Closer to the Edge

12 Baldes d'água, gordices e um gordo bêbado nada discreto.


Notas iniciais
FELIZ NATAL MEU POVO! Tá. Estamos ainda no dia 23. Mas isso não importa muito, e eu não vou postar depois de hoje. Porque, tipo, eu demorei porque minha criatividade tá em falta. Eu duvido que eu consiga escrever o próximo, mas isso também não importa. Anyway, espero que Papai Noel apareça com muitos livros para vocês.

Acordei com uma cutucada leve no ombro.

– Annabeth... – uma voz feminina cantarolou docemente em meu ouvido, mas ainda não havia aberto os olhos, o que me fez sentir outra batidinha em meu ombro.

– Só mais cinco minutos, Alicia. – resmunguei ainda meio sonolenta, o que fez parecer que a frase era uma pergunta. Logo eu reprendi a mim mesma, não estava mais na Inglaterra. Não era mais a boa e velha Alicia quem me acordava.

–Annabeth Mary Chase. – a voz de Charlotte se tornou clara e eu me perguntei mentalmente como ela sabia meu nome inteiro. – Se a senhorita não se levantar agora eu vou reconsiderar a ideia da Thalia de te jogar um balde d’agua.

Porque você sempre pode contar com a Thalia nesses momentos.

Abri os olhos à contra gosto, tentando focalizar nas duas figuras na minha frente. Silena estava sentada ao meu lado, sorrindo abertamente, com um vestido em tantos tons de rosa que dava vertigem olhá-lo fixamente. Thalia estava na frente da cama, com um vestido um pouco mais discreto, porém o preto o fazia parecer um vestido de enterro. Ela segurava um balde verde cheio de água, mas logo colocara no chão quando eu sentei na cama.

– Ah, a Bela Adormecida acordou.

Olhei ao redor e parei o olhar na fonte da voz. Arqueei as sobrancelhas e minha boca se moldou em um perfeito “o”. Charlotte estava apoiada na soleira da porta, com os olhos voltados para um pequeno caderno com capa de couro. O cabelo que era permanentemente ondulado agora estava totalmente cacheado, com as franjas presas atrás da cabeça e o restante caindo nas costas. Mas o mais surpreendente disso tudo é que ela usava um vestido sem mangas e ele era, digamos, feminino demais. Sua saia longa era de um azul-claro sutil, o corpete era branco com variadas flores azul-marinho. Ela deu um suspiro e fechou o caderno com cuidado, ajeitou as pequenas luvas de renda que iam até o pulso e finalmente olhou para mim. Quando ela perguntou um sonoro “que foi?”, eu percebi que ainda estava com a careta de surpresa.

– Enfim, — ela disse – essa é a nossa última parada, devo ressaltar, nós vamos fazer tudo que tivermos que fazer em duplas. Para não chamar muita atenção. – ela fez uma careta e olhou para o vestido, então eu percebi que ela só estava assim por que aquilo era um disfarce. E muito bom, aliás. Se eu não a conhecesse, enganaria até a mim. – Então, tá, pode escolher.

Eu levei alguns segundos para entender o que ela disse. Olhei para as três garotas, mas apenas Silena apresentava expectativa. Eu sabia que ela tinha um dia de compras de vestidos, sapatos, acessórios e tudo o mais já devidamente programado. Isso explicaria porque ela era a única realmente animada ali. Admito, seria realmente revigorante estar em um mundo de compras excessivas – não que eu gostasse, mas pelo menos que conheci muito bem, ficaria pelo menos por um tempo em um lugar onde não pareceria uma completa idiota – mas prometi a mim mesma que conversaria mais com Charlotte, queria saber o que ela estava escondendo. Eu sabia que nessa história tinha algo haver comigo, por mais louca que possa parecer, mas eu sabia.

– Charlotte. – disse por fim.

– Maravilha. — Thalia disse, ela me lançava um olhar de “você me paga” enquanto Silena a puxava saltitando para fora da cabine.

Eu dei um leve sorriso.

Pobre Thalia.

– Acho que este iria ficar bom. – Charlotte disse, me tirando de meus devaneios e colocando um vestido azul-marinho com muitos detalhes para eu processar esticado em cima da cama.

Ela virou o corpo e voltou a ler o pequeno caderno. Eu juntei as sobrancelhas, mas só então percebi que ainda estava nua. Algumas marcas seriamente roxas estavam por todo o meu corpo, mas o vestido iria cobrir qualquer vestígio que seja. Amarrei o corpete sem nem um dificuldade, fiz um coque razoavelmente preso e pus as máquinas de tortura em massa (ou salto alto, se preferirem) e tentei manter a postura até a porta; mas percebi que estava mais mancando do que qualquer outra coisa, então não me importei tanto ou me repreendi de não estar com a postura perfeita.

–Ah, já ia me esquecendo. – Charlotte murmurou para si, logo depois pegou o que parecia uma peruca cheia de cachos ruiva e esticou o braço para mim – Muita gente te conhece, e é óbvio que o Castellan espalhou que você fora sequestrada e está sendo escravizada por piratas. Aquele corno manso maldito. Mas a questão é – ela se aproximou de mim, colocou o caderninho em uma das mesinhas de cabeceira e deu um jeito de colocar aquele troço vermelho em minha cabeça. – você precisa se disfarçar. Nós precisamos.

Ela fez uma careta de irritação para o seu vestido.

– Além disso, quando estivermos em público, você me chama de qualquer nome que vier a sua mente. Menos “Charlotte”, claramente.

No momento em que ela disse isso, um pequeno pensamento apareceu em minha mente, um lampejo para ser exata, que talvez seja assim que nunca ninguém sabia exatamente como as pessoas desta tripulação eram. Do por que nunca os pegavam em seus roubos. Porque nunca ninguém iria desconfiar de pessoas assim. Tenho que admitir, é um truque de gênio.

– E, o quê, exatamente, vamos fazer aqui? – falei. – Quero dizer, onde quer que aqui seja.

– Nada do que você possa se preocupar, Annabeth. – ela se virou com um sorriso traveso no rosto. – Ou eu diria Elizabeth?

***

Blefast. Belgfart. Belfest.

Ah, Esquece.

Irlanda.

Estávamos em uma cidade movimentada da Irlanda, perto o suficiente de um lugar no qual eu com toda certeza não vou saber pronunciar, em que arrumamos um jeito de esconder um navio gigantesco. Eu também não sei como conseguimos essa proeza, só sei que demorou um bocado para colocar de um jeito que as árvores de pântano o escondessem e também não me pergunte como conseguimos lama suficiente para tapar o nome do navio.

Reyna e Jason ficaram para manter a guarda no navio. Percy, Grover e Beckendorf terminaram de esconder o navio e saíram logo depois do sol nascer. No fim, coube a Leo nos levar até o centro da cidade. Por todo o caminho nem eu nem Charlotte abrimos a boca, ficamos apenas observando a vegetação mudar para pequenas casas camponesas e para casas maiores, bares e feiras ao ar livre. Leo ficara em um ponto em que, se algo desse errado e tivéssemos que correr às pressas, ele já estaria pronto.

Mas a lista de afazeres não eram algo do tipo mortal e totalmente perigoso, meu único nervosismo era se aquele troço ruivo iria cair da minha cabeça. Charlotte escrevera a lista e me entregou assim que acabou de escrever:

1- Munição. (sorria e acene, o vendedor não pode desconfiar)

2- Despistar os guardas. (isso vai ser fácil, guardas são muito idiotas quando se trata de mulheres).

3- Acordar o Sr.D (não, isso não é tão fácil quanto parece) e fazê-lo nos ajudar.

4- Nós não vamos fazer isso exatamente nessa ordem.

Quando acabei de ler e levantei o olhar, Charlotte estava parada a um metro de distancia, com a mesma expressão de “você vem?” do primeiro dia em Conçu pour La mer. Eu olhei para a lista novamente, fixando o olhar no número ‘3’. Respirei fundo, quardei a lista entre a saia e o corpete do vestido e segui em direção a Charlotte.

[***]

– Você já sabe qual vai ser o que vamos fazer, não é? – ela disse depois de um longo tempo de caminhada, sorrisinhos ingênuos aos guardas e aos vendedores de munição de grande porte. Esse em que eu saí surpreendentemente bem mentindo descaradamente, embora eu não ache que o vendedor de 1,90 tenha acreditado em mim. Mas Charlotte resolveu dando um sorriso convincente e entregando mais três moedas de ouro ao cara.

– Acordar o tal Sr.D? – chutei.

Ela sorriu e assentiu, entrando em um beco estreito e parando na frente de uma torneira na parede externa de algum estabelecimento. Ela olhou para os lados antes de pegar um balde encardido e enchê-lo de água.

– Antes de qualquer coisa, o Sr.D é um cara um pouco... Não, muito bêbado. – ela disse – Então, para prevenir, eu sugeriria que você enchesse o outro balde também.

Eu peguei o outro balde sujo e o enchi até a metade água. Depois ela seguiu até o outro beco, escondendo o balde com a saia, e fomos até o fim dele. Eu olhava para trás, mas ninguém aparecera. A menos que eu considere o rato do tamanho da minha madrasta como ameaça.

Charlote parara na frente de uma pequena porta que ia para um pequeno chiqueiro de madeira. Eu parei ao lado dela e olhei ali dentro, tentando ignorar o cheiro, mas eu comecei a perceber do porque Lotte dera ênfase no “muito bêbado”.

Havia um cara dormindo de boca aberta no meio dos porcos. A barriga protuberante sobressaia da camisa roxa. O colete dourado mal fechava, dando a sensação que os botões laranja iam soltar se ele fizesse um movimento brusco. O rosto estava em uma coloração avermelhada, como se ele tivesse dormido no sol ou injetado vinho nas veias. Dada à situação dele, eu chutaria a segunda opção.

– Discreto como sempre. – Charlotte comentou, jogando toda a água do balde no homem em seguida.

Ele saltou assustado, olhando para os lados e parando os olhos estranhamente roxos em nós. Depois deu um sorriso com um dos dentes da frente lascado e deu impulso suficiente para conseguir se levantar.

– Charlotte! – ele abriu os braços, mas não se aproximou. – Você sabe que dá má sorte acordar um homem.

– Dionísio, sua barata manipuladora. – ela sorriu e pôs o balde aos seus pés. – Felizmente eu sei como reverter isso. Convidando o homem para beber e propor-lhe uma proposta.

Dionísio sorriu na menção de bebida, mas quando chegou um pouco mais perto, eu quase desmaiei com o cheiro forte de bebida misturado com lavagem. Eu joguei a água do balde que eu segurava nele, dando-lhe um susto.

– Eu já estou acordado! – ele praticamente berrou, as bochechas ficando ainda mais avermelhadas.

Dei de ombros.

– Mas ainda cheira mal.

[***]

Três garrafas de vinho tomadas somente pelo Sr.D, duas bandejas de biscoitos recheados de doce de leite e alguns pedaços de chocolate que eu e Charlotte devoramos depois, Dionísio finalmente se pronunciou:

– Então, a ruivinha já é do Johnson, certo?

– Eu não sou propriedade de ninguém. – falei. – Aliás, quem é Johnson?

– Não se faça de sonsa. É o Peter.

Continuei com a expressão de dúvida, fazendo o revirar os olhos e se virar para Charlotte:

– Céus, Carlota, não ensinou nada a essa garota? – ele fez uma careta – Elizbell, certo?

– Elizabeth. – corrigi.

– Tanto faz. – ele fez um aceno de descaso com a mão e voltou a sua garrafa de vinho.

Charlotte revirou os olhos pela milionésima vez desde que encontramos a baleia assassina roxa. Ela tirou a garrafa das mãos dele, colocando-a em um lugar afastado dele, fazendo com que ele adquirisse uma expressão de criança mimada.

– Isso não importa, agora. – Charlotte começou. – Agora, precisamos da sua ajuda.

– E por que eu ajudaria você? – ele estava prestando mais atenção em suas unhas sujas do que em qualquer coisa.

– Porque eu sou a única que sabe onde aquilo está. – ele arregalou os grandes olhos púrpura para Charlotte, que deu um mínimo sorriso. – E, se você me ajudar, eu direi onde você pode encontra-la.

– O que eu tenho que fazer? – o Sr.D estava com uma animação que não parecia ter sido feita pelo vinho.

– Servir de distração. Faça as autoridades se interessarem mais por você do que por nós.

– Só isso?

– Só isso.

Ele pareceu hesitar um pouco, mas assentiu rapidamente e apertou a mão de Charlotte.

O acordo estava feito.

Eu e Charlotte estávamos deixando o estabelecimento quando cinco guardas armados entraram, fizemos o bom e velho teatrinho e sorrir inocentemente e fazer uma pequena reverencia e estávamos a dois paços da porta quando um grito indignando ecoou da loja.

– Continue andando. – recomendou Charlotte – E não olhe para trás.

Tarde de mais. Quando me virei, Dionísio estava se esperneando para sair das mãos de um dos guardas. Eu cometi o erro de continuar olhando quando ele cruzou o olhar comigo. Ele começou a gritar olhando para mim e eu virei o rosto rapidamente.

Andávamos a passos largos, mas não estávamos correndo, enquanto os guardas o levavam para uma espécie de carruagem com grades.

– ME SOLTEM SEUS IDIOTAS! CHAAARLOTTE! – Lotte apertou o paço ao meu lado tentando não olhar para trás. – CHARLOTTE GREEN ESTÁ AQUI E VOCÊS QUEREM ME PRENDER?!

Continuamos no mesmo ritmo, Charlotte mandando maldições e xingando Dionísio com nomes nem um pouco educados. Quando meu vestido prendeu em uma das pedras, eu tive a visão de dois guardas andando rapidamente em nossa direção.

– Ham... Charlotte, acho que temos um problema.

Ela olhou de relance para os guardas que agora andavam mais rápido.

– Corremos? – perguntei.

– Com certeza.

Saímos disparadas pela rua; eu acabei deixando os saltos e boa parte do vestido para trás, Charlotte desfez um laço do lado da cintura e deixou a saia jogada em algum beco, revelando as botas e a calça escura. Escorregamos por baixo de uma carroça com barris empilhados e, antes de sair correndo pela rua, chutamos os barris, que desceram quicando e atrapalhando os guardas.

Tentamos despistá-los muitas vezes, passando pelos becos e atalhos, mas eles sempre acabavam nos encontrando. Quando eles começaram a usar as benditas espingardas, Charlotte murmurou um “maravilha” e entrou em outro beco, me puxando com ela. O beco era lotado de varais, indo de cima a baixo, ligando as duas casas paralelas.

– Está pensando a mesma coisa que eu? – perguntei.

– Eu esperava que não.

Mesmo com esse comentário, ela me seguiu quando eu comecei a escalar uma das casas com a ajuda dos varais. Os guardas passaram por nós umas cinco vezes, ou eles chamaram reforços, mas usamos as várias roupas para nos esconder, até chegarmos ao telhado.

Todos os telhados adiante eram em forma de triangulo, o que dificultava a locomoção, mas era ótimo em nos esconder. Claro, os habitantes logo perceberiam duas garotas andando pelos telhados furtivamente, mas até lá continuaríamos assim. Leo não poderia estar tão longe.

Mas quando se pensa que tudo vai dar certo, as coisas vão para o lado oposto.

Alguém realmente percebeu a nossa presença, e os tiros começaram. As balas não nos acertavam, mas as telhas sim. Não hesitamos e corremos como se nossa vida dependesse disso, e, tecnicamente falando, nossa vida realmente dependia. Corremos até não haver mais casas e uma praça com uma feira ao ar livre ficar no lugar.

Eu olhei em volta, minha cabeça estava montando um milhão de possibilidades, até eu encontrar uma carruagem com um elfo muito familiar com expressão de tédio sentado nela. Leo estava do outro lado da praça, era praticamente impossível ele passar para o nosso lado rápido o suficiente, a menos que ele atropele um monte de gente.

O que seria uma ótima opção.

Charlote parou ao meu lado e olhou para baixo. Havia uma barraquinha tapada por um toldo, poderia ser fácil de pular. Isso se não estivéssemos há 11 metros do chão. Eu me apoiei nos joelhos e pensei em mais opções para descermos sem sermos pegas.

– Alguma ideia? – perguntei.

– Sim.

Então ela pulou.

O toldo da pequena barraca não aguentara o impacto e Charlotte caíra com tudo em cima de qualquer que seja a mercadoria. Ela fez uma careta de dor, mas quando os gritos dos guardas se tornaram audíveis ela saiu correndo pela freira.

Eu hesitei, hesitei bastante, até eu perceber que infelizmente aquela era a única opção e finalmente pulei. Eu senti alguma coisa dura bater em minha costela, mas estava suficientemente boa para sair correndo atrás de Charlotte.

Ela estava em um distancia grande o suficiente em que eu não poderia parar de correr se não a perderia de vista. Eu praticamente atropelava as pessoas na minha frente, olhando para trás a todo o momento, mas os guardas tinham que correr bastante para nos alcançar.

Consegui entrar na carruagem com a mão estendida de Charlotte e logo depois que entrei já estávamos fora dos muros da cidade.

[***]

O pântano se tornou visível, mas Charlotte continuava falando nomes grosseiros diferentes para Dionísio. Alguns eram engraçados e eu reprimia uma risada, ainda com o olhar para a janela.

– Eu devia ter deixado Percy falar com aquele bêbado paquiderme dos infernos.

– Você sabe o que é “paquiderme”, não sabe?

– Não, mas soa legal.

Eu dei uma risada, fazendo-a revirar os olhos e dar um mínimo sorriso. Eu voltei a olhar pela janela, e ficamos sem falar nada por um tempo.

– Mas... – ela pareceu hesitar – você sabe o que houve com ele?

– Ele quem? – perguntei, tentando voltar à realidade.

Ela levantou uma sobrancelha em uma expressão de “não se faça de sonsa”.

– Eu fiz o que achei necessário. – respondi.

– Você fez o quê?

– Disse que... – respirei fundo – disse que não me importava. Que seria melhor para ambos que ele me esquecesse.

Ela arregalou os olhos, não parecia surpresa, mas sim aterrorizada, em pânico.

– Você fez o quê?

Notas finais
ESSE CAPÍTULO FICOU GIGANTE E EU ESPERO QUE TENHA GOSTADO PORQUE EU NÃO GOSTEI. Mas enfim, espero que vocês tenham uma ponta de esperança percabeth. You know you love me mesmo eu sem ânimo para escrever notas XOXO Gossip Girl