Clock Ticks
1 Clock Ticks
Notas iniciais
O relógio está zombando dele.
Ele sabe que parece estúpido, mas tem certeza de que os constante tiquetaquer foi feito para irritá-lo, para tirar sarro do fato de que o tempo está passando. O tempo está passando e ele ainda está ali, preso no colegial. Ainda ali, com Kurt rejeitando suas ligações e não respondendo suas mensagens. Ainda ali, completamente sozinho.
Suas únicas companhias são o relógio, que continua zombando dele com seus tiques e taques, e uma brilhante lâmina prateada, que reflete a luz e lança padrões aleatórios na parede. Ele respira fundo, mais para se impedir de chorar do que como um sinal de resignação
Seus olhos cor de avelã encaram o chão, contando os pingos de sangue no mármore branco. Cada pingo, uma parte de si que ele deixou ir. Que ele desistiu.
Ele desistiu de muitas coisas, para falar a verdade, então ele sabe que não está qualificado para julgar. Desistiu de sua coragem quando se transferiu para Dalton e desistiu de sua segurança quando se transferiu para o McKinley. Desistiu de suas virtudes quando se tornou popular. Desistiu de seu próprio coração quando mandou Kurt para Nova Iorque.
Ele desistiu de si mesmo anos atrás.
Ele observa o sangue pingando no mármore branco, em um rítimo mudo que ele não consegue não comparar com a percussão zombeteira do relógio. Estão coordenados, tocando juntos como uma sinfonia mortal. O relógio zombando, o sangue pingando. Eles meio que se completam.
Blaine poderia fazer uma metáfora realmente ruim agora e comparar o relógio e o sangue com Kurt e ele, mas não o faz. Em parte porque ele não consegue entender muito bem a razão do por que isso seria uma metáfora para começo de conversa, em parte porque sua menta está começando a ficar confusa e sua visão enovoada.
Ele sorri. Confusão é um sentimento bom. Ele se lembra disso, lá dos seus primeiros anos do colegial quando ingeriu um frasco de remédios e a confusão tomou conta dele. Daquela vez, Cooper apareceu para uma visita inesperada e o encontrou no chão de seu quarto. Mas não dessa vez.
Dessa vez ele estava completamente sozinho com sua lâmina e o relógio tiquetaqueante, ainda zombando dele por alguma razão que Blaine não consegue entender muito bem, e ele se sente ótimo. Por uma fração de segundo ele se pergunta se não deveria lutar contra a neblina que ameaça engulfá-lo por completo, mas a ideia vai embora logo que aparece.
Não há ninguém que se importaria, de qualquer forma.
Seus olhos se fecham alguns mintuos depois, a lâmina atingindo o piso, dentro das pequenas poças de sangue, enquanto ele próprio desliza até atingir o chão. Seu celular toca, mas ele não consegue se obrigar a atendê-lo. Ele só que quer que acabe.
Então ele se deixa ficar inconsciente enquanto o telefone toca, o nome de Kurt brilhando na tela por cima de uma foto que eles tiraram pouco antes de ele ir se mudar. O relógio continua a bater; perfeito sincronismo com o toque do celular, como se estivesse rindo do fato de Blaine não poder responder quando Kurt finalmente liga.
Mesmo agora que ele está morrendo, o relógio continua zombando dele.
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