Clair de Lune

1 Estação de trem


Notas iniciais
O texto em itálico é de um tumblr: sub-mer-gin-do.tumblr.com Boa leitura!

''Sinto a brisa tocando minha pele de uma forma terna. Isso me faz lembrar o quanto eu preciso ser tocada por alguém. Não de qualquer jeito, não, mas de um jeito especial, de um jeito único, mais quente que um abraço e mais puro que um beijo na testa. Apenas um toque. Um toque que me faça ferver, que me faça ir ao céu, que me faça derreter e arrepiar, que toque não só a minha pele, mas a minha alma. Apenas isso. Uma coisa de pele. Um toque.''

É uma quinta-feira qualquer, saio do trabalho e me dirijo a estação de trem, minha carona não virá hoje e esqueci a carteira em casa, ou seja, nada de táxi. A noite está chuvosa e, pra falar a verdade, é só um reflexo do que sinto.

— Boa noite senhor.- cumprimento um velhinho ao lado.

— Boa noite senhorita!- ele sorri.

Retribuo com um sorriso fraco.

— O trem das 18:00 já saiu?- pergunto.

— Ainda não senhorita.

— Obrigada.- digo.

Olho para o relógio, são 17:50, penso no garoto de cabelos castanhos e encaracolados, ''o que ele estaria fazendo agora?'' — penso.

Pego o celular e digito o número de telefone, ouço a primeira chamada e ele atende.

— Miguel?- pergunto.

— Oi minha menina.- ouço sua voz doce e aquilo me acalma.

— Está em casa?- pergunto.

— Sim, estou.

— Vou aí tudo bem?!- ok, estou enlouquecendo, mas preciso vê-lo.

— Sério? Onde você está?- ele parece surpreso.

— Estou na estação de trem, chego em um minuto.

— Ok. Te espero.

Desligo a chamada e corro, subo as escadas da estação sem me importar com os degraus molhados e a chuva forte.

Chego no condomínio do Miguel e ele está me esperando. Sorrio ao vê-lo, ele vem ao meu encontro e me abraça.

— Vamos subir, você precisa se secar. — ele segura minha mão e deixo que ele me conduza.

Ele abre a porta revelando um amplo apartamento muito bem decorado. Subimos para seu quarto; uma cama de solteiro com o lençol do Capitão América, o que me faz sorrir, uma biblioteca com livros interessantes, papéis com letras de música espalhados por todo o quarto e uma pequena mesinha de estudos com uma foto minha em cima. Pego a foto e sorrio.

— Bem... isso não deveria estar aí. — ele diz meio sem jeito. — Bom, a que devo a honra de sua visita? — ele diz me entregando uma toalha.

Sento na cama, jogo minha bolsa e sapatos em algum canto do quarto e enxugo os cabelos.

— Eu... bem, eu precisava te ver... sinto saudades.- Digo tímida.

Ele se aproxima, ajoelha-se aos pés da cama e apoia sua cabeça em meus joelhos. Ergo sua cabeça pelo queixo, me aproximo um pouco e beijo seus lábios rosados suavemente. Ele se levanta, senta-se ao meu lado e segura meus cabelos enquanto nosso beijo torna-se intenso.

Ele me deita, acaricia meu rosto, meu coração está acelerado, seu beijo é urgente, e suas mãos percorrem meu corpo. Clair de Lune toca no rádio abafando o som da chuva forte; suas mãos param na barra de minha blusa de cetim, ele me olha como se pedisse permissão, levanto os braços, ele a retira revelando minha lingerie de renda branca, ele suspira e volta a beijar-me, retiro também a sua camisa branca, arranho suas costas, provavelmente deixando marcas vermelhas em sua pele alva.

— Tem certeza do que está fazendo?- ele sussurra.

Ponho meu indicador em seus lábios. — Shiii, não fala nada, só me permita sentir...- digo.

Ele se levanta, me admira, sinto meu rosto corar, nunca, ninguém havia olhado para mim daquela forma, e eu nunca havia desejado tanto alguém como o desejava.

Ele prende minhas mãos acima de minha cabeça e traça um caminho com beijos de minhas bochechas ao meu pescoço. Estou fervendo, ofegante.

— Eu te amo.- sussurro.

Ele me olha e sorri.

— Eu te amo.- ele diz e volta a beijar-me.

Seu toque é urgente, nosso beijo é intenso, estou pronta para me entregar; Clair de Lune para de tocar, ouço um alto som e uma voz que não é a do Miguel.

— Senhorita, o trem está chegando.- ouço o velhinho me avisar.

Saio de um estado de transe e percebo o trem se aproximando. Suspiro longamente, era um sonho afinal?

— Obrigada senhor.- digo desanimada.

Adentro o trem, meu coração está em pedaços, a chuva está mais forte e o tempo está frio; me encolho num acento e ponho os fones de ouvido, Debussy- Clair de Lune, fecho os olhos, está na hora de sonhar de novo...

Notas finais
Bem amadinhos, é isso... Espero que tenham gostado. Deixem comentários.Beijoooos.
Você chegou ao fim do livro. Parabéns!