Clichê. Mas Nunca Igual.
1 O ínicio
Eu nunca fui o tipo de pessoa que foi o centro das atenções ou que as pessoas me admirassem pelo jeito que sou. Tenho 14 anos e até agora não fiz nada de que alguns anos eu vá olhar e dizer "ual, eu me orgulho disso".
Segunda-feira. Preciso falar mais? Segunda-feira é tipo suicídio pós fim de semana entediante. Estou na mesma escola faz tres anos, e é bem provável que meus colegas do ano passado estejam na mesma turma que eu neste ano.
— Mel, você já está pronta?
— Tô quase mãe, só mais cinco minutos.
— Vai querer carona?
— Não mãe, vou à pé mesmo.
Coloquei minhas coisas na mochila e vesti o primeiro casaco que apareceu na frente.
— Fones, celular... Acho que peguei tudo de importante.
Desci as escadas e fui em direção à porta. Meg já estava lá me esperando.
— Preparada? — disse ela com uma cara de desânimo.
— Nunca estou — disse dando um sorrisinho sem graça.
Apesar de eu estar matriculada na mesma escola, me sentia meio apreensiva. Não sabia se Meg estaria comigo na mesma classe, e isso me preocupava. Chegamos lá 10 minutos antes do sinal e fomos direto às listas de classe.
— Ual, nós duas na 8ª B.
— B? Sempre fui A desde a 1ª série.
— Acho que isso não influencia muito. Enfim, é a sala 8, vamos lá — Meg me puxou pelo braço e fomos em direção ao corredor.
Entramos na classe e já tinha uma boa quantidade de gente lá. Escolhemos o lado direito da classe e sentamos nas duas ultimas carteiras. Eu conhecia de vista algumas das pessoas da classe, mas nunca tinha conversado com elas. Pelo que percebi, da minha sala do ano passado só tinham 8 alunos, o resto era uma turma totalmente nova.
No ano anterior, minha classe era a pior da escola. Não que eu me orgulhe, muito pelo contrario, até gostei dessa "segregação" que fizeram entre alunos "bons" e "ruins"
Já tinha escolhido o meu lugar e estava trocando as musicas da minha playlist quando olhei para a porta e um garoto alto, cabelos escuros e os olhos extremamente azuis.
Eu e Meg nos entreolhamos e eu cochichei pra ela:
— Esse era o Matt da sala do lado no ano passado?
— Acho que sim. Mas ele mudou demais, tá até mais alto e...
— Aposto que continua o mesmo retardado de antes.
— Isso não faz diferença quando ele te olhar com aqueles olhos.
— Continua um retardado.
Eu já tinha um histórico ruim com Matt. Fizemos algumas aulas de Educação Física juntos no ano anterior e ele me derrubou de propósito na quadra em um jogo misto de futebol. Fora as vezes que ele roubava no jogo de ping-pong.
Passou alguns minutos e o professor entrou na classe, fez aquela linda cerimonia de todo começo de ano, leu as regras e pediu pra todos se apresentarem.
Um defeito bem notável em mim: sou exageradamente tímida. Chegou a minha vez, fiquei de pé e disse:
— Meu nome é Melanie.
Logo em seguida sentei, e o professor me olhou e disse:
— Fale mais sobre você. O que gosta de fazer?
— Jogar — quando terminei de pronunciar a palavra, escuto uma risadinha do outro lado da sala, e não podia ser outra pessoa a não ser Matt. Olhei pra cara dele e disse:
— Tá rindo do que palhaço?
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