Classe dos Guerreiros - A Sexta Geração
7 Treinamento
Notas iniciais
– Amanhã o treinamento de vocês realmente começa, — disse Seth, prendendo a atenção dos pequenos. – Mas a primeira aula será agora. – e se dirigiu para frente da parede, onde estavam os antigos Guerreiros, assim como as outras duas mestras.
– Primeiro de tudo... — disse Cassandra prevendo a primeira pergunta. – Sim, tem gente morta nesses cubículos. – Seth ficou impressionado com tamanha sutileza. – Eles são preservados por um feitiço extremamente poderoso, que também impede que um ser vivo entre, — falou tentando pôr a mão em um dos cubículos onde uma mulher estava, mas não passava da proteção mágica que havia ali. – E que os mantém nesta suspensão. – só então os pequenos repararam que os corpos flutuavam nos cubículos, com as roupas brancas, os cabelos e os colares oscilando como se estivessem debaixo d’água.
– Eles são... “Sepultados” – prosseguiu Seth fazendo as aspas com os dedos. – Junto com suas armas e colares, além de objetos preciosos para eles. Não existe uma identificação para os mortos, mas o livro pode dizer quem são, se vocês disserem a posição dos corpos. E assim que o primeiro Guerreiro de uma geração morre os espaços para todos os outros surgem, por isso os espaços vazios. E aqueles que os corpos não foram encontrados ou não conseguimos recuperar... Como a mestra da quarta Geração da classe Torin, que foi carbonizada, são colocadas estátuas deles mesmos em tamanho real para representá-los. – disse apontando para um ponto um pouco alto, á direita das crianças onde havia uma estátua de uma mulher, e então repararam pelo menos mais três como aquela.
– E a parede dos Genus, como é chamada, — continuou Marin. – Também mostra algumas tradições das classes, Giebra tem sempre três aprendizes, mas acha que deve ser recrutado um por vez, de modo que o mestre possa se concentrar em um aprendiz por vez. Hélio não tem número fixo de aprendizes, pois achava que o mestre deveria treinar quantos se achasse capaz. E Torin somente não queria que só um aprendiz fosse treinado, pois achava que o conhecimento do mestre deveria ser passado para mais de um Guerreiro.
– Basicamente é isto... – concluiu Cassandra, parando para pensar um segundo desconfiando que tivessem esquecido alguma coisa.
– Agora temos que ir para que possamos chegar em casa a tempo. – disse Seth para sua aprendiza e os de Cassandra. – Para todos estarem descansados amanhã para o treinamento.
As despedidas não foram exatamente calorosas, mas todos estavam igualmente animados e nervosos para o dia de amanhã.
~*~
1º dia de treinamento
Todos estavam sentados numa sala de aula recentemente descoberta pelas crianças. Era diferente das salas de aula que já tinham visto, era simplesmente uma pequena sala com uma grande janela e muitas almofadas no chão. Todos estavam sentados nas almofadas, Marin de frente para as crianças.
– Bem... Acho que devíamos começar falando dos seres “mágicos” que vivem por aqui. – disse Marin fazendo as aspas com as mãos. – Para vocês saberem melhor sobre quem protegem.
– Pensei que Guerreiros só protegiam humanos. — disse Lena.
– E isso acontece porque desde que as fronteiras com os outros seres foram estabelecidas, todos ficamos muito distantes, mas se houver algum problema com eles nós quem temos que ajudar.
– Sereias existem? – perguntou Hunter rapidamente.
– Sim.
– Elas têm aquele canto bonito e tudo?
– As de água doce sim, mas as de água salgada... Você não ia querer ouvi-las cantar, é quase como um guincho.
– O que mais elas têm de diferentes? – perguntou Drica.
– Sereias de água doce têm uma vida mais fácil, muita comida, mesmo nossos lagos mais fundos são considerados até rasos, e vivendo perto de humanos elas adquiriram muitas características nossas... As de água salgada são muito mais selvagens, tem que se esconder de barcos de pesca então ficam mais no fundo do mar, são mais pálidas e muito musculosas e... Lutadoras incríveis.
– E elas são mesmo bonitas como falam? – propôs Mia.
– Para os nossos padrões, as de água doce são. Embora ambas as espécies sejam letais.
A aula prosseguiu com todos ficando mais empolgados, falaram praticamente sobre sereias e lobisomens naquele dia, de tarde após o almoço, foram para outra sala, uma apropriada para aprender e ensinar luta, com um piso acolchoado e diversos bonecos.
– Por que temos que aprender luta corpo-a-corpo? – perguntou Caleb. – Temos armas não?
– Armas podem quebrar ou serem perdidas... – disse Marin enquanto fazia movimentos para os pequenos repetirem. – Seus inimigos podem até mesmo serem imunes a elas.
– Isso é um saco... – murmurou. Marin fez que dava um tapa no ar e o rosto do pequeno foi para o lado como se a mão da mestra o tivesse acertado. Ela já tinha feito aquele truque uma vez naquele dia com Hunter quando este começou a fazer perguntas estranhas sobre as sereias. O “tapa” não chegava a doer ou deixar marcas, no máximo um impacto no momento, era o jeito dela de deixá-los sob controle que tinha aprendido com seu mestre.
Depois do treino físico, foi o de magia. Ainda estavam no começo, então deveriam dominar completamente seus dons antes de tentar usar a magia de modo mais complicado, depois aconteceu o jantar.
– Você disse que você e seu irmão foram treinados juntos, certo, mestra? – disse Drica dirigindo-se à Marin.
– Sim, exatamente. – disse enquanto Li enchia seu copo com água.
– Onde ele está agora?
– Hm... Ele disse que ia fazer pesquisas no norte.
– Ele vai voltar? – perguntou Caleb, colocando um pedaço de peixe na boca.
– Se ele quiser, ou se for preciso. Geralmente alguns Guerreiros recebem pedidos por ajuda especialmente para eles.
– Por quê? – indagou Hunter de boca cheia e levou outro “tapa”.
– Engula a comida primeiro... E é porque alguns Guerreiros ficam mais famosos do que outros, afinal, somos uma espécie de atração turística, praticamente não somos mais considerados humanos.
– Como assim? – interveio Lena.
– Bem... Existe a classe das ninfas, das harpias, dos humanos... E algumas subdivisões, mas Guerreiro não é uma subdivisão da classe humana, é uma classe à parte, e nossas subdivisões são as de Giebra, Hélio e Torin, mas esse tipo de divisão já não é muito usada hoje em dia. Basta saberem que não pertencendo a nenhuma classe, temos mais confiança da maioria dos seres mágicos.
Depois do jantar, todos dormiram como nunca.
2º dia de treinamento
Ao invés de irem para a sala de aula como no dia anterior, foram para o salão dos Genus. Foi uma estratégia de Marin para poder falar melhor dos problemas de cada geração.
– Bem, — começou ela. – Cada geração sempre tem que passar por algo como que para provar seu valor, um desafio para eles, e um problema para todos os outros. A Primeira Geração, — disse virando-se de costas para poder apontar para a linha dos Guerreiros que eram da Primeira Geração. – Foi claro, a batalha contra Lune. O da Segunda Geração foi o que chamamos de batalha da natureza, pois foi quando houve um desentendimento entre ninfas, fadas e sereias, contra os humanos.
– Por que uma batalha? – perguntou Mia.
– Porque eles realmente se enfrentaram, e para pará-los foi preciso lutar também, mas de nenhum lado. O desafio da Terceira Geração foi a guerra contra os lobisomens, embora vampiros tenham ajudado estes. Durou muito tempo, pois começou quando houve a iniciação deles e a antiga geração não pode fazer muito coisa. O da Quarta, a geração do meu mestre, foi o estabelecimento das fronteiras.
– Como assim? – disse Caleb baixinho olhando para os falecidos da Quarta Geração e os imaginando lutando contra lobisomens.
– Foi feito um consenso, os humanos não respeitavam a natureza e praticamente abominavam os seres mágicos, então o território foi dividido. Até mesmo seres neutros como os centauros concordaram, então, Astra meio que ficou no centro de várias colônias, chamadas Vitaras, que na língua morta significa “Lar de”. Harpias e centauros ficaram com terras mais ao noroeste, fadas, ninfas e sereis, ao sudoeste, e lobisomens e vampiros ao nordeste, de modo que ficamos com uma parte do litoral. De qualquer modo, as fronteiras e inúmeros tratados e leis foram estabelecidos para que todos ficassem em paz e satisfeitos.
– E o desafio da sua geração? – perguntou Caleb.
– A Quinta, a meu ver, teve um trabalho igualmente difícil embora não pareça. Bem... Elfos vivem em ilhas além do nosso território mais distante, as ilhas Vênus e na ficaram felizes em saber que as criaturas tinham sido separadas, afinal eles vivem em contato direto com a natureza e vêem o mundo de um modo diferente, e do meu ponto de vista mais sábio do que da maioria de nós.
– Não é o rei quem decide isso? – perguntou Lena.
– O rei e o governo podem fazer leis, podem investir em cidades... Mas esse tipo de assunto somos nós que cuidamos. Ah, outra coisa que devem saber é que não nos submetemos ao rei, somos completamente independentes.
– Não sabia disso. – falou Hunter.
– Geralmente escondem isso da população, para não acharem que vamos tentar um golpe de estado e queiram se juntar... E a maioria se sente mais segura pensando que os anormais com poderes mágicos estão sobre o controle do governo.
Depois disso, perceberam que Marin ia ensiná-los mais do que simplesmente como serem Guerreiros. As aulas antes do almoço foram de cálculo e geografia, e até a hora do jantar, todos meditaram.
Ainda era difícil para eles, conseguiam manter a postura e a respiração, mas ainda estavam longe de conseguir fortalecer seus espíritos e suas magias.
10º dia de treinamento
– Muito bem, — disse Marin, enquanto as crianças e Li estavam prontos para sair. Era a primeira folga deles desde que o treinamento começara. – Vocês vão para a cidade com Li, para comprarem roupas novas, ervas que vamos precisar para o treinamento e comida. E para conhecerem a cidade. Mas lembrem-se de manter a calma! Graças aos colares as pessoas vão saber rapidamente quem vocês são e com certeza não vão reagir bem. Agora, podem ir.
Andrômeda era a cidade capital central do reino Astra, também havia a capital do leste Io e a do oeste Calisto, em cada uma delas os Guerreiros viviam e as três eram grandes metrópoles, mas era nos arredores de Andrômeda que ficava o palácio da família real.
A cidade era incrível aos olhos dos pequenos. Cheia de pessoas, casas, lojas, ruas e carruagens como a de Marin, que andava sozinha sendo movida por uma esfera mágica (era o único uso que as pessoas faziam de magia). As construções eram muito melhores que as de Urano, a maioria era de tijolos, geralmente com mais de um andar, e as que eram de madeira eram feitas de madeira de qualidade. Os cidadãos também eram mais bem vestidos, e a maioria das roupas era de tecidos raros para regiões mais humildes do reino.
Em cada uma das capitais havia uma mansão, onde os Guerreiros treinavam e viviam, mas com uma espécie de rodízio. Marin por exemplo tinha sido treinada em Io, onde a mansão ficava perto do litoral, Seth é quem havia crescido perto de Andrômeda e Cassandra viveu em Calisto, ao lado de grandes colinas. Nesta geração, a Classe Hélio ficava na capital central, a Torin em Io e Giebra em Calisto.
Depois de irem à loja de roupas e terem comprado praticamente um guarda roupa inteiro para cada pequeno, foram para uma área da cidade onde ficavam uma feira e um mercado de produtos naturais. Como Marin disse, por onde andavam as pessoas apontavam para eles, alguns riam e outras olhavam curiosas e algumas poucas gritavam um xingamento. Usando o máximo de concentração que podiam, os pequenos ficaram quietos enquanto eram feitos de carregadores de Li, que parecia ter feito compras para dois meses no mínimo.
Voltaram a pé, como não treinariam naquele dia (depois do almoço iam explorar a floresta ao redor de Andrômeda que se iniciava na mansão), pelo menos iriam trabalhar os músculos.
– Li, o que significa ser uma estrela caída? – perguntou Drica, quebrando o silêncio que tinha se estabelecido.
– Significa que eu era uma estrela, e caí do céu. – respondeu Li, que tinha mostrado muita força, levando as sacolas e caixas mais pesadas. – Sabe... Estrelas não são muito mais do que pura energia... Quase... Quase como uma alma. E algumas caem às vezes, geralmente nada acontece, mas quando caímos em alguém... Nossa energia se apossa do corpo da pessoa, a matando.
– Você... Matou alguém?
– Sim, mas... Ela, a dona deste corpo, já estava morrendo, eu acabei tornando a morte dela menos dolorosa.
– Há quanto tempo foi isso? E quem encontrou você?
– Eu não me lembro direito... Faz muito tempo, mas... Este corpo era... Se não me engano da única filha de um amigo de Solaris.
– Você conheceu Solaris? – interrompeu Hunter.
– Sim, ele me levou para a mansão, e desde então sirvo a geração que se estabelece lá.
– Então... Você é imortal?
– Imortal sim, mas não invulnerável. Se eu sofrer um ferimento grave com certeza morrerei.
– Como eram Solaris e os aprendizes dele? – perguntou Caleb.
– Sinto muito, mas realmente não lembro muita coisa. Minhas lembranças mais claras são as de sepultamentos, o reto é só um borrão.
– Mas você conheceu todos os Guerreiros?
– É claro, e forjei as armas deles também! Assim como as de vocês!
– Então... Se faz tanto tempo... Você conheceu Lune também? – perguntou Mia.
– Precisamente, mestre Lune quem teve a idéia de me levar para a mansão.
– E como pode falar dele de modo tão educado? – disse Lena.
– Eu vivi com ele, e sei de coisas que vocês não sabem, e nem posso lhes dizer, mas... Gratidão foi uma das primeiras coisas que aprendi quando cheguei a este mundo. E apesar de tudo, sou grata a Lune, tanto quanto a Solaris.
– Como era no espaço? – voltou a perguntar Drica.
– Desse tempo, minha querida... É que eu realmente não me lembro de nada, é como uma vida passada. Só me lembro de coisas depois de ter renascido.
15º dia de treinamento
– Isso é realmente necessário? – perguntou Caleb.
– Concordo com ele, isso não vai ajudar a gente no treinamento! – disso Hunter, sacudindo a gaita vermelha em sua mão enquanto Caleb rejeitava o violão.
– Se você já sabe tocar essa coisa, — disse Marin, com os olhos fechados e os dedos na base do nariz. – Qual o problema de tocar um pouco? Eu já falei que ajuda na concentração!
Mas os esforços da mulher de cabelos brancos eram vão e uma discussão começou entre ela e os dois meninos, enquanto as meninas somente assistiam a cena. Drica parou um instante para pensar e começou a tocar uma melodia delicada no violino que Marin conseguira para ela. O som era muito suave para interromper a briga, mas Mia e Lena a acompanharam com uma harpa e uma flauta cada.
Só então os outros três pararam de brigar para olhar as garotas tocando. Caleb foi o primeiro a se render e começar a tocar junto. Hunter ainda encarou Marin por um segundo, mas ela respirou aliviada quando o menino também tocou.
33º dia de treinamento
– Bem, todos com certeza já ouviram falar de bruxas e feiticeiras, certo? – perguntou Marin e todos assentiram. Estavam em outra sala, esta parecia um laboratório, e todas as ervas e plantas que haviam comprado na cidade (e outras que não conheciam) estavam em armários de vidro por ali. – Perfeito. Bem, elas não têm magia como nós, seus feitiços e encantos são feitos de outro jeito, que é passado de pais para filhos há muito tempo.
– Como são feitos? – perguntou Mia.
– Vou já chegar lá. Partindo do básico, as terras a oeste daqui, ainda tem magia. E com terras, quero dizer literalmente o solo! E do solo nascem diversas plantas como estas que podem ver – disse gesticulando para os armários. – que não crescem aqui. E estas plantas têm propriedades mágicas, graças a esse solo. Bruxas, são especialistas em usar estes produtos naturais, purificá-los, criar novos... Tudo para conseguirem fazer suas poções, fora alguns encantamentos ativados por sua pronúncia em latim, e em casos extremamente raros, na língua morta. Homens e mulheres passam suas vidas fazendo isso, então se impregnam de magia, o que pode deixá-los loucos.
– E feiticeiras? – perguntou Lena, parecendo empolgada.
– Feiticeira tem um trabalho bem mais difícil e complicado, elas procuram por plantas ainda mais raras e com encantamentos aumentas as forças delas, e fazem varinhas. Esse método é mais seguro, então elas não são diretamente afetadas pela magia.
– Como você conseguiu as ervas se não crescem aqui? – perguntou Hunter, intrigado.
– Guerreiros têm seus contatos, meu bem. – disse colocando algumas ervas e vidrarias com papéis na frente dos pequenos. – Essa é uma receita simples, para limpar ferimentos, para começar. Os papéis têm o modo de preparo e ajuda a identificar ar plantas, enquanto tentam eu vou fazer um pequeno trabalho aqui.
Quando já estava terminando, Mia viu Marin colocando algumas coisas, incluindo líquidos, que havia macerado e estava colocando em pequenos papéis e enrolando.
– Está fazendo cigarros? – a pequena perguntou.
– Tecnicamente sim, é algo que faço para uma amiga.
– Cigarros?
– E incenso também. – Marin respondeu apontando para onde havia finos tubinhos no canto.
51º dia de treinamento
– Pensei que íamos ter o dia livre hoje... – disse Drica, enquanto Marin os levava por uma escada que descia por um longo caminho.
– E irão, isso aqui é mais um presente meu para vocês, especialmente porque a leitura de vocês melhorou muito. – os pequenos se entreolharam intrigados. – Prontos? – perguntou Marin, quando depois de pelo menos cinco minutos chegaram a uma porta dupla, relativamente pequena. As crianças assentiram e Marin abriu a porta.
Era uma biblioteca, enorme e muito larga, só então entenderam porque tiveram que ir tão longe ao subsolo. As luzes eram artificiais, mas as paredes incrivelmente brancas faziam parecer que a luz do dia estava presente.
Bem á frente da porta, no final do corredor principal estava uma pintura enorme de Soláris e Lune, o primeiro com uma volumosa e loira barba e músculos avantajados e o segundo com longos cabelos lisos e pretos e um corpo mais esguio. Ambos seguravam arbalestes e olhavam na direção dos observadores com um ar de coragem que impunha respeito.
Todos correram para explorar o grande lugar.
60º dia de treinamento
Era de noite, e o dia, como todos os outros, tinha sido incrivelmente cansativo e os pequenos estavam se preparando para dormir, quando ouviram Marin falando com alguém do lado de fora. Olhando pela janela, viram a mestra entregar os cigarros e incenso que Mia a vira fazendo para outra mulher que estava agasalhada e também tinha cabelos brancos, mas estes eram mais curtos que os de Marin, além de não serem tão brilhantes, eles tinham um tom opaco que dava um contraste com o fato de ela ser tão magra (mesmo com o agasalho era fácil perceber).
Depois de ter recebido o pacote, a mulher misteriosa conversou com Marin por um tempo, até olhar para cima e sorrir para os pequenos ainda conversando. A mestra também olhou para cima e fechou a cara para os aprendizes e se despediu da mulher, entrando na mansão.
As crianças correram, guardaram suas coisas e se jogaram nas camas, mas Marin chegou antes que fingissem estar dormindo.
– Não preciso nem comentar, que é feio espionar as pessoas, certo?! – nenhum deles falou nada. A mestra andou pelo quarto, guardando uma ou outra coisa que eles tinham esquecido de guardar no momento do desespero. – O que é isso? – perguntou pegando um caderno no chão.
– Não! – Caleb quase tinha gritado, e todos olharam para ele. – Isso... É meu... – completou envergonhado enquanto Marin abria seu caderno de desenhos. A mulher ficou boquiaberta com os desenhos incrivelmente bem feitos do garoto. Havia um de cada um que vivia na mansão, o último era de Li.
– São ótimos. – disse ela entregando o caderno para Caleb. Em seguida, saiu do quarto apagando a luz.
85º dia de treinamento
– Muito bem, hoje aprenderemos sobre o que talvez seja o assunto mais importante do treinamento de vocês. – os pequenos se entreolharam, sentados nas almofadas. – Vou ensiná-los tudo o que precisam saber sobre demônios.
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