Close To Your Heart.
1 Inimigos Perfeitos.
Notas iniciais
Revirei os olhos enquanto meia dúzia de meninas vestidas com saias vermelhas e brancas pulavam e gritavam incentivando um time idiota, de um colégio idiota, com alunos mais idiotas ainda. Não que eu seja idiota, mas o resto dos seres que frequentam o mesmo ambiente que eu são descerebrados em um nível supremo. Fechei os olhos e tentei imaginar que eu estava no meio do deserto do Atacama, mas no deserto do Atacama o ser que eu nomeei de melhor amiga não gritaria “Vaaaaaaaaaai Wilds” como se os pulmões dela dependessem disso. Porque ela estaria com cede demais pra gritar.
— Veeeeeeeeeeeeeeem Sam, me ajuda a incentivar os meninos, por favor! Eu não sei por que eu me tornei amiga dessa criatura dos demônios, eu não sei mesmo. Acho que eu estava sendo possuída quando emprestei um lápis pra ela na 5° série.
— Alice, eu não vou gritar pra esses imbecis. Eu nem queria estar aqui, você me sequestrou e está me mantendo aqui contra a minha vontade. Eu disse fechando os olhos de novo e tentando dormir no meio daquela algazarra de idiotas.
— Porque mesmo que eu sou tua amiga? A loira do tcham me perguntou irritada.
— Não sei, não fui eu que interpretei um empréstimo de lápis como um pedido de amizade eterna. Eu disse dando o meu sorriso perfeito pra ela que torceu o nariz e voltou a gritar feito desesperada.
— Vai comprar um refrigerante pra mim? Por favorzinho? Ela pediu fazendo biquinho e eu aproveitei a chance pra fugir por uns míseros dois segundos.
— Claro. Já volto. Levantei feliz da vida e virei pra tentar sair da arquibancada.
— CUIDADO, BOLA PERDIDAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAA. Ouvi o grito que eu logo identifiquei como do idiota que por azar do destino é meu vizinho, ignorei porque não to com saco pra brincadeirinha e ignoro tudo que ele diz desde sempre e ignorarei eternamente.
Daí eu senti a pancada no ombro. Uma daquelas que te faz ficar roxa por no mínimo 50 dias. Me virei automaticamente e vi o culpado de tudo me encarando lá da lateral do campo. Antes mesmo que alguém notasse o que estava acontecendo eu me recuperei da bolada e comecei a descer pela arquibancada como o Jack White estivesse lá embaixo me esperando pra fugir com ele.
— ELA TÁ VINDO BRANDON, CORRE CARA! Ouvi alguém gritar mas foi devagar demais porque antes mesmo que o otário corresse eu já tinha pulado a grade de proteção e voado no pescoço dele.
Claro que não aconteceu literalmente desse jeito. Eu tropecei na grade, eu quase cai, mas de qualquer jeito eu consegui dar um soco do idiota do Brandon e eu acho que doeu bastante porque ele quase me degolou com os olhos. Resultado da confusão:
— Senhorita Warrey, eu lembro de ter pedido para que não aparecesse nos jogos dos próximos 25 anos.
— Eu sei! E acredite diretor Holman, eu não queria estar aqui. Alice me obrigou e me manteve aqui mesmo com as minhas reclamações. Em caso de problemas, culpe a melhor amiga líder de torcida e loira. (=
— Acho melhor você ir pra casa e só voltar na terça feira. Suspensão por invasão de campo e agressão. Ele disse anotando pela milésima vez alguma coisa na minha ficha escolar. Isso deve tá mais manchado do que a ficha policial do Osama.
— Ok, mas saiba o senhor que exijo que o delinquente do Brandon também seja punido pela bolada que eu levei. Eu disse levantando irritada e saindo da sala. Claro que o senhor capitão do time nunca vai ser punido, mas não custa nada tentar né?
Dormir a tarde inteira só pra fugir da minha mãe o que não deu muito resultado já que quando eu acordei, perto das dez da noite o meu doce e querido vizinho Brandon estava em pé do lado da minha cama, parecendo a morte quando vem te buscar na hora da partida.
— Fui suspenso por tua causa, tá feliz? Ele disse com aquela cara de psicopata que ele tem.
— Minha causa?
— Olha Sam, eu só vim te avisar uma coisa... A trégua acabou, é guerra de novo.
— Sem problemas, agora cai fora daqui que eu pretendo dormir. Eu disse cobrindo a cara com o cobertor.
A guerra podia começar na segunda, agora eu só precisava dormir e fingir que estava doente até terça de manhã. O resto a gente dá um jeito.
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