Classic Is Outdated
8 Second Heartbeat
Notas iniciais

Acordei naquela manhã não me sentindo bem comigo mesma e apenas não queria sair da minha cama e nem ver a cara do mundo, até que olho o calendário e vejo que hoje é o dia do show da banda de Josh e ele ficaria muito chateado se eu não fosse prestigiá-los.
Combinei com Josh de vir me buscar em seu carro às oito, portanto, fui me arrumar às sete. Ao me olhar no espelho, quase não me reconheci, mas não pelo o que vestia, mas porque meu olhar e meu jeito estavam diferentes. Estava usando uma blusa vermelha, jeans e um tênis, nada fora do usual, porém, não estava confiante de mim mesma, me sentia terrível e fiquei com medo de que esse sentimento pudesse transparecer para as pessoas, então apenas fingi que estava tudo bem e segui a diante.
Ao entrar no carro, aparentemente ninguém notou como eu estava e realmente queria que alguém o fizesse e demonstrasse que percebem quando alguém não se sente bem, mas ao mesmo tempo só queria permanecer invisível e avançar tudo para poder voltar para casa e dormir.
O local do show era o esperado: cheio de pessoas usando preto, fumando qualquer coisa, bebendo todo tipo de coisa e eu não poderia me sentir mais um peixe fora d’água estando naquele ambiente. Fico pensando se essas pessoas realmente fazem o que fazem porque gostam ou para serem aceitas no grupo que acham que pertencem. Sinceramente, não vejo o sentido de ficar bêbado e alterar seus sentidos apenas para se divertir, quer dizer, a pessoa é tão insegura que não é capaz nem de aproveitar seus amigos sendo ela mesma, sem ingerir nenhuma substância.
Todos que foram com a gente já tinham bebido algumas e, aparentemente, eu era a única sóbria daquele lugar. Sinto um leve arrependimento de ter vindo.
Antes da banda de Josh se apresentar, ele veio falar comigo, pedindo para que eu fique nos bastidores junto com as outras meninas por questões de segurança. Acho que essa é uma das vantagens de ser amiga de quem vai tocar: não precisa virar sardinha no meio daquelas pessoas enlouquecidas.
Josh tinha incorporado sua criança interior ao subir no palco. O jeito como sorria, como tocava contagiava todos na platéia. Pulava para todos os lados e esbanjava a sua paixão pela música ali, como se fosse sua última apresentação. Seus cabelos brilhavam com a luz do local e parecia que aquele momento era para sempre, sem preocupações, sem dever de casa, sem pais, sem nada, só ele e a música.
Ao final da apresentação, ele me envolveu em seus braços e perguntou calmamente naquela agitação toda que estava o que eu tinha achado. No entanto, apenas respondi com um “muito legal”, tentando parecer que estava animada. Estava feliz por Josh.
Enquanto todos estavam sentados assistindo às outras bandas, fui ao bar para pegar um refrigerante. Sentei-me em um dos bancos e aguardei, até que uma menina de cabelos vermelhos senta-se ao meu lado e me fita com seus olhos. Viro-me para checar o que queria e ela me pergunta:
– É a sua primeira vez aqui?
– É sim – respondo.
– Percebi como está se divertindo – diz rindo.
– Pois é, não é um lugar que eu gostaria de frequentar, para ser sincera.
– Eu sei como é. Sou Hariel, a propósito
– Nina.
– Bom, caso você esteja afim de ir para uma livraria, tomar um café, me liga – diz entregando-me um papel com seu número.
– Claro – respondi meio confusa.
Hariel pegou sua bebida e juntou-se à multidão.
Eu não estava acreditando que tinha acabado de ter sido flertada por alguém. Não me importava se tinha sido uma garota, já que isso nunca tinha acontecido comigo e, apesar de toda desconfiança que estava sentindo, uma pessoa, no meio de tantas, conseguiu me notar e fez sentir-me menos mal do que estava.
Hora do anúncio dos vencedores. Todos estavam de mãos dadas, Josh segurava a minha... E, alguns segundos depois, nós estávamos pulando e nos abraçando. A nossa banda ganhou, se é que posso chamá-la assim. Sorrisos nos rostos de cada um. Era a primeira vez que sorria verdadeiramente naquela noite. De repente, sinto os lábios de Josh tocarem os meus e parecia que o mundo ao meu redor tinha congelado, só existia nós dois e aquele momento. Nunca havia beijado alguém até então. Minhas pernas tremiam tanto e meu coração estava tão acelerado que sentia que iria explodir a qualquer momento.
Josh me solta e nos encaramos, sorrindo, por uma fração de segundo até voltarmos à comemoração com o resto do nosso grupo.
Depois de tudo, fomos para casa de Josh comemorar, obviamente com bebidas, porém resolvi que só iria ficar um pouco para meus pais não reclamassem que chegaria muito tarde.
Todos estavam felizes rindo, compartilhando os momentos no palco e Josh quase nunca olhava para mim e eu sentia que estava me evitando. Comecei a pensar que talvez ele estivesse arrependido de ter me beijado, ou só fez aquilo porque estava bêbado. De qualquer forma, eu continuava me sentindo que não pertencia ali e achei que seria melhor se eu saísse de fininho, sem ninguém notar.
Como um Déjà Vu, Donnie estava sentado no chão da calçada, fumando um cigarro. Ignorei-o e atravessei a rua.
– Se sentindo uma merda, né? – gritou do outro lado.
Parei e, quando virei-me, ele já estava quase se aproximando de mim.
– Quer dar uma volta no píer? – convidou-me.
– Não acho que seja uma boa ideia – respondi.
– Bom, acontece que eu não tenho companhia para esta noite e aparentemente você também não, então eu acho que é sim uma boa ideia.
Fale com o autor