Notas iniciais
E aqui estamos no segundo capítulo do final de semana. Eu pretendia publicá-lo ontem de noite, mas minha mão me convenceu a ir numa festa de São João e isso me atrasou, até consegui betar depois que voltei, mas a internet se recusou a me obedecer, mas enfim, aqui está!

Dois dias depois...

Mia se demorou um pouco na cama, olhando pela janela as copas das árvores se mexerem com a brisa. Quando se levantou, Drica estava terminando de se vestir e Lena acabara de sair da sala de banho.

Depois de fazer sua própria higiene, a morena viu Lena tentando pentear seu cabelo em sua penteadeira e Drica deitada na cama lendo um livro da pilha que levara para o quarto. A ruiva estava à alguns dias fazendo o que Marin lhe pedira, lia tantos livros quanto podia em uma velocidade impressionante.

Após se aprontar, a cigana decidiu ajudar a amiga que ainda brigava para desfazer os nós em seus cabelos. Já havia quase se tornado um hábito pentearem o cabelo umas das outras, então Mia naturalmente pegou o pente das mãos da outra e continuou de onde ela havia parado.

Achava aquilo relaxante e a ajudava a pensar. Desenbaraçando os fios cor de mel, a garota se pegou pensando novamente na previsão dos Videntes e em Caleb. Não parecia fazer diferença em seu futuro descobrir ou não se gostava do amigo, só a daria mais um motivo para não querer morrer, então se forçou a mudar o foco de seus pensamento.

Com o cabelo de Lena penteado, Mia cuidou do seu, mas a outra ainda estava entretida na frente do espelho.

– O que foi? — perguntou a morena colocando seu lenço na cabeça e puxando a parte da frente de seu cabelo para o tecido vermelho ficar na frente da cabeça.

– Eu queria tentar algo novo com meu cabelo, mas não saio do mesmo. — disse Lena. — Grampo do lado direito da cabeça, não sei o que fazer. — Mia viu Drica revirar os olhos e deu uma leve risada.

– Aqui, eu ajudo. — disse pegando o pente de novo e o grampo dourado também antes de partir os cabelos da amiga no meio. — Se não consegue sair do mesmo... — puxou quase todo o cabelo para o lado direito, cobrindo parte do rosto de Lena, antes de pegar a primeira mecha, puxá-la para cima da orelha e prendê-la com o grampo. — É só reinventar a roda.

– Isso ficou ótimo! — exclamou se levantando. — Como consegue ser tão boa nisso?

– Cabelo grande. — apontou para a própria cabeça. — É preciso saber algumas coisas. — Lena sorriu e voltou a olhar para seu reflexo. Ela era realmente linda e adorável. Qualquer um seria incapaz de não gostar dela e... Não, pensou Mia balançando a cabeça. Não pense nisso, não pense em nada relacionado à isso. Você tem coisas mais importantes pra fazer.

Depois do café-da-manhã, Li dirigiu-se para a biblioteca enquanto os outros foram para a sala de aula. Como Derek estava atrasado em comparação aos outros, as primeiras horas eram dedicadas à ele, de modo que o restante somente ficavam sentados nas almofadas enquanto os mestres se concentravam no mais novo.

– Muito bem, Derek. — disse Marin, fazendo uma espécie de teste teórico com o garoto. — Agora, me diga o que é aura.

– Aura... — pronunciou lentamente reunindo seus conhecimentos. — É uma das três partes do espírito, é a em que a magia está e por isso só existe nos serem mágicos e em humanos capazes de usar magia. — Seth deu um sorriso observando seu aprendiz.

– E é possível ver a aura de alguém?

– Er... Sim, se for usada um feitiço pra isso, mas naturalmente não, embora um boato diga que é possível ver a aura de alguém brilhar quando a pessoa morre. — a mestra cruzou os braços, não se mostrando impressionada, embora estivesse um pouco.

– E do que mais é composto o espírito?

– Além da aura também tem... A mente, que é onde estão nossos pensamentos e nossa personalidade. E a alma, que é... Basicamente a nossa essência, o que preenche nosso corpo com vida.

– Bom. — elogiou a mestra com um sorriso torto. — Agora, Fox? — a mulher de cabelos opacos se levantou do canto da parede onde estava sentada e ficou de pé na frente dos aprendizes.

– Bem, — disse Seth pigarreando ficando ao lado da descalça. — Como vocês sabem, a Fox é uma quimera, mas talvez não saibam o que isso significa, então por favor... — finalizou passando a palavra para ela.

– Hm... — pensou Fox por um segundo. — Quimera é uma pessoa que... — olhou para baixo examinando seu dedão do pé. — Pode se transformar em qualquer animal, ou mesmo misturar a aparência de um com o outro, mais ou menos como o Hunter faz. — apontou para o garoto sem deixar de olhar para seu pé. — E os animais que viramos são maiores, mais fortes do que os normais. E... É isso. — Derek levantou o braço fazendo a mulher olhá-lo. — Fala.

– Como é que vocês surgiram?

– Hm... Não se sabe direito quando ou mesmo quem nos criou, mas foi antes de Solaris e Lune aparecerem, na época do auge dos demônios. E... Sabe como as pessoas cruzam raças de cães ou cavalos pra conseguir as características que querem? Foi algo assim conosco. Misturaram, misturaram, jogaram um pouco de magia e... Voialá! — terminou abrindo os braços. — Criaram os primeiros de nós, que tiveram filhos e assim por diante.

– Qual é a desses cigarros que você fuma? — perguntou Drica.

– A dos cigarros... — sentou-se no chão, de pernas cruzadas. — É pra me manter sob controle.

– Como assim?

– Sabe... Quimeras podem ser... Convocadas por pessoas que usam magia negra, é como uma doença genética. Uma atração que não podemos evitar, e como vocês sabem, demônios de nível 6 também podem nos chamar. Somos como cachorrinhos pra esses caras, então os cigarros e incensos me ajudam com isso, são meu remédio. Evitam que eu ouça os chamados, mas afetam meu poderes, não posso usá-los com força total.

– E como qualquer ser maligno daria um braço pra se apoderar do tesouro que é a Fox, — acrescentou Seth. — ela recebe muitos chamados por dia, por isso ela fuma muito.

– E por que você come as bitucas? — indagou Caleb para Fox.

– Pra não desperdiçar. — esclareceu ela. — Jogar as bitucas fora seria como jogar fora mais algumas horas de auto-controle. Por isso também respiro a fumaça.

– E por que não está fumando agora?

– Acabram. — ela suspirou. — Estou esperando sua mestra fazer mais. Ainda estou sob controle, mas... Logo vou voltar a ouvir as vozes. — ficaram todos alguns segundos em silêncio antes de Lena se pronunciar.

– Hm... Tesouro? — a mulher riu com a pergunta.

– O mestre G me dá muito crédito. — falou com um sorriso. — Quimeras vivem bastante então... Eu já vi muita coisa e fiz muitas outras. Sou tipo... Uma celebridade entre as quimeras, uma espécie lutadora.

– E a lutadora pode ficar tranquila. — intrometeu-se Marin. — É hora dos treinos de luta, então os garotos vão poder ficar sozinhos pelo resto do dia, enquanto eu e Seth vamos fazer seu remedinho. — Fox inclinou a cabeça em agradecimento. — Agora, vão para sala de combate. E quando eu voltar espero que estejam todos suados.

Dito isso, ela e Seth foram para o laboratório enquanto os alunos foram para a sala de combate. Quando os mestres chegaram ao seu destino, Seth ficou na frente da bancada enquanto Marin foi para os armários.

– Então finalmente vou saber sua receita magnífica de controle de quimeras? — disse ele a observando ir até ele com frascos enormes e colocá-los na bancada.

–Sim. Agora seja um bom menino e pegue aquele pilão pra mim. — disse apontando para um canto da sala onde estava um grande pilão, que Seth teve que segurar com os dois braços. — Obrigada.

Como se o amigo não estivesse ali, Marin arrastou o pilão para si e depois voltou para os armários procurando o último ingrediente.

– Erva nema... — disse o mestre da Classe Giebra olhando os frascos. — Raízes de mo, suco de ambrosia e essência de hima. Nossa, é uma surpresa que a Fox ainda consiga ouvir seus próprios pensamentos.

– Ainda tem meu ingrediente secreto. — falou voltando com um pote grande com fios dourados.

– O que é isso? — com a pergunta, ela destampou o frasco, e foi possível ver que na tampa havia um gancho com três fios amarelos e brilhantes amarrados. Eram esses três que tinham crescido ao ponto de preencher todo o recipiente que tinha o tamanho de duas cabeças. — Isso...É cabelo de elfo?! — a mulher assentiu. — Como conseguiu isso?

– No nosso último encontro com eles depois da diplomacia eles me deixaram ficar com esses fios. — levantando mais a tampa ela cortou os fios, de modo que só ficaram com poucos centímetros. Jogou os cabelos em uma tábua e empurrou para Seth. — Agora corte eles junto com com as raízes. — soprou o gancho onde os fios estavam presos e estes brilharam. — Pronto, estarão tão grandes quanto antes em uma semana.

– Você é doida. — falou o moreno pegando uma faca e começando a realizar a tarefa da qual fora encarregado. Marin derramou o suco e a essência totalmente dentro do pilão antes de jogar as ervas e começar a moer. — Vai usar tudo?!

– Sim, tenho que fazer quantos puder e logo. Sem falar nos incensos, que são melhores para ela porque as usbtâncias ficam impregnadas na pele. Depois Li pode comprar mais, agora corte logo essas coisas por favor.

– Quando você pede desse modo adorável é impossível dizer não. — e voltou a cortar aquilo tudo.

Alguns minutos depois, ele jogou o que tinha cortado no pilão e a mulher voltou a moer e a mexer até formar uma pasta grossa que jogou na bancada. Como se fosse uma massa de pão eles massagearam e bateram a substância. Marin pediu para que ele pegasse palitos de madeira e fizesse os incensos enquanto ela fazia os cigarros e quando terminaram colocaram tudo em alguns pacotes de papel.

– Por que esse sorriso bobo? — perguntou a mulher quando terminaram o trabalho.

– Faz tempo que não fazemos algo assim juntos.

– Sim... — disse desconfiada.

– Não faz você se lembrar de quando...

– Seth, por favor.

– Mas...

– NÃO! — berrou fechando os olhos e suspirou. — Olha... É melhor não falarmos sobre isso. — disse pegando os pacotes e os levando até Fox, deixando o homen com um olhar confuso.

~*~

Seth estava na biblioteca sentado em uma grande mesa com mapas, livros e cartas espalhados. Ele escrevia em uma folha ao mesmo tempo em que mexia com o compasso em um dos mapas. Releu uma das cartas e fez mais algumas anotações.

– Senhor. — levantando seu olhos, ele viu Li, com um bolo de cartas na mão que ela depositou no centro da mesa.

O mestre murmurou um agradecimento com um lápis entre seus dentes e com uma mesura, a estrela foi para a própria mesa. A dela estava repleta de papéis e livros sobre línguas além do que fora trazido do Templo dos Astros.
Drica também tinha um móvel para trabalhar assim como os outros dois, mas o desta tinha somente livros empilhados e abertos, que ela lia e folheava compulsivamente.

Algumas horas se passaram enquanto os três desempenhavam suas funções até que o mestre da Classe Giebra levou um susto quando a aprendiz ruiva bateu com um grosso livro verde em sua mesa.

– EU JÁ SEI! — berrou a garota, ao passo que Li fez um sonoro "shhh".

– Sabe o que? — perguntou Seth com a mão no peito, se recuperando da surpresa.

– O tal ser que os Videntes falaram, eu já sei quem é!

– Aqui, sente. — disse o homem levantando-se e puxando seus papéis para o lado para que a ruiva lhe mostrasse sua descoberta.

– Olha. — ela abriu o livro mais ou menos no começo e leu o que havia ali. — "Muitos seres mágicos habitaram as terras de Astra no passado, dos quais poucos permaneceram em sua terra natal. Criaturas tão poderosas que sozinhas poderiam destruir uma cidade por completo. A maior parte juntou-se aos elfos nas Ilhas Douradas, mas relatos de viajantes levam a crer que uma dessas pérolas da mãe natureza ainda vive nessas terras, isolado em seu pequeno território.

"Leto, como é conhecido o grande felino das terras do sul, ainda deve habitar seu lar e mantê-lo seguro de invasores. Com um grande poder, ele pode reunir um exército para lutar a seu favor e derrotar qualquer ameaça.

"Em tempos mais antigos era consultado por Guerreiros e qualquer um que necessitasse de sua ajuda. Sábio e complacente, nunca agrediu aqueles que o procuraram em busca de auxílio. Um ser belo, poderosoe quase imortal, admirado por todos que conhecem seu nome e sua história."

A garota sorriu para o mestre, que olhava pensativo para o vazio. Tudo se encaixava e parecia fazer sentido, teria que ser alguém próximo, mas criaturas poderosas abandonaram Astra há séculos. Claro que ele sabia quem era Leto, porém não sabia se ele ainda habitava realmente aquelas terras.

– Vá para o escritório da Marin e leve esse livro junto, encontramos você lá em um minuto. — disse o homem e saiu correndo da biblioteca.

Achou Marin em seu quarto com diversos vestidos jogados pela cama, sem dar muitas informações eles foram a procura de Osíris e Fox, que estavam no quarto desta e depois para o escritório.
Seth pediu para Drica ler o trecho novamente e a mesma feição que tinha assumido o rosto dele assumiu o de Marin.

– Faz sentido, mas... — disse ela sentada em sua cadeira. — Não temos como garantir que Leto ainda esteja lá.

– Acredite, ele está. — disse Osíris examinando suas garras da pata esquerda.

– Como pode saber disso? — perguntou Drica.

– Porque sou um de seus servos mais importantes, menina tola.

– Como é?! — exclamou Seth.

– E quando pretendia nos contar isso? — perguntou Marin, com os olhos violeta.

– Quando fosse preciso. — esclareceu o gato lambendo sua pata e depois esfregando em sua cara triangular.

– Que ótimo, quantos outros segredos você tem?

– Não muitos, para ser bem sincero.

– Tudo bem. — disse a mestra respirando calmamente, tentando se acalmar. — Pode nos levar até ele?

– É claro. — respondeu pulando na escrivaninha de madeira. — Mas só um poderá vir comigo. Não vai ser um jornada fácil, — balançou sua cauda como se fosse um chicote. — seus Noctem gostam de vigiá-lo, não querem que interfira.

– Marin, — chamou Seth . — não podemos mandar os jovens ou mesmo ir, nossa prioridade é terminar o treinamento deles.

– Hm... — a mulher de cabelos brancos pensou. — Fox?

– Sim? — disse a outra, que ainda não havia se pronunciado, com visível tédio.

– Você poderia ir com ele? — de repente todos os olhares se concentraram em Fox, e ela não gostou nem um pouco.

– É claro, não aguento mais ficar presa aqui. — disse ela. — E meu amigo que trouxe o violoncelo pode nos dar uma carona até uma parte do caminho.

– Perfeito. — falou visivelmente satisfeita. — Agora gatinho, — o felino branco deu um leve rosnado, não gostando nem um pouco do modo como fora chamado. — aponte nesse mapa onde o seu mestre está, temos que pelo menos saber onde vocês estão indo caso precisemos mandar ajuda. — e estendeu um mapa amarelado na mesa, o gato pisou no ponto mais ao sul do mapa. — Fica perto de Vega... A última cidade nessa direção.

– Pois bem, vocês dois se aprontem e Drica, você foi de grande ajuda. — agradeceu Seth à ruiva. — Vá com os outros jantar, nós vamos aprontar tudo para a viagem desses dois, amanhã cedo eles devem partir.

– Amanhã? — perguntou a garota.

– Assim como quando tivemos o problema com o Fluxo, não temos tempo a perder, agora pode ir.

Drica fez uma mesura antes de sair da sala, e quando o fez, correu para seu quarto ansiosa para falar com as outras sobre o que tinha descoberto.

Notas finais
E por hoje é isso meus caros, até semana que vem! COMENTEM PLEASE! Se tiver algum leitor fantasma principalmente!