Notas iniciais
Eu sei que eu mereço a morte, eu sei ~ Semana passada realmente não deu pra postar, sorry. E, acho que vou ficar nessa de postar um cap por semana a não ser que por alguma magia eu consiga fazer dois, enfim, espero que gostem ~

Era tarde da noite, mas Drica não estava com sono. Ela conduzia o alce que andava calmamente, pela trilha na floresta. Uma corda amarrava o alce dela aos dos outros, que dormiam sentados.

Ela acariciou o pescoço do alce, que sabia estar cansado, afinal viajavam há três dias praticamente sem pausas, até ela estava cansada. Depois de alguns minutos chegaram a borda de uma campina completamente descampada e Drica parou. Ela não conseguia ver uma árvore sequer a distância, o que era preocupante. Do que quer que estivessem se escondendo, cinco figuras de capuz montadas em alces vermelhos chamaria a atenção de qualquer um.

– Pessoal... – disse Drica. – PESSOAL! – repetiu, dessa vez quase gritando e os outros despertaram. – Temos um problema. – Caleb olhou a campina coçando os olhos.

– Lena... – disse num bocejo. – Até onde é assim?

– Hm... Campina, colina, colina, campina, campina... – resmungou ela com um grande mapa aberto a sua frente. – Uns... Quatro ou cinco dias de viagem...

– Quatro ou cinco dias?!

– Talvez menos se a gente correr... – disse ela apressadamente fechando o mapa.

– Assim vai matar os alces! – protestou Drica.

– Talvez... Mia possa dar um jeito...

– Mudar uma localização geográfica por quatro ou cinco dias?! Assim vai matar a mim! – disse a morena.

– Olha, eu não posso fazer nada! – disse Lena guardando o mapa. – Essa é a verdade, ou a gente arrisca, ou arranja um disfarce, ou viaja com outras pessoas.

– E pra quem a gente pede ajuda, senhorita navegadora? – perguntou ironicamente Drica.

– Que tal aqueles cara? – disse Hunter apontando para o que parecia um enorme trem andando pela colina, se não fosse feito de madeira e puxados pelo que pareciam quarenta cavalos mais ou menos.

– O que é aquilo? – perguntou Caleb apertando os olhos tentando saber o que era aquilo.

– São ciganos. – disse Mia rapidamente com a cara fechada para aquele imenso veículo.

– Eles nos ajudariam? – perguntou Lena.

– Não sei. – respondeu passando levemente os dedos por seu lenço, escondido pelo capuz.

– Parece que vamos descobrir logo. – disse Drica. – Eles estão parando. – e realmente, o grande trem de madeira parou a alguns metros deles.

– Vamos lá. – disse Caleb, puxando a corda que mantinha todos unidos e saiu trotando com os outros atrás. Mia realmente preferia que se arriscassem, tinha um mal pressentimento quando aquilo.

~*~

Derek babava nas costas de Melanie enquanto andavam, mas ela não se importava, o garoto era do tipo que dormia todo dia antes das nove da noite, era normal ele estar com sono. Mas algo a incomodava. Já fazia um tempo que estavam sendo seguidos, e ela não sabia pelo que, ou por quem.

Ela poderia facilmente descobrir quem era, mas se oferecesse perigo, ela talvez não tivesse chances. Sua única alternativa agora era seguir seu caminho e torcer para que quem quer que fosse desistisse.

Na escuridão da noite, perto de algumas árvores era possível ver a silhueta de alguns homens vestindo armaduras e montados em cavalos escuros, como que para se camuflar com a falta de luz.

– Sua ordens, tenente?- disse um dos homens para outro que estava mais a sua frente.

– Continuamos espreitando até receber uma ordem do general. – respondeu o outro, sério.

– Sim, senhor.

Os pelos da nuca de Melanie se arrepiaram enquanto ela continuava seu caminho, imaginando qual seria a melhor hora para correr como nunca.

~*~

Caleb e os outros estavam no chão, conduzindo os alces. Eles haviam chegado ao misterioso veículo, que não era um trem de madeira, mas sim diversos carroções de ciganos enfileirados. Luzes saiam destes, mostrando que havia pessoas ali dentro. Eles chegaram pela ponta dos carroções e andavam, procurando alguém que saísse para recebê-los ou algo do tipo.

Mia queria desesperadamente sair dali, ela já havia visto as chamas vermelhas nas paredes dos carroções, era uma questão de tempo para que o pior acontecesse.

– Olha! — disse Caleb apontando para frente, de onde vinha um grupo de pessoas segurando lanternas do tipo de vidro com uma vela dentro, mas de longe os cinco puderam ver que haviam esferas mágicas ali ao invés de fogo.

Eram três mulheres, usando saias longas e coloridas e blusas de linho ou algodão que deixavam os ombros a mostra e realçavam seus cabelos longos, e dois homens com blusas do mesmo tecido, mas com mangas até os pulsos e usavam calças marrons.

– Quem são vocês? — perguntou uma garota morena mais ou menos da mesma idade deles, magra e um pouco alta que estava a frente dos outros, com um ar de comandante.

– Boa noite, — disse Caleb tentando ser educado. — Desculpe o incômodo, mas precisamos de ajuda. — e tirou o capuz, gesto que os outros repetiram, menos Mia, que o puxou mais para seu rosto e tentou se esconder atrás de Lena, esta percebendo os lenços no cabelos, braço, cintura e pescoço daquelas pessoas, tentou se colocar na frente de Mia discretamente.

– O que vocês querem? — perguntou a garota um pouco mais delicada.

– Gostaríamos de uma carona para atravessar as campinas e...

– São Guerreiros? — interrompeu ela ao reparar nos colares.

– Sim, sou Caleb. — disse apertando a mão da garota, que olhava com os olhos semicerrados para os outros atrás dele. Mia apertou os olhos, pedindo aos céus para que nada acontecesse.

– Muito p... Mia? Mia Lester? — disse a garota e Mia suspirou derrotada e Lena sentia uma pontada de culpa por não ter escondido a amiga bem.

– Oi, Simone. — disse Mia indo para frente dos outros e puxando seu capuz.

– Ainda usa seu lenço?! — disse ela com desdém ao ver a mancha negra na cabeça de Mia, enquanto os outros ciganos murmuravam entre si.

– Ser banida por um motivo tão idiota, não é nenhuma desonra. — Caleb lembrou de tudo que Mia lhe falara sobre as tradições ciganas, e percebeu seu erro em não ter reparado de que clã eram aqueles carroções.

– Mas é descumprir sua pena retornar aqui. — disse Simone.

– Eu sei.

– É minha culpa! — interrompeu Caleb. — Não façam nada com ela.

– Não. — interrompeu Mia. Odiava ser defendida, especialmente por Caleb. Ela podia cuidar daquilo sozinha. — Eu sabia que era o meu... O clã Alighieri quando eu o vi... E sabia que estariam aqui nessa época do ano, eu mereço minha punição.

– E qual é a punição? — perguntou Hunter com medo da resposta.

– Punição física. — disse Simone sem esconder o ar de diversão. — Primeiro normal e depois apedrejamento.

– Mas isso é desumano! — protestou Drica.

– Não podem fazer isso! — apoiou Lena.

– Não se metam. — disse Mia entredentes abaixando a cabeça enquanto Simone se aproximava dela. Lena tentou impedir a outra, mas Caleb a prendeu fortemente enquanto ela se debatia em seus braços.

– Não pode deixar que façam isso, Caleb! — disse ela sussurrando.

– Concordo! — disse Hunter. — Somos mais fortes, podemos detê-los!

– A última coisa que precisamos é problemas com ciganos. — disse o moreno. — E vocês ouviram a Mia... Ela escolheu isso.

Simone se aproximou de Mia e lhe deu um forte soco na barriga, ao qual a morena não reagiu, e continuou a dar socos naquele local e no rosto, sem parar. Mia continuava impassível, ela já tinha sentido dores piores causadas por pessoas mais fortes, mas mesmo assim aquilo a machucava.

Lena escondeu o rosto no ombro de Caleb ouvindo os sons dos punhos de Simone na pele de Mia, enquanto este tinha uma expressão dura ao ouvir os mesmos barulhos. Drica e Hunter viraram o rosto enquanto esperavam que aquilo acabasse.

Por fim, Mia caiu no chão com um filete de sangue saindo da boca. Ela se apoiava nos braços esperando a segunda parte daquela punição.

– As pedras. — disse Simone estendendo a mão e um dos garotos atrás dela lhe deu um saco com pedras, como se estivesse preparado para aquilo. A morena no chão, fechou os olhos, imaginando quanto a outra demoraria para desferir o primeiro golpe.

– SIMONE! — um grito masculino interrompeu a cigana antes que ela pudesse sequer tirar uma pedra daquela sacola. – O que pensa que está fazendo? – o rapaz se aproximara de onde estavam, Mia sentou em seus joelhos tentando reconhecê-lo.

– Eu... Nada! – disse ela jogando o sacola de volta para o que a entregou.

– Não parece estar fazendo nada. – disse ele entredentes olhando de perto para Simone. Ele era pelo menos uma cabeça mais alto do que a garota para quem olhava e usava um colete em cima da blusa de algodão. – O que estava fazendo? – alguma coisa naqueles olhos cor de avelã parecia encantar e amedrontar Simone incrivelmente, e ela sabia que se não falasse a verdade, algum dos outros falaria, e ela sofreria do mesmo modo.

– Estava... – ela abaixou a cabeça, como se estivesse com vergonha, embora não estivesse. – Aplicando uma punição.

– Pelo que? – perguntou ele num tom ainda duro. — Uma banida retornou...

– Banida pelo que?

– ... Magia. – ela disse rapidamente já sabendo que reação o outro teria.

– Vocês. — falou para os que tinham vindo com Simone. – Para dentro, a-gora! – e eles correram pensando que o rapaz não fosse atrás deles. – Simone... – continuou o de colete como se estivesse controlando sua raiva. – Já tem cinco anos que as leis mudaram, magia não é mais motivo de rejeição... E os que foram banidos por isso, devem ser perdoados e aceitos de volta, se assim desejarem!

– Mas é uma aberração! – protestou sem olhar para o rosto dele.

– OUSA CHAMAR SEU LÍDER DE ABERRAÇÃO? – gritou no rosto dela e cuspiu uma labareda de fogo que quase queimou as sobrancelhas de Simone, que ficou quieta. – Volte para o seu carroção, eu cuido das coisa agora. – ainda de cabeça baixa, deu a lanterna para o rapaz e foi embora por onde veio.

Líder... Mia então reparou no símbolo do clã, bordado no colete do rapaz, era um traje de líder realmente. Com a lanterna mais próxima dele, Mia reparou nos cabelos escuros com pontas claras e o rosto dele.

– Dante...? – ela sussurrou e ele se virou, colocando a lanterna sobre a cabeça dela em resposta.

– Mia? Mia! – disse se jogando no chão para abraçá-la. Enquanto esta ficava em estado de choque.

– O que isso tudo significa? – perguntou Drica num sussurro quebrando o silêncio que tinha se estendido nos outros quatro ali presentes.

– Acho que... Conseguimos a carona... – disse Hunter observando os dois abraçados no chão enquanto Lena finalmente se soltava de Caleb para poder ver a cena.

~*~

Carter viajava velozmente. Estava tendo insônia, sempre tivera, especialmente depois da morte de Regina.

Tentava ao máximo não parar para acampar, mesmo que lançasse magias protetoras, não confiava muito nisso.

Tinha de se proteger por si só, já que estava sozinho. Enquanto continuava lembrou-se de quando começou a se sentir daquele jeito, foi quando Regina se foi. Foi ai que sua solidão começou, sua única família o deixara e ele se sentiu abandonado.

Nunca esteve realmente sozinho, afinal Cassandra nunca saiu de perto dele, mas continuava a se sentir solitário, e sem saber direito o motivo.

E com esses pensamentos na cabeça viajou noite a dentro.

~*~

Todos da Casse de Hélio estavam no primeiro carroção daquele “trem” do clã Alighieri, era muito grande, enfeitado com panos, lanternas e luminárias ciganas com móveis simples de madeira e cheirava a comida.

Todos estavam sentados em almofadas no chão enquanto Dante estava sentado em uma mesa, jogando algumas substâncias no lenço de Mia, até que se virou e o lenço parecia perfeito, com uma chama no centro, como se esta nunca tivesse sido borrada.

– Me desculpem pela Simone, ela e outros ainda não entenderam que as coisas mudaram entre os ciganos. – disse entregando o lenço para Mia. – As leis mudaram há cinco anos e minha mãe morreu há dois, deixando a mim e minha irmã no comando. Mas antes ela me deu a receita para tirar a mancha das marcas, ela disse que seria o modo dela de se desculpar com os banidos.

– Mas... – perguntou Caleb enquanto Mia colocava o lenço na cabeça. – Desde quando você é capaz de usar magia?

– Desde sempre, minha mãe tinha medo que me descobrissem então ela fazia vista grossa para acidentes estranhos em que eu me envolvia e por isso também tinha certa raiva dos que usavam magia. Depois de as leis mudarem, tudo ficou mais fácil.

– E.. Vai poder nos ajudar? – perguntou Drica.

– Claro! Só temos que esperar minha irmã voltar da ronda, colocamos seus alces com nossos cavalos e podemos ir, são muito bem vindos.

– Obrigado. – agradeceu Caleb com um minúsculo sorriso.

– Tudo em ordem Dante, — disse uma garota passando pela porta, seus cabelos longos eram das mesmas cores dos de Dante e ela também usava um colete com uma marca do clã. – Só parece que Julia e os outros se meteram em problemas de novo porque eu os vi correrem e... – parou ao ver cinco pessoas estranhas no chão de sua casa. – Quem são esses?

– A Classe Hélio está em missão Diana, e vamos ajudá-los.

– Classe Hélio... – aquelas palavras pareceram fazê-la se lembrar de algo e ela se focou na morena com um lenço do clã que a olhava. – Mia! – disse se jogando na outra como o irmão.

– Não sabia que ciganos eram tão emotivos. – sussurrou Lena para Caleb.

– Oi, Diana, é bom ver você, na... Não, não chora! – disse Mia tentando acalmar a outra que chorava em seu ombro.

~*~

Os ciganos saíram minutos depois, deixando apenas alguns rastros e uma cortina de poeira na colina.

Ainda na floresta, um grupo de homem de armadura observava, todos frustrados por terem perdido seu alvo.

– O que faremos, General? – perguntou um deles, para o maior dos homens, cuja armadura se diferenciava da dos demais por pequenos detalhes.

– Não podemos arriscar sermos vistos. – disse uma voz grossa por trás do capacete, e o homem fez seu cavalo virar, para entrar novamente na floresta. – Os pegamos depois, enquanto isso, mande uma mensagem para os tenentes. O que está seguindo a Classe Giebra... Que pode atacar em dois ou três dias, e para o que está vigiando as Solomon e Elsa, que logo mais irão e que ele deve fortalecer os combatentes.

– Sim, senhor. – disse o homem. – E nós, o que faremos?

– Iremos pelo caminho mais longo, enquanto a tropa para a batalha se aproxima.

– Sim, senhor.

Notas finais
É isso gente, desculpem os erros de português, mas não tive muito tempo pra corrigir o cap :/ Até a próxima ~