Clarie Weasley - The new Weasley
24 Indo para o inferno
Notas iniciais
O resto da viajem seguiu de forma calma, quando eu digo isso eu quero dizer sem meninas fantasmas, ou seja, lá o que foi aquilo. Ally nos contou como era a França e que ficou dois anos no instituto de Beauxbatons, mas que já estava na hora dela voltar para Londres.
Estava desconcentrada, ficava o tempo todo olhando para a janela do trem observando a paisagem: o céu azul limpo, as montanhas verdes... Era impossível não sentir falta da mera sensação de estar indo para Hogwarts.
Foi quando eu vi a figura de novo: uma menina usando o uniforme antigo da Lufa-Lufa estava parada perto de uma placa de velocidade, ela sorria e acenava em direção ao trem, em direção a minha cabine, em minha direção.
Senti aquela sensação novamente de frio, mas a curiosidade não me deteve: encostei meu rosto na janela e fui vendo a figura se afastar, se tornando um borrão.
–Vocês viram aquilo?! – Ainda estava com a cara na janela quando perguntei
–Vimos o que? – Anne perguntou
–A figura! A menina... Ela estava aqui na cabine e agora está lá fora! – Observei meus colegas, eles me olhavam como se eu fosse louca.
–Clarie... Não tem nada aqui... E a cabina estava vazia quando cheguei – Ally pronunciou.
–NÃO! Eu tenho certeza... E-ela acenou para mim! Alícia, Anne, Dominique! Eu sei o que vi.
–Clarie, você andou usando algo? – Dominique perguntou enquanto me analisava. Todos me analisavam.
–Arg! Eu sei o que vi! – Levantei da poltrona irritada e caminhei em direção da saída da cabine fechando a porta quando sai.
Caminhei pelo corredor até o último vagão, onde havia a espécie de parte descoberta do fim do trem, entrei ali e fiquei encostada na barra absorvendo todos os pensamentos.
Eu tinha visto alguém, duas vezes. A mesma pessoa. E não, não estava louca.
Respirei fundo tentando me acalmar, observei o céu e não pude conter a surpresa: quando estava olhando pela janela há poucos minutos ele estava limpo... Agora haviam se formado nuvens escuras e carregadas.
Um vento frio tomou parte do meu corpo, aquilo não podia estar acontecendo. Corri até a porta que ligava a parte externa com a interna do trem, mas ela estava trancada. Forcei a maçaneta diversas vezes, mas ela não cedia. Ninguém me ouvia, ninguém sabia onde estava. E cara, eu odiava quando eu estava nesse tipo se situação.
Continuei batendo na porta até que algo me assustou, no vidro da porta estava refletida a forma de uma garota.
–Caralho – murmurei.
Aquela garota.
– Quem é você?! – Disse célere retirando a varinha das vestes.
Ela apenas riu e continuou ali parada me observando com aqueles olhos negros.
Dizem que os olhos são a janela da alma. Fiquei fitando meu reflexo nos olhos negros do aspecto, se os olhos eram a janela da alma, aquela coisa não tinha uma: os olhos eram um negro vazio, sem expressão. Só negros. Só refletiam.
–VAI EMBORA DAQUI! – Gritei e a figura se foi, tal como o céu nublado.
Forcei a porta mas essa não estava mais trancada, sai dali correndo.
Era a última vez que ia para a parte externa de um trem.
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