Clato - Quase vitoriosos
7 Capítulo 7 - "De 0 a 12"
Eu tomo um banho rápido e vou tomar café. Quando chego na sala encontro apenas Clove e Amy.
–Bom dia! -Digo enquanto dou um beijo na cabeça de cada uma delas.
–Bom dia grandão -Diz Clove
–Bom dia! É impressão minha ou você está meio animadinho hoje?
–Diz Amy, perguntando o que era óbvio. Eu estou de ótimo humor, não posso negar, passar a tarde toda rindo, cantando e conversando com Clove ontem me fez muito bem, e pra melhorar não tive nenhum pesadelo.
–Eu também percebi isso, ele ta alegre demais pra quem vai entrar na arena em poucos dias. -Diz Clove mergulhando um morango em uma mistura de creme de avelã e granola.
–Sabe o que me deixa mais feliz? Começar o dia sendo lembrado de que minha morte está próxima! -Digo pegando o morango da mão de Clove.
–Não sabia que roubava morangos de meninas indefesas quando você está feliz. -Diz Clove se levantando da cadeira e estirando a mão pra que eu devolva o morango.
–Indefesa? Esse seu sorriso é mortal pra qualquer um! -Digo enquanto coloco o morango na boca. -Eu devia te matar por comer meu morango, mas eu devia te abraçar pelo elogio, que pelo menos eu considerei um elogio, então eu não te mato, mas também não te abraço. -Diz Clove com aquele sorriso falso que eu acho lindo, sei lá, ele é sarcástico e meigo ao mesmo tempo, assim como ela.
–Ta esperando o que menino? Vai tomar café! -Diz Clove, então eu percebo que estava parado e sorrindo feito um idiota, e para disfaçar eu digo:
–To esperando o seu abraço, ainda tinha esperança de ganhá-lo, mas já que não tem jeito de eu ganhá-lo o melhor que faço é te obedecer e tomar café. Amy começa a rir e quando finalmente recupera o fôlego diz:
–Vocês dois ainda vão se casar! Nós dois só reviramos os olhos, porque só um de nós pode sair vivo de lá, ou seja, por mais que um dia ela gostasse de mim, nós nunca iríamos nos casar.
Eu pego um omelete de frango defumado e coloco alguns tomatinhos em cima. Eu sento a mesa com Amy e Clove e toco o sininho pra chamar um avox. Logo um homem manco, peludo, de cabelos e olhos pretos aparece, aquele não pode ser quem eu estou pensando, não tem como, como ele foi parar ali? Eu olho pro lado e vejo que Amy e Clove estão tão surpresas quanto eu, eu quero abraçar aquele cara, sentar, perguntar o que aconteceu e escutar a sua longa explicação cheia de comparações estranhas, mas isso não vai acontecer, não só porque eu não posso abraçar e conversar com um avox, mas também porque ele não pode mais falar, ele é um avox, ele cometeu um crime, sua lingua foi cortada e agora ele tem que trabalhar pra capital. Eu olho pros lados e vejo que Amy e Clove tambem estão surpresas com o fato de Dylan, o sátiro mais tagarela do acampamento, ter que ficar calado para sempre. Provavelmente ele foi pego passando de um distrito para outro em uma missão. Eu estou tão em choque que tudo que eu consigo dizer é:
–Hããã.. -Eu escolho bem as palavras, pois podem estar nos filmando, e isso pode trazer consequencias tanto pra mim quanto pra minha familia e para Dylan, o sátiro-avox.
–Você pode me trazer uma vitamina de morango por favor? -Pergunto enquanto faço um gesto de "oi" discretamente com a mão, ele faz o mesmo pra mim, pra Clove e pra Amy, e as duas respondem fazendo o mesmo. O avox sai da sala. Então Amy sussurra:
–Aa-a-quele é quem eu estou pensando? Eu e Clove apenas fazemos que "sim" com a cabeça. Logo Lune, a minha vitamina e Luke chegam, Lune nos avisa que devemos ir direto pro centro de treinamento assim que acabarmos o café da manhã, pois Brutus e Enobária estavam nos esperando no centro de treinamento.
Quando nós acabamos, nos dividimos em dois elevadores, um com Clove e eu e o outro com Amy e Luke. No elevador, eu percebo que Clove está meio triste, então me pergunto o porquê, e por mais que eu não queira pensar nisso a resposta que vem a minha cabeça é a que mais faz sentido. Hoje é o primeiro dia de treinamento particular, isso significa: Só nós, sem tributos de outros distritos, sem garoto do 12 pra Clove ficar olhando iludida. Mas eu prefiro perguntar, só pra ter certeza de que esse não é o motivo de sua tristeza.
–Qual o motivo da tristeza da minha pequena?
–Quem disse que eu to triste? -Pergunta Clove
–Qualquer um percebe, só de olhar pra você.
–Nossa, você é realmente bom nessa coisa de "ler olhares" -Diz Clove, o que só aumenta minhas suspeitas, pois da ultima vez em que falamos sobre isso de "ler olhares" foi quando ela não quis acreditar que o menino do 12 está apaixonado pela menina do 12. E ela disse isso como se sempre penssasse no assunto, mas mais uma vez eu pergunto pra confirmar minhas suspeitas:
–Você ainda não me disse o que aconteceu pra ficar triste. -A porta do elevador se abre.
–Não posso falar aqui, depois eu te digo. -Sussurra Clove enquanto andamos em direção à Brutus, Enobaria, Amy e Luke. Pronto, nem preciso esperar que ela me fale pra saber o motivo, ela não pode simplesmente confessar que tem uma queda pelo garoto do 12 na frente de toda a nossa equipe, não sabemos nem se é permitido algum relacionamento, fora uma aliança, entre os tributos de distritos diferentes. Quando nós chegamos Luke diz:
–Nós saimos ao mesmo tempo e vocês só chegaram agora! Se quiserem sobreviver na arena precisam ser mais rápidos!
–Hahaha muito engraçado senhor Jonhson! Agora falando sério, aproveitem esse tempo em que os outros tributos não estão para treinar o que vocês são ruins! Essas coisas vão ser muito necessárias quando a aliança for quebrada! -Diz Brutus
–Como andar de elevador? -Diz Clove segurando o riso.
–Vão logo! Tão esperando o que? -Diz Brutus Eu treino escalada e arco-e-flecha, já Clove vai para o combate corpo-a-corpo e pro lançamento de peso, entãoquando os outros tributos chegam, nós nos juntamos aos outros carreiristas e fazemos o mesmo esquema assuste-os-mais-fracos de sempre.
Quando chega a hora do almoço vamos para uma sala de jantar fora do ginásio. Essa é a primeira vez que almoçamos com os outros tributos, nos outros dias almoçamos mais cedo ou não almoçamos. Eu preparo o meu prato e o de Clove, o mesmo pros dois: Risoto de tomate e rúcula, uma carne deliciosa que eu nunca vi antes e batatas com pimenta calabresa recheadas com um creme com ervas. Nós sentamos na mesa de Glimmer e Marvel.
–Obrigada grandão! -Diz Clove pegando o prato que eu fiz pra ela e me dando um beijo na bochecha.
–Por nada pequena! -Digo e sento.
–Esse ano os tributos do 4 vão se juntar a nós? -Pergunta Clove
–Não, os tributos do 4 esse ano não são carreiristas e são muito fracos, acho que morrem na curnocópia. Mas tem uma novidade na nossa aliança esse ano, acho que pela primeira vez um tributo do 12 vai se juntar aos carreiristas. -Responde Glimmer.
–Sério? Qual deles? -Pergunta Clove segurando um sorriso.
–O menino, claro, a menina é orgulhosa demais pra fazer uma aliança com alguem! -Diz Glimmer, então, por um minuto nós paramos pra olhar pros tributos do 12. Os dois estão coversando e rindo de modo exageradamente falso. Mas da pra ver que sempre que ela fala ele para tudo o que está fazendo pra escutá-la e ele a observa como se ela fosse uma obra de arte e ele está anotando todos os mínimos detalhes.
–Nossa, quanta falsidade! -Diz Clove.
–Por mais que eu odeie isso eu tenho que concordar com a anã-de-jardim -Diz Glimmer -Mas nem tudo ai é falsidade, ele realmente gosta dela.
–Daonde você e Cato tiraram essa ideia? Vocês ja conheciam esse garoto antes? -Pergunta Clove.
–Não, nunca vi ele na vida. Mas dá pra peceber pelo jeito que ele olha pra ela, qualquer um consegue perceber, quer dizer, qualquer um com a capacidade mental como a minha e a de Cato. -Diz Glimmer.
–Desculpa ai, mas eu não percebi, isso não quer dizer que sua capacidade mental é maior que a minha.-Diz Marvel.
O resto do nosso almoço foi em silêncio, sem contar com a conversa e as risadas do casal do 12.
Quando nós terminados nós fomos para uma sala de espera para aguardar a nossa sessão particular com os idealizadores. O primeiro nome a ser chamado é o de Marvel, enquanto ele está na sala eu, Clove e Glimmer fazemos alguns alongamentos e eu e Clove damos algumas voltas na sala para aquecer, Glimmer não faz o mesmo pra não chegar cansada na sessão dela. Logo o nome de Glimmer é chamado. Minutos depois é a minha vez.
–Boa sorte! -Sussurra Clove
–Obrigado! O mesmo pra você! Mas não se esqueça de sorrir se quiser tirar um 12! -Digo e então entro na sala. Na sala eu pego vários bonecos de treinamento e os divido em dois grupos de seis bonecos e coloquei cada grupo em um lado da sala, então eu peguei o peso mais pesado que eu encontro e uma espada, fui para um dos lados da sala e lancei o peso para a outra ponta da sala aonde se encontrava o outro grupo de bonecos, todos cairam, exceto um, então eu peguei a espada e em três golpes eu cortei a cabeça de dois bonecos, cortei dois ao meio e rasguei a barriga do sexto de modo que o enchimento saisse do seu corpo. Então eu fui dispensado e fui para o meu quarto.
Ao chegar em meu quarto eu tomo banho e visto uma bermuda branca e camisa vermelha. Eu vou procurar Clove pelo apartamento, mas não a encontro. Quando estou voltando para o meu quarto vejo Clove sentada no sofá, com os cabelos ainda molhados, olhando para a TV desligada. Então eu chego por trás dela e sussurro:
–A TV tem que estar ligada pra você assistir alguma coisa, sabia? -Clove da um pulo pra trás e solta um grito ao mesmo tempo, então, depois de ela recupera o folêgo, diz:
–Que susto garoto! Nós mal entramos na arena e você já ta querendo me matar?
–Desculpa, eu só queria comentar como está interessante esse programa que você está assistindo! -Digo
–Hahaha muito engraçadinho! Nós só podemos assistir TV na presença dos nossos mentores! Quer sentar? -Diz Clove tirando uma almofada do seu lado. Eu apoio uma mão no sofá e pulo por cima do sofá, caindo sentado em cima do mesmo.
–Que ninja você é! Você pode usar essas suas habilidades ninjipicias, ou seja-la-como-se-diz-isso, na arena! -Diz Clove batendo palmas sem som.
–Obviamente! Eu sou um ninja nato!
–E como todo ninja que se preze você aprendeu tudo o que sabe com um mestre muito mais habilidoso do que você, nem preciso falar que eu sou essa mestra né? -Diz Clove jogando o cabelo pra trás como nas propagandas de shampoo da capitol.
–Mas o aprendiz aqui não quer ir pra arena com sua mestra, ela é muito mais habilidosa do que ele -Digo com cuidado, pois quase que eu revelava a verdadeira razão de eu estar aqui.
–E você acha que eu te mataria na arena? Acho que estou passando a imagem errada de mim mesma para o meu parendiz, eu jamais machucaria o meu aprendiz preferido!
–Agora, falando sério, como você consegue lidar tão bem com o fato de ir para a arena em poucos dias? Você ta sempre brincando sobre isso, você não sente medo, ansiedade nem algo do tipo? -Pergunto.
–Claro que sinto, eu sou humana também, sabia? Mas lebra quando você disse pra seguir o conselho de sua mãe e lidar com os jogos como se leles fossem apenas jogos e tentar ser o menos humana o possível? Então! Medo e ansiedade, por exemplo, são sentimentos completamente humanos. -Eu havia esquecido completamente do conselho da minha mãe. Então eu devo ser desumano com os outros para enganar a minha própria mente, fazendo com que eu mesmo acredite que sou desumano.
–Uau! Eu nunca pensei assim, acho muito psicologico pra mim, vou continuar só com o plano finja-que-não-tem-sentimentos-que-não será-afetada.-Diz Clove prendendo os cabelos, que agora já estavam secos, em um coque. Brutus, Enobaria, Lune, Luke, Amy, Loovie (que estava com uma peruca branca e longa, um vestido furtacor e botas brancas que iam até o inicio das coxas) e um homem baixo, rechonchudo, com cabelos aul-metalicos espetados e vestindo um terno vermelho, ele era Hoodie, estilista de Clove.
–Então, como foi a sessão de vocês com os idealizadores? -Perguntou Brutus.
–Foi boa, eu acho. Eu peguei uma corda e amarrei uma de suas pontas em uma lança e a outra no pé de um boneco, fiz o mesmo com outras três lanças, então eu lancei todas as lanças por cima da rede que ficava no teto da sala, um dos bonecos caiu, então eu peguei quatro facas e as coloquei entre os dedos daminha mão, eu lancei todas as facas de uma vez, todos os boneco ganharam uma faca na barriga, mas como um dos bonecos caiu e eu lancei quatro facas, uma das facas foi parar atrás da bancada dos idealizadores. Acho que eles não gostaram muito do acidente. -Diz Clove.
–Ah tudo bem querida, acidentes acontecem, você concerteza vai triraruma nota boa! -Diz Enobaria dando dois tapinhas de leve no rosto de Clove.
–E você Cato? Como foi a sua sessão? Eu conto a eles sobre a minha sessão e recebo um "Hmm.. muito bom" de Amy como resposta.
A TV liga sozinha e começa a divulgação das notas, que vão de 0 a 12, mas a maior nota já tirada foi 10. A primeira nota divulgada é a de Marvel, um 8, nota média dos carreiristas. Glimmer tirou um 9, nota média dos semideuses carreiristas. Depois é a minha vez, eu tirei um 10, eu queria gritar e comemorar como sempre faço quando venço na caça-a-bandeira no acampamento, mas eles apenas olham pra mim com cara de "nada mal", nenhum "parabéns", então prefiro ficar calado e parado. É a vez de Clove, que tirou um 9, acho que se não fosse o acidente ela teria tirado um 10, quem sabe até um 12! Todos os outros tributos tiraram em média 5. Quando chegou a vez dos tributos do 9 nós resolvemos jantar. Eu estava fazendo o meu prato quando anunciaram a nota da garota do 11, um 7, uma nota ótima para uma garota tão nova, tão pequena e tão fraca. Brutus e Luke também pareceram surpresos, mas então eu lembrei que ela era uma semideusa. Eu termino de fazer o meu prato e sento a mesa quando anunciam a nota do garoto do 12, ele havia tirado um 8, nota de carreirista, os perdedores do 12 costumavam tirar notas entre 3 e 5 e sempre morriam nos primeiros dias. Ainda não recuperados do choque da nota do menino do 12, nós ficamos ainda mais chocados com a nota da garota, pela primeira vez, na história dos jogos vorazes, alguem tirou um 11. Todos estavam em choque, a maior nota da história dos jogos foi tirada por uma garota, e do distrito 12! Nós nos despertamos do "transe" quando Amy deixa cair um copo no chão. Nós passamos o resto da noite sentados a mesa discutindo sobre a entrevista com Caesar Flickerman e as estratégias da arena, nada muito diferente do que acontece nas outras edições.
Eu vou dormir, nenhum pesadelo. A não ser Brutus colocando gelo em minhas roupas de manhã cedo para que eu acordasse.
Notas finais
ESSE CAPITULO É DEDICADO À KATNISS, NOSSA GAROTA EM CHAMAS, QUE ESTÁ FICANDO MAIS VELHA HOJE, SEM ELA PANEM AINDA SERIA A MESMA COISA, E COLLINS NÃO TERIA ESCRITO ESSES LIVROS PERFEITOS QUE NOS ENCANTARAM (e deram origem à essa fic) PARABENS CATNIP! :B
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