Clato - Quase vitoriosos

3 Capítulo 3 - "Recebo visitas especiais"


Notas iniciais
Espero que gostem!

Ao entrarmos no edifício de justiça somos levados para um corredor, aonde cada um de nós é levado para uma sala. A sala é bem pequena, mas o teto é muito alto, em todas as paredes tem o simbolo da capital, o do distrito 2 e o de Panem, na sala há somente um sofá de dois lugares, uma poltrona de frente para o sofá, um mesinha de centro com uma bandeija que contem apenas uma jarra com água e uns cinco copos, também tem um abajur enorme com a base toda em madeira esculpida. Coloco um pouco de àgua em um copo e tento beber, mas não consigo, parece que a minha garganta se fecha quando eu tento ingerir alguma coisa, esse é o "efeito colheita" como eu gosto de chamar. Depois de alguns minutos parado, naquela sala, decido me levantar e ir para a sala em que Clove está, mas antes que eu chegue à porta, ela se abre, e quem entra dela realmente me surpreende.
Eu fico lá, parado, em choque com a visão que estou tendo, uma bela mulher de cabelos castanhos presos em uma longa trança e um longo vestido azul acinzentado que cai suavemente no chão, sua pele é bem clara, ela é baixa em relação a mim, mas aparenta ser bem forte. Ela não podia ser quem eu estava pensando, mas suas palavras confirmam minhas suspeitas:

–Qual o problema meu filho? Até parece que você não esperava ver a sua mãe antes dos jogos — Sim, aquela era a minha mãe, Atena, a deusa da sabedoria. Não é muito comum um deus visitar seus filhos, eles costumam a mandar mensagens ou conversam com você através de sonhos. Eu já tinha visto minha mãe várias vezes por sonhos, eu também já conversara com Demeter (deusa das plantas) durante uma missão, e sempre falava com Dionísio, já que o deus do vinho dirigia o acampamento.

–Bem, receber uma visita de uma deusa não é uma coisa muito comum, principalmente quando esta é sua mãe — Eu disse na maior sinceridade.

–Também não é muito comum quando um menino esperto como você, que é totalmente contra os jogos vorazes se voluntariar para ser tributo, mesmo depois de combinar que não iria fazer isso sem ao menos ter um bom motivo — disse ela enquanto senta na poltrona -Sente-se, pelo visto nos temos muito a conversar. -Eu a obedeço e sento no sofá. Eu a conto o motivo de eu me oferecer como tributo e todo o meu plano. Então, depois de avaliar o meu plano, ela diz:

–Cato, é por isso que eu tenho orgulho de ter um filho como você, mas eu ja vou avisando: Eles irão usar os seus sentimentos mais humanos contra você.

–Então você quer que eu seja desumano, mesmo estando nos jogos por causa de um do sentimentos mais humanos que existem? -Pergunto, meio confuso.

–Não, eu quero que você finja que isso não te afeta, que você não tem sentimentos. E se por acaso eles te atingirem emocionalmente, não deixe a loucura te consumir, leve tudo na brincadeira, não tenha dó nem dor. -Diz minha mãe enquanto é puxada por dois pacificadores, então ela tira um anel, de seus dedos longos e finos, e joga para mim.
Eu pego o anel com uma coruja, que é pequeno demais para os meus dedos, tiro o meu colar com algumas contas do acampamento e passo o colar por dentro do anel, de modo que o anel fique pendurado no meu colar.
Fico pensando em tudo que minha mãe me disse, era tão louco, mas ao mesmo tempo tão genial, levar os jogos como um jogo, eu mesmo nunca pensaria nisso.
Minha segunda visita não demora muito pra chegar, um pouco depois da minha mãe sair da sala, meu pai entra, com uma expressão de surpresa.

–Aquela é mesmo quem eu estou pensando? -Disse meu pai, se referindo à minha mãe. Meus pais nunca tiveram uma relação, eles se conheceram durante uma palestra que meu pai deu em uma escola aqui do 2 sobre o treinamento físico e psicológico dos pacificadores. Minha mãe se passava por diretora do curso de segurança. Depois de alguns meses, ela visitou meu pai e me entregou para ele, explicando que era uma deusa, que tinha jurado virginidade eterna, e que seus filhos eram gerados através do pensamento, ela tambem explicou que aos treze anos eu seria levado para o acampamento meio sangue, mas que eu voltaria pro distrito 2, e só iria para o 14 nas ferias de verão, ela tambem manipulou a névoa para que as pessoas acreditassem que meu pai teve uma namorada que morreu quando eu nasci, por mais que os militares com cargos mais altos, não pudessem ter relações amorosas.

–Sim, ela veio aqui me aconselhar em realação aos jogos -Disse eu quase sem voz.
–Sua mãe sempre foi uma genia em relação as estratégias de guerra, ela cria uma estratégia psicológica diferente para cada um, mas antes ela observa cautelosamente todos os fatores.-Disse meu pai com um tom de admiração.

–Você fala como se conecesse ela muito bem, como você sabe tanto sobre ela? — Pergunto.

– Mesmo depois de você nascer nós conversamos varias vezes a trabalho. Mas não foi por isso que eu vim aqui. Eu só passei aqui para lhe desejar boa sorte, e te dizer que mesmo que você seja muito forte e àgil, a sabedoria é o dom mais poderoso que você tem.
Eu abraço o meu pai com um unico desejo: que se eu não voltar ele mantenha a sanidade mental, mas não peço isso pra ele, pois eu me ofereci para participar dos jogos com o objetivo de perder para Clove ganhar, ou seja: Eu não vou voltar, e esse "se" pode ser a falsa esperança que fará com que ele perca a sanidade.
Ele da um beijo na minha testa e vai embora calado, nenhum pacificador para leva-lo para fora da sala, acho que minha mãe passara tempo demais comigo, por isso a retiraram da sala.
Eu deito no sofá e espero a proxima visita, se é que haverá uma proxima visita. Quando penso que não teria uma terceira visita, um homem forte, com o cabelo cortado em estilo militar, uma camisa vermelha, uma calça camuflada, uma jaqueta de couro e óculos de sol pretos. Ele era forte e cheio de cicatrizes, inicialmente eu não o reconheci.

–Cuide bem da minha pequena, garoto, eu sei que você consegue.- Disse o homem, antes que eu pudesse falar qualquer coisa, ele se virou e saiu da sala. Aquele era Ares, o deus da guerra, pai da Clove. Então é isso, ele chega, me manda cuidar da filha dele e vai embora? Sem nem me desejar boa sorte? As vezes os deuses reclamam tanto da ignorância dos humanos que acabam ficando iguala eles.

Eu sou levado da sala, e vou parar em uma grande porta de vidro aonde Clove, Lune e os nossos mentores desse ano, Brutus e Enobaria (vencedores de edições mais antigas dos jogos) junto com Amy e Luke (mentores em treinamento, eles venceram edições mais recentes dos jogos) estão me esperando, para pegar o trêm com destino à Capital.

Notas finais
Gostaram? Não? Sugestões, duvidas, críticas e comentários são aceitos :D