Closer
1 Volta
Eu tinha 18 anos quando fui embora de casa. Quer dizer, eu me mudei, fui estudar em outra cidade, longe dos meus pais, da minha irmã, de tudo aquilo que eu amava e conhecia, foi difícil, mas foi necessário.
Cursei fisioterapia em uma universidade de Nova York, eu amava a agitação daquele lugar, tinha a sensação de que nunca estava sozinha, e, ao mesmo tempo, nunca acompanhada. Eu quis sair para viver, e vivi.
Mas confesso que senti falta da viva pacata que vivia em Forks, no interior, a minha família.
Meu tempo de escola não foi maravilhoso, mas foi realmente bom. Tive bons amigos, uns que me doía muito não ter mantido contato, outros que eu agradeço por não saber onde estão.
Também tive uma paixão platônica pelo irmão da minha amiga, totalmente clichê, eu sei.
Mas Edward era o tipo de cara apaixonante mesmo. Ele era sensível, mas não era gay, bonito, mas não metido. Ele saia as vezes comigo e com Rosalie, sua irmã mais nova, dizendo que era para nos vigiar, e, confesso, uma vez nos beijamos, mas foi quase uma brincadeira, e eu já estava de malas prontas, nunca daria certo, eu não era o tipo de garota dele.
Apostava que agora ele estava formado em alguma coisa extremamente difícil e inteligente, ganhando montantes de dinheiro por aí e com muitas garotas aos seus pés, principalmente Jessica, ela amava se jogar para cima dele, as vezes eu até sentia pena, as vezes.
Pensar que eu estava prestes a encontrar todas me deixava um pouco nervosa e ansiosa, eu estava criando expectativas sobre todos, eles certamente criaram sobre mim, não que eu tivesse necessidade de agradar alguém, talvez Edward, talvez.
Parei um pouco de pensar quando anunciaram o nosso pouso, meu coração acelerou mais ainda, malditas maquinas de lata, voava nisso só porque era mais rápido.
Rapidamente, assim que foi possível, desci daquilo e peguei meus poucos pertences, indo para o portão de desembarque, onde alguém da família estava me esperando.
Estava retornando a Forks depois de uma vida longa longe. Fiz faculdade, me estabeleci, e quase 11 anos depois voltava para morar. Minha família estava aqui, eu tinha proposta de emprego e meus avós já eram senhores, eu queria estar por perto.
Avistei papai assim que cruzei pelo portão, me atirei nos braços dele como a garotinha que já não era mais, mas não me importei.
Nós nos abraçamos e beijamos e apertamos o quanto pudemos.
— Minha garotinha! – eu ri, me sentindo aquecida por ouvir aquele apelido.
— Eu estava com saudades. – falei com a voz abafada por estar com o rosto em seu peito, sentindo aquele cheiro que só o meu pai tinha.
Ele me apertou mais forte e senti um beijo ser depositado no topo da minha cabeça.
Depois disso, fomos para o carro, rindo e reclamado daquelas maquinas de lata que nossa raça costumava chamar de avião, como eu odiava aquilo, e partilhava o sentimento com o meu pai.
Quando chegamos em casa minha mãe já estava nos esperando com, graças a Deus, o jantar quase pronto. Fui abraçada e beijada mais 3 vezes, por ela e meus avós paternos que moravam ali.
— Agora já chega. – minha mãe disse quando agarrei minha avó. – Você já pode ir para o banho.
Eu ri, mas fiz o que ela mandou.
Quando desci de volta para a sala, minha irmã Alice já estava ali. Nós duas gritamos feito loucas e nos abraçamos.
— ALICE! – gritei, enquanto pulávamos em volta uma da outra.
Perdemos o folego alguns minutos depois e nos jogamos no sofá, ouvindo a reclamação de alguém que eu não identifiquei.
— Estava com saudades sua pirralha. – disse a ela, que revirou os olhos e meus cabelos.
— Não me faz te mandar de novo pra bem longe, Bellinha.
— Argh. – reclamei. – Você sabe que eu odeio esse apelido. – ela deu de ombros, nossa saudade já completamente esquecida, dando lugar ao constante desejo que eu tinha de assassiná-la.
Mamãe nos chamou para jantar quase depois, e foi no meio de tanta risada e conversa alta que eu me dei conta de como amava e sentia falta da minha família.
...
No outro dia, logo que acordei fui tomar um banho. Era sempre frio em Forks e eu precisava me acostumar com isso outra vez.
Quando cheguei ao andar de cima, já com roupas mais quentes, só Alice estava na mesa tomando café, concentrada em alguma coisa no celular.
— Bom dia. – murmurei ao dar um tapa de leve na mão dela, fazendo o celular saltar e cair em seu colo.
— Eu te odeio, Isabella. – falou enquanto eu ria.
A verdade era que eu preferia mil vezes que me chamassem de Bella, Isabella era muito formal.
— Também te adoro, mana. – peguei leite e cereal e despejei na minha tigela.
Conviver tanto tempo com minhas crianças no consultório me deixava com algumas manias deles.
— Você tem planos para hoje? – Alice me perguntou, tirando uma mexa do cabelo escuro do rosto.
— Ficar em casa de pijama e assistir filmes o dia inteiro parece bom para você? – perguntei séria, sabendo que ela odiaria.
— Você é tão monótona, Bella. – ri. – Tem tanta gente ansiosa para te ver e você ai, entocada.
— Ainda é domingo, as pessoas vão ter o resto da vida para me verem aqui. Alguma notícia que você queira me dar, preciso me atualizar.
Ela sorriu descaradamente e estendeu a tela do celular que eu tinha derrubado.
— Esse não é o cara que você tinha uma queda? O irmão da Rosalie?
A tela mostrava a página do facebook, e uma foto de Rosalie, sempre loira e linda, com seu irmão mais velho, se destacava, na legenda estava escrito: Bem vindo de volta, irmãozão.
— Alice! – sussurrei, olhando para os lados, não querendo que alguém ouvisse. – Para de dizer essas coisas. – minha irmã revirou os olhos iguais aos meus.
— Não seja boba, Isabella, você não é mais uma criança.
— Por isso mesmo, Edward deve ser até casado já, e você falando besteira.
— Bobagem. – fez um gesto no ar com a mão, como se eu fosse completamente insignificante. – Eu pouco me lembrava dele, segue um gato, não é.
Quase fiquei vermelha, mas concordei, porque não tinha como não concordar com aquilo.
Cabelo acobreado, olhos verdes, o sorriso mais gentil do mundo. Edward Cullen continuava lindo, minha memória era patética perto da realidade.
— Não sabia que ele estava voltando. – falei para Alice, que assim como eu ainda analisava a foto.
— Eu soube agora, ele se mudou tem vários anos, que bom que está voltando.
— É, que bom... – sussurrei.
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