Clato - Quase vitoriosos

1 Capítulo 1- "Minha última colheita"


Notas iniciais
Bem essa é a primeira vez que escrevo uma fic e é o primeiro capitulo, então não sei se ficou muito bom, mas espero que gostem!

Eram apenas seis da manhã quando eu acordo com o barulho da porta batendo, em dias normais eu costumo a acordar a essa hora, mas não em um dia como esse, era dia da colheita dos nomes dos tributos para participarem dos jogos vorazes, e por mais que eu tenha treinado toda a minha vida pra participar dos jogos, a ideia de 24 crianças soltas em uma arena aonde devem se matar porque seus antepassados lutaram pelos seus direitos, mei deixam todo arrepiado. Eu tento voltar a dormir, mas a ansiedade não deixa, hoje é a minha ultima colheita, a colheita em que, se eu não for sorteado, eu terei que escolher entre me voluntariar e colocar meus treinamentos em prática para tentar voltar vivo e com mais uma vitoria pro distrito 2, ou simplesmente deixar que aquele que fora sorteado vá para os jogos e usar todo esse treinamento para seguir a carreira que a maioria dos residentes do distrito 2 é predestinada a seguir (aqueles que não participaram nos jogos): a carreira de pacificador.

Eu desço as escadas e encontro meu pai na cozinha, ele insiste na ideia de que eu tenho que comer algo, mas o nervosismo não me deixa comer alto, mas meu pai continua insistindo, então eu resolvo escuta-lo e como o máximo que consigo de salada de frutas, até porque o dia da colheita é um dos poucos dias do ano que meu pai está aqui, geralmente ele está no outro lado do distrito ensinando pacificadores em treinamento, ele é um gênio na arte da guerra, acho que foi por isso que minha mãe gostou dele.

Após a minha tentativa de tomar o café da manhã, vou lavar os dentes e tomar um longo banho quente, durante o banho penso em o que vou fazer hoje: me voluntariar ou deixar outro ir no meu lugar (isso se eu não for sorteado), e percebo que só tem uma pessoa (bem não exatamente pessoa) que pode me aconselhar (na verdade são duas, mas a outra é a minha mãe, e falar com ela é uma tarefa difícil, já que ela exerce uma função muito importante). Saio do banho, e coloco uma roupa que costumo usar, uma calça jeans e uma camiseta de algodão, branca.

Vou direto pra sala e pego um borrifador de água que nós guardamos pra quando precisamos falar com alguém no acampamento. Borrifo um pouco de água próximo à janela. Pego uma moeda de ouro (Na verdade um dracma, moeda de ouro usada na Grécia antiga ) e digo "Oh Íris, deusa do arco-íris aceite a minha oferenda e me mostre Quíron, no acampamento meio-sangue!" Eu me confundo com algumas palavras, mas a deusa parece aceitar minha oferenda, já que eu vejo uma criatura humana da cintura pra cima e um cavalo da cintura pra baixo, depois de alguns segundos a imagem se ajusta e eu tenho certeza, aquele é Quíron (o amigo com o qual eu precisava falar). Quíron é o diretor de atividades do acampamento meio-sangue, um acampamento destinado aos filhos de deuses gregos com mortais, como eu, que sou filho de Atena, deusa da sabedoria. O acampamento fica no distrito 14, distrito responsável pela magia de Panem ( através de pequenas coisas como livros, desenhos, filmes, ou até mesmo tornando os momentos mais simples, em momentos mágicos, botando magia em cada pequeno detalhe de nossas vidas), o distrito 14 é do conhecimento de poucos moradores de Panem, já que este é coberto pela névoa (véu magico que impede que os mortais enxerguem aquilo que a mente deles não pode compreender), eu mesmo não sabia da existência desse distrito, eu só soube quando o meu sátiro, que fingia ser meu professor de "técnicas de segurança" (matéria obrigatória nas escolas do 2), me levou para uma suposta viagem de estudos para o distrito 12, mas quando me dei conta estava saindo de um ônibus escolar no distrito 14.

–Oh Cato não vi você aí -Quíron diz enquanto coloca um lápis na mesa- Então meu rapaz, feliz com seu ultimo dia na colheita?

–Na verdade, foi por isso que eu quis falar com você — Eu digo enquanto puxo uma cadeira pra sentar -Quíron, você acha que eu devo me voluntariar caso meu nome seja sorteado na colheita? Eu estava pensando e acho justo fazer isso, já que eu treinei a minha vida toda pra isso, alem da experiencia em combate que eu adquiri no acampamento meio-sangue, se outro tributo for, ele pode morrer fácil com a falta de preparo.

–Bom, eu acho que você não deveria ir, pois muitos dos semideuses que foram pros jogos não voltaram, se bem que quase todos os vencedores são semideuses, mas nós temos perdido muitos campistas com os jogos, alem disso você é o conselheiro do chalé de Atena e sempre foi contra os jogos, não faria sentido você mesmo se entregar para uma coisa a qual odeia, sua própria mãe odiaria uma coisa dessa a menos que você tivesse um bom motivo. Sem contar que quase todos os jovens no seu distrito são treinados para os jogos, as chances deles tirarem um tributo novo é muito pequena. -Responde Quiron, então eu percebo que ele está certo e apenas digo:

–Humm.. você está certo Quíron, não tinha pensado por esse lado, obrigado pela ajuda!

–Por nada meu rapaz! Caso você seja sorteado, lembre-se de que os deuses estão ao seu lado, também não se esqueça de usar a sabedoria herdada da sua mãe. E que a sorte esteja sempre ao seu lado! -Então a imagem projetada no ar desaparece.

Eu resolvo dar uma volta pela área, pensar na vida que pode acabar em poucos dias, enquanto não chega a hora da colheita, já que hoje não tem escola nem treino.

Após alguns minutos andando, resolvo parar em um parque perto do centro de treinamento, eu sento debaixo de uma arvore enquanto penso na minha vida. Eu lembro de ótimos momentos, como quando cheguei ao acampamento, lembro de todos me mostrando o acampamento e fazendo de tudo para que eu ficasse a vontade, lembro da minha primeira caça à bandeira que também foi a primeira vitória do meu chalé que estava jogando no mesmo time que o chalé de Hermes (deus dos ladrões), o de Deméter (deusa da agricultura) e o de Apolo (deus sol). O meu segundo verão é o que trás mais lembranças: A primeira vez que matei um monstro, a festa surpresa que realizamos para um filho de Dionísio (deus do vinho) que havia completado 35 anos, ah esse sim merece meu respeito, venceu os jogos contra 47 crianças (na edição que ele participou havia o dobro de tributos de cada distrito) e ainda venceu usando os jogos contra eles mesmos! Ele foi penalizado claro, ele me contou que perdeu os pais e a namorada por ter sobrevivido, e mesmo assim ele aguentou todos esses anos, tendo de ser o mentor de pobres tributos do 12 que sempre perdem.

Mas uma lembrança veio várias vezes a minha mente: Uma pequena filha de Ares com cabelos e olhos escuros chegando ao acampamento, a pequena Clove parecia frágil e indefesa, mas era muito ágil e talentosa com tudo que machucasse, eu lembro que pediram pra que eu mostrasse o acampamento pra ela, eu a mostrei o acampamento e fiz de tudo para que ela ficasse menos assustada, aquilo era tudo muito novo pra ela, e era fácil perceber pela sua expressão de pânico. Ainda não sabíamos de quem ela era filha, eu estava torcendo para que ela fosse filha de Atena, seria ótimo ter uma irmã tão legal e do mesmo distrito que eu, mas naquela mesma noite, enquanto eu a levava para um "tour" pelo acampamento eu vi algo sob sua cabeça, era um circulo com um javali e uma lança, tudo em chamas, logo muitos campistas se juntaram para ver a nova campista de Ares. Com um tempo ela se tornou minha melhor amiga, a irmã que eu queria que ela fosse, pois alem do acampamento, Clove treinava comigo, mas estudava em outra escola.

Então escuto meu pai me chamando e percebo que estava perdido em meus pensamentos. Vou pra casa e recuso o almoço, como somente uma coxa de frango, tomo outro banho e coloco minha roupa pra colheita: Uma camisa social branca, uma calça social beje e sapatos sociais marrons.

Vou para a praça onde é realizada a colheita, com um unico desejo: Que a sorte esteja sempre em meu favor!

Notas finais
Gostaram? Não? Alguma sugestão/crítica/comentário/duvida? A review ta aberta! Espero que tenham gostado!