Classe dos Guerreiros - A Sexta Geração
8 Tempo Depois...
Notas iniciais

O treinamento foi se intensificando com o passar do tempo, mas não houve nenhuma desistência. Três anos após a iniciação o rei deu uma festa em homenagem aos Guerreiros, esperou esse tempo por não querer crianças pequenas demais como seus oficiais representantes e defensores de elite.
Regina faleceu dois anos depois disso, por causa de uma doença genética que ninguém conseguiu curar. Agora ela tinha seu lugar na parede dos Genus como primeira a falecer da Sexta Geração.
Três anos após a morte de Regina, Seth recrutou seu segundo aprendiz, Derek. O don natural deste era teletransporte.
Mas nem tudo estava bem como a maioria pensava. Os Guerreiros passavam por sua maior crise.
E 10 anos após o início do treinamento...
Era uma tarde quente, talvez de primavera ou outono, Fox não tinha certeza. Estava na frente da mansão dos Guerreiros em Andrômeda encostada à carroça que viera carregando do norte e estava muito pesada. Usava apenas uma regata e uma calça jeans, os pés estavam descalços como sempre e ela deu uma tragada em seu cigarro enquanto passava a mão por seus cabelos brancos opacos.
Deixou a fumaça sair por sua boca enquanto Marin finalmente passou pela porta com aquele olhar com que ela tinha se acostumado. De completa tristeza e medo. Fox inspirou, trazendo toda aquela fumaça para dentro de seu corpo. Marin não disse nada, estava só com um robe de seda e os cabelos soltos. Talvez não fosse de tarde afinal.
– Sinto muito. – Fox disse, dando outra tragada enquanto Marin olhava para a carga da carroça. Um corpo, completamente enrolado em panos brancos. A mulher afastou uma parte dos panos para ver o rosto de seu irmão. Era pálido como o dela e os curtos cabelos de Charles continuavam prateados.
– Sabia que era ele quando Li me falou que vocêestava aqui... Mas eu não queria acreditar...
–Você tem que fazer alguma coisa! – disse Fox olhando para a amiga que somente fitava o rosto do irmão.
–Não sei o que quer dizer. – disse a outra com uma lágrima escapando de seus olhos.
– Pois eu explico, eu encontrei seu irmão numa vila, com os mesmos ferimentos de Jed, e de todos os outros membros da Quarta Geração, assim como Daph e Emmet! – Marin se encolheu com a pronúncia dos nomes dos outros mortos. – Só restam você, Seth, Cassandra e a os garotos!
– Pessoas morrem o tempo todo, Fox...
– Disse bem, pessoas! Não Guerreiros!
– Eu...
– E as quimeras também não estão bem... – Marin se virou e viu Fox com uma expressão tensa no rosto. – Não sei quanto tempo isto – disse apontando para a bituca do cigarro antes de jogá-la na boca e começar a mastigar. – E você deveria sentir o chão, tem alguma coisa errada... – ela olhou ao redor, mesmo sabendo que estavam somente as duas ali. – Com o fluxo.
– Não... – disse ela se agachando e tocando o chão com os olhos fechados. O fluxo era difícil de detectar, Fox fazia isso naturalmente devido a sua natureza, mas logo Marin conseguiu sentir. – Droga. – disse colocando as mãos no rosto.
– Cadê os garotos? – disse Fox se preparando para carregar Charles para os preparativos do sepultamento.
– Estão numa missão em Ferina. – disse sem tirar as mãos do rosto.
– Para de fingir que está tudo bem Marin, — falou erguendo o corpo em seus braços. – vocês sepultaram mais mortos no ano passado do que nunca! É hora de agir.
– Vou agir. – falou limpando as lágrimas de seu rosto.
~*~
Em um pub ao lado de uma floresta em Ferina, um homem misterioso que ia lá já havia meses tinha um lugar privilegiado acima dos outros com muitas mulheres e bebida, parecia estar em um palco se mostrando para as outras pessoas.
Ninguém parecia reparar no homem de terno branco e sorriso cruel num divã bem ali ao lado, mas algumas pessoas ali sabiam.
– E aí, o que acham dele? – perguntou um garçom de cabelos rebeldes, abaixo de algumas luzes coloridas, em um pequeno aparelho de comunicação com uma esfera mágica quase imperceptível em sua orelha.
– Olhos vermelhos, dentes afiados, bebeu mais do que todos aqui e continua sóbrio... – disse uma garota de cabelos cor de mel sentada em uma mesa com um vestido branco, usando o mesmo aparelho que o outro. – Com certeza é um demônio.
– Ele não mudou de forma, mas ainda assim parece humano. Aquelas mulheres com certeza estão hipnotizadas e eu vi ele acender um charuto cuspindo nele. – disse uma garçonete de cabelos curtos ruivos. – Eu diria nível sete.
– Não. – contradisse um rapaz de cabelos curtos que andava pelo pub. – Já chequei e é o único demônio aqui. Nível seis.
– Tragam logo ele aqui pra fora. – disse uma morena que estava do lado de fora do pub, segurando um arco e mexendo em suas botas, sentada em um galho de árvore. – Isso aqui não é confortável!
– Ela tem razão. – disse o primeiro rapaz. – Vai lá, Lena.
A garota de vestido branco tinha dezessete anos, mas ninguém por ali se importara com isso. Ela subiu no pequeno palco do homem de terno e o puxou pelo braço, o conduzindo para onde as outras pessoas estavam com um sorriso em seu rosto. Ele também sorria, até ver o colar dourado dela. Um corvo dourado.
O sorriso do homem se desfez e ele entrou no meio das outras pessoas rapidamente, tentando fugir.
– Vão para as portas. – disse Lena, também se misturando à multidão. O homem tentava escapar, mas viu que todas as saídas estavam bloqueadas por pessoas com os colares como os daquela garota e quase se desesperou. Então sentiu uma apunhalada nas costas, mas pareceu mais com um pequeno incomodo. Fora aquela garota, que acabou dando a ele um jeito de sair dali. Ele arrancou a faca de suas costas e correu para a saída onde estava uma garota ruiva, derrubando muitas pessoas no processo.
Ele se jogou na garota ruiva, que caiu com seu peso, fincou a faca no estômago desta e correu para a floresta.
– Drica! Tudo bem?
– Sim... Hunter... – disse Drica caída no chão tirando a faca. Lena pulou sobre a amiga que já havia se curado e lançou adagas no homem, enquanto corria atrás deste.
– Droga! – disse quando viu que estava sem mais nada de metal nos bolsos para transformar em adagas. Quando os outros a alcançaram ela lançou para cada um o que parecia ser uma arma de brinquedo, mas logo se transformaram em armas em tamanho real. – Ele fugiu Caleb. – disse jogando para o rapaz de cabelos rebeldes sua espada.
– Ele é seu, Mia! – disse este indo atrás do homem com os outros.
A morena ficou de pé no galho da árvore e logo tirou uma flecha de sua aljava deixando o arco a postos. Controlou sua respiração enquanto ouvia os sons do demônio correndo em sua direção, e logo este estava visível. Ela esperou o ângulo certo e soltou a flecha, que acertou o demônio na cabeça e o fez cair no chão.
– Tiro certeiro. – disse pulando para o chão enquanto seus amigos chegavam ali e contemplavam o corpo do demônio com ela.
– Não foi fácil demais? – comentou Hunter se apoiando em sua lança. Naquele momento o homem levantou o rosto com a flecha ainda em sua cabeça, rugiu com o rosto desfigurado e correu de quatro, com as pernas se movendo como se fosse um inseto incrivelmente rápido.
– Você sempre tem que abrir a boca! – reclamou Lena enquanto voltavam a correr.
– Desculpa dama sedutora!
– Calem a boca! – interrompeu Caleb. – Consegue acertá-lo, Mia?
– Não se eu tiver que correr ao mesmo tempo! – respondeu esta com o arco nas mãos.
– Sobe. – ele disse e a garota saltou para poder subir nas costas do outro e logo preparou outra flecha.
– Não adianta! – ela disse quando a flecha atingiu o monstro sem produzir nenhum efeito. – Isso não vai pará-lo!
– Então faz ele ficar de pé! – disse Drica mostrando o machado. Mia assentiu e preparou outra flecha, dessa vez recitando um encanto enquanto mirava. A flecha acertou um dos braços do homem, que congelou, obrigando este a correr de pé, Drica lançou o machado com força e acertou uma perna do demônio, e Hunter lançou sua lança, que acertou o homem na cabeça e se fincou em uma árvore.
Quando chegaram perto, o demônio se contorcia e gritava com a cabeça presa à árvore, o machado em uma perna e um dos braços congelados.
– Quem faz? – perguntou Hunter.
– Você acertou o último golpe, você faz. – disse Caleb enquanto Mia descia de suas costas.
Hunter assentiu e ficou na frente do demônio, estendeu a mão para ele e fechou os olhos, recitando o encanto de purificação enquanto os outros colocavam as mãos em seus ombros para transmitir sua energia para ele. O demônio gritou o processo inteiro, mas logo seu corpo murchou com os olhos brilhando e sumiu, havia sido purificado.
– Hora de ir pra casa. – disse Drica pegando seu machado do chão e limpando a lâmina.
Fale com o autor