Clair de Lune
7 Capítulo 6 - Detidas
Notas iniciais
Severus caminhava a passos largos para as masmorras. Os Marotos ainda não tinham aprontado nada e, de certa forma, isto o estava preocupando. Não sabia o que eles estavam planejando, mas sabia que a pegadinha não tardaria a chegar.
Desviando-se do máximo de alunos que conseguiu, o sonserino logo estava no corredor quase deserto que levava a sala de poções. Não havia alunos, mas o garoto se assustou ao ver uma raposa branquíssima adormecida aos pés de uma armadura encantada. Ele riu se aproximando do animal.
– O que uma raposa silvestre como você está fazendo num lugar tão abafado como as masmorras? — ele acariciou as orelhas felpudas do animal, achando-se um idiota por estar falando com um animal aparentemente normal — Por que não está nos jardins?
A criaturinha se mexeu preguiçosamente e abriu os grandes olhos castanhos, fitando Severus por alguns segundos e guinchando baixinho. Logo, o garoto estava imóvel, com olhar vidrado no nada. Nenhum pensamento, por mais vago que fosse, passava por sua cabeça.
A raposa abriu um mínimo sorriso e começou a mudar. Foi aumentando de tamanho consideravelmente, os pelos diminuindo como se estivessem entrando novamente na pele, as patas alongando-se. E aonde a pouco tempo havia uma raposa, estava parada uma adolescente de cabelos loiros que sorria cinicamente enquanto ajeitava a gravata vermelha e dourada.
– Lottie! Six! Está feito! — a animaga gritou o mais alto que pode.
Charlotte e Sirius estavam escondidos juntos nas escadas que levavam ao saguão de entrada e desceram correndo para ver o resultado da obra. A ruiva não parecia impressionada, mas o moreno estava boquiaberto.
– Merlin, quando você falou que seu charme de veela era poderoso, não imaginei que era tanto assim. — o garoto acenava freneticamente para o sonserino — Ele nem pisca!
– Eu sei. — Alyssa riu e jogou os cabelos para trás — Sou demais.
– Como fez ele sequer parar para falar com você? Ele geralmente evita qualquer pessoa que venha falar com ele nas primeiras semanas de aula.
– Segredos de mestre. — Lottie piscou para a meia-veela, que era a única pessoa que sabia sobre as habilidades animagas da amiga — Vamos logo com isso, estou com fome.
– Tá bom, tá bom. — Lyssa se postou novamente em frente ao sonserino ainda imóvel — Sev, quero que você espere uns cinco minutos, volte para o saguão de entrada e se auto-pendure de ponta cabeça em frente ao salão principal, entendeu? Pode usar uma corda, um feitiço, qualquer coisa. Apenas faça. E depois se estupore. — então se virou para os amigos — Esqueci alguma coisa?
– Faltou mandar ele ir no dormitório feminino e roubar algumas roupas. Isso não daria certo. — Sirius coçou a cabeça — Acreditem, já tentei entrar no dormitório feminino. Nenhum bruxo do sexo masculino conseguiria entrar lá.
– Hum... — Lottie pareceu pensar um pouco — Então acho que podíamos fazer as aulas de Madame Renné valerem a pena, certo? Não olhem, vai ser uma visão do inferno. — ela avisou enquanto apontava a varinha para o alvo — Descu Promit!*
Com um estampido e um feixe de luz branca, as vestes negros do aluno imobilizado tornaram-se uma bata curta amarela fluorescente e uma mini-saia cor-de-rosa que exibia as pernas magras e brancas do garoto até demais. Sirius praguejou ao ver a terrível transformação acontecer diante de seus olhos, recebendo olhares de censura de certa ruiva que repetia "Eu disse que seria uma visão do inferno!" em alto e bom tom.
Os três voltaram para o Salão Principal, aonde se acomodaram novamente na mesa da Grifinória. Desta vez, escolheram um lugar perto dos amigos de Sirius.
– Desejo um bom dia a todos os que estiverem interessados! — Alyssa se espalhou no banco de madeira ocupando o espaço ao lado de James.
– Opa, pode tirar o hipogrifo da chuva que esse é o lugar do meu Lírio. — o Potter empurrou a loira para o chão e fingiu tirar o pó do assento.
– Nossa, quanto amor. — Charlotte acomodou-se entre Peter e James, tomando cuidado para não roubar o lugar do tal Lírio — Amei seus novos amigos, Lyssa. Eles parecem ser super-sensíveis e educados.
– É, tudo que Madame Corinne ia querer. — a loira se arrastou até o lugar vago próximo a Remus e Sirius.
– Sim, sempre fomos um orgulho para ela. — então a ruiva sorriu para os outros três marotos — Prazer, seres desconhecidos. Sou Charlotte Woodell.
– Prazer. — os garotos se apresentaram.
Não tardou para que Lilian parecesse, recusando de forma nem tão educada os apelos de James, que tentava fazer a ruiva sentar ao seu lado. Pouco tempo depois, Flora apareceu com uma aparência muito pálida e doentia. Não ficou mais do que dez minutos para tomar café, o que de certa forma preocupou as duas francesas. Até lá nada de interessante, mas então...
Um berro histérico cortou o ar, arrepiando todos os alunos calmos que tomavam um café da manhã tranquilo. O som era uma mistura de riso exagerado e pedido de ajuda.
– Hora do show! — Lyssa sorriu para os dois cúmplices, arrancando olhares desconfiados de Peter e Remus.
Lily, a monitora mais próxima da porta, correu para fora do Grande Salão, voltando em questão de segundos com o rosto tão vermelho quanto os próprios cabelos e uma expressão de fúria assustadora.
– VOCÊS! — ela gritou com os Marotos, atraindo a atenção de todos os alunos e professores — JÁ DISSE PARA DEIXÁ-LO EM PAZ! DESFAÇAM ISSO, AGORA!
– Hum... Claro, por que não? — James levantou-se calmo — Eu apenas gostaria de saber o que nós fizemos.
– VOCÊ SABE MUITO BEM O QUE APRONTOU COM SEUS AMIGUINHOS! SOLTEM ELE!
– Sinto discordar, mas não fizemos nada. Não sei do que está falando.
– DAQUILO!
Todas as cabeças viraram para a porta escancarada. Flora estava ajoelhada no chão, dobrando-se de tanto rir. Pouco acima de sua cabeça, Severus Snape permanecia desacordado e rodando lentamente como um vampiro desacordado. E suas roupas não ajudavam a conter a agitação. Crianças taparam os olhos, os garotos riam abertamente, meninas engasgavam-se com a comida e a Prof. Kiggs soltou um grito agudo e saiu correndo para a sala dos professores.
– Essa... Foi... Muito... Boa! — James ria mais que qualquer um — Mas... Não... Fomos... Nós.
– NÃO?! ENTÃO QUEM FOI, SENHOR SANTO POTTER?!
– Não faço... Ideia.
– Estaria correto em pensar que foram as novatas? — perguntou Remus com simplicidade, encarando as francesas sério.
– Acha mesmo... Que fomos nós...? — Lottie era boa atriz e parecia tão surpresa com o incidente que convenceu até mesmo a irritada Lily.
– Sim, acho que foram vocês. — continuou Remus sério — Apostaria dez galeões nisso.
– Ah, Remmy, — Lyssa enrolou uma mecha do cabelo nos dedos e piscou docemente os olhos — e se fomos nós? Você não nos daria uma detenção, daria?
Remus abriu a boca para responder, mas o som não saia. Ele piscou lentamente por alguns segundos encarando a loira, ouvindo a voz dela ecoar em seu cérebro, como uma maldição que o desafiava a desobedecer o comando implícito e dar as duas uma punição. Por fim, ele disse:
– Sim, estão detidas.
O sorriso sarcástico no rosto das francesas desapareceu sem mais nem menos.
– Como? — perguntou Lyssa, tentando manter a voz calma.
– Detidas. Estou detendo vocês duas. Avisarei a vocês quando decidir o que vocês duas farão.
– Não pode fazer isso! — a loira segurou o queixo do castanho e o fez encará-la — Não pode nos dar uma detenção.
– Sou monitor e exijo o mínimo de respeito. — ele se desvencilhou da garota — Não só posso como já dei. Agora, me dêem licença.
E saiu a passos largos, desviando-se de alunos risonhos com uma Lilian terrivelmente descontrolada ao seu lado.
– Bom, nada pode ser pior do que trabalhar no salão de beleza de Beauxbatons na semana do Baile de Outono. — Lottie riu ao se lembrar de uma de suas detenções — Não pode ser tão ruim.
– Ele... Ele negou meu charme. — Lyssa permanecia parada no mesmo lugar com um olhar perdido — Nunca... Em toda a minha vida...
– Lyssa, ele fez o que eu acho que ele fez? — perguntou Sirius vendo a expressão confusa da garota.
– É, Six, ele fez. — Lottie deu dois tapinhas nas costas da amiga — Finalmente encontramos alguém que resiste ao charme da nossa veela. Vamos andando, temos poções agora.
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