Clichê. Mas Nunca Igual.

14 Poderia ser mais clichê?


Notas iniciais
TA MELOSO, PREPAREM A INSULINA!

Acordei por volta da meia noite com os hematomas em minha perna latejando e minha cabeça doía. Eu realmente me sentia um lixo. Minhas pernas caminharam sem minha vontade até o lixo da cozinha. Revirei e tirei de lá um papelzinho branco amassado com alguns algarismos escritos. Peguei meu celular e liguei. Depois de três toques uma voz sonolenta atende:

— Alô?

Não consegui responder. Meus lábios se mexiam, mas nenhum som saiu da minha boca. E então, a mesma voz disse:

— Alô? Caio, é você que está zuand...

As lágrimas escorrendo pelo meu rosto e eu apenas consegui dizer:

— Matt!

— Mel? Mel, você ta bem? Fala comigo Mel!

— Matt eu só... É que eu...

— Mel, tudo bem, eu to indo pra i.

— Não Matt, eu só...

— Não adianta dona teimosa, eu estou indo.

Ele desligou o telefone e eu sentei no chão, angustiada. Como assim, depois de tantas coisas ruins que eu disse pra Matt, ele tomar essa atitude de vir até minha casa pra conversar comigo?

Eu queria minha mãe ali, mas ela estava ocupada demais no serviço dela. Ela trabalhava em um hospital público como enfermeira, e ficava de plantão por muitos dias. Ela já passou tanto tempo naquele hospital, que se pra ser médica dependesse disso, ela já teria sido “promovida” há muito tempo. Aquele hospital era a vida dela. Acho que por ela se dedicar tanto assim a aquele emprego ela esqueceu um pouco da família, e consequentemente meu pai não admitiu isso e nos abandonou há uma semana.

Uma semana. Dá pra imaginar o que não acontece em quase 15 anos acontece em apenas uma semana? Um garoto lindo, inteligente, dedicado e... Para Mel, sua iludida, ele tem namorada, ele só está aqui porque quer ser seu amigo. Sim, ele te beijou, mas amigos fazem isso né? E amigos dizem para os outros que eles são incríveis... E amigos...

Abri meus olhos assustada quando ouço um carro parando na frente de casa e uma porta se bate. Esperei alguns segundos para ver se a campainha tocaria, mas ao invés disso, Matt já estava no meu quintal. Ele pulou o muro? Não acreditei no que tinha acabado de ver.

Abri a porta rapidamente com medo que ele a arrombasse. Matt ficou parado à soleira. Ele usava um short de pano leve, provavelmente o que usava para dormir, e uma camiseta branca sem estampa e chinelos nos pés. Seus cabelos estavam bagunçados e ele tinha uma cara de sono muito fofa.

Matt me olhou de cima a baixo. Seus olhos pararam em minhas coxas observando o que minhas unhas tinham feito há algumas horas.

Ele deu um passo à frente e me abraçou. Seus braços envolveram minha cintura e eu ergui meus pés ao máximo para encontrar seu pescoço.

O que eu tava fazendo? Matt era apenas um amigo. Coração maldito pare de palpitar. Soltei-me dele alguns segundos depois e ele quebrou o silêncio:

— Mel, me conta o que está acontecendo.

Contar tudo pra Matt? O cara que se tornou importante pra mim em menos de cinco dias e não contar pra Meg que já era minha amiga há oito anos. Ta que eu e ela tivemos algumas desavenças por umas garotas novas que entraram na escola e tirou ela de mim e depois me isolaram de tudo e todos. Mesmo ela sendo minha amizade mais antiga, eu confiava no cara que me odiava por algo que eu fiz a ele no passado, mas que saiu escondido de casa em plena madrugada com o carro da mãe pra ajudar uma menina mal educada e egocêntrica.

Respirei fundo e o puxei até meu quarto batendo a porta às nossas costas.

Sentei-me na cama e reparei em seus pés que ele havia deixado seu chinelo do lado de fora. Respirei e tentei me concentrar e disse:

— Por onde eu começo?

— Por isso – e com o dedo indicador tocou um dos hematomas na minha perna.

Apesar de a surra que eu tinha tomado fora há alguns dias, os hematomas agora adquiriram uma coloração amarelada.

— Matt, eu não queria falar sobre isso. – abaixei minha cabeça, mas ele me impediu erguendo-a pra cima me forçando a olhar nos seus olhos.

— Ei, eu saí de casa escondido. Driblei minha prima pra ela não me dedurar. Eu me importo com você Mel, e faria isso tudo de novo.

Chorei por mais alguns minutos e então consegui parar pra falar:

— Foi meu pai Matt. Ele me agrediu no dia em que eu cheguei tarde da sua casa.

Os olhos dele se arregalaram e ele ficou boquiaberto.

— Então é culpa minha. – ele se virou e apoiou os cotovelos em cima da perna segurando a cabeça entre as duas mãos.

— Não é culpa sua Matt! –protestei – A culpa foi minha por não contar toda a verdade para Meg. A culpa é minha por ser orgulhosa e egocêntrica. Você tem razão. Eu não sou verdadeira com as pessoas, eu sempre acho que não preciso de ninguém. Mas olha isso, agora eu realmente preciso de você!

Ele virou-se para mim e me abraçou. Enquanto acariciava meus cabelos disse:

— Sim, e eu preciso mais de você do que você precisa de mim.

Parei por um instante e me soltei dos braços dele e fiquei olhando pra Matt. Ele tinha uma vida perfeita. Uma casa linda, boas notas, uma mãe maravilhosa e simpática, tinha amigos por todos os lados e uma namorada, que apesar de chata, era bonita e inteligente.

— Você com problemas Matt? Você tem uma namorada linda e uma mãe maravilhosa e por sinal muito dedicada.

Ele parou por um instante e ficou me olhando, deu um sorrisinho e disse:

— Namorada?

— É – respondi confusa e só depois em dei conta de que foi uma pergunta retórica.

— Eu não tenho namorada.

Calma ai, Matt não tem namorada? Fiquei chocada por alguns segundos, mas depois levei em consideração que talvez ele estivesse mentindo.

— Como assim não tem namorada Matt? E a Claire é o que sua? Irmã por acaso?

— Irmã não, mas é quase. Claire é minha prima Mel!

Claire. Jones. É. Prima. De. Matt. Evans. Sim, meu cérebro processou esta informação dessa maneira, digamos, lenta. Fiquei boquiaberta, mas consegui dizer:

— Como assim sua prima? E a historia de “ir pra casa juntos” e o drama que ele fez no banheiro falando que você era exclusividade dela?

— Nos vamos para casa juntos porque ela mora na minha casa Mel, é por isso.

—Por que ela mora com você?

— Na verdade eu que moro com elas.

— Elas?

— Sim, a Mariana que você conheceu hoje, é a mãe da Claire, consequentemente minha tia. Meus pais morreram em um acidente de carro.

Realmente, meu problema era não me comunicar com as pessoas e acabar tirando conclusões precipitadas. Fiquei olhando pra Matt fixamente e tudo que consegui dizer foi:

— Sinto muito – ele me olhou confuso, mas eu completei — Sinto muito pelos seus pais... Digo, não deve ser fácil.

— Está tudo bem. Eu estava no acidente, mas não me lembro de muita coisa. Sobrevivi por um milagre, e depois do acidente ainda fiquei em coma por três meses. Não vi meus pais partirem, acho que isso é o que mais dói. Você me conhece há muito tempo Mel, sabe como eu era arrogante e metido, mas eu mudei muito.

— Bom você é meio metido ainda... – desviei o olhar dele e ele me deu um soco de leve no ombro sorrindo pra mim.

Realmente, eu ainda me lembro. Eu havia acabado de entrar na escola, eu estava na quinta série e Matt estava na sétima. Ele era o garoto mais bagunceiro e eu podia ver pelo menos um vez na semana a mãe dele conversando com alguma das professoras. Ele irritava os garotos menores, mas fazia sucesso com as garotas de sua idade.

Matt sempre foi o melhor em tudo que não se relacionasse à estudar. Suas notas não eram boas, mas nos esportes, na música e no teatro ele era o melhor.

Matt sempre foi o centro de tudo na Summer Hill, e há alguns dias eu o odiava por ele se achar em relação a isso. Convivi com Matt por um ano, mas no ano seguinte ele não apareceu na escola. E no ano seguinte, foi apenas dois meses e largou tudo. Isso explicava o fato de ele ter quase 17 anos e ainda estar na oitava série.

— O acidente tem algo a ver com o fato de você ter quase 17 anos e estar na oitava série?

Ele me olhou meio confuso e eu disse:

— Se você não quiser falar sobre isso, tudo bem. – abaixei a cabeça confusa e passei minha mão pela nuca, envergonhada e acrescentei — Sou curiosa demais, desculpa.


— Tudo bem Mel, um dia te conto, mas estamos aqui hoje pra falar de você!

— Eu não me sinto muito... à vontade de falar sobre isso, é que eu...

Eu me sentia mal por não confiar nas pessoas. Maldito ego!

Matt segurou uma das minhas mãos e disse:

— O que eu preciso fazer pra você confiar em mim? – ele segurou minha outra mão levando-a a seu peito — Está sentindo Mel? Meu coração só bate assim quando estou com você. Eu só tenho esse sorriso quando penso em você.

Desviei meu olhar pra baixo, meu rosto queimava, e eu sentia que estava vermelha naquele momento.

Matt percebeu minha vergonha. Ele me puxou pelo braço e disse:

— Venha.

Ele me arrastou até o jardim dos fundos da minha casa e deitou-se na grama fazendo sinal pra que eu deitasse do seu lado. Arqueei a sobrancelha e acenei a cabeça com reprovação. Ele me puxou derrubando-me sobre ele e então rolei para o lado.

Olhei para o céu e havia uma enorme lua cheia, cercada de estrelas. Ele passou seu braço por baixo do meu pescoço fazendo uma espécie de travesseiro e eu me acomodei ali.


— Está vendo aquela estrela? – ele apontou para o céu e completou – Aquela, que brilha muito, bem próxima à lua.

Assenti com um leve aceno de cabeça.

— Você acredita que ela está ali?

Olhei confusa pra ele, e então ele continuou.

— Você acredita que ela está, materialmente falando, em algum lugar deste universo?

— Sim.

— E você acredita que ela brilha por algum motivo? Nem que este motivo seja a luz do sol refletindo?

— Acredito.

Ele pegou uma das minhas mãos e colocou no lado esquerdo do seu peito. Virou-se pra mim e perguntou:

— Está sentindo meu coração Mel?

Assenti e ele continuou:

— E você acredita que ele está ai dentro e que bate por um motivo?

— Claro, se ele não batesse você não estaria vivo.

Matt deu uma risadinha e virou-se em cima de mim.

— Sim Mel, mas eu estou vivo, aqui graças a você.

Ele me pegou de surpresa. Meu coração batia fora de compasso e minhas mãos suavam. Respirei com dificuldade e Matt tocou meu rosto com uma das mãos e aproximou seu rosto do meu. Fechei meus olhos e pude sentir seus lábios tocando os meus.

Beijei Matt ali, com as estrelas sendo nosso teto, e a grama sendo nosso chão. Poderia ser mais clichê?

Notas finais
Ual, acho que escrevi mais do que o normal. Preciso da opinião de vocês, ficou chato e massante? O que preciso melhorar?

Lyon, SweetGilr, ZodiacAne, thatianarocha, Nati CBL, Jean Almeida, Pamisa Chan, MariAlcantud, Echo Chan, Ichigo Puddi, Flame Princess, Mel Kakakis Biscoitinha, Anony1chan2, Blue CupCake, Carol Siqueira, Days Cullen, OBRIGADA POR COMENTAR ♥

E JSchiatti, seja bem vindo (a) a CMNI! *-*