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11 Reunião sombria
“São tempos difíceis para os sonhadores.”
(O Fabuloso Destino de Amélie Poulain)
Livro: A arte de correr na chuva.
Autor: Garth Stein.
Ele me deu um livro, parecia ser legal. Achei muito bonitinho da parte dele e lhe dei um abraço e ele sorriu. Sentou-se ao meu lado em uma poltrona que havia ali e pegou o controle da TV, ficamos algum tempo assim... Vendo TV e conversando sobre os programas idiotas que passavam, às vezes nos fazia rir. Começou a passar uma novela, o que automaticamente me fez lembrar-me minha tia, ela amava novelas e me irritava todos os dias quando ficava assistindo séries nas horas em que passavam suas novelas, ela amava isso.
Por um estante, minha vida se passou em minha cabeça e me senti tonta. Senti uma imensa vontade de vomitar e em minha cabeça, o chão parecia rodar. Tudo que eu já amei nessa vida se foi embora, até meu irmão, que me abandonou para ir à faculdade, eu nunca culpei ele por isso por que sei que é o quê ele sempre quis. Perdi meus pais muito cedo, sem saber como é ter uma mãe para te apoiar (Apesar de quê a tia Jane sempre foi como uma mãe para mim) e um pai para cuidar de mim e brigar comigo por chegar perto de garotos bonitos de mais que só pensavam ’naquilo’. Amei apenas um garoto minha vida toda, ele se apaixonou pela pessoa que mais odeio nessa vida e eu sofri muito com isso. Parecia errado, certo? Amar alguém que não liga para você... Mas, eu meio que superei isso, sabe.
O que mais me deixa assim, pensativa, é o fato de eu sorrir depois disso tudo. Eu me culpo por isso TODOS os dias, não quero ser assim. Penso em como não ligo tanto em desperdiçar comida às vezes e penso nas pessoas que passam fome todos os dias, como me odiariam se soubesse disso. Como reclamo da minha vida sendo que tem pessoas que passam por coisas piores, devia agradecer só por estar viva, mas simplesmente não DÁ. Além de quê, eu sei o valor que tem minha vida, mas não só a MINHA vida e sim a vida de todas as pessoas. Todo mundo significa muito, todas as vidas significam. Todos passam por algo ruim de vez em quando, é a vida, mas não podemos desanimar e desistir. Por que, tenho certeza, todos passaram e vão passar por momentos felizes na vida. Sou uma completa catástrofe!
Sabe o que dizem né... Só se pode amar alguém de verdade quando tiver amor próprio primeiro, o que quer dizer que eu vou morrer sozinha, por que eu definitivamente não me amo. Então, lembrei que Zayn estava ali e ele parecia me olhar preocupado “Você está bem?” ele perguntou pegando minha mão, o que me fez corar e meu coração acelerar, e sorrindo meio nervoso. “Estou” eu disse me virando.
Voltei o olhar para ele quando me lembrei do acidente e de que ninguém havia me dito o que aconteceu com a irmã da Leticia, fazendo Zayn me olhar novamente com aquele olhar sério e sexy que só ele tem. Eu perguntei sobre isso á ele e do nada tudo ficou em silêncio, senti um arrepio percorrer meu corpo e me virei um pouco mais em direção á ele, querendo uma explicação. Sua atenção estava totalmente em cima de mim, mas não dizia nada. “Eu não sei” ele murmurou, engolindo seco e voltando á ver TV. Resolvi, então, que ele não diria nada e deitei minha cabeça no travesseiro fofinho que Ethan havia-me trago á pedido de Ashley.
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Algumas vezes, nossos pensamentos se vão a duvidas e escolhas. Pensamos em nossos sonhos, em como seria difícil alcançar o que nós gostamos de fazer, então desistimos. Parece legal a vida ser perfeita, não precisar se preocupar com trabalho ou escola, popularidade ou inteligência, fama ou dinheiro. Mas, já parou para pensar como seria chato? Quer dizer, todos teriam vidas perfeitas, não existiria ‘emoção’ em nossas vidas e todos saberiam que acordariam no próximo dia e nada de mais iria lhe acontecer. Não teria graça viver sem obstáculos á percorrer.
Pode até parecer legal no começo, mas depois tudo muda. Você se cansa, se sente entediado, como uma marionete. Essa é minha opinião sobre a vida perfeita ‘dos sonhos’.
Olhei ao meu redor e havia o livro que Zayn tinha me dado ali ao lado da cama, mas não tinha ninguém no quarto. Eu havia dormido sem querer. Peguei o tal livro, abri a primeira página e comecei a ler ali mesmo, já que não havia mais o que fazer.
Fiquei algum tempo ali lendo, até lembrar-me de Claudia e imediatamente sentir uma enorme saudade dela. Uma ideia então veio á minha cabeça. Sentei-me na cama, coloquei o livro de volta á onde peguei e me levantei, o relógio marcava meia noite e meia. Fui em direção da porta, abri a mesma e coloquei minha cabeça para fora... Não havia ninguém no corredor. Sai e fechei a porta, andei pelos corredores com medo de alguém me pegar. Estava tudo muito escuro, só se via algo por causa das luzes externas que iluminavam um pouco. Cheguei em frente ao quarto dela, cujo Harry havia me passado o número, e abri a porta. Ela parecia tão sem vida, dormia como um anjo e sorria como um demônio. Aproximei-me de sua cama, me sentei ao seu lado e uma lagrima caiu. Não suporto ver ela assim, sabendo que eu dormia enquanto ela chamava meu nome, abaixei minha cabeça e chorei baixinho.
´´Por que choras?``
Dei um pulo, assustada. Claudia me encarava sorridente, acho que é uma surpresa acordar e ver sua amiga que achava que estava em coma acordada.
´´Claudia, como assim... Eu te acordei?``
´´Imagina, eu estava morrendo de vontade de alguém aparecer aqui mesmo. Estava um enorme tédio!`` ela disse rindo e eu continuei séria.
´´O que aconteceu com a irmã da Leticia...?`` mais um silêncio...
´´Vou contar toda a história, então... `` eu concordei. ´´Quando batemos o nosso carro em outro, parecia que a pessoa queria nós machucar de verdade! Eu fiquei assustada e comecei a te chamar, a Leticia me abraçou e eu te abracei. A irmã dela por outro lado não tinha onde se esconder, nem nada do tipo. Ela se feriu gravemente e trouxeram-na para cá, mas ela não resistiu aos ferimentos e faleceu... ``
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