Cloreto de Potássio
1 Capítulo Único
Notas iniciais
Tudo começou, quando ela estava em seu quarto. Triste e solitária... Absorta em seus pensamentos. Ela se esticava em sua cama, se espreguiçando de qualquer dúvida. Ela levantava e se encarava, refletindo no espelho de seu armário. Ela abria um batom vermelho escrevia no espelho: \"A Terra é o Inferno e estamos todos mortos!\" (\"Earth is Hell and we\'re all dead\"). Depois ela se jogava na cama de novo. Sua mãe batia na porta, e ela gritava:
- O que é!?
- Eve, hoje é o seu primeiro dia de aula no novo colégio! Se arrume que eu vou te levar!
- Tá bom! — Ela sentava e olhava pro uniforme. — Merda...
Ela começou a se arrumar... Eve era uma menina de cabelos curtos e lisos, pretos com uma mecha vermelha na frente. Seus olhos eram bem azuis, como os de seus pais. E ela também tinha a pele branquinha demais. Ela usava uma pesada maquiagem, preto nos olhos e vermelho nos lábios. Possuía vários piercings no rosto e algumas tatuagens (não muito grandes pelo corpo).
Ela pôs uma saia de pregas preta do colégio, por cima de sua calcinha branca e sorriu olhando pro espelho. Depois pôs a camisa branca, e em volta do pescoço prendeu o Ankh invertido que tinha. Depois colocou as meias brancas e as sapatilhas pretas. Agarrou sua pasta preta cheia de agulhas e correntes (Tinham coisas escritas como: \"Pessoas do Inferno\" (\"People from Hell\"), \"Riot is the New Gun (\"Revolta é a Nova Arma\") e \"666 — Não Há Número\" (\"666 — There\'s NO Number\"), além de pequenas cruzes invertidas e pentagramas espalhados.
Ela era ariana, mas era super anti-social... Não gostava de pessoas, de seres humanos, eles a davam nojo. Ela vivia sozinha no colégio, sentada em algum canto ouvindo seu discman. Onde bandas de meninas faziam um barulho infernal e ela ficava lá flutuando em pensamentos, calada. Naquele dia o Prof. pegou no pé dela, ela não estava nem um pouco afim de assistir a aula.
- Eve, você poderia vir aqui na frente, nos apresentar sua redação?
- Ah... Tá... — Ela levantou mal humorada e foi à frente de todos na classe. — Eu me chamo Eve. Não sei porque esse nome. Veio de Eva sim, mas eu odeio coisas bíblicas. Pelo menos quando se refere ao Cristianismo. Eu acho as religiões coisas destrutivas idiotas que só causam guerras. Eu não odeio Deus, eu só não o conheço... Sou uma menina fechada em meus pensamentos, e não me importo com o que dizem, acho todos uns grandes idiotas. Estou cansada dessa redação estúpida, eu só quero dormir.
O Prof. a encarou.
- É isso que está escrito aí?
- Sim... Foi o que eu escrevi. Você não disse que era \"Livre\"?
- Sente-se, Eve. — Ela foi se sentar com todos da sala rindo.
- Idiotas... — Disse baixinho ligando o discman e abaixando a cabeça na carteira.
Ninguém a entendia, ela não conseguia parar pra prestar atenção em nenhuma das coisas normais e idiotas das pessoas. Ela abria seu caderno e ficava escrevendo coisas.
\"Eu sou uma faca. Eu corto sua pele branca e lisa. Eu arranco de ti o sangue, meu líquido da vida. E depois o sugo com minhas partículas de metal. Eu sou o som estridente, caindo no chão da cozinha. E te atacando enquanto você se banha. Você se molha... Água de sangue.\"
- Isso aí... — Ela abria a pasta preta e tirava um estilete. — Eu sou uma faca.
E começava a cortar o braço, ela escrevia algo... EVE. Então Eve começava a chorar, e as lágrimas borravam sua maquiagem.
- Família estúpida, professores estúpidos, alunos mais estúpidos ainda... Eu odeio todos vocês. — Ela olhou pro sangue escorrendo e o deixou cair sobre o papel do caderno. — Estão sentindo isso?
Lá de longe vinha alguém, ela fechou rápido o caderno e tapou com o braço o ferimento que fez no outro. Era um garoto, não estava com a roupa do colégio.
- Oi. Você é? — O menino a perguntou.
- Ah... Eu não preciso me apresentar a você!
- Nossa, você é nervozinha, hein? Devia ser mais amável... Não vai conseguir amigos assim!
- Não quero amigos, não preciso de ninguém.
- Por que não quer amigos? — Ele perguntou franzindo a sobrancelha.
- Porque humanos não são confiáveis. Ter amigos é suicídio... Eles podem te trair, contar seus maiores segredos e te arruinar.
- Nossa, que pessimisto... Que ódio... — Ele sentou do lado dela.
- Quem disse que você pode se sentar aqui!?
- Não tem seu nome aqui, garota! — Ele riu olhando pra longe, e ela olhou com raiva pra capa do caderno. E tirou o braço de cima da ferida do estilete.
Eles ficaram lá. Ela olhando pro caderno e pros pés dele (All Stars pretos, bem velhos). E ele olhando pro horizonte, que dava pra cantina do colégio. Ela suspirou.
- Meu nome é Eve. — Ela disse olhando pro chão.
- É? He... Meu nome é Ethan. — Ele olhou pra ela, mas ela não o encarava. — Sou novo aqui, ainda não tenho o uniforme.
- Estranho é estar vestido assim...
- Por que? — Ele se olhou possuía piercings também, brincos, usava uma roupa quase toda preta.
- Você ouve... Rock?
- Ah sim, claro! Eu tô com o meu discman aqui, quer ouvir algo? — Ele disse pegando o discman na mochila (Cheio de patches de bandas, que depois ela notou).
- Hm... Tá. — Disse, mesmo possuindo outro discman dentro da pasta preta.
- O que você curte? Ponho Korn aqui, quer ouvir?
- Ah... Tudo bem.
- Você não gosta? — Ele pousou os olhos na frase de sua pasta \"Riot is the New Gun\". — Eu tenho um do Kittie... Quer ouvir?
- Bom! Aliás... Ahan. — Ela falou um pouco mais animada.
Ele pôs o cd de Kittie e ficou ouvindo com ela durante aquele horário. Tocou o sinal umas duas vezes, e os dois não saíram de lá. Ele tinha olhos verdes e cabelos loiros (com mechas pretas).
- Não tem aula?
- Nós saímos dois tempos mais cedo. Todos foram embora... Eu fico aqui até depois da hora.
- Ah... Gosta de ficar sozinha, sem fazer nada?
- Eu faço algumas coisas...
- O quê? — Ele perguntou interessado.
- Eu escrevo... muito. — Ela pegou e deu o caderno pra ele.
Ele começou a ler o primeiro.
\"A tortura. Vozes dentro de minha mente. Eu me sinto triste e vazia. Por que tudo em minha volta apenas me sufoca? Agonia. Tantas horas presa dentro de um vidro, se enchendo d\'água, pouco a pouco. Sonho que me afogo, um dia...\"
- Nossa, que sinistro... Hehehe. — Ele ri, lendo.
- Não é sinistro. É poético.
- Entendi, sinistro é isso! — Ele mostra o \"quadro\" de sangue que ela fez pra ela.
- Isso...? Isso foi um acidente!
- Ahan! Eu finjo que acredito, ...olhando seu braço desse jeito... — Ele aponta pro braço ainda sangrando. — Como fez isso!?
- Me deixa em paz!? — Ela se levanta com a pasta, joga o fone nele, arranca o caderno da mão dele e sai andado rápido. Ele levanta uma sobrancelha de novo.
- Que menina revoltada!
Ela chegava em casa, depois de tempos caminhando e pensando que...
- Que garoto idiota e intrometido! — Ela sobe as escadas e entra no quarto, batendo a porta.
Lá ela tira a roupa do colégio e joga no chão. Ela pega uma camisa preta de mangas compridas larga e se veste apenas (sem calça). Ela senta na cama e pega o estilete, começa a fazer rasgos na camisa que está vestindo. Então ela olha pro espelho e taca o estilete nele que quebra.
- Eve, está acontecendo algo aí em cima? — A mãe grita pra ela.
- Não, mãe. Nada! Foi sem querer!
- Tudo bem!
Ela se levanta e olha pro seu quarto. Paredes azuis, ar condicionado ligado, janelas fechadas com cortinas escuras, luz apagada, posteres de banda sinistros nas paredes, cama desarrumada, armário cheio de adesivos, rádio desligado na tomada, estante com cds diversos, escrivaninha com papéis e canetas e livros, seu material e sua pasta jogados num canto no chão e ela deitada no chão agora. Olhando pro teto branco.
- Já sei... Vou fazer uma festa pra comemorar (O quê?)!
Ela liga o rádio bem alto, tocando mais banda de meninas que fazem um som infernal. Abre o armário e tira uma mochila preta escondida... De dentro dela tira um vinho já um pouco bebido.
- Agora vamos comemorar! — Ela bebe o vinho do gargalo com pressa e começa a dançar como uma louca.
Ela bebe, bebe, se enjoa, gofa um pouco, continua bebendo e pulando. Ela está tonta, ela está dormente e ela está perdida. Ela olha pro teto... Ela dorme, profundamente.
~~~ O que poderia acontecer agora? O que poderia acontecer com sua vida? O que são seus dias? Quem poderia ser aquele menino pra ela? E ela? O que era ela? O que ela poderia fazer? Ela deveria sair? Ela deveria deixar seu cabelo crescer? Ela devia tirar seus piercings? Ela deveria fingir ser algo que não é ela? Ela devia ser mais bem humorada? Ela devia rir? Ela devia ser mais agradável? Ela deveria abaixar o som que incomoda seus vizinhos? Ela deveria morrer? ~~~
FIM
Notas finais
- Inferno é o nome de uma boate/bar de Rock que aparece em várias outras fics minhas: Hell Y'all, Death, Monsters...
- Cloreto de Potássio é uma substância que "dizem" matar sem dor. Não sei se de fato isso é apenas um boato - e acho que nunca irei saber xP~ - mas utilizei o nome mesmo assim... xP~
- Considerando que essa fic tenha tantos anos, vocês já devem ter sacado que não foi influenciada por nenhuma dessas bandinhas e desses estilos da mídia atual, apesar dela ser bastante "superficial" em alguns pontos. Na época, eu ouvia mais New Metal e Riot Grrrl. E meus amigos eram quase todos góticos. Daí vieram algumas influências pra escrever esse tipo de "coisa"...
- E sim, na "época", discmans "ainda" eram o máximo! xP~
- Acho engraçado como, hoje em dia, ou mesmo na "época" (como se fosse há muito tempo atrás, ha!), os próprios roqueiros "renegavam" o Rock! Todo mundo queria/quer ser original, dizer que não segue a nada, que não se veste de nada (mesmo se vestindo) e etc... Eu "fodia" com todas essas regras imbecis escrevendo coisas desse tipo ou como "Hell Y'all". Transformava aquele "todo" numa espécie de estilo de vida + estado de espírito. Um amigo meu, que era um "pseudo-gótico", que gostava de Marilyn Manson, usava sobre-tudos, leu essa fic e me deu o seguinte comentário:
"Éca! Está muito 'galera do Rock'!"... Só uma dúvida simples? Vocês acham que um pagodeiro ia esquentar se outro pagodeiro escreve uma narração fictícia sobre o "estilo" deles? Ou ele ia gostar? Apostem suas fichas! xP~
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