Cleide
1 O Twerk de Janete
Notas iniciais
— CLEEEIDEEE! — Minha mãe berrava, já irritada por ser a terceira vez que tem que me acordar. — ACORDA GAROTA, VAI CHEGAR ATRASADA PRA AULA!
— Ain, já vou... — Resmunguei e levantei da cama feito um zumbi, praticamente me arrastando para o banheiro.
"Ok, Cleide.", pensei comigo mesma, me vendo na frente do espelho, "Você está feia pra caralho, hora de ficar linda e arrasar na escola."
Tirei meu pijama de meu corpo, troquei de roupa, coloquei o enchimento em meu sutiã e puxei as garotas para cima e peguei meu kit de maquiagem. Agora sim é o grande desafio. Comecei do zero, pensando no quanto iria ficar diva. Passei tudo bem leve, sem exagerar (foto da make).
— Garota, anda logo! Vai se atrasar! — Minha mãe batia na porta freneticamente, irritada.
— Ai, mãe, tô indo! — Abri a porta do banheiro e me encontrei com ela. — Por que você é chata em?
— Porque eu sou mãe, sou mais responsável, mais madura e porque EU SOU MALUCAA!
Depois de minha mãe ter um surto e começar a gritar que ela é maluca, sai de casa e fui para a escola. Esperei no portão e fingi ler um livro qualquer de Nicholas Sparks, gosto que pensem que sou intelectual e inteligente, esperando Janete, minha MAPS (melhor amiga para sempre).
Minutos depois, ouvi uma garota gritar um pouco distante:"Cleide, amiga!". Tirei os olhos no livro que fingia ler e percebi que quem gritava era minha MAPS. Ela estava com um boné aba reta, uma camisa do MC Gui e um All Star tão vermelho que dava para ver da China.
— Piranhuda! — Corri na direção dela com um forte abraço, sempre tentando não borrar a make.
— Ai, que saudades! Parece que não nos vemos a séeeeeculos!
— Mas nos vimos ontem, Janis.
— Olha aqui, você me r-e-s-p... Esqueci como soletra. — Ela não era tão inteligente quanto eu, super leitora e culta. — Adivinha quem vem pro Brasil?!
— Quem?
— ONE DIRECTION! — Ela berrou e nós começamos a gritar, super animadas. — Vamos sambar nas gringas, como sempre! Quem eles falaram que são gostosas? As brasileiras! Quem chorou por não querer ir embora ano passado? Eles mesmos!
— Foda-se se elas são do mesmo fandom! Nós somos superiores! — E voltamos a gritar. — Eu vou casar com o Niall.
— E eu com o Harry!
Pegamos nossas mochilas e fomos para a aula. A primeira era de física, isso significava uma coisa: conversar a aula inteira. Não somos obrigadas a ficar assistindo aquela velha rabugenta nos ensinar, física é chato! Os gostosos do One Direction são mais importantes. Era bilhetinhos pra lá e bilhetinhos pra cá, sempre meus e da Janete. Óbvio que íamos no show, era nossa chance de nos encontrar com eles! Eu estava muitíssimo animada. Mais duas aulas se foram, até que chegou o sinal tocando.
— Aleluia, recreio! — Janete disse, maravilhada.
— Ah, Janis, para. É intervalo que fala. Recreio é tão de criança.
— Minha querida, se eu quiser eu chamo ele até de Robson! — Ela retrucou e fomos para a área da cantina.
Estávamos sentadas, observando o tempo passar e conversando sobre coisas aleatórias. Consegui ver o time de futebol de longe, como se eu tivesse um radar neles. Eles se aproximavam e eu ficava com os olhos brilhando quando via Ernesto, o capitão do time.
— E eu tava tentando ter uma barriguinha de Gisele Bündchen depois de ver aquele filme, menina, minha meta pra esse final de... — Ela também paralisou ao ver eles.
Então Janete fez a maior loucura de todas: levantou de onde estávamos e entrou na frente dos meninos, pedindo para eles esperarem. Ela tentou puxar assunto sobre a prova que tinha ocorrido ontem, mas eles pareciam desinteressados. Tentei falar pra ela sair de lá, mas ela não entendeu. Eles tentaram desviar dela, mas ela voltou a pedir para eles pararem. Olhou para os lados desesperada e virou de costas, então ela fez uma coisa inesperada: começou a dançar twerk. "Nesses momentos que vemos o quanto a bunda da Janete é grande, socorro", pensei comigo mesma. Todos eles pareciam estranha, menos um, que era bastante amigo do Ernesto, o Reginaldo. Ele sorria safado ao ver Janete dançar twerk e dava pra ver um volume na calça dele. Meu queixo foi pro chão.
Depois de uns minutos, Janete se virou de novo e sorriu sem graça, vendo Reginaldo com aquele sorriso maroto e com uma possível ereção. Ele fez um sinal com o indicador para ela acompanhar ele e começou a andar, e ela seguiu. Foram na direção dos banheiros e eu continuei surpresa, mais ainda quando Ernesto falou "oi" e acenou pra mim. Acenei de volta, sorrindo tímida. Garotas tímidas estão na moda, mesmo eu morrendo de vontade para dar... Digo, conversar com ele, eu tenho que me fingir tímida. O sinal tocou novamente e fui para minha sala, fui então que reparei: Janete não estava lá. Passei o maior tédio nas três últimas aulas, quando o sinal tocou novamente e eu peguei minhas coisas, saindo da escola e vi Janete no portão. Ela tentou andar até mim, mas suas pernas pareciam um pouco afastadas, ela parecia andar de pernas abertas.
— Oi, amiguis. Você tá bem? — Demorei pra raciocinar, preocupada com o jeito que ela andava.
— Reginaldo tem uma bagagem grande. Fizemos três vezes. — Ela disse animada, mas parecia sentir dores na... Embaixo dela. — Estamos ficando!
— Uau, parabéns... Cachorra, haha. Ainda não acredito que fez twerk na frente deles.
Continuamos andando para fora da escola, quando Christian nos para. Ele andava todo afeminado, era uma franga mesmo. Do lado dele estava outro garoto, e eles andavam de mãos dadas. Pararam na nossa frente.
— Oi, piranhas! Eu tô na-mo-ran-do! — Ele disse, super animado.
— Sério? — Falamos em um uníssono, surpresas por ele ter achado alguém.
— Aham! Este é o Francisco, fala com elas, mozão.
— Oi garotas. — Ele disse meio baixinho e frio. Tinha um grande franja, igual um emo e parecia ter passado lápis de olho. Tinha batom preto e as roupas todas pretas. — Sou otaku, emo, gótico, vampiro, gótico das trevas, raro e diferentes.
— Oi... — Janete disse com uma expressão de enjoo.
— Vamos, gato! — Chris pegou a mão dele e deu alguns passos.
E para nossa surpresa ele olhou para trás, nos encarou com um olhar do tipo: aproveitem o show. E eles começaram a ter a maior pegação. Aproveitamos a situação e contornamos eles, nos dirigindo para nossas casas.
— Porra, todo mundo tem namorado menos eu. Até a bicha do Christian! — Suspirei, irritada.
— Calma, amiga, sua hora vai chegar. — Janete tentou me consolar, sem sucesso.
— Vou ter que aprender a fazer filho com o dedo, só pode! Ninguém me quer! Eu faço tudo que está na moda, vou com uma make super diva pra escola, mas nada!
E Janete foi para sua casa e eu para minha. Quando cheguei, vi em meu celular uma mensagem, de um número desconhecido. Foi então que me dei conta: era o Reginaldo, ficante da Janete.
"Oi gata, que tal mandar umas nudes?", estava escrito na mensagem.
"Por que não?", respondi, fui para o banheiro e tirei três fotos, indecisa se deveria mandar ou não.
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