Clavel
8 O Que É Correto
Notas iniciais
Demorei pra caramba, né? Me sinto horrorosa! Sei que essa vai ser difícil de perdoar, mas espero sinceramente que o façam >
Estou estudando loucamente pro vestibular e confesso que me esqueci de trabalhar decentemente na fic. A falta de criatividade ajudou um pouco também.
Gostaram da capa nova? *-*
Leiam as notas finais:3
Bom, sem mais demoras, vamos ao capítulo!
Capítulo 08 — O Que É Correto
O Uchiha observou o loiro cambalear, esforçando-se para se manter firme em posição de ataque. Sorriu, abaixando a katana, e foi com certo deboche na voz fria que disse:
– Devia ter pedido para que Sakura o curasse antes de manda-la embora.
Deidara franziu o cenho, estranhando o senso de humor do Uchiha mais novo. Uchiha Itachi nunca provocava sua presa. “Un”, foi o que resmungou, limpando o pequeno filete de sangue que escorreu por seus lábios.
– Não acho que você deixaria alguma oportunidade para ela me curar, Uchiha-pirralho.
O moreno deu de ombros, ainda mantendo aquele estranho humor.
– Bem, eu deixei vocês dois flertarem, não é mesmo? – Sasuke apontou e Deidara riu baixinho. – Mas, é claro, você a mandou embora depressa. Você não queria que eu a machucasse? – Indagou, pensativo. – Sakura tem essa bizarra habilidade.
– O que? Do que você tá falando? – O loiro questionou, confuso sobre o rumo da conversa.
– Por que todos têm essa necessidade quase insana de protegê-la? – Tornou a perguntar. – Será que ela causa isso de propósito ou é involuntário, como um manto de carisma?
“Que diabos...?” Agora sim Deidara estava confuso.
– Você é doente. – Constatou, depois riu. – Alguém tão simplório quanto você não consegue compreender, quanto mais apreciar, a obra de arte que Sakura é.
– Depois eu é que sou o doente. — Sasuke sorriu de canto, escondendo perfeitamente bem seu desconforto pelas palavras do Akatsuki. Levantou sua kusanagi e a apontou na direção do loiro, todo seu aparente humor sumindo de vez. – Agora me diga, onde está Itachi?
Deidara rodou os olhos, se divertindo com a seriedade no rosto do moreno.
– Itachi, Itachi, bla bla bla. – Pegou um pedaço de sua massinha explosiva e a moldou em forma de um pássaro. – Não sabe falar outra coisa? Muda o disco, as pessoas se cansam da mesma ladainha de sempre. – Deidara rodou os olhos, ordenando que o pássaro voasse em direção ao moreno.
A explosão criou uma densa onda de fumaça que por alguns instantes cobriu por inteiro a clareira. Quando se dissipou, segundos mais tarde, tudo o que o loiro pôde ver foram olhos vermelhos espreitando sua figura.
•••
Sakura não precisou correr muito mais. Saltou da árvore e parou assim que botou seus olhos na figura austera de seu Danna. Tremeu; a expressão do ruivo era tão fria que poderia facilmente ter lhe dado uma pneumonia.
– Sasori no Danna, eu... – Sakura se aproximou e pensava em dar uma desculpa qualquer, porém fora interrompida pela voz ainda mais gelada.
– Quieta — o Akasuna fechou os olhos para não demonstrar seu descontrole. – Onde está Deidara?
A Haruno baixou os olhos, um misto de vergonha e medo tomando conta de si.
– Ficou para trás, está lutando contra o Sasuke.
A mandíbula do Akatsuki se contraiu.
– Fique aqui, e desta vez faça realmente o que eu te mando – o olhar castanho caiu sobre a figura mole do jinchuuriki dentro da caverna – Livre-se do corpo.
– Mas como vai lutar sem mim? – Sakura replicou, seu tom desesperado despontando na voz. A verdade é que não queria ficar sozinha com o cadáver.
– Você parece ter se esquecido do fato de que você não é minha única marionete – e saiu. Ele simplesmente deu meia volta e começou a percorrer o caminho contrário, indo em direção à luta.
Ele saiu, sim, mas deixou todo o peso que aquela palavra trazia. “Marionete”, repetiu, cerrando os dentes e os punhos com força para não fraquejar. Odiava quando ele chamava-a assim, e é por isso que ele sempre a mencionava como “boneca”; afinal, sugere um tom mais cuidadoso.
Na verdade, Sakura não gostava de se sentir usada como uma ferramenta, assim como Haku, o companheiro de Zabuza, se sentiu.
•••
Naruto acordou sentindo o rosto molhado. Havia chovido?! Olhou para o céu, deparando-se com o teto escuro e desnivelado de uma caverna. Oh, não, de jeito nenhum havia chovido. Passou a mão pelo rosto e constatou que tinha babado.
O rosto de Karin surgiu logo a sua frente e ele assustou-se. Rapidamente se colocou sentado e olhou ao seu redor. Neji e Sai estavam encostados na parede de pedra, olhando fixamente para baixo. Tenten e Lee encontravam-se deitados no centro da caverna, ainda dormindo.
– O que aconteceu? – O loiro perguntou.
Envergonhados, ninguém ousou se pronunciar, exceto Karin:
– A Haruno nos botou para dormir. Kakashi e Neji foram os primeiros a acordarem; os dois tiveram que nos rebocar de lá porque a luta entre Sasuke e um Akatsuki havia nos alcançado.
– Vocês estavam em perigo, não podíamos ficar para nos intrometer na luta – Kakashi pronunciou-se enquanto entrava na caverna. Em seu braço, uma ave mensageira pousava. – Recebi essa mensagem da Hokage... Gaara foi capturado pelo Akatsuki loiro. Nossa nova missão é resgatá-lo.
Uzumaki Naruto possuía um olhar perdido. Encontrava-se em um forte dilema. Fazer o que tinha combinado com a rosada ou salvar Gaara?
– V-vamos nos dividir – sugeriu incerto. Kakashi e os outros o questionaram com o olhar. Então explicou-se – Eu fiz uma troca com a Sakura enquanto estava sob influência de seu genjutsu.
– O que? – Karin engasgou – Você fez um acordo com a criminosa?
Naruto a olhou torto.
– Ela não é uma criminosa, só está enganada sobre esse Sasori – resmungou. – Mas sim, fizemos um acordo. Se eu a ajudasse escapar naquele momento, ela viria nos encontrar durante a noite, na vilazinha do Algodão.
– Oh, agora tudo faz sentido – Karin pensou alto – A dor que você sentiu após quebrarmos o genjutsu... Era uma simulação! – Acusou.
O loiro assentiu, olhando suplicante para Kakashi.
– Deixe-me ir com Lee e Karin para essa vila, nem que seja por uma hora... Eu confio na competência de vocês para recuperar meu amigo.
•••
Sakura fez uma careta ao se aproximar do corpo. Possivelmente, essa era a segunda coisa que mais odiava, mas tinha que fazer porque Sasori mandava: livrar-se do corpo.
A primeira era matar inocentes.
Observou a figura pálida, o rosto magro e um pouco sujo, o corpo jazendo frio. Seu estômago revirou e ela sentou-se ao seu lado, olhando para nada em específico.
– Sabe... Estou com remorso – declarou – Você era um amigo precioso para Naruto, não? – Sentiu-se boba por estar conversando com um morto, mas precisava disso para não se sentir pior ainda. – Naruto está destinado a perder amigos preciosos, eu acho.
Suspirou e, rapidamente, levantou-se. Por estar a quase três dias sem comer, sentiu a tontura se apossar de seus sentidos e cambaleou, apoiando-se no peito do ex-jinchuuriki.
Espantada, retirou rapidamente as mãos do ruivo. Depois, respirando fundo, levou-as incerta para o pescoço masculino.
Não era alucinação.
Ele estava respirando.
Gaara ainda estava vivo.
E então, vindo absolutamente do nada, a realização apossou-se de sua mente e ela sorriu, verdadeiramente feliz. Juntou as mãos novamente no peito do ruivo e não perdeu tempo em deixar que a luz esverdeada recuperasse o bom estado do rapaz.
Um tempo depois ele abriu os olhos e reconheceu de imediato Sakura pela determinação de pedra estampada nos olhos esmeraldinos. A Haruno levantou-o com dificuldade e o apoiou para fora da caverna.
– Você não pode perder tempo, está me ouvindo? – Ela falava firme, tentando fazê-lo entender a situação – Aqui você está em perigo.
O olhar de Gaara era vazio, recuperar-se de um estado de quase morte não era fácil, e ele estava desnorteado.
– Sakura... – Murmurou.
– Quero que vá reto e não pare, certo? Vá reto por toda a sua vida e achará a Vila do Algodão – chacoalhou o Kazekage levemente – Está me ouvindo, não está? Prometi encontrar Naruto por lá, mas acabo de me dar conta de que não poderei mais sair de perto do Danna.
O ruivo olhou para frente e depois para ela, o olhar malaquita ainda perdido em seu próprio torpor.
– Sakura... – Insistiu em murmurar.
– Sabe quem é Naruto, não é? Seu amigo escandaloso de Konoha? Agora vá! – Sem esperar uma resposta do ruivo, Sakura desvencilhou-se dele e o empurrou levemente pelo caminho.
– Sakura! – A voz de Gaara continha um tom inegável de lucidez. Ela o olhou surpresa – Venha comigo.
Ela arregalou os olhos. O que?
– Você ainda está confuso, vá logo.
– Eu estou um pouco perdido, sim, mas falo sério. Naruto sofreu durante os seis anos de seu sumiço, volte comigo – Gaara estendeu a mão pálida.
Sakura sentiu a cor sumir de seu rosto, então olhou para o lado.
– Se continuar aqui, acabará morto de vez. Siga seu caminho e encontre com Naruto na Vila do Algodão, diga a ele que eu peço desculpas.
O Sabaku insistiu com o olhar, mas percebeu que a rosada não mudaria de ideia. A verdade é que ele estava muito cansado para insistir mais, então virou-se e seguiu o caminho que ela lhe indicara.
E Sakura ficou ali, olhando-o partir.
E sorriu.
Pela primeira vez sem se arrepender do que havia feito.
Pela primeira vez fazendo o que era correto.
Notas finais
Amo vocês demais, demais, demais!
Queria agradecer em especial, de novo, a linda da AkemiVengeance que deixou uma maravilhosa (e primeira) recomendação para Clavel! Muito obrigada, querida, quase chorei lendo! Você me motivou a iniciar o capítulo :3
Um agradecimento especial para a Gravity, que se não tivesse mandado aquele review, eu nunca teria tomado vergonha na cara e terminado o capítulo!
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