Clavel
5 Sentimentos Conflitantes
Notas iniciais
Explicações nas notas finais!
Capítulo 05 — Sentimentos Conflitantes.
O cenário nas portas de entrada de Suna era pacífico e silencioso, contrastando terrivelmente com o sentimento de morte que a Haruno tinha. Os dois guardas estavam encostados um no outro, suas cabeças pensas para o lado, seus corpos repousando sem vida na pequena guarita.
A culpa era visível em seus olhos esmeraldinos e sua expressão enrijecida era indicação de aborrecimento. Sakura sempre tivera o emocional muito aflorado e era exatamente nessas horas que isso se evidenciava.
- Sakura, deixe isso de lado. – Sasori chamou sua atenção. – Eles já estão mortos.
A brisa era suave e afagava gentilmente seus cabelos rosados, enquanto ela permanecia em silêncio, fitando sem parar suas duas vítimas. Não fazia questão de desviar o olhar, já que de qualquer jeito a imagem de seus rostos ficaria guardada em sua mente durante várias noites.
O ruivo chamou-a mais uma vez. Silêncio. Tornou a chamá-la, mais impaciente desta vez, e isso foi o estopim para sua personalidade explosiva.
- Eu sei que eles estão mortos, e esse é o problema! – Gritou, virando-se para ele, lutando para segurar as lágrimas de culpa. Seus olhos arregalaram-se ao se dar conta de que realmente gritara com seu Danna, então girou o corpo para longe dos cadáveres e murmurou: – Desculpe-me.
Sasori espantou-se com sua reação. Era mais do que óbvio para ele que ela não tinha vocação nenhuma para ser uma assassina, o que era praticamente requisito básico para fazer parte da Akatsuki. Mas o ruivo tinha o pensamento de que com o tempo ela se acostumaria com as mortes de inocentes.
Engano seu, ela nunca estaria bem com isso.
Nesse momento, mais do que nunca, o Akasuna lembrou-se do sonho que teve com ela há seis anos. Ela era forte, sem dúvidas, mas ainda assim era uma mulher frágil, com alma e intenções puras.
Foi um erro deseja-la perto de si? Estaria ele corrompendo a doce visão que a garota costumava ter sobre a vida? Fez uma careta, a resposta era sim. Mas talvez quebrar tal visão não fosse de todo o mal, isso a tornaria muito mais resistente contra as ocorrências do dia-a-dia de um ninja.
Mesmo assim...
Sentia-se culpado.
Olhou para as costas finas da Haruno e, por apenas um breve momento, sentiu uma insana vontade de abraça-la, como se necessitasse disso. No outro segundo, a vontade tinha sumido. Mentira, na verdade, a vontade tinha sucumbido pela força de seu orgulho e armadura de assassino frio.
Porém, a culpa ainda martelava seu coração.
Olhou em derredor. As árvores grandes da floresta ali perto faziam sombra na areia fina, os cactos – alguns floridos – davam ao Akasuna a sensação de estar em casa. Com certa surpresa, avistou algo que fez seu interior se remexer por completo. Lá estava, bem na divisa entre o final do deserto e o início da floresta... Uma flor familiar a ele...
O cravo vermelho.
Idêntico ao seu sonho.
Fitou mais uma vez as costas de sua boneca e teve a ligeira impressão de tê-la visto tremer. Sem pensar duas vezes foi atrás da flor, e a rosada, absorta em seus pensamentos, nem ao menos percebeu que seu Danna havia se afastado.
Quando deu-se por si, Sasori estava na frente de sua boneca, entregando-lhe aquela bela flor. Era quase como se ele não conseguisse controlar seus movimentos.
Sakura arregalou os olhos, espantada. Seu Senpai estava dando-lhe um cravo vermelho? Será que ele sabia do significado dessa flor? Sabendo ou não, isso não tirava a beleza do ato.
- Conhece o significado dessa flor, Sasori Senpai? – Perguntou inocentemente. O interior de Sasori se esquentou. Negou com a cabeça, exatamente como fizera no sonho. – O que as rosas não falam, os cravos dizem. Vou deixar que descubra o significado por si mesmo.
O ruivo fez uma careta e ela sorriu. E esse sorriso foi o mais próximo daquele que uma vez ele obtivera em sonho. Não era o suficiente, mas o bastante por hora.
•••
- Acalme-se, Naruto! – Bronqueou Neji. – Você parece um desesperado.
A equipe de busca pela Haruno consistia em Sai, Naruto, Kakashi e Karin (recém-admitida como ninja de Konoha) e o Time Gai, composto pelo próprio Gai, Neji, Tenten e Lee.
O loiro olhou firme para o moreno e, sem diminuir o ritmo da corrida, disse-lhe:
- Como quer que eu me acalme? É a Sakura, droga! E ela está nas mãos sujas da Akatsuki!
Naruto corria mais a frente de sua equipe, é claro, queria ser o primeiro a socar a cara do Akatsuki que sequestrara sua amiga, seu amor de infância. Os outros, que mantinham uma distância segura do Uzumaki, prestavam atenção na conversa entre ele e o Hyuuga.
— Nós nem sabemos onde ela está. Estamos procurando por esconderijos da Akatsuki dentro da Floresta do País do Fogo, é um tiro no escuro, Naruto. – Neji suspirou cansado, era a terceira vez que tentava colocar essa ideia na cabeça oca do loiro. – Se não a encontrarmos, e eu não vou mentir, as chances são enormes de isso acontecer, você ficará devastado por dentro. Do mesmo jeito que ficou com Sasuke.
Naruto trincou os dentes e apertou as mãos em punhos, tentando conter o furacão de emoções dentro de si.
- Não diga isso, Neji. Não faça-nos pensar por esse ângulo. — Lee tomou as dores do Uzumaki. – Nós vamos encontra-la.
- É isso aí, dattebayo!
•••
Deidara repousava nas costas de seu pássaro de argila, ofegante e um pouco sujo de areia. Sua luta contra o Kazekage não fora uma das mais difíceis, pois descobrira rapidamente sua fraqueza: o povo de Suna. Agora o ruivo de olhos verdes estava enrolado contra a cauda do pássaro, inconsciente.
O pássaro de argila voava em direção à entrada da Vila Oculta, e qual não foi a surpresa de Deidara ao encontrar Sakura sorrindo corada e seu Danna a admirando discretamente?
Fez uma careta e chamou a atenção deles para si. Ao se darem conta da presença do loiro, saltaram para as costas da criatura. Sakura deu um cascudo na cabeça de Deidara, alegando que o mesmo demorara.
- Não minta, você nem viu o tempo passar, rosinha. – Sua voz saiu um pouco ácida, mas ela não pareceu ter notado. – Será que tem algo a ver com essa flor que você segura contra seu peito?
Sakura corou e desviou o olhar, claramente sentindo-se incomodada com a pergunta. Acabou encontrando a figura adormecida de Gaara e não se impediu de estranhar. Ele não parecia tão cruel e implacável como há seis anos, no Chuunin Shiken.
“Seu fim está próximo...” Constatou em pensamentos. Sentiu dó ao se colocar no lugar do jinchuuriki de madeixas ruivas.
- Não fique muito perto dele, rosinha. – Deidara alertou-a contrariado, quase como se apreciasse a ideia de Gaara atacá-la. – Ele não está morto, apenas desacordado.
Sakura olhou-o com certo desprezo. Desde que ela pusera seus pés no lombo do pássaro de argila, Deidara a tratava daquele jeito estranho. Tudo bem que ela sempre considerara seu jeito estranho, mas dessa vez era um estranho diferente.
- Se está desacordado, então não há motivos para você ficar preocupado comigo. – Ironizou sua última palavra, não conseguiu se conter.
- Eu não estou preocupado com você. — Rolou os olhos, achando aquela ideia absurda. – Estou preocupado com o jinchuuriki, ninguém merece acordar e se deparar com a sua cara horrorosa.
Sasori lançou um olhar sombrio para o loiro. Insultar a beleza da Haruno era insultar sua obra de arte, seu talento. Era como insultar o próprio Sasori. Deidara entendeu o recado e calou-se.
Sakura estava bufando, irritadíssima. Não fora a provocação do loiro que a deixara assim. Oh, não mesmo. Com isso ela podia lidar. O que a irritara profundamente fora o tom usado na provocação.
Ele não parecia estar brincando.
Deidara estava com raiva de algo que ela fizera?
- Oras, seu...! – Ele a cortou, informando – desnecessariamente – que haviam chegado no local indicado para a extração.
Sakura olhou para baixo, encontrando uma caverna não muito grande. Seria ali a última parada de Gaara.
Mais uma vez, seu coração apertou-se com dó.
Notas finais
Então é, posso demorar o que for, mas não vou desistir dessa fic :}
Capítulo não muito grande, mas escrito com carinho pra vocês!
Reviews? Recomendações?
Queria agradecer a Myah_chan, Géssica, sakyharuno13, Poiisonchan, Tihs2!
Gaab_A e Carol_patterson, muito obrigada mesmo! Vocês duas me inspiram demais *-*
Fale com o autor