Clichê

21 Capítulo 21: Blá Blá Blá


Notas iniciais
Gente, antes de qualquer coisa: Eu sinto muito pela demora em postar. A questão é que no tempo de escola eu fiquei muito atarefada com provas e atividades e a última semana foi terrivelmente estressante. Muito mesmo. Então agora que eu estou de férias está bem mais fácil, mas mesmo assim minha mãe é viciada em séries e não deixa eu encostar no computador. Depois: VOCÊS VIRAM AS RECOMENDAÇÕES? EU TO PIRANDO GENTEEEE! Clichê ganhou DUAS recomendações, eu to surtando *^* Pra mim o que mais prova que o autor está indo bem são as recomendações e quando eu vi aquele numerozinho DOIS lá no meu gerenciamento, eu quase morri. Então pra Helô e pra pessoa que recomendou anonimamente, eu queria agradecer demais, pra sempre, forever. Esse capítulo é pra vocês. Sem mais delongas, a gente se vê lá embaixo.

A primeira aula do dia foi da Náiade. Claro, pra começar uma segunda feira com ouro tinha que ser aula dela. Com as notas da prova dela. Para melhorar a vida. A ironia chegava á ser palpável.

Quando ela entrou, reconheci aquele sorriso sádico no seu rosto e praticamente estremeci. Ela franziu o cenho á ver a mim e Caleb separada do grupo, mas não falou nada. Sua expressão já dizia tudo. Ela provavelmente estava contando que uma hora a fofoca chegaria à sala dos professores e ela entenderia.

–Bom dia alunos. Que bom que vieram descansados do feriado, pois teremos muito trabalho pela frente. Então... Vamos começar pelas notas da prova.

O lamento foi livre. Eu não resisti á olhar pra trás e ver a feição de Leonardo. Se fosse em outros tempos estaríamos todos de mãos dadas e eu estaria falando pra ele que as nossas aulas tinham que ter tido algum sucesso. Balancei a cabeça dispensando da mesma esse tipo de pensamento. Aqueles tempos estavam para trás e lá ficariam.

–Vocês querem com emoção ou sem emoção?

–Com emoção. –Gritamos todos juntos e ela sorriu.

–Ótimo. Então vou falar o nome e a nota da prova.

Todo mundo engasgou e gritou “sem emoção, sem emoção, sem emoção”. Náiade só riu:

–Vocês mudam de ideia tão rápido. Então todos sabem seus números, vamos lá. Número um, 5,7.

Eu era a número dois então segurei a mão de Caleb firme.

–Número dois... –Ela sorriu de um jeito doce. -9,9.

Todo mundo ofegou enquanto eu sorria aliviada. Acariciei a mão de Caleb e não a soltei porque a nota dele ainda não tinha sido falada. A próxima nota, número três, era a da Ana. Não sei por que observei isso, mas ela tirou 7,5. Estava na média. Logo a do Caleb foi dita, 8,3. Nós dois sorrimos aliviados. Pelo menos na Náiade estávamos bem. E na matéria dela eu já tinha passado de ano. Logo foi chegando ao número de Leonardo e eu fui ficando nervosa. Claro que estava ficando nervosa, o resultado seria o meu resultado como professora também.

–Número vinte e três e... Não acredito. –Ela abriu um sorriso enorme. -9,2.

Eu e Caleb nos entreolhamos. Não queria, mas olhei para o grupo. Estava todo mundo comemorando por ele, mas ele mesmo olhava fixamente pra mim. Quando viu que eu olhei, começou á falar algo por movimento labial que se parecia o começo de um “obrigado”, mas eu virei o olhar antes que ele pudesse terminar.

Logo foi anunciado a nota de Raquel, um 7,9. Tasha tirara 7,2 e Tatiana à mesma nota. De qualquer forma eu nem sabia por que estava observando isso. Dou de ombros e olhei para Cal aliviada por termos conseguido:

–Pelo menos com a Náiade estamos bem. –Falei suspirando feliz. Uma boa notícia para começar o meu dia.

~X~

Na hora do intervalo eu tive que literalmente correr. Assim que eu vi que o grupinho estava vindo na minha direção eu dei um perdido em todo mundo, até mesmo em Caleb e fui parar na biblioteca. Provavelmente logo seria descoberta, afinal, todos sabem a minha queda por livros e que seria o local em que eu buscaria refúgio.

–Lexi, o que foi? –Georgina perguntou quando me viu passar pela porta ofegante.

–Se alguém perguntar por mim diga que não me viu. Por favor Gina. –Pedi suplicante e ela só assentiu com a cabeça sem entender.

Lembrei-me automaticamente da portinha “secreta” que tinha descoberto entre as prateleiras no primeiro dia em que visitei o local. E foi lá que eu entrei. Era um cômodo bem pequeno onde se encontravam empilhados livros e livros. Fechei a porta e me sentei no chão mesmo entre eles, em meio ao escuro. Abracei meus joelhos e deitei minha cabeça em cima deles. Tudo que eu desejava era que o intervalo acabasse logo.

Não demorou muito á ouvir vozes conhecidas. A de Raquel e a de Leonardo eram as mais gritantes no meu coração. Minha mente reconhecia e associava á algo muito bom, pra logo depois associar á uma dor profunda. Dava vontade de chorar só de ouvir o tom de voz deles.

Gina foi fiel, disse que não sabia onde eu estava. Ouvi suspiros e respirações arfantes. Raquel agradeceu e eles saíram dali. Deixei que o ar saísse normalmente de novo e fechei os olhos com força evitando as lágrimas que pareciam brotar com força. Quando ouvi a voz de Caleb. Fiquei tentada á sair e ficar com ele, mas deixei com Gina mentisse pra ele também.

Quatro dias depois:

Com as notícias das notas da prova, eu e Caleb poderíamos comemorar porque tínhamos passado já no terceiro bimestre. Terceiro ano estava garantido. Ironicamente a menor nota do Leonardo em todas as provas tinha sido o 9,2 da Náiade o que me deixou de boca aberta. Mas tudo bem, não era mais problema meu.

Naquele momento estava voltando pra casa com Cal e ele tentava me convencer á ir numa festa hoje á noite. Para comemorar nossa passagem direta para o terceiro ano e para provar que eu já tinha superado tudo:

–Não Cal...

–É sexta feira á noite Alexia. Por favor. –Estávamos em frente á minha casa naquele momento. –Você tem que sair um pouco e eu adoraria ver a cara deles em ver você toda linda lá. Alexia!

–Vai filha. –A voz da minha mãe soou e eu quase pulei de susto. Ela estava no portão quando chegamos. –Você precisa sair um pouco, deixar essa casa. Está recebendo o resultado das provas. O fim do ano está aí e eu tenho certeza que você já passou. Ficar em casa não alivia a dor.

–Tudo bem. –Suspirei. –Vocês me convenceram. Eu vou.

~X~

–Todos estão olhando pra você. –Caleb falara e eu acabei sorrindo com o fato. Eu havia caprichado naquele dia. Vestia uma blusa preta de alças que mostrava parte da barriga, uma saia rodada de couro que ia até acima dos joelhos. Trancei parte do cabelo, coloquei brincos de argola prateados e uma bota de salto alto da mesma cor da roupa. No meu dedo um anel também reinava, da mesma cor que o look em geral.

Mas eu sabia que não estavam olhando pra mim por isso. Estavam todos se perguntando por que eu não estava com o grupo, o que tinha acontecido para a separação. Minha intuição dizia que já tinham todo o tipo de teoria maquiavélica rodando o colégio sobre a razão do meu afastamento. E algo me dizia também que nenhuma delas chegava perto da verdade.

–Eu não me importo. –Respondi dando de ombros enquanto sentava próxima ao balcão com Cal do lado. Pude perceber logo de cara a presença do meu ex grupo perto de mim. Leonardo também estava sentado bebendo algo que eu tinha certeza que continha álcool. Algumas meninas estavam em pé e rindo, mas Raquel também estava sentada. Ela não parecia muito bem, embora ainda esbanjasse aquela áurea toda dela de felicidade e sensualidade.

De repente Leo percebeu onde eu estava e me olhou de olhos arregalados. Acho que eles dificilmente acharam que eu viria naquela festa já que eu não era de ir muito sozinha, mas eu adorei ter ido só pra eles verem que eu não tinha caído.

A pista de dança estava cheia e a música foi trocada. A ver qual era a música e que caía muito bem na minha situação eu sorri para Caleb e ele arregalou os olhos já prevendo o que eu ia fazer:

–Lexi...

–Eu só vou dançar. –Levantei as mãos em sinal de rendição e inocência e segui para a pista de dança enquanto sentia vários olhares curiosos me observando. O de Leonardo era o que mais estava claro, ele me olhava com algo que parecia desafio e talvez ciúmes? Ciúmes, como eu era boba. Ele não tem motivos pra ter ciúmes, afinal, o que ele sentia por mim não era de verdade.

Em geral eu não gostava de Anitta, mas tinha que admitir que as músicas dela eram gostosas de dançar então simplesmente desfoquei da letra e foquei na batida:

“Vou rebolar só porque você não gosta

Se não quiser me olhar, vira de costas

Você vai ter que aturar porque eu vim pra te provocar

E para de falar

Blá, blá blá”

A primeira parte da música podia ser considerada lenta então nessa parte eu apenas ondulei levemente o corpo em meio ás outras meninas da pista e rebolei lentamente como a música dizia. Os olhares foram pra mim porque eu era a garota “santinha” das populares, mas eu não liguei. Não liguei nem mesmo para Leonardo que parecia estar quase indo para a pista de dança para me perguntar o que eu estava fazendo de tão surpreso.

“Você achou que não tinha nada á perder

Que eu fosse boba assim pra obedecer

Até que teu beijo é bom

Mas vê se abaixa o tom

Você não manda em mim

O jogo é assim”

Nessa parte que a batida era forte eu preferi “brincar” mais. Soltei o corpo mexendo os cabelos, erguendo os braços, fazendo jogo de ombros, deslizando sobre o chão. Era tão leve e solto que eu até mesmo fechei os olhos.

“Eu avisei que não ia mais te dar moral

A fila andou e você foi pro final

Até que teu beijo é bom

Mas vê se abaixa o tom

Você não manda em mim

O jogo é...

Até que você faz bem

Mas não sou de ninguém

Sabe o que aconteceu

Você perdeu”

Mais uma vez meu corpo estava solto. Eu abusava das mãos e braços, deixava meu corpo solto, arriscava até alguns pulos, mas naquela parte eu adicionei uma pitada de sensualidade rebolando algumas vezes e mexendo os quadris e cinturas. E na última parte eu não resisti em mexer os quadris olhando diretamente para o Leonardo.

“Vou rebolar só porque você não gosta

Se não quiser me olhar, vira de costas

Você vai ter que aturar porque eu vim pra te provocar

E para de falar

Blá, blá blá”

Na primeira frase eu rebolei lentamente até o chão e voltei da mesma forma enquanto sentia todos os olhares virem sobre mim com intensidade e surpresa. Leonardo deixou o queixo cair e Caleb estava surtando, no instante em que Raquel saiu do cômodo e algumas meninas da pista começaram á seguir meus passos também. Naquele refrão eu abusei da sensualidade, rebolando, ondulando o corpo, mexendo os quadris e cintura, tocando os cabelos.

“Você achou que não tinha nada á perder

Que eu fosse boba assim pra obedecer

Até que teu beijo é bom

Mas vê se abaixa o tom

Você não manda em mim

O jogo é assim”

Sorri quando voltou ao tom de deixar o corpo mais leve, mas eu ainda deixei um pouco da sensualidade rebolando um pouco, mexendo nos cabelos e ficando mais ousada descendo um pouco e subindo. Geralmente quem dançava e chamava a atenção naquele tipo de festa era a Raquel e de vice a Tati, mas minha ex melhor amiga nem tinha entrado e a Tatiana estava olhando com uma sobrancelha arqueada também só de platéia.

“Eu avisei que não ia mais te dar moral

A fila andou e você foi pro final

Até que teu beijo é bom

Mas vê se abaixa o tom

Você não manda em mim

O jogo é...

Até que você faz bem

Mas não sou de ninguém

Sabe o que aconteceu

Você perdeu”

O mesmo corpo solto, os mesmos movimentos, o mesmo sorriso de canto e os mesmos olhos que alternavam entre aberto e fechado. Eu tinha certeza que depois iria sentir dor nos pés por causa dos saltos, mas naquele momento não me importava tanto porque pela primeira vez eu estava adorando dançar. Assim como cantar, estava funcionando como um jeito de colocar as coisas pra fora e me sentir mais leve.

“Vou rebolar só porque você não gosta

Se não quiser me olhar, vira de costas

Você vai ter que aturar porque eu vim pra te provocar

E para de falar

Blá, blá blá”

Mais uma vez desci até o chão lentamente e voltei da mesma forma lenta e provocante. Joguei os quadris de um lado para o outro enquanto virava para o lado, para simular o “vira de costas” e depois voltei a ondular quadris e cinturas enquanto minhas mãos mexiam nos cabelos ruivos.

“Vou rebolar só porque...

Se não quiser me olhar...

Você vai ter que aturar, porque eu vim pra te provocar.

E para de falar

Blá, blá blá”

Nessa última estrofe eu simplesmente pulei, desci até o chão, voltei, joguei cabelo e ri antes de terminar mordendo os lábios e fazendo jogo de ombros. No momento em que a música acabou estava todo mundo olhando para mim como se eu fosse uma pessoa de outro mundo, mas eu só sorri e saí da pista para voltar ao lado de Caleb.

–O que foi isso?

–Foi a minha mensagem. Dizendo que estou mais firme do que nunca. E pronta pra derrubar quem quer que tente me dizer o contrário.

Notas finais
Bem gente, tenho que admitir que eu não sou lá a maior fã de Anitta, mas quando eu vi essa música eu pensei na cena e no capítulo no mesmo instante então eu tive que fazer o song-capítulo. Espero que gostem. Comentem