2020, Junho, Instituto de Magos e Magas de Salem.

O resto do ano letivo havia passado rápido, Megan havia começado um namoro com Austin, que não durou nem dois meses, pois ela o traiu com o Connor. Ela nunca iria tomar jeito, mas por um lado foi bom Austin receber um pouco do próprio remédio.

Ah, por falar nele, voltamos nossa amizade, mas é apenas isso. Julliet, bem ela foi morar no Canadá, pois não suportou a ideia de Connor ter a traído. Uma pena, ela era uma menina legal.

Bem, devem estar irritados comigo: Clarie! Como pode voltar a falar com um garoto como o Austin? Bem, primeiro, não sou de guardar mágoas, e segundo fomos coroados rei e rainha do baile de formatura que aconteceu semana passada, confesso que fiquei surpresa, encerei meu ultimo ano na América com chave de ouro, e tudo isso graças ao Austin, que pelo o que soube depois, votou em mim umas 180 vezes, pois havia lido em minhas cartas (ele é outro que não toma jeito) que queria ser a rainha do baile do terceiro ano esse ano. Achei fofo da parte dele, mas se ele pensa que isso nos faria voltar a ser o que era ele estava perdidamente enganado.

Hoje seria meu último dia de aula, e infelizmente na América também, meu malão já estava pronto, e meus documentos na mão. Junto com alguns colegas da comunal, me dirigi em direção ao pátio de saída, onde na frente estava o expresso de Salem, que nos deixaria em uma estação de trem trouxa.

O trajeto na volta foi divertido, ficamos conversando e lá para as cinco horas da tarde já estávamos na estação de trem, já que me voo só iria sair a meia noite, Austin se ofereceu a ir tomar um café comigo, ele era um amigo agora, e, além disso, estávamos fora de Salem, ou seja, não poderíamos usar magia fora da escola, então ele não iria me estuporar, mas se ele tentasse sequer alguma coisa eu podia dar um belo tapa nele.

Pegamos um taxi, que é um instrumento de locomoção trouxa, ele era amarelo e muito pequeno, eu e Austin ficamos apertados no banco de trás do taxi, o que me deixou um pouco constrangida com a situação.

Descemos em uma cafeteira trouxa muito famosa chamada Starbucks. Austin pagou o motorista do taxi com treze dólares o que era um absurdo! Só andamos sete minutos, mas em sua defesa o motorista disse que para carregar os malões gastaríamos mais, Austin apenas bufou.

A tal cafeteira era magnifica, havia algumas poltronas de veludo preto e o brasão do lugar era uma mulher com o nome Starbucks em verde, Austin me explicou que já que morava perto e tinha uma descendência trouxa por parte paterna vinha sempre tomar um frapuccino com a família.

Já que não sabia o que era a maioria das coisas no cardápio, Austin pediu dois frapuccinos de chocolate e sentamos em uma das poltronas e nos envolvemos em uma conversa realmente animada sobre como seria se ele me sequestrasse para me deixar mais tempo na América, e então, começou com um papo falando que estávamos mais velhos poderíamos tentar outras coisas no quarto dele.

Até parece.

Logo após sairmos do café, já era por volta das 18h30min, andamos um pouco pelas ruas de Boston até chegarmos a um casarão que já reconheci faz tempo, deixamos nossas coisas lá e ele me pediu para pegar minha maquina fotográfica, pois iríamos nos divertir nesse período que ainda nos restava.

Juntei algumas coisas em minha bolsinha da Chanel como carteira com documentos e alguns dólares, a maquina fotográfica e alguns itens de maquiagem básicos.

Austin havia mudado de roupa, agora trajava uma camisa polo azul claro e uma calça jeans, estava bonito, não nego.

Caminhamos um pouco, nosso destino era o jardim publico Boston Common. Quando chegamos ao local, fiquei de queixo caído, ele era lindo, caminhamos por alguns minutos pelo lugar tirando fotos, logo o sol começou a se por e ele me levou para perto de uma ponte onde havia algumas gôndolas ele sussurrou para o senhor que tomava conta do lugar e logo este nos levou para uma das gôndolas e ficamos lá até o sol se por completamente, o lago estava com uma cor alaranjada.

Um pensamento que não pude evitar se passou pela minha cabeça: se eu ainda o namorasse... Quando me dei conta, Austin estava me olhando fixo, seus olhos estavam um pouco molhados e lagrimas começaram a cair, alguns outros turistas estavam nos olhando, eles estavam achando que eu terminei com ele.

–Aus, não chora, sério...

–Não da Clar, você vai ir embora, e esse ultimo ano só fiz besteira em relação à gente.

–Austin! Não estou mais irritada com você... Por que em vez de pensar nos momentos que não tivemos juntos, aproveitamos esse nosso momento? — Algo me preocupou quando acabei de dizer a fala... Acho que daria por entender outra coisa.

Abri a boca para refalar minha fala, mas era tarde demais, ele já estava com os lábios na frente dos meus, ele foi se aproximando devagar, ele abriu os lábios dele devagar o imitei, nossos lábios se encaixaram, estamos em uma sintonia perfeita, movimentando os lábios em um abre-fecha mágico, nossas respirações eram sincronizadas.

Fui me desfazendo do beijo sorri para ele e sorri, Austin Moon era assim mesmo.

–Clar, é melhor irmos, sua viajem fantástica não acabou.

Ergui uma sobrancelha para ele, meu voo sairia em cinco horas, e o trajeto até NY era de aproximadamente três horas.

Ele se adiantou, rumou a gôndola até a superfície e envolveu seus braços em torno de mim, me alinhei a ele e sorri, havia evitado esse abraço há tempos, e tinha esquecido como era confortante.

Pegamos um taxi novamente e dessa vez, não me importei de ficar apertada com ele no banco de trás. Depois de mais ou menos dez minutos chegamos ao apartamento de Austin, onde a mãe dele nos esperava com meus malões, acho que ele tinha planejado tudo isso.

Colocamos os malões no taxi e seguimos até Nova York em direção ao aeroporto, estava muito cansada deitei minha cabeça no ombro esquerdo direito de Austin e iniciei um breve sonho. Estava de volta no dia da comunal, onde peguei Austin e Megan se beijando, mas em momento nenhum ele beijava Megan, era apenas eu e ele e todos os cinco meses de namoro de perdemos.

–Clarie... — Senti meus ombros serem chacoalhados e a voz interrompendo meus sonhos — Clar... — Fui chamada mais uma vez, despertei-me abrindo as pálpebras dos olhos devagar, Austin estava me olhando, indaguei-o.

–Onde estamos Austin?

–Um lugar mágico, Nova York, mais especificamente Time Squares!

Abri os olhos, incrédula, sempre quis ver esse lugar, virei minha cabeça para o vidro da janela e peguei minha câmera e comecei a fotografar o lugar, logo o motorista que ficou calado a viajem toda disse.

–Queridinha, tirar fotos por aqui é mais rápido — Ele disse abrindo o teto solar, dando um sorriso, não pude conter um sorriso e o agradeci colocando meu tronco para fora do carro, tirando muitas fotos do lugar, era lindo.

Alguns minutos depois chegamos ao aeroporto de LaGuardia, Austin pagou o taxi e me ajudou com o malão, agradeci o motorista que foi-se embora.

Ficamos no habitual silencio que já estava cansada de presenciar no aeroporto, agora era quinze para meia noite, e começaram a chamar no alto-falante:

“Voo 245 com destino a Londres irá sair em quinze minutos, passageiros recomendamos ir para o corredor o mais rápido possível”.

Já havia tido essa cena antes, a dois anos atrás na Inglaterra. Levantei-me e abracei Austin, ele retribuiu o abraço e disse.

–Não irei te prender aqui — e me deu um selinho — eu te amo Clarie. E vou te visitar o mais rápido que conseguir, eu prometo.

Sorri para ele e despachei meu malão, após um tempo já estava rumando em direção ao corredor do avião, em algumas horas estaria na Inglaterra.

Segui o corredor até final logo estava dentro do avião. Sentei em meu assento, sozinha, olhei pela janela, e enquanto o avião ligava os motores apenas uma frase pairava sobre meus pensamentos:

Adeus América.

Decolamos