Clichê. Mas Nunca Igual.
15 O plano
Notas iniciais
Acordei na manhã seguinte sentindo uma felicidade imensa. Havia passado alguns minutos da madrugada com um garoto que se importava comigo. Por um momento pensei que o que ocorrera na noite passada poderia ter sido apenas um sonho, ou algo parecido. Levantei-me e tomei um banho que deve ter durado mais de trinta minutos. E só saí de lá por que minha mãe começou a esmurrar a porta me advertindo:
— Mel, tu ta achando que sou dona da companhia de água e energia? Sai logo dai.
"Ela nunca muda o discurso." Pensei soltando um leve sorriso. E saí do banheiro terminando de me enrolar na toalha. Ela estava na porta do banheiro dando pequenos pulinhos com a frase "Preciso usar o banheiro" estampada na cara. Dei uma leve risada e dei um beijo no rosto dela e disse:
— Bom dia mamãe.
— Não tenho dinheiro hoje Mel. — disse ela entrando no banheiro e fechando a porta a suas costas.
Por que essas mães sempre acham que atitudes de afeto e carinho estão relacionadas a aquisições financeiras? Fui pro meu quarto e me arrumei pra escola. Enquanto escovava meu cabelo percebi o quanto ela estava grande, e meu rosto parecia diferente. eu não tinha mais aquela coloração pálida. Minhas bochechas tinham uma leve tonalidade rosada e meus lábios tinham o mesmo contraste.
Desci as escadas encontrando minha mãe novamente na cozinha e me despedi dela pegando algumas guloseimas no armário. Enquanto andava até a escola fui tentando ligar pra Meg mas o celular dela ia direto pra caixa de mensagem. Estava adiantada pra aula, e mesmo que chegasse atrasada poderia entrar no segundo horário, então decidi passar na casa dela.
Chegando à frente tudo estava fechado então decidi tocar a campainha. Eu nunca havia ido na casa de Meg, mesmo depois de oito anos de amizade. Ela tinha alguns problemas com a família.
Meg morava com a mãe e dois irmãos — um mais velho e outro mais novo que ela — e de seu pai a unica coisa que sabia é que ele havia morrido quando ela apenas um bebê e que depois disso a mãe dela ficou desolada e tomava remédios controlados pra depressão.
Depois de alguns minutos saí uma criança, de aproximadamente 8 anos, de pijama na soleira da porta, com os olhos inchados:
— A Meg está ai? — perguntei gentilmente.
— Não, ela tá trabalhando.
— Trabalhando? Mas e a escola?
A criança ficou meio confuso e logo depois aparece uma mulher na porta, e quando me vê, puxa a criança pra dentro:
— Pois não? — diz ela batendo a porta as costas.
— Ah, oi meu nome é Melanie, sou colega da Meg. Tentei ligar pra ela mas só dava caixa de recado, é que...
— A Megan está trabalhando agora. Posso te ajudar em mais alguma coisa?
— Trabalhando, mas e a escola?
— Escuta aqui — disse ela vindo em minha direção — Eu não te conheço e a Megan nunca me falou de você. Como posso sair dando informações pra uma estranha?
Fiquei paralisada, a mãe de Meg parecia nervosa e eu decidi não prolongar o assunto e fui andando em direção a escola pensando no que eu acabara de ouvir da mãe dela.
Então deve ser por isso que ela não foi à escola nos últimos dias, e não me atendeu. Me senti um pouco culpada. Fiquei tão focada em meus próprios problemas e acabei esquecendo da unica pessoa que sempre se importou comigo.
Cheguei na escola e foi como sempre: ninguém percebeu minha presença — a não ser Matt que veio correndo em direção a mim assim que me viu.
— Bom dia Mel — ele disse sorridente deixando a tribo dos otários pra trás.
— Bom Dia — disse meio sem ânimo e ele — infelizmente — percebeu e ergueu meu rosto pra eu olha-lo nos olhos.
— Qual é o problema Mel?- reparei nos olhos dele e estavam passando de um azul-acinzentado para o azul celeste de costume.
— Algumas coisas ai, mas não se preocupa. — olhei para os lados e o corredor inteiro tinha os olhos em mim e Matt. Senti meu rosto corar e então percebi que Claire também olhava com os olhos furiosos. Matt percebeu que ela olhava e antes que ele dissesse algo, fui direto para classe.
Parece que tudo passa mais devagar quando se tem um problema. Os minutos eram intermináveis e eu precisava do intervalo pra tentar ligar pra Meg de novo.
Ouvi o sinal e respirei aliviada. Fui direto ao refeitório, peguei meu lanche e sentei na primeira mesa vazia. Liguei pra Meg dezena de vezes, mas o resultado era o mesmo: caixa de mensagem. Fiquei mais preocupada.
Comecei a comer meu lanche e parei na metade. Sinto que estou sendo observada, e quando passo meu olhar sobre o refeitório, Matt tem os olhos grudados em mim. Ele deu um leve sorriso e veio em minha direção sentando-se à minha frente.
O Matt parecia quele tipo de pessoa que quando fica fissurado em algo não sai de perto.
— O que você quer? — disse sem desviar os olhos do meu lanche.
— Nada, só te vim fazer companhia.
Quis deixar Matt de lado pra tentar comer meu lanche em paz, mas não conseguia. Ele ficava me olhando e aquilo e irritou. Peguei um alface do meu lanche e joguei na cara dele.
— Mel, tu é louca?
— Ai Matt, você não conhece outro adjetivo pra me definir?
— Maluca!
— Algum que não seja sinônimo disso?
Ele limpou o rosto com um dos meus guardanapos e disse sorrindo:
— Especial.
Corei no mesmo momento e me levantei sem terminar de comer. Matt me seguiu até os corredores que nesse momento estavam vazios. Ele me segurou pelo braço e me puxou até uma salinha batendo a porta à nossas costas.
— Engraçado, eu te ofendo e você acha graça. eu te elogio e você quase tem um ataque!
— Digamos que, eu não me dou bem com elogios — disse procurando o interruptor pra ligar a luz, assim que achei apertei e percebi que estava em uma sala pequena cheia de caixas.
Matt veio em minha direção e me disse:
— Mel, você quer sair comigo?
Meu coração acelerou e senti minha barriga gelar. ele percebeu minha reação e completou:
— Eu estou há uma semana para criar coragem pra dizer isso. Uma semana não, mas creio que há dois anos eu espero por esse dia.
Matt esperando por isso há dois anos? Então a coisa que eu fiz a ele anos atras seria "roubar" o coração dele — mesmo sendo uma criança e inconscientemente — e não dar a devida atenção que ele merecia por gostar de mim? Ficamos em silêncio por alguns segundos e então eu respondi:
— Vou pensar.
Matt relaxou os ombros e passou as mãos pelos cabelos. Passou. A. Mão. Pelos. Cabelos. Por que ele fez isso? Isso praticamente me derreteu e ele percebeu minha cara de boba olhando para seus cabelos pretos e então ele se aproximou de mim colando seus lábios nos meus por uma fração de segundos e ele disse saindo do quartinho:
— Pense com carinho.
Toquei meus lábios com uma das mãos e senti meu coração bater aceleradamente. Estapeei minha cara levemente e saí da sala com o sinal ecoando pelos corredores. Peguei meu material na sala e inventei uma desculpa de que estava passando mal mas como era de se esperar, não me liberaram.
Fui frustrada para o pátio e a ideia de pular o muro passou algumas vezes pela minha cabeça. olhei para os lados pra ver se não havia ninguém e fui em direção ao muro. Joguei minha mochila para o outro lado e escalei o muro com a maior facilidade.
No meio do caminho pra casa tive a ideia de ir pra casa da Meg, mas mudei de ideia na metade do caminho chegando à conclusão que ela não estaria lá.
Várias ideias percorreram minha mente e eu bolei um ótimo plano. Voltei para a escola e esperei até a saída. Precisava falar com Matt.
Esperei os alunos saírem na esperança de vê-lo na multidão, mas não encontrei. Alguns minutos depois Claire saí com algumas garotas mas nem sinal de Matt. Então me dei conta de que ele poderia estar treinando. Esperei ele do lado de fora por cerca de duas horas e então finalmente ele saí de lá e me vê sentada na praça à frente.
— O que faz aqui maluca?
— Preciso da tua ajuda, aborto mal sucedido. Vem comigo.
Puxei Matt pelo braço até uma rua não muito movimentada e então ele disse:
— Por que me trouxe aqui?
— Pessoas conhecidas não podem nos ver juntos. — olhei para os lados pra ver se havia alguém, mas a rua estava deserta.
— Realmente, você é maluca!
— Sim sim, serei o que você achar que sou, mas preciso mesmo da sua ajuda.
— Tudo bem, mas para que?
— Bom, seria quase um sequestro. Tu consegue o carro da sua tia pra essa noite?
— Posso tentar né. Mas tem uma condição...
Rolei os olhos e passei a mão pelos cabelos de forma frustrante e perguntei:
— Que condição?
— Você sair comigo.
— Com quem você aprendeu a chantagear assim?
— Quer mesmo que eu responda?
Rolei os olhos novamente e assenti.
— Vem cá, vou te contar o plano.
Notas finais
Enfim, ficou pequeno, mas espero que tenham gostado. Dessa vez não vai dar pra agradecer cada um pelo nome, mas se sintam o agradecimento: OBRIGADA POR COMENTAREM NO CAPITULO ANTERIOR.
É isso ai, não tem data pro próximo. Beijinho *-*
OBS: se tiver algum erro, desculpa, nao deu pra revisar
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