Clato - Quase vitoriosos
18 Capítulo 18 - "Olhos abertos"
Notas iniciais
E graças à minha adorada semana de provas eu não tive tempo de reescrevê-lo.
O capítulo está um pouco confuso, mas como estamos na reta final da fic e terei que confundir um pouquinho a cabeça de vocês para que tudo faça sentido depois.
Muuuuuito obrigada às poucas criaturas pacientes que esperaram esse capítulo sem tentar me matar. Espero que gostem!
LEIAM AS NOTAS FINAIS
Audácia. Fúria. Força. Foco. Tudo isso eu via naquele par de olhos nos quais eu já me perdi várias vezes. Naquele par de olhos que eu havia perdido. Naquele par de olhos que me encaravam, a alguns centímetros do meu rosto. Mas havia algo extremamente errado com eles.
Enquanto piscava os olhos para me adaptar à escuridão, percebi o que havia de tão errado: não havia o brilho de humanidade, o brilho que representava o amor dentro do ódio, a delicadeza dentro da brutalidade.
Aos poucos, meus olhos foram se acostumando com a escuridão, mas não havia tempo a perder. Fui tateando o ar à minha frente pra encontrar a dona daqueles olhos. Até que finalmente encontrei o seu focinho úmido.
Focinho úmido?
–Não vou conseguir segurar por muito tempo, CORRAAAAAAAAAAAA! -Disse aquela voz da minha cabeça, a mesma que pediu pra eu sair da cornucópia.
Uau, depois de passar a vida toda procurando a minha voz interior ela finalmente aparece, nos momentos mais inoportunos. Ou talvez fosse a minha consciência.
"Estou ficando louco", pensei, "Ou mais louco que o normal".
Eu podia ficar o dia ali, deitado na floresta, pensando na definição de sanidade para as outras pessoas, enquanto uma fera com os olhos da Clove bafava na minha cara (não, eu não quis dizer bufava), e minha consciência — Ou voz interior, ou sabe-se-lá-o-que — gritava freneticamente pra eu correr. Mas eu preferi escutar a voz no seu primeiro alerta e correr.
Não sei quanto tempo fiquei apagado, só sei que devo ter ficado muito tempo sem comer, pois eu sentia uma dor muito forte atrás dos olhos, um frio estranhamente incomum pra quando se está correndo, minhas pernas pareciam que iam virar pó a qualquer momento. Não sei porque, mas depois que eu saí correndo, as feras ficaram paradas la atrás por alguns minutos. Eu queria pensar no motivo da vantagem na corrida, também queria entender o que aconteceu durante meu apagão, mas meu cérebro não colaborava, tudo o que ele queria era achar um meio de sobreviver, procurando toda santa palavra que poderia vir a ser uma solução, até que finalmente encontrou uma: cornucópia.
Cornucópia. Não era exatamente uma garantia de que eu sairia com vida da arena, mas uma solução para o problema com as bestas.
Quando estava próximo à clareira onde ficava a cornucópia, tropecei em alguma coisa, uma mochilinha, na qual estava escrito "D2", essa era a dádiva disponível no "Banquete" da cornucópia, Clove provavelmente havia jogado o presente pra cá para que a mochila não a atrapalhasse, e assim pegaria o que setá na bolsa depois. Mas ela não teve essa oportunidade.
Me levantei tão rápidamente quanto caí. Corria desajeitadamente enquanto vasculhava o interior da mochila e — Tã-Daaaan- um dos motivos da morte da Clove foi uma armadura idiota, da qual nem sequer precisavamos. Oh, descupe minha ignorância, não havia só uma armadura, haviam duas! Uma pra mim e outra pra besta feita com os olhos de mais uma pobre coitada do distrito 2 que perdeu a vida durante esses jogos idiotas. Enquanto eu corria, ou melhor, tropeçava, eu vestia a armadura maior.
-Aaah você consegue chegar à final dos jogos mas não consegue correr e vestir uma armadura ao mesmo tempo? -Resmungou a voz da minha cabeça- VOCÊ PODE POR FAVOR CORRER DIREITO? ELES PERCEBERAM QUE TEM ALGO DE ERRADO COM OS BICHOS E ESTÃO VINDO PRA CÁ! QUANDO ELES CHEGAREM, EU NÃO VOU TER COMO SEGURAR ESSAS FERAS E VOCÊ VAI VIRAR JANTAR DE VESTA DA CAPITAL. AGORA VOCÊ PODE ME FAZER O FAVOR DE MEXER ESSAS MALDITAS PERNAS MAIS RÁPIDO?? -Sim, eu omiti alguns palavrões.
Eu corro o mais rápido que pude , ignorando a dor no corpo e a tontura. Uma flecha acerta o meu peito, mas ricocheteia na armadura. Eu olho mas a frente e vejo os tributos do 12 -Aaah, não acredito que esses idiotas chegaram até aqui! Eu adoraria parar e acabar com eles, mas no momento tem um bando de cães-humanóides furiosos correndo atrás de mim, então eu simplesmente passo entre os amantes desafortunados do 12. Os dois ficam confusos com a minha atitude. Eu continuo a correr.
Isso! Finalmente chego a cornucopia. Eu reúno todas as forças que me restam para escalar o grande chifre dourado. Assim que chego ao topo coloco tudo pra fora, e por mais que eu tenha perdido a pouca comida que restava no meu corpo, a dor na cabeça melhora 19372192711%. Quando eu me recupero, percebo que a garota em chamas está escalando a cornucópia, mas cadê o conquistador? Acho que ela percebeu sua ausência na mesma hora que eu, porque nós olhamos simuntaneamente para um pontinho a quinze metros da gente. Quando ela faz menção de descer do chifre ele lhe implora que fique onde está, enquanto corre desajeitadamente dos bestantes. Ela obedece, então escala até o ponto mais alto da cornucópia e atira nos lobos.
O garoto finalmente alcança a cornucópia, e Katniss o ajuda a escalar. Então os bestantes se reúnem ao redor da cornucópia e começam a pular, tentando nos alcançar. Katniss grita.
-O que houve, Katniss? -Pergunta Peeta.
-É ela! -Grita Katniss, aterrorizada.
-Quem? -Pergunta o conquistador, apertando seu braço com força. -O que é, Katniss??
-Todos eles. Os mortos. Os outros tributos.
Eles trocam um olhar preocupado.
Desculpa interromper essa linda troca de olhares, mas tem um carreirista do mal atrás de vocês e criaturas famintas atacando a nossa "base".
Então um dos bestantes consegue agarrar a perna do Peeta. Se não estivesse segurando a mão da garota, ele já estaria no chão, virando comida de bestante. Ele chuta a cabeça do bestante com a perna livre e a garota o puxa para o topo da cornucópia. Essa é a minha chance. Enquanto os dois recuperam o fôlego, eu passo o meu braço pelo seu pescoço, bloqueando sua respiração. Assim que percebe o que está acontecendo, a garota do 12 se prepara pra atirar, então lembra da armadura. Os únicos lugares desprotegidos são meu rosto e minhas mãos, se atirar no meu rosto eu provavelmente vou cair pra trás, levando o conquistador comigo em direção às bestas famintas, as mãos são o defeito do plano, mas tenho certeza de que o pânico vai impedi-la de pensar direito.
-Atire em mim e ele cai junto. -Digo, então começo a rir. Rir da situação que estamos, rir porque eu sou considerado o vilão quando na verdade é tudo culpa da capital, rir porque estamos nessa situação porque nossos antepassados lutaram pelos seus direitos, rir porque tiraram a razão do meu viver e eu estou usando a vida que me resta para fazer o mesmo que fizeram comigo. Lá se vai minha sanidade!
Paro de rir quando sinto algo molhado na minha mão, então vejo o conquistador desenhando um "X" na minha mão -Aaaah não! Você não fez isso– Antes que eu possa pensar em qualquer coisa, a garota atira na minha mão, fazendo com que eu solte o conquistador, que me da uma cotovelada, me derrubando do chifre.
Quando eu caio, cães raivosos da Capital me atacam, e eu tento proteger meu rosto enquanto eu rolo pra longe deles. Depois de uns cinco metros rolando me sinto forte o bastante para me levantar, então começo a correr. Enquanto eu corro/tropeço, pontos luminosos ocupam minha visão, então, por um instante, tudo fica escuro.
E mais uma vez estou na sala de controle, só que desta vez meus braços estão amarrados na parte de trás da cadeira na qual eu estou sentado. Um senhor -Que podia muito bem ser o papai Noel de terno- Entra na sala, não preciso nem falar que é o presidente Snow. Ele chega seu rosto bem perto do meu e sibila:
-Então, você vai me contar o que estava fazendo? — Ele arrasta as palavra, fala como se fosse uma cobra. À pequena distância eu consigo sentir o seu bafo de sangue. -Aaah, você não pode falar? Que conveniente! Já que você não colabora, não tem mais utilidade.
"É o fim! É o fim!" Grita a minha mente. O presidente vira em direção à porta e sai da sala, acompanhado pelos pacificadores. Por um instante eu acredito que aquele não é o fim, então percebo a densa fumaça branca tomando conta do recinto. Quando a fumaça toda a minha pele ela arde em brasas, parecia que eu estava respirando veneno, ou melhor eu estava respirando veneno. Aos poucos, meus olhos iam fechando, minha pele queimando, meus pulmões parando, minha consciência se esvaindo, até que tudo o que eu conseguia pensar era um nome, uma solução, Seneca Crane.
Essa é a parte em que eu volto a ser o Cato, correndo desesperadamente dos bestantes. Eu ainda não me recuperei completamente da visão quando eu tropeço em uma raiz e saio rolando, ladeira à baixo. Aos poucos, tudo vai ficando escuro, e antes que eu percebo eu estou preso na escuridão profunda.
Sem poder me mexer, sem poder questionar, sem poder pensar, apenas com a impressão de havia algo extremamente errado. Eu tentava respirar, mas o ar não entrava nos meus pulmões, espera, eu não tinha pulmões. Não tinha corpo, pra falar a verdade. As únicas coisas que eu sentia eram o nada, e o vazio. Eu comecei a questionar quanto tempo se passou desde que a escuridão me engoliu -Algo que me pareceu alguns segundos, ou uma eternidade (não sei ao certo)- Então eu percebi, eu estava pensando, o que quer dizer que aquele transe havia finalmente acabado. Aos poucos, comecei a sentir a vida em meu corpo, o ar enchendo os meus pulmões, o lençol áspero e o colchonete duro sob os quais eu estava deitado, o cheiro de produtos de limpeza e antissépticos no ar e uma mãozinha gorducha no meu rosto.
Eu tentei formular um pensamento coerente, mas havia tanta coisa na minha cabeça que eu não conseguia me concentrar em uma só.
Aos poucos, fui abrindo os olhos e antes mesmo que eu os abrisse completamente dei de cara com um par de olhos — Aaah não, isso já está virando tradição!– Mas, diferente dos olhos que me encaravam da ultima vez que acordei, era possível enxergar o carinho e a esperança nesses olhos tão azuis quanto o mar do distrito 4.
Parecendo confuso, o dono dos grandes olhos — Um garotinho gorducho de mais ou menos quatro anos, com a pele bronzeada e cachos dourados — Saiu correndo pela porta e gritando:
–Mamãe! Mamãe! O papai acordou! O papai acordou!
E finalmente a minha mente conseguiu formar um pensamento coerente (Ou quase): O que?!?
Notas finais
O próximo capítulo já está quase pronto, só preciso de um incentivo para postar (lê-se: xingar essa autora preguiçosa em todas as redes sociais possíveis)
Então, o que acharam do capítulo? E do desenho? E da capa nova? Opiniões/Críticas/Sugestões/Teorias malucas sobre a fic são super bem-vindos :D
Fale com o autor