demorei propositalmente na última palavra, só testando se ela requebrava a consciência.

Charlotte revirou os olhos e se pôs as pernas para baixo, fazendo a cadeira ranger levemente quando se levantou. Seus dedos deslizaram pela boca do berço como se tivesse uma criança ali dentro.

E, bem, teria. Se Katherine, a pequena Kathy, não tivesse em baixo da terra antes de completar seis meses. Ela não fora assassinada, sequestrada ou qualquer coisa que poderia acontecer pela lista de inimigos que tínhamos. Charlotte nunca aceitara o fato que a filha praticamente recém-nascida morrera de algo tão banal como uma febre alta. Seu olhar continuava vago para o móvel de vime vazio.

– Não deveria estar aqui. – falo depois de um silêncio sufocante – Não faria bem para você e amanhã será um dia conturbado.

– Eles dizem reunião para precaução de guerras, eu falo reunião de família ao qual planejamos se mortes devem ser feitas ou não. – ela pondera e concordo – Vai ser a mesma coisa: a confusão de sempre dos nossos entes... Mais velhos, Hefesto tentando estrangular Ares, Demeter dizendo “vocês não seriam tão invocados se comessem cereal” – rio com a imitação da nossa tia natureba — , mas, agora, teremos outro assunto a mais na lista. O fato dos monarcas estarem dando uma atenção a mais a nós, mesmo quando seu rei está à beira da morte, a França está aproveitando disso para aumentar o império e ainda tem o boato que a princesa Annabeth Mary Chase fora morta por... Bem, você.

Meu queixo caiu.

– Como?

– Foi isso que ouvi. O corno loiro azedo preferiu dizer que ela estava morta, bem, isso você já sabe. A coisa é que ele não só falou que ela foi morta e foi tratada com o máximo de educação que temos, ela ainda foi assassinada a sangue frio por você. – Charlotte deu uma risadinha – Consegue acreditar? Pergunta idiota, claro que não. Mas a coisa é que Poseidon sabe que ela tá bem mais viva do que os outros dizem, e quer falar com ela.

– Sabe sobre o quê?

– Falar a história de Tortugas e o quanto nossa família lutou para chegar onde estamos e o quanto seria desastroso se ela continuasse aqui – ela falou dramaticamente – Enfim ele vai fazê-la ficar com sono e depois vai dar o veredito, mas não vai mata-la.

– Como pode ter tanta certeza?

– Com você apaixonado desse jeito pela loira? – Charlotte arqueou uma sobrancelha — Creio que não. Mas ele vai, digamos, acalmar a multidão. Alguns já sabem o que aconteceu com o nosso querido Comodoro Octavian, mas não deram tanta atenção.

– Porque estavam mais preocupados com a realeza britânica na cola deles e porque eles sabem que quando alguém lhe tira algo você devolve na mesma moeda. — me inclinei sobre o berço e fiquei a centímetros de seu rosto – Ariadne tinha razão não é? Ainda tenta achar o culpado.

– Pensei que me pouparia, cedo de mais, era o que dizia.

– Você é Charlotte Rebecca Green, para de reclamar.

Ela me encarou por breves segundos antes de sorrir de lado.

– Tudo bem, Jackson. – ela pegou a vela do quarto e se dirigiu a porta, comigo logo atrás – Assim que Annabeth acordar fale que Poseidon quer encontra-la no seu escritório.

– Falarei.

Com isso, cada um foi para seu quarto e as velas foram apagadas.

p.o.v. Annabeth

Acordei assim que senti os primeiros raios de sol atravessaram o quarto e atingiram os meus olhos. Murmurei algo sem sentido e me espreguicei sem muita animação, sentando na cama logo em seguida. Fiquei alguns momentos observando a parede à minha frente sem me lembrar muito onde estava.

Quarto de Percy. Sua casa. Tortugas. Ah, sim.

Varri com os olhos o quarto que era, sem dúvida, bem maior do que ele tinha no Conçu. Parei assim que vi o próprio olhando pela janela já totalmente vestido, arrumando as abotoaduras do casaco longo. Seus olhos estavam voltados para o lado de fora.

– Quer a notícia boa ou ruim? – ele perguntou, sem nem ao menos se virar.

– Bom dia para você também. – respondo.

Consigo ver que ele sorriu.

– Desculpe, mas, agora, boa ou ruim?

Percy se virou, o contorno de seus olhos estava mais escuro e ainda dava sinais que não dormira direito.

– Ruim, então.

– Ah, então, você precisa falar a boa, porque se não fica meio sem sentido.

Revirei os olhos e balancei a cabeça. Levantei-me antes que o sono voltasse, pondo o lençol em volta de mim como um vestido sem mangas.

– Fale-me a notícia boa.

– Todos acham que você morreu.

– Isso era para ser bom?

– Se você me deixar explicar, talvez... – inclinei a cabeça em resposta – Tudo bem, não precisa e olhar assim. Todos acham que você morreu e isso seria uma notícia muito boa, porém, ela fica péssima quando Poseidon sabe que isso é mentira e quer falar com você.

– Certo, então seu pai quer falar comigo pelo fato de eu continuar viva. – meu tom foi mais de pergunta, portanto Percy respondera sem necessidade logo depois:

– Uma garota da realeza, especialmente uma princesa, é morta por um pirata, é claro que isso deixaria um alvoroço.

– Quer dizer que eu morri e ninguém me fala nada?

Percy sorri e me explica tudo meio que às pressas, portanto escuto tudo com mais atenção do que seria necessário.

– Quer dizer que Luke preferiu dizer que fui morta por você do que falar que foi trocado por um pirata – penso em voz alta – Nunca pensei que falaria isso, mas é compreensível.

– Vendo por esse lado, sim. – ele suspirou logo assim que disse – Olha, Poseidon não é exatamente o tipo de pirata burro e que faz tudo impulsivamente, portanto, se você usar sua inteligência ele não te mata.

– E não faz o boato se tornar verdadeiro. Apassivador.

Percy sorriu e me deu um breve beijo.

– Afrodite deixara um baú com roupas para você – ele apontou para o outro lado do quarto, para um baú que parecia feito de coro, ao qual não me lembrava dele quando entrei aqui de primeira – Ainda não entendo essa fixação dela em te agradar, mas tudo bem. Preciso ir agora ou a Lotte me esgana. Vejo-te viva?

– Espero que sim. – respondo.

***

Assim que abri o baú tive que afastar a tontura de tantos tons de rosa. Retiro imediatamente a hipótese de usar qualquer uma dessas blusas, saias e coletes, pondo-os para fora e achando as peças escuras logo depois. Saio do quarto logo depois de fechar o colete-espartilho preto sobre a blusa azul-escuro.

Rodei pelo terceiro andar até me lembrar de algo que Afrodite dissera enquanto praticamente arrancava meu cabelo pela raiz “ah, alias, se algum dia precisar falar com seu sogrinho e, acredite, reze para não ter, procure no segundo andar, ele ama mais o seu escritório do que a mulher dele”. Sem comentários sobre o sogrinho.

Desci as escadas e adentrei a grande biblioteca, o que de certa forma me fez ficar um pouco mais calma, depois dessa veio uma adega refrigerada repleta de bebidas alcóolicas de vários tipos e um longo corredor, com uma estreita janela no fim. Havia apenas uma porta gigante com duas saídas, ambas com a mesma trabalhada entalação na madeira. À frente desta, tinha uma abertura para uma grandiosa varanda para o lado oposto da ilha, acabando em um penhasco e a imensidão caribenha como única visão.

Estava pronta para bater a porta e pedir permissão para que entrasse, mas gritos vindos do lado de dentro me gelaram, mas logo percebi que eram gritos de uma discussão.

–... Se você tivesse um pouco mais de bom senso contaria a garota assim que a visse – a voz penetrante era reconhecível, lembrava a de um comandante duro na queda, mas era feminina.

Charlotte, com certeza.

– E se você fosse um pouco mais parecida com seus irmãos deixaria essas frescuras de honestidade para o inferno! – a outra voz também era penetrante, mas gelava o sangue e era brutal, marcando presença.

– Se eu fosse mais parecida com meus irmãos? Ainda não aceitando que eu nasci mulher? – ouvi uma risada irônica – Desculpa, ó poderoso Poseidon, mas eu não posso fazer nada que mude isso!

– Tenha respeito! Cuide de seu tom!

Se Charlotte respondeu, não ouvi sua resposta.

–... Pois deveria – a outra voz dissera – Talvez se você tivesse um pouco mais de cuidado e fosse menos impulsiva sua filha ainda estaria viva.

Filha?!

Espera... Filha?!

Novamente, não ouvi a resposta da garota.

– Ah, mais vem, um assunto e outro condizem. Só você que ainda não aceita!

– Ao menos alguma coisa que temos em comum, pai. – o tom de voz de Charlotte ficou mais rude quando pronunciou a última palavra.

– Charlotte, se você continuar com essa sua repulsa não levaremos a discussão a nenhum lugar. – depois de algum tempo, Poseidon continuou – Se eu não lhe aceitasse como filha não teria te tirado daquele local maldito ao qual Elizabeth lhe deixara, não é mesmo?

– Que foi? Quer que eu fique grata? – Poseidon não respondera, mas provavelmente fizera algo, pois Charlotte suspirou e disse em seguida: — Desculpe. A garota já deve estar esperando.

“A garota” nesse ponto era eu, portanto me afastei silenciosamente da porta, dando a impressão de que estava indo nessa direção quando Charlotte abriu a porta, olhando para os lados até se focalizar em mim.

– Ah, aí está você. – ela sinalizou para dentro da sala com a cabeça – Que Deus tenha pena da sua alma.

***

Charlotte fechara a grandiosa porta atrás de mim, dali em diante, estava por minha própria conta e risco.

A sala era, da mesma forma que sua entrada, grandiosa e bela. A parede vermelha só era visível de um só lado, o restante era coberto por estantes lotadas de papéis, livros, e miniaturas de navios. Na minha frente, duas grandiosas janelas de vidro faziam a iluminação da sala. Eram separadas por uma pilastra estreita, nela havia um esplendoroso tridente dourado, provavelmente feito de ouro. Das janelas gigantescas, o lado da Tortuga que todos ali conheciam. Logo à frente da pilastra com o tridente, havia uma solitária mesa de madeira, entalhada da mesma forma da porta e grande o suficiente para que se sentasse três pessoas, mas só havia uma cadeira com o encosto alto e também feita de madeira e acolchoada em azul turquesa. Tinha também duas cadeiras bem menores, logo a frente da mesa.

De costas para mim, havia um homem de ombros largos, com um longo casaco vermelho e botas escuras, a calça parecia lutar para entrar na bota, enrugando na boca desta. O cabelo era de um negro tão escuro que chegava a se parecer azul quando o sol o tocava e, pelo que pude perceber pela nuca nua, sua pele era de um forte bronzeado, dando a sensação que se pegasse mais sol ficaria vermelho.

– Annabeth Chase – ele pareceu sentir o gosto que meu nome tinha em sua boca – Sente-se garota.

Poseidon se virou, me averiguando em um olhar crítico. Parecia-me familiar, desde o ar de rebeldia até os profundos olhos verdes. A semelhança dele com os filhos era quase palpável. Ele sentou na grande cadeira na minha frente e começou:

– Muito longe de casa, não? – seu sorriso era presunçoso e assim que o fazia percebi a cicatriz fina indo do olho direito ao maxilar – Gostaria de dizer que sou bom em palavras e que te enrolaria com a longa história de Olimpo...

– Olimpo? – perguntei, surpreendendo Poseidon. Pelo visto, não estava acostumado a ser interrompido.

– Os patifes lá fora – ele acenou com a cabeça para a janela – chamam de Tortugas, mas eu e meus irmãos preferimos chamar de Olimpo. De qualquer forma, é um paraíso para nós, piratas. Mas depois de alguns anos, isso aqui tudo ficara comprometido com a persistência da Marinha de vários países, principalmente a britânica, por isso a muralha. E agora, mais do que nunca, estamos por um fio, por causa de certa loira morta.

Sua indireta parecia vir até mim como uma navalha fria, mas não a rebati, continuei escutando.

– Se fosse aos meus termos, já a teria a matado assim que pusera seus pesinhos reais na minha ilha – seu tom se tornara assustador – mas isso arriscaria o bom funcionamento familiar, tendo que meu filho gosta de você. Mas não pode ficar aqui, princesa. Isso ruiria o império.

– Deve ser um império muito frágil para desmoronar por causa de uma novata loira.

Poseidon me fitou e por um momento ele mandaria o “bom funcionamento familiar” para o inferno e me mataria sem remorso algum. Porém, por um breve momento, percebi que ele hesitara. Não estava apenas protegendo a estrutura da sua família ou o considerável reino que manteve em pé, ainda tinha mais alguma coisa.

Se você tivesse um pouco mais de bom senso contaria a garota assim que visse.

Contar o quê para mim?

– Posso lhe deixar em paz – digo – Mudar meu nome e esconder minhas raízes, afinal, ninguém reconheceria a Annabeth Chase, herdeira ao trono com essas roupas – gesticulei para as vestes que usava.

– Não finja ser altruísta, senhorita – ele me interrompe – Quer algo de volta. Vamos lá, pode falar. Tenho tudo. Dinheiro, terras, até um navio...

– Está escondendo alguma coisa que condiz a mim. – falo convicta – Farei tudo aos seus termos se me disser e não negue, — avisei – eu sei que está protegendo algo bem mais para você do que seu bom funcionamento familiar ou seus piratas.

Antes que ele pudesse responder, a grandiosa porta de madeira atrás de mim fizera um rangido e passos puderam ser ouvidos.

Poseidon arregalara aos olhos, como se tivesse sido pego no flagra.

– Desculpe, interrompo... – a voz era feminina, mas de algum jeito conhecida.

Juntei as sobrancelhas e olhei para trás.

Meu coração pareceu parar por breves segundos, minha garganta fechara e tive a sensação de ver um fantasma. A mulher alta e esquia, com cabelos escuros e pele bem mais morena do que me lembrava, estava mais velha agora. Mas a reconheceria em qualquer lugar e em qualquer idade que tiver.

Já li em algum lugar que os olhos nunca mudam, não importa se você tem quatro anos ou quarenta, seus olhos sempre terão o mesmo formato. Mas não era isso que a trazia de volta à minha mente.

Seus olhos eram cinza, provavelmente a única coisa que ela me deixara.

As palavras seguintes saíram com esforço, saindo quase sufocadas:

– Mãe.

Notas finais
eu disse. You Know You Love Me XOXO Gossip Girl