Classe dos Guerreiros - Ascensão da Noite
18 Succubus
Notas iniciais
Mia fitou seus amigos com os incomuns olhos de ouro, todos estavam pasmos. Lágrimas escorriam dos olhos de Lena e os outros três Guerreiros estavam completamente sem reação. Até que enfim, a cigana deu um grande sorriso, exibindo os dentes brancos e afiados, e abriu os braços, como se os chamasse para um caloroso abraço.
Lena imediatamente correu e se jogou nos braços da outra com toda a força, chorando. Hunter estava paralisado, estava vendo Mia, mas ao mesmo tempo não parecia ela. Drica sentia uma energia estranha vindo da morena, não era uma ilusão, nem algum tipo de clone, mas como era possível? Caleb era o que se sentia mais estranho. Sua melhor amiga estava ali, viva, e ele somente sentia vontade de fugir daquele lugar.
As impressões dos três se concretizaram quando em um rápido movimento, Mia passou um braço pelo pescoço de Lena, e com a outra mão, pressionou a veia no pescoço desta com suas garras afiadas. Os Guerreiros subitamente saíram do transe em que estavam.
— M-mia...? – gaguejou dificilmente Lena.
— Calada. – disse a cigana, mas não era mais a sua voz, era um voz incrivelmente macia e sedutora, não parecia natural. A garota encarou os três que estavam a poucos passos de distância.
— N-não faça nada, por favor. – pediu Caleb. – Não a machuque. – como resposta recebeu apenas um olhar sério. – Larguem os papéis... Joguem no chão. – ordenou e foi prontamente obedecido por Hunter e Drica, mas a outra não se moveu. Lágrimas escorriam mais ainda do rosto de Lena, estava confusa e apavorada.
— O que você quer afinal? – berrou Drica. – Deixe ela ir. – um sorriso cruel surgiu no rosto da garota de couro. – QUE DROGA MIA, O QUE DEU EM VOCÊ? O QU VOCÊ QUER?
— Mia... – ela pronunciou o próprio nome como se quisesse saboreá-lo. – Está morta há muito tempo. Mas se quiserem me chamar de algo, podem me chamar de Irma. – apertou mais as unhas no pescoço da prisioneira, que gemeu de medo. – E o que eu quero... Bem... Quero vocês mortos.
E num rápido movimento, rasgou com as unhas o pescoço de Lena, o sangue jorrou enquanto a garota deu um grito sufocado enquanto engasgava com o próprio sangue, em menos de alguns segundos, seu corpo pendia nos braços de Irma. Seu colar de corvo fazia parte da mancha de sangue que agora era o seu tronco.
Drica havia surtado e tentado avançar na inimiga no segundo em que viu sangue, Caleb e Hunter tiveram que jogá-la no chão para contê-la enquanto ela berrava chamando atenção para o ocorrido. Trabalhadores corriam para todos os lados, assustados, sem saber o que acontecia.
Enquanto segurava os braços de Drica, Caleb parou quando viu o que Irma estava fazendo. Ela havia mordido o próprio pulso, o fazendo sangrar, e depois o esfregou onde havia aberto o pescoço de Lena, misturando o sangue das duas. Segundos depois, Lena ficou de pé, estalou o pescoço enquanto este se curava. Seu cabelo ficou mais liso e escuro, os lábios vermelhos, dentes e unhas afiados, e os olhos também amarelos, mas alguns tons mais claros que os de Irma.
Agora, as duas sorriam cruelmente para os Guerreiros.
— Corram. – disse Caleb pondo Drica de pé e começando a correr.
Os três pulavam os caixotes e flutuadores enquanto corriam, Hunter tocava o apito de Luna quando as duas perseguidoras se aproximavam. Elas não pareciam cansadas, mesmo que tenham corrido vários metros. Os Guerreiros se reuniram alguns passos a frente, teriam realmente que lutar, mas enquanto faziam surgir em suas mãos esferas de energia, Irma lançou para cima uma orbe, que emitiu um onda de energia e caiu no chão. As esferas de energia haviam desaparecido das mãos dos três.
— O que aconteceu? – perguntou Hunter.
— Ela bloqueou nossa magia... – esclareceu Drica quando ouviram o rugido de Luna se aproximando. – Estamos indefesos...
— Vão! – disse Caleb os empurrando. – VÃO, VÃO! — e moveu os braços sinalizando para que Luna fosse mais para longe e não pousasse. A dragão obedeceu, e um pouco afastado dali ela soltou a escada de corda, mantendo-se no ar.
As duas pareciam se divertir correndo como se deslizassem pelo chão, perseguindo suas presas indefesas. Hunter foi o primeiro a alcançar a escada, depois Drica e então Caleb, sem esperar nenhum sinal, Luna começou a subir, mas Irma e sua nova companheira chegaram à escada também, e tentavam puxar os pés de Caleb para fazê-lo cair.
Luna rugiu e gritou, voando em círculos e fazendo todo tipo de movimento para tentar fazer as inimigas caírem, em vão. Ao olhar para baixo, Hunter viu que elas já seguravam seu líder pelos joelhos, iriam leva-lo. Tendo uma ideia, ele olhou para Drica, que fez um sinal negativo com a cabeça, mas ele a ignorou.
— VAI LUNA! – gritou Hunter, prendendo sua lança na sela e se jogando da escada de costas, enquanto o dragão subia ao céu. Quando pulou, atingiu as inimigas com os braços, as levando junto com ele para o chão.
Sua última visão foi de seus amigos gritando por ele enquanto Luna subia, e ele caía cada vez mais rápido enquanto as garotas mordiam seu corpo, fazendo-o sangrar. Mas somente morreu quando seu corpo acertou o chão e as duas pousaram suavemente. Irma encarou o corpo quebrado de Hunter enquanto Lena mordia seu próprio pulso, e fez pingar o sangue no rosto sem vida do Guerreiro.
O corpo de Hunter estalou enquanto os ossos voltavam ao lugar e ele passava pela mesma transformação que elas. Mas seus olhos eram apenas amarelos, não cintilavam como os de Lena, nem pareciam de ouro como os de Irma. Ele ficou de pé em um salto e olhou para as duas colegas.
Irma fez um sinal para os dois a seguissem, e voltou na direção do navio.
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