Classe dos Guerreiros - Ascensão da Noite
9 Lembranças e Descobertas
Notas iniciais
Os seis Guerreiros havia se dividido em dois grupos de três para não chamar atenção. Caleb estava com Drica e Lena cerca de dez minutos de caminhada à frente de Mia, Hunter e Derek.
A estrada que usavam estava deserta, e isso incomodava Hunter. Sentia-se mais seguro ao ouvir os sons de animais, mas o som mais alto que ouvia eram as folhas secas sendo esmagadas por seus pés e dos companheiros.
– Está pesado? – perguntou Mia para Derek, se referindo a grande mochila que ele carregava assim como os outros. O mais novo fez que não com a cabeça. – Então por que essa cara?
– Não acho que essa missão seja muito segura. – respondeu o garoto puxando mais o capuz da capa que cobria o seu rosto, assim como o de todos os outros. – Esses caras mataram a Melanie, e ela era...
– Incrível. – completou Hunter olhando para o chão.
– É. Então... O que pode acontecer conosco?
– Olha, sei que parece que nós não estamos fazendo algo inteligente. – continuou a morena. – Mas não é como se fôssemos escancarar a porta deles e começar uma luta, é uma missão de reconhecimento. Vamos voltar antes que perceba, tá?
– Eu não sou criança Mia, não precisa falar comigo assim. – disse Derek entre dentes.
– ... Desculpe.
– E por que os mestres não vieram com a gente?
– Por causa do baile. – disse Hunter. – É uma ocasião importante.
– Então estamos sozinhos porque eles querem dançar?!
– Estamos sozinhos porque eles precisam se encontrar com os ministros e o Rei. Pelo que sabemos, os Noctem podem muito bem estender o desejo de vingança para as pessoas normais, eles precisam comunicar Theodore e Ofélia sobre tudo.
– Além de ser bom para eles relaxarem. – complementou Mia. – Se continuarem com esse nível de estresse vão acabar explodindo.
Derek continuou com a cara fechada até o Sol começar a se pôr, nenhum dos três falou mais uma palavra e o silêncio reinou novamente. Até que em dado momento, Hunter deu um passos hesitante e se agachou, como se estivesse amarrando seus cadarços.
– O que foi? – perguntou Derek sem entender.
– Você ouviu também né Mia? – disse Hunter para a outra, ainda mantendo seu teatro.
– Ouvi. – disse ela tentando olhar para os lados do modo mais discreto possível.
– O que vocês ouviram? – insistiu o mais novo.
– Estamos sendo seguidos. – respondeu a cigana em um sussurro, enquanto voltavam a andar. — Temos que chegar aos outros.
– Concordo. – respondeu Hunter.
Alguns segundos depois, Mia tombou para frente como se tivesse desmaiado. Derek e Hunter colocaram os braços dela ao redor de seus pescoços e correram como se procurassem ajuda, a garota com os pés flácidos arrastando no chão.
– Ali! – disse Hunter quando avistaram os companheiros. – Chame eles Derek, precisamos nos reunir agora! – e agachou-se no chão sentando Mia, como se a estivesse examinando. Derek correu rapidamente até os companheiros, achando melhor não se teletransportar.
– Mia! – gritou Lena aflita ficando de joelhos ao chegar perto da amiga. – Está tudo bem?
– Shiu! – fez a morena e com um sinal de cabeça sinalizou para que se aproximassem.
– Aconteceu alguma coisa? – perguntou Caleb passando as mãos pelo rosto de Mia preocupado.
– Eu estou bem. – murmurou ela. – Tem alguém nos seguindo. – todos permaneceram em silêncio fazendo parte d pequeno fingimento. – Atrás de mim... Há minha esquerda... – disse ela pondo uma mão no chão, sem parar de se apoiar no braço de Hunter. – Atrás de uma árvore...
– Qual delas? – perguntou Drica empunhando seu machado e com um toque na lâmina, Lena a fez dobrar de tamanho. – Me dê algum detalhe... – pediu a ruiva examinando tudo atrás de Mia.
– Atrás da... – a morena fechou os olhos um segundo. – Macieira.
– Já vi. – avisou a ruiva, que rapidamente lançou seu machado na árvore que a outra sinalizara, e puderam ouvir um gemido de dor quando o machado se fincou na madeira, mas sua lâmina tinha evidentemente pego quem estava do outro lado. – Isso! – todos correram na direção da macieira, e o que havia ali era um Nox que parecia estar abraçando a árvore, mas na verdade, o machado de Drica estava fincado em sua armadura e ele não conseguia se soltar. – Olá! – falou Drica dando um forte soco na lateral do rosto do cavaleiro, que o fez desmaiar.
~*~
– Tudo bem? – perguntou Seth entrando no quarto de Marin, onde ela estava sentada na cama com um olhar distante.
–Por que não estaria?
– Não sei. – respondeu ele dando de ombros e sentando-se ao lado dela. – Os aprendizes partiram ontem, amanhã é o baile... Sei lá, tem algo preocupando você?
– Graduados, não são mais aprendizes. – disse ela tristemente. – Acho que eles podem se sair bem... E amanhã vai ser bom, vou poder rever Chris, Camile, Alisha e Emma depois de o pai deles os ter proibido de ter aulas comigo por mais importantes que fossem.
– Marin... A família real tem um histórico ruim com lobisomens, e nós os protegemos... Não culpe um pai por querer os filhos seguros.
– Claro... Para o príncipe e as princesas aprenderem sobre magia e seres mágicos com uma professora que tem óculos fundo de garrafa e sequer sabe manipular uma orbe? Além do mais, até os garotos sentiram a falta deles depois que pararam de vir aos sábados.
– Pense que você vai poder vê-los de novo desde o baile que foi dado para os graduados depois que os recrutamos. – tentou ele com um sorriso.
– Nossa... – ela levou as mãos ao rosto. – Que ideia idiota foi aquela de dar o baile só um ano depois da iniciação? Eles sequer saíram das suas cadeiras! Sinceramente era melhor na nossa época, quando fizeram perto da graduação.
– É... – ele pareceu querer dizer algo, mas se conteve. – Ah! Theodore ampliou o uso da magia no reino nesses últimos anos, isso você não pode negar. Viu? Ele não é tão mal. Sinceramente vocês dois se parecem muito, deveriam ser melhores amigos.
– Primeiro, não me compare com aquele ser desprezível. E ampliou o uso da magia? Ele só fez o que deveria ter sido feito há tempos, colocar orbes elétricas no lugar de interruptores e desistir daquela ideia de usar moinhos. As carruagens automáticas iriam ser usadas em grande escala de qualquer modo, só precisam de orbes elétricas também, mas a maior genialidade dele foi quando descobriu que existem mais orbes específicas além da elétrica e decidiu usá-las em pistolas. Eu deveria achar isso bom?
– Pelo menos as pessoas não estão mais com tanto medo de magia.
– Não importa o que diga. – falou Marin ficando de pé. – Só quero conseguir uma reunião com ele e os ministros para falar sobre os Noctem e alertá-los, nada mais.
~*~
Quando o Nox que os graduados acharam acordou, estava amarrado a uma árvore na frente de uma clareira. As cordas tinham sido enfeitiçadas senão teria conseguido se soltar logo. Os seis Guerreiros estavam na sua frente e o encaravam.
– Vamos ver esse rostinho lindo. – disse Hunter tirando o capacete do cavaleiro. – Cara... Você é um demônio? – no rosto pálido e de olhos vermelhos do rapaz loiro abriu-se um sorriso cínico.
– Surpresa. – declarou a criatura.
– Então é por isso que os demônios sumiram. – falou Caleb chegando mais perto do prisioneiro. – Eles são os Noctem.
– Tem que ser um engano. – disse Derek. – Eu vi esses caras lutando, eles não cuspiam fogo ou mudavam de forma.
– Algumas habilidades podem se tornar outras, pequeno aprendiz. – disse o Noctem.
– Você parece bem disposto a nos dar respostas né? – aproximou-se Drica e segurou o demônio pelo pescoço. – Então vai falando.
– Eu sou apenas um batedor, — riu o loiro. – um soldado ainda sem muito treinamento e conhecimento. Não tenho nenhuma informação valiosa para vocês.
– Mas pode nos dar algo útil com certeza.
– Não arrancará nada de mim. – e assumiu uma postura séria.
– Se você insiste, vai ser do jeito difícil. – ameaçou a ruiva. – Caleb, posso? – o moreno fez um sinal afirmativo com a cabeça, e a garota atingiu o demônio com um forte soco no nariz. – Pode ir falando. – o rapaz continuou sereno apesar de uma substância escura escorrer de seu nariz.
– Isso ai não vai funcionar. – disse Lena depois de mais alguns socos atingirem o demônio. – Melhor tentar outra coisa.
– Já sei. – declarou Caleb. – Mia, você acha que consegue fazer um raio cair no nosso colega?
– Raio? – perguntou o prisioneiro.
– Posso tentar. – respondeu a cigana. – Mas é melhor se afastarem. –Mia pegou um cantil em sua mochila que estava a alguns metros dali. – Faz um tempo que não faço isso... – e com alguns movimentos de seus dedos, a água ali dentro começou a evaporar e formar uma pequena nuvem, que conforme aumentava de volume, ficava mais escura. A morena fez a pequena e cinza nuvem flutuar até ficar acima do demônio. – Odeio ter que trabalhar com essa coisa de cargas. – declarou enquanto fazia algumas caretas e a nuvem trovejava e fazia chover em cima do loiro. Em poucos segundos ela começou a lançar raios, os quais a maioria caiu em cima do rapaz, mas apesar dos choques, continuou impassível.
– Esquece. – disse Caleb chegando perto da amiga. – Ele não vai falar. Pode exorcizar, precisamos continuar. – com um aceno, Mia fez a nuvem desaparecer e aproximou a mão do rapaz, que finalmente pareceu sentir medo.
– NÃO! POR FAVOR, NÃO FAÇA ISSO, EU PEÇO CLEMÊNCIA!- gritou o demônio, fazendo a mão de Mia parar e todos os outros o encararem.
– Qual o problema? – perguntou a cigana, mais por curiosidade.
– Se você fizer isso... — falou devagar o prisioneiro. — Eu vou embora desse mundo e eles não vão me dar o que prometeram! – a morena olhou para os amigos e tornou-se evidente que eles queriam que ela continuasse o interrogatório.
– Eles quem? – indagou finalmente pondo a mão em sua testa, o que o fez respirar cada vez mais rápido, entrando em pânico.
– Os líderes! Eu nunca os vi, mas nossos superiores transmitiam os recados deles, diziam que se servíssemos e conseguíssemos vitória eles nos tornariam humanos!
– Espera! – interrompeu Derek antes de Mia continuar. – Melanie matou muitos de vocês, mas demônios não podem ser mortos.
– É um dos efeitos das poções! – respondeu o demônio fechando os olhos como se temesse ser exorcizado a qualquer minuto. – Nos torna mortais, mas quando o corpo morre nossas almas voltam para onde somos criados e nos colocam no corpo de um morto para voltarmos!
– Continue. – disse Caleb quando todos estavam ao redor do prisioneiro. – Fale tudo o que sabe.
– Nos criam e treinam para lutar. – começou a falar sem parar. – Nos alimentam sempre para subirmos rápido de nível. Nos dão poções que fortalecem algumas habilidades e outras são suprimidas. Somente nossos superiores entram em contato com os líderes, nenhum de nós nunca os viu, só sabemos que não são como nós, mas eles prometeram nos tornar humanos e é só isso que queremos... Retomar nossas vidas, nada demais! Nossas ordens são a de obedecer sem pestanejar, matar Guerreiros e qualquer um que descubra o que acontece quando chegamos ao nível das almas! Mas eu não sei o que é, só absorvi uma alma, por favor, é só o que eu sei... Me deram ordens de vigiar vocês e foi só!
– Então foram vocês quem mataram Allen... Ele descobriu o que acontece e vocês o devoraram. – deduziu Caleb.
– Allen...? Esse... É o nome do Capitão...
– Não brinque com isso demônio. – disse Mia rispidamente apertando a cabeça do loiro.
– É VERDADE, EU JURO!
– Então Allen não morreu em combate. – disse Lena. – Ele virou um demônio! Por isso conseguiram entrar na Casa Principal naquele dia!
– Eles têm uma enciclopédia sobre nós. – disse Hunter.
– Mais alguma coisa? – perguntou Caleb para o demônio.
– É só o que eu sei... – respondeu o rapaz chorando.
– Tudo bem, pelo menos estamos no caminho certo. Mia, nós vamos montar o acampamento, você pode terminar isso ai.
– Ok. – disse a cigana.
– Não, ESPERE! –suplicou o demônio.
– Desculpe, mas é o que precisa ser feito. Bu kelimelerin sayesinde geri yeraltı sizi sipariş. – pronunciou a garota em meio aos gritos chorosos do loiro.
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