Clichê
14 Capítulo 14: Heart By Heart
Notas iniciais
Dois meses depois:
–Mãe, posso sair com o povo essa noite? –Perguntei assim que cheguei da escola. Minha mãe já conhecia todos os meus amigos e era simplesmente a maior fã de Raquel. E do Caleb também, mas o Caleb era desde sempre. –Nós vamos voltar antes das oito e meia.
–Aonde vão?
–No Priori.
–Então tudo bem, cuide-se.
Dei um sorriso doce. Minha mãe confiava em mim mais do que tudo na vida dela e eu agradecia intimamente por isso. E ela estava super feliz por eu estar fazendo amigos do mesmo jeito que eu estava feliz por ela estar de bem com a vida. Agora eu só queria que ela arrumasse um namorado e fosse feliz.
–Obrigada mãe. –Subi as escadas para o meu quarto e peguei meu celular digitando rapidamente um “Eu vou.”. E depois fui ouvir música até dar a hora de me arrumar.
Quando deu a hora eu vesti uma blusa preta de alças que mostrava parte da barriga e uma saia igualmente negra que ia até o meio das coxas. Uma bota sem cano preta, brincos dourados de argola, um colar que imitava uma pena e pra completar uma bolsa preta transversal onde eu coloquei meu celular, um gloss, um espelho pequeno, uma bala (eu não ando sem doce), um bloquinho e uma caneta. A maquiagem foi simples, base, delineador, gloss e só. Deixei os cabelos ruivos soltos em belas ondas. Gostei do resultado final.
–Mãe, estou indo.
–Tchau filha. Eu te amo.
–Também.
Saí de casa indo em direção ao Priori. Estava com a mente vagando. A vida por aquele tempo estava sendo muito boa. Eu estudava, dava aulas com Leonardo, Leonardo me dava aulas, eu ensaiava com as meninas, conversava pelo telefone, saía de vez em quando com algum deles ou com todos, conversava com as minhas amigas da escola antiga por internet. Tudo estava indo bem. De vez em sempre eu brigava com o Leo, nada demais, apenas uma daquelas nossas implicâncias bestas e em tempo de prova eu surtava como sempre, mas tirando isso, tudo estava bom, bom até demais.
Quando cheguei fui á mesa habitual onde já estavam todos. Ia me sentar ao lado de Raquel, mas Tatiana já estava de um lado e Leonardo do outro. Sentei-me ao lado de Caleb e cumprimentei todos. Os pedidos de sempre, o meu era um milkshake de chocolate. Pense numa menina apaixonada por chocolate e por sorvete. Eu. Na verdade, eu nunca vivi sem doces e nem viverei creio eu.
–A escola está puxando bastante. –Leonardo suspirou, mexendo nos cabelos de Raquel de uma maneira que quase me fez levantar as sobrancelhas. Tatiana levantou uma discretamente, mas eu percebi. A prima de Raquel bufou baixinho, algo que eu também estava muito a fim de fazer.
–Nem fala. –Raquel suspirou. –Mas eu acho que consigo passar. E você também com as aulas da Lexi, não é possível. Acho que nenhum de nós vai reprovar.
–Eu não teria tanta certeza. –Pablo riu. –Mas eu espero que esteja certa.
–Se quiser ajuda em algo é só pedir Pablo. –Ofereci. –Não quero ninguém reprovando, ano que vem quero todos juntos na sala de novo.
–Lexi tem razão, seria muito ruim se todos fôssemos para salas diferentes.
–Não vai acontecer. –Tasha deu um sorriso. –Com certeza não.
~X~
Naquele momento só estávamos eu, Raquel e Leonardo no pequeno estabelecimento. A maioria já tinha ido, mas nós três ficamos jogando conversa fora. Na verdade, eu estava fervendo de ódio. Tatiana tinha sido a primeira á ir embora, com certeza não havia suportado as ceninhas de Leonardo, dando em cima da Raquel na maior cara de pau. Eu não estava com ciúmes. Claro que não. Mas era muita falta de vergonha ele passar tanto tempo dando em cima de mim, pra depois, na minha frente, dar em cima da minha melhor amiga. Eu nem sei o que estava fazendo ali, acho que só estava por causa da Raq, que havia me cativado com a conversa.
–Nossa, é melhor eu ir. Você paga pra mim Lexye? –Ela me estendeu o dinheiro pra eu ir pagar o meu e o dela no balcão.
–Claro Raq. –Ela saiu do estabelecimento e eu fui para a fila do balcão sem nem olhar se Leonardo tinha ido ou não. Ele não tinha ido. Estava ao meu lado nesse exato momento tentando conversar comigo, mas eu estava com muita raiva dele. Podia ser infantil, mas eu não o respondi. Tentei me focar em outra coisa que não fosse sua voz. Como por exemplo, como tinha esfriado de uma hora para outra. Passei a mão pelos meus braços arrependida de não ter trazido um casaco.
Paguei enquanto Leonardo continuava do meu lado. Saí calada em direção á porta quando ele me puxou pelo braço. Olhei-o confusa e com raiva e então ele simplesmente tirou a jaqueta e colocou em mim. Passou meu braço por uma manga, meu outro braço pela outra e ajeitou a gola no meu pescoço porque ele sabia que eu não aceitaria se ele tivesse me oferecido:
–Está frio. –Ele explicou.
–Obrigada. –Meu senso de educação me obrigou á responder.
E saí pisando duro indo para a fora do local. Percebi que estava pingando e praguejei mentalmente. Tudo que eu menos queria era ficar molhada, mas os pingos engrossavam e eu sabia que chegaria em casa muito molhada. Sentia os passos de Leonardo atrás de mim, mas não queria ouvir absolutamente nada que ele me dissesse.
“When your soul finds the soul
It was waiting for
When someone walks into your heart
Through an open door
When your hand finds the hand
It was meant to hold
Don't let go”
–Lexi, qual é? –Leonardo estava tentando falar comigo, mas eu não queria escutar, não mesmo. –Lexi, por favor, dá pra me escutar. Você é a garota mais madura que eu conheço, não pode reagir assim.
Minha vontade era de mandá-lo ir para o inferno. Estava sentindo meus cabelos empapados por causa da chuva e meus ossos tremiam, mas o pior era a voz dele falando nos meus ouvidos, me lembrando do quanto eu estava magoada. Por que eu havia ficado tão ruim em o ver dando em cima da Raquel? Não dava para entender.
–Vá para o inferno! –Mandei sem sequer me dignar olhar pra ele. Quis que minha voz saísse firme, mas ela me traiu e mostrou toda a mágoa retida.
“Someone comes into your world
Suddenly your world has changed forever”
Senti ele me puxar novamente e me segurar pelos braços firmemente perto dele. Virei o rosto, mas com uma mão ele segurou meu braço e com outra segurou meu rosto firmemente, mas não o bastante para machucar, me obrigando á olhar pra ele. A chuva caía firme molhando a nós dois, ele estava molhado tanto quanto eu, e ambos arfantes.
–Será que não percebe? Eu fiz tudo àquilo pra chamar a sua atenção. Eu queria ver se iria sentir ciúmes. Queria ter certeza que seria o certo.
–O que seria o certo Leonardo?
–Isso. –E então ele me beijou.
“No, there's no one else's eyes
That can see into me
No one else's arms can lift
Lift me up so high
Your love lifts me out of time
And you know my heart by heart”
Foi uma surpresa. Os lábios dele se colaram aos meus sem pedir permissão pra entrar, já se infiltrando onde não deveriam. Mas pararam, como se pedisse minha permissão para continuar. E eu podia estar louca quando permiti e comecei á retribuir. Leonardo colocou a mão na minha nuca enquanto a outra desceu do braço para minha cintura, me enlaçando e moldando meu corpo ao dele. Nunca pensei que o beijo poderia ser bom. Meu extinto me guiava, fazendo com que eu soubesse o que fazer e eu me encaixava muito bem á ele, o que foi outra surpresa.
Quando o ar se fez falta eu amaldiçoei nós termos que respirar. Leonardo terminou o beijo com um roçar de lábios e olhou pra mim, sem tirar à proximidade. Com horror, percebi que estava chorando, minhas lágrimas se misturavam ás gotas da chuva. Não sabia o que fazer, não sabia o que sentir. Então girei nos pés e saí correndo para a minha casa, sentindo o gosto salgado das lágrimas que rolavam pelo meu rosto.
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