III

três anos depois

Senti alguém puxando meu braço.

Pensei em gritar no mesmo instante, mas automaticamente me acalmei quando ouvi o sussurro sonolento dele no pé do meu ouvido pedindo que eu não tentasse me mover. Olhei-o, as vistas ainda embasadas e o corpo mole, frágil. Ele me segurou pela cintura, impedindo-me de cair. Tossi uma, duas e outras mais vezes; lembro-me de ter prometido a mim mesma que nunca mais usaria uma daquelas porcarias.

O que você me deu? — murmurei, a voz extremamente falha.

— Vá se foder, Clarice. Da próxima vez que aparecer aqui assim, vou embora. — ele me largou, e caí sem jeito sobre a cama.