Clichê Agridoce - Sasuhina
1 Prólogo
Notas iniciais
Nunca pensei que um dia estaria nessa situação: sentada no colo de Sasuke Uchiha na sala de casa, com Dez Coisas Que Eu Odeio Em Você passando de fundo na televisão, os braços dele em volta da minha cintura e seus lábios pressionando minha têmpora em um beijo afetuoso.
Nas outras poltronas e sofás da sala, estão nossos principais amigos e colegas, divertidamente rindo, tirando fotos e compartilhando guloseimas e bebidas.
É meu último ano do ensino médio, estou prestes a completar dezenove anos em alguns meses, e devo admitir que tem sido um ano divertido, cheio de surpresas e de grandes talvezes que solicitei ao universo quando assoprei as velas do meu bolo floresta negra no meu último aniversário.
O problema é que a maior parte disso é uma farsa. Uma grande mentira cabeluda, pior do que a que a Emma Stone conta naquele filme intitulado A Mentira. Pior do que Esposa de Mentirinha do Adam Sandler. Equiparável com a situação da Lara Jean em Para Todos os Garotos Que Já Amei, com a mínima diferença de que ela se dá bem no final.
Suspiro desconfortavelmente ao olhar para a poltrona perto da lareira. Percebo que o olhar de Naruto estava sobre mim com curiosidade, mas desviou assim que eu o olhei. Seus grandes olhos azuis já não me causam mais a mesma sensação de estar perdida e de repente encontrar o caminho certo, então por que eu continuo fingindo?
Talvez porque seja mais fácil sustentar uma mentira do que encarar o que mudou.
Olho para cima, para ele, Sasuke Uchiha. Um suposto galinha, cafajeste inveterado, encrenqueiro, desalmado e desumano. É o que me disseram quando retornei à Konoha, mas… Não sei, seus olhos escuros que me olham com tanto carinho, sua voz preguiçosa me acordando com calma pela manhã porque sabe que eu odeio despertadores, a forma como ele sempre prepara o meu café com um pouco de leite já que eu não gosto muito de coisas amargas… Até mesmo os rolinhos de canela que ele aprendeu a fazer quando soube que é a única forma de me salvar do mau humor constante da TPM.
Isso tudo também é uma farsa?
Seu olhar de orbes ônix encontra o meu e de repente sinto meu rosto pegando fogo. Ele sorri e se inclina para frente, deixando um selar nos meus lábios. Um beijo tão puro que não parece de mentira, mas é.
— Ei! Arrumem um quarto — Kiba ergueu um punho em forma de soco, deixando claro que estava nos observando.
— Shh! Você é visita aqui, moleque-cachorro — Sasuke rosnou e eu deixei um tapa fraco em seu braço, franzindo o cenho. — Tá bom, desculpe, desculpe…
— Você mudou mesmo o Sasuke, Hinata-chan — Rock Lee me olhou com um sorriso.
Sua namorada dormia em seu peito e eu não conseguia deixar de achá-los uma graça, não fui a única a passar por grandes mudanças em Konoha.
— É… O Teme mudou mesmo — Naruto franziu o cenho e desviou o olhar, prestando atenção no casal da televisão mais uma vez. — A gente tem mesmo que assistir esses filmes bregas?
— É inspiração pro nosso filme, idiota, o tema é romance clichê — Sakura deu um soco no ombro de Naruto, que choramingou.
É mesmo… Estamos fazendo um filme, a minha turma inteira de Introdução ao Cinema, e isso também faz parte de uma das farsas que estive mantendo nos últimos tempos.
Meu pai não sabe que quero seguir carreira nas artes, e desde que vim morar em Konoha para cursar o último ano no Instituto Genius-Konoha, ele tem achado que faço parte do programa de Negócios. Entretanto… Escolhi mudar para o programa de artes apenas uma semana após ter chegado aqui, e nunca contei a ele.
Todas as mentiras que tenho contado me acometem de uma vez. Eu sempre fui uma boa garota, fui à igreja, respeitei meus pais, fiz o que todos esperavam de mim. Por que me tornei essa mentirosa habilidosa por benefício próprio? Isso não soa como Hinata Hyuuga, a princesa herdeira da Byakko Group.
Beijar meninos e meninas por baixo dos panos, matar aula, me meter em uma briga, jogar strip-poker, tomar um porre pela primeira vez… e beijar o meu melhor amigo — antigo arqui-inimigo — enquanto fingimos um namoro para que eu possa conquistar o melhor amigo dele… Nada disso soa como Hinata Hyuuga.
Minha cabeça lateja enquanto o ar dos meus pulmões parece em falta. Eu pulo para fora do colo de Sasuke, cambaleando em direção a escada.
— Hime? — Ouço ele chamar pelo apelido que sempre destinou a mim de forma irônica, mesmo quando éramos mais novos e não sabíamos que um dia seríamos essa bagunça complicada e mentirosa.
Esse apelido que não parece mais sarcasmo, essa voz, aqueles olhos… Acho que estou apaixonada pelo meu melhor amigo, quando tudo não deveria ser nada além de uma farsa.
— Hinata… — ele me puxa, me virando para si. — Você está pálida, tá tudo bem?
Meus olhos se enchem de lágrimas, e eu saio correndo escada acima, com a cabeça girando.
Não, Sasuke, nada está bem… Eu queria voltar a ser quem eu era antes de colocar os pés em Konoha novamente.
Eu queria que minha mãe estivesse viva. Ela saberia me aconselhar agora.
Eu sou uma farsa, e minha vida é uma bagunça… Você tem certeza de que quer continuar lendo esse clichê agridoce, mesmo sabendo que Hinata Hyuuga é uma mentirosa? Continue por sua conta e risco, porque, a partir daqui, voltaremos ao início. E espero que você entenda que, apesar de tudo que eu fiz não ser certo, eu fiz por amor.
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