Clamor De Sangue
1 Clamor de Sangue
Clamor de Sangue
Siga seu bom senso, você não pode se esconder.
Atrás de contos de fadas para sempre e sempre
Apenas revelando toda a verdade poderemos descobrir
A alma desta fortaleza doentia para sempre e sempre, para sempre e sempre.
O som dos soldados marchando ecoa na mente temerosa. O corpo treme, a pele se arrepia, sentindo como se estivesse sendo cortada pela mais afiada das lâminas. Por quê? Essa única pergunta não deixa a consciência, atormentando e assombrando como a própria presença da Morte, a dama que rodeia o mundo, escondida nas sombras que os próprios humanos criam em seus corações.
O tilintar das espadas é ouvido e a mão se fecha sobre o pingente de prata. Força demais é posta no ato e o sangue escorre por entre os dedos longos, pingando no chão de madeira assim como as lágrimas, fugitivas dos olhos fechados, fazem. O corpo treme ainda mais, cada choque entre as armas sendo sentido pelos músculos tensos.
Mentes doutrinadas frequentemente contêm pensamentos doentios
E cometem a maioria dos males contra os quais pregam
Hesitantes olhos se abrem para admirar a imagem da cruz pendurada na parede, a prata brilhando e refletindo o fogo das velas espalhadas pelo santuário destruído. Como alguém poderia usar a fé como justificativa para machucar, para matar? Como algo que nasceu para confortar, para curar pode se transformar em uma arma para cortar e destruir?
A luz divina sucumbe lentamente às sombras dos corações humanos. O mundo se afoga no sangue que é o seu próprio. Os corações que pulsam com ódio e rancor são os mesmos que bombeiam a vida desse planeta, vida misturada com veneno. O antídoto está no sangue daqueles que mais sofrem, daqueles que são mortos sem terem uma chance de se defenderem, sem nem ao menos entenderem o motivo por trás de seu fim.
Não tente me convencer com mensagens de Deus
Vocês nos acusam dos pecados cometidos por vocês mesmos
É fácil condenar sem se olhar no espelho
Atrás dos bastidores é que está a realidade
A alma do mundo clama pelo fim das batalhas. As almas daqueles que gritam em desespero oram pela paz. Por que aqueles que lutam não podem dar ouvidos a esses clamores? O que há de errado em abaixar a espada e admitir a derrota? O orgulho é tão importante? O poder é tão precioso? O mal está assim tão arraigado nos corações que nada pode pará-los, nada pode salvá-los?
A mão solta o pingente, agora vermelho. Os olhos assistem a cruz quebrar e sangrar. O fogo aumenta, assim como o som. A batalha, tão distante e tão próxima, é impossível de suportar. A dor domina o sangue, correndo pelas veias e cortando o caminho que segue. O corpo sangra interna e externamente. Até mesmo as lágrimas adquirem a cor da vida torturada por algo que não pode controlar.
O silêncio eterno clama por justiça
O perdão não está à venda e nem a vontade de esquecer
O santuário cede à violência, fragmentando-se como se fosse um frágil castelo de cartas. Aquele que ora e chora em silêncio é capturado, forçado a escolher um lado. Uma escolha impossível. A recusa tem consequências. A dor é fortalecida, o veneno destrói com mais rapidez. Um corpo, uma alma que se transformam em cinzas nas mãos daqueles que deviam protegê-los.
O choro, a fraqueza. A oração, a ingenuidade. A paz, a utopia dos tolos. Não, nesse mundo de escuridão somente o poder possui valor, somente o capacidade de machucar é recompensada. Não há espaço para a luz em meio às trevas. A ambição comanda, a luxúria age e a inocência morre, deixando para trás o seu último e silencioso clamor de sangue.
Siga seu bom senso, você não pode se esconder.
Atrás de contos de fadas para sempre e sempre
Apenas revelando toda a verdade poderemos descobrir
A alma desta fortaleza doentia para sempre e sempre, para sempre e sempre
Você não pode continuar se escondendo
Atrás de velhos contos de fadas e continuar lavando suas mãos em inocência
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