Olá! Meu nome é Alice e estou escrevendo aqui os relatos dos últimos dias de minhas férias de verão... Devo dizer que as aproveitei muito bem, de fato... Consegui ler pelo menos umas 20 Fanfictions completas! Ótimas histórias todas, porém bem clichês também.

''Clichês'' maldita palavra que acompanha nosso cotidiano não é mesmo?

Ah... Como queria ter uma promessa feita na infância que se realiza anos depois, ou conhecer um bad boy quando for para um internato, ou o romance de infância que aparece depois de uns 10 anos, talvez até alguém chegar em mim gritando a frase: ''Só você pode salvar o mundo''...

Os clichês sempre aparecem hora ou outra, mas nunca vi um aparecer tanto como o bendito ''Coque frouxo''. Que magia existe nesse penteado? Como isso pode atrair qualquer homem independente de sua personalidade? Como isso pode deixar a garota nerd tão irresistível? Isso é impossível... Não é?

Bem, ainda são apenas 16:00 da tarde e é sábado... E se? Okay, ''Quem não chora não mama''.

Coloquei uma roupa simples, uma blusa branca, uma jaqueta preta afinal, estava esfriando devido a umidade que as chuvas deixaram. Coloquei também uma calça jeans escura e meu All star. E... Fiz o bendito coque frouxo.

— Aonde vai Alice? –perguntou a ''Dona mãe'', sim... Lindo apelido certo? Outro clichê.

— Sair... Vou passar na frente da padaria, quer que eu traga pão –perguntei desinteressada sem parar de andar.

— Se puder...

Sai antes que ela começasse a falar mais. As nuvens de chuva continuavam no céu, escondendo o sol e escurecendo a tarde. Andei em direção ao Shopping da cidade, não é nada muito grande, era o de se esperar de uma cidade tão pequena igual a minha...

Olhei várias vitrines, ignorei as lojas que tinham aqueles vestidos pomposos e me vi deslumbrada com a loja de sapatos. Sem pensar duas vezes entrei e peguei na mão o (perfeito) all star enxadrezado da vitrine.

— Posso ajudá-la senhorita? –sorriu um rapaz ruivo de olhos escuros.

— Pode... –esse coque frouxo tem de funcionar! – Ér... Tem esse par no tamanho 37? –sorri bobamente.

— Sim, senhorita! –ele sorriu de volta, ó meu Senhor! Tá funcionando?

O Rapaz virou-se e foi pegar o par que pedi. Alguns minutos depois, ele apareceu com o all star que escolhi no tamanho certo e mais uma caixa fechada.

— Aqui, experimente... –sorriu entregando-me o par... (Como. Ele. É. Fofo.)

Agradeci e coloquei o perfeito par de tênis, como eu adorei esse all star...

— Gostou? –disse o rapaz sentando na poltrona ao meu lado.

— Adorei!

— Bem... Eu achei esse par lá em cima e, se você gostou desse provavelmente... –disse enquanto tirava um par de All star preto com caveirinhas. Eu quase pulei naquele tênis, tá... Eu pulei e tava quase babando e o rapaz apenas sorria.

— Gostou? –repetiu a mesma pergunta.

— Simplesmente amei! –disse calçando-os – Quanto é? –perguntei começando a entristecer.

— Bem... Ele não tem um preço listado, então posso lhe fazer por... Quanto está disposta a pagar? –sorriu... Cara, ele é muito perfeito! Acho que apaixonei.

Estava pensando em quanto dinheiro daria pelo sapato até que me vi em outro clichê... Conheço esse garoto a menos de um dia e já digo que ele é perfeito e que o amo? É, mais clichê...

— Te dou... Cinquenta reais está bom? –perguntei levemente corada, o tênis devia valer bem mais.

— Está ótimo! –ele sorriu mais uma vez.

Dei para ele meus suados cinquenta reais e agradeci novamente, me despedindo em seguida. Ao sair da loja com minha sacola em mãos, encostei ao lado da porta tendo a certeza suficiente de que ele não me visse e lá fiquei um pouco... Esse é o poder do coque frouxo? Enquanto me perguntava isso um garoto muito musculoso entrou na loja, era bonito, loiro, infelizmente não consegui ver a cor de seus olhos...

— Fábio! Quando vai terminar o turno? Vamos sair... –disse o loiro se referindo ao ruivo perfeito.

— Só mais dez minutinhos, Mor... –ouvi ''Fábio'' responder.

Se ta brincando o ruivinho perfeito é gay? ''Mor'' de... "Amor"? Maldito seja o coque frouxo! Okay... Isso é considerado clichê? Nem sei mais... Caminhei até a sorveteria do Shopping desolada pedi um picolé de chocolate, dane-se o frio, preciso acabar com minha tristeza e o que é melhor para isso do que sorvete de chocolate?

Fui embora daquele lugar... Estava a caminho de casa quando lembrei que tinha que ir para a padaria comprar pão, que saco. Okay... Onde é a padaria mesmo? Caminhei algumas quadras e achei o bendito lugar. Cheguei lá e fui até o balcão.

— Moça, me vê três reais de pão... –pedi.

— O pão acabou, a próxima remessa sai em uns quinze minutinhos... Se quiser pode esperar. –disse ela apontando para uma mesa onde tinha um homem sentado provavelmente, esperando o pão sair. Concordei com a cabeça e fui em direção a mesa.

— Está ocupado? –perguntei ao homem enquanto apontava para a cadeira que continha mochila do mesmo.

— Pode se sentar... –disse parecendo voltar para o planeta Terra e tirando a mochila da cadeira e colocando-a no chão. Sentei e agradeci com um aceno de cabeça. Tédio definia aquele lugar... O rapaz parecia me encarar e eu lá, entediada.

Comecei a bater meus dedos na mesa em um ritmo que eu tanto adorava... Era uma mania de minha infância que mantenho até hoje.

— Esse ritmo... Não pode ser... Alice? –perguntou o homem.

Tá... Esse cara me reconheceu pelo ritmo que eu batucava na mesa? Você só pode estar brincando! Só pode ser ele!

— Felipe?! –gritei surpresa, meu primeiro amor e meu melhor amigo de infância que tinha se mudado para outra cidade? Sério?

— Que saudades da minha pequena... –Felipe disse me abraçando, adoro esse apelido que ele sempre usou para me chamar, até em nossa despedida, quando tínhamos uns dez anos, lembro-me até hoje...

''Não vou te dizer adeus ... Porque dizemos isso para quem planejamos esquecer e eu nunca conseguiria esquecer minha amada pequena...''

Lágrimas escorreram por minha face ao lembrar de nossa despedida.

— Felipe... –disse afundando o rosto em seu peito.

Ele segurou o meu queixo e secou minhas lágrimas dizendo em um sussurro gentil.

— Minha amada pequena...

Bendito seja o clichê e, bendito seja o todo poderoso coque frouxo.

Notas finais
Que tal deixar esse projeto de autora contente ? Comente um ''Gostei'', um ''Não gostei'', até um ''Lhamas são legais'', afinal ... Tem coisa mais legal que uma lhama ? u.u' Até a próxima !
Você chegou ao fim do livro. Parabéns!