Chegar a Plataforma 9 3/4 fora algo um pouco confuso. Eles pararam para pedir informação diversas vezes antes de conseguirem encontrar a entrada secreta em as Plataformas 9 e 10. Embora a maior parte do grupo fosse bruxa, nenhum deles tinha estudado em Hogwarts.

Henry Minuit era o único trouxa. Tinha cabelos castanhos que batiam quase no ombro, olhos verdes belíssimos e aquele famoso sorriso Colgate que faria qualquer uma se derreter num passe de mágica.

Louise Minuit era veela, lindíssima! Seus longos cabelos loiros tinham cachos impecáveis que emolduravam seu rosto levemente bronzeado, que não tinha uma única mancha ou ruga. Os olhos azuis claros eram brilhantes como o céu e seus lábios naturalmente rosados exibiam um enorme sorriso a filha.

Alyssa estava tão animada quanto a mãe. Tinha ouvido muito a respeito da escola e mal pode conter a emoção quando soube que sua mãe — finalmente — resolvera transferi-la de Beauxbatons para Hogwarts.

Acompanhando os Minuit, estavam os Woodell, uma família puro-sangue também formada por franceses. Charlotte tivera que discutir muito com os pais para que estes a deixassem ir para Hogwarts junto de sua melhor amiga. De qualquer, ela nunca gostara muito da França e perder sua melhor e única amiga era algo que ela não admitiria. A garota herdara os cabelos ruivos do pai e os olhos de gato da mãe.

August Woodell era baixinho e um tanto barrigudo. Os cabelos cor de fogo chamavam muito atenção em meio a multidão de bruxos. Por outro lado, Loren Woodell tinha traços muito comuns, cabelos negros escorridos e lágrimas nos olhos amarelos de felino.

Para ambas as amigas, estar naquela plataforma encantada pela primeira vez, encarando o trem vermelho que as levaria para seu novo lar, era como assistir a um sonho que estava prestes a se tornar realidade.

– Bom... — começou Charlotte cautelosa.

– É isso. — completou Alyssa, já prevendo a reação da mãe.

– Ai, meus anjos! — a Sra. Minuit puxou as duas para um abraço longo e demorado — Vou sentir tanta falta de vocês! Como posso suportar um ano tão longe das minhas encrenqueiras?!

– Se não deixar as duas respirarem, vai ter que suportar uma vida inteira sem elas, meu amor. — riu o Sr. Minuit.

– E tem mais, elas vão voltar para passar o natal conosco. — o sr. Woodell pôs a mão gorducha no ombro da esposa — Serão apenas três meses.

– M-mas elas estarão aqui, na Inglaterra, e nós dois na França! — choramingou a Sr. Woodell — Não vou suportar!

– Não faz drama, mãe! — Charlotte corou, vendo que alguns pais estavam começando a olhar para as duas famílias de modo estranho — Vamos lhes escrever toda semana. Prometo!

– Mas se esquecermos de escrever a escola mandará advertências e notificações por nós. — completou Alyssa rindo.

Louise gemeu baixinho e abraçou as duas de novo, soltando-as apenas quando o apito do trem soou. As amigas se despediram dos familiares e rumaram em direção ao trem. Conseguiram uma cabine vazia antes mesmo de o trem sair e, da janela, podiam ver os pais acenando com lágrimas nos olhos. Lyssa ainda conseguiu ouvir a mãe gritar seus últimos avisos ("Não tente encantar outros alunos com seu charme de veela!", "Não saia dos limites da escola!", "Alimente seu cachorro!") antes do trem começar a acelerar e a estação sumir de vista.

Finalmente sozinhas, as duas amigas trocaram olhares sorrindo. Estariam longe das francesas patricinhas e mimadas, nunca mais se incomodariam com as condutas de etiqueta rígidas de Beauxbatons. Elas se sentiam livres para aprontar e virar Hogwarts de ponta cabeça.

Era um novo ano, uma nova aventura, um novo começo.