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5 O sol também se levanta...


Notas iniciais
ESCUTEEEM *-* I Won't Give Up - Jason Mraz

´´Algumas pessoas ouvem suas próprias vozes interiores com grande clareza e vivem com o que ouvem. Essas pessoas tornam-se loucos, ou eles se tornam lendas. ``

– Lendas da Paixão (1994).

Amaçada, apertada, deslocada... Assim se sentia.

Estava no carro do amigo de seu irmão, Michael, junto de muitas outras pessoas.

Atrás estavam: Eu, meu irmão e a sua namorada – que até então, não conhecia -, um amigo deles que se não me engano chama Bryan... Acho que o Bryan é o que está na frente, esse é o Liam. Ele tinha um jeito de ser o mais certo dali, no meio do caminho o meu irmão e a sua namorada, começaram a se agarrar e ficou complicado para mim e o Liam. Nós então, sentamos um ao lado do outro e fomos conversando o caminho todo, ele dizia coisas sérias e fazia perguntas sobre onde eu vou estudar, qual faculdade iria cursar. coisas do tipo. Mas, ele também tinha certo senso de humor.

“Eu tenho um melhor amigo chamado Harry, você vai adorar ele.”

Ele disse enquanto éramos esmagados pelo casal ao nosso lado.

“Por quê?”

“Ele é muito engraçado, uma piada.” – Disse e sorriu.

Olhou para o lado de fora e o vento batia em sua face, sorria e cantava a música que tocava na rádio baixinho. O céu estava bonito como nunca antes, as estrelas pareciam infinitas. O mundo, em si, é infinito. O vento bagunçava meu cabelo, e eu não ligava. Estranho, não?

A música parou e começou uma mais agitada ainda. Logo depois, quando estávamos chegando, começou uma mais calminha. Deparou-se com milhares de Adolescentes e Jovens Adultos ali. Pessoas, que como meu irmão, não tinham nada melhor pra fazer.

Saiu do carro e Liam disse que iria procurar sua namorada. Fiquei ali, parada, esperando um milagre acontecer.

Vi uma escada, que levaria para o terraço que parecia vazio. Olhou ao redor e não viu mais ninguém que estava no mesmo carro que ela, então, resolveu subir de uma vez. Estava como ela esperava, sem ninguém. Havia nos cantos alguns casais felizes, que trocavam carinho e ficavam com apelidos bobinhos. Encostei-me no corrimão e ficou um tempo olhando o céu e depois o movimento lá em baixo, quando alguém cutucou seu ombro.

Olhou de baixo á cima. Foi subindo e quando chegou ao rosto se surpreendeu “Está me perseguindo?” disse e sorriu. “Nem um pouco convencida” foi tudo que disse antes de se encostar-se ao corrimão e observar a paisagem com ela, “O que você faz em uma festa dessas?” pensou alto.

“Nada, apenas passando o tempo” gargalhei e ele me olhou confuso.

“Não parece o tipo de festa que você frequenta” olhou para o chão e mordeu os lábios, apenas uma mania.

“E não é” foi tudo que ele disse, encarava-a sério, “Não parece ser o tipo que você frequenta, também”.

“E você tem razão. Estou aqui apenas pelo meu irmão, que me obrigou á vir”.

“Hm...” ele fez um barulho e ficou sério novamente.

“Você é sempre assim?” disse enquanto tirava os nos de seu cabelo, que ficaram por causa do forte vento. “Assim como?” agora olhava para ela.

“Misterioso”.

“Na maioria do tempo, sim” e riu. Ele nunca ria, o que a fazia rir também. Pareciam dois bobos rindo do nada. Ou, deles mesmos. “Você sempre teve essa mania?”

“Qual?” disse sem tirar os olhos do céu.

“Morder os lábios... Eu meio que percebi isso”

“É estranha, não? Eu queria parar, mas não consigo” disse enquanto passava seu pé no chão, se concentrando nisso.

Ele apenas ficou quieto.

“Por que você foi falar comigo?” Pela primeira vez, olhou para os seus olhos.

“No momento, parecia o certo á se fazer”, ela riu “Entendo” foi tudo que disse.

Permaneceram um tempo parados, podia sentir seu coração acelerado, a música na parte de baixo alta fazendo o chão até tremer. Pessoas gritando, se beijando, fazendo loucuras, jogando e outras apenas dançando como se fosse sua última dança. Coitados... Mal sabiam que estavam tão certos.

“Estou com sede, vou descer para pegar uma bebida, quer algo?”.

“Pode ser um refrigerante, não quero beber... Estou dirigindo” sorriu para ele e assentiu.

Desceu as escadas e trombou com uma moça que caiu no chão com a batida, tentou ajudar ela que se recusou e tentou se levantar sozinha... Falhou.

“Tudo bem, pegue na minha mão” eu disse sorrindo e ela apenas falou

“Pode ir, estou bem” de um modo tão enrolado que quase não consegui entender. Quando finalmente conseguiu se levantar sozinha eu emprestei meu casaco para ela, e simplesmente saiu andando. Tentei esquecer isso e fui pegar a bebida. Logo, vi Ethan e sua namorada se agarrando de um lado, Michael – que dirigia o carro em que eu estava – em outro canto jogando com alguns garotos e tentando não beber,Liam e sua namorada cujo nome não me lembro... Deve ser Letícia, pois, não me dou bem com nomes. Esqueço fácil. Ouvia conversas de todos os lados, estava realmente lotado. Passou exprimida pela multidão e subiu. “Aqui, desculpa a demora...” “Beleza” disse antes de dar um longo gole em seu refrigerante.

Passou um bom tempo conversando com ele. Do nada, começou a tocar alguma música romântica e lenta, ele me olhou e eu olhei para ele, como se falássemos um para o outro “Quero dançar com você” e ele foi chegando mais perto, mais perto... Colocou seus braços em volta da minha cintura e eu descansei minha cabeça em seu ombro, ficamos lá... Dançando. Uma cena um tanto que estranha e ridícula, uma música muito bonita e um momento para se lembrar. Quando olhou para o relógio que havia na parede viu que já havia passado da meia-noite.

“Acho melhor eu ir procurar o Ethan” foi tudo que ele ouviu antes de um barulho alto se disparar, um segundo de silêncio, e em outro segundo pessoas correndo e gritando. Zayn puxou-me para baixo. “Calma” ele me abraçou e, me senti um pouco mais calma.

“Quero sair daqui, Zayn!” falei um pouco alto e ele colocou a mão na minha boca.

“Pega meu casaco” disse tirando sua jaqueta, ela acabou se distraindo com aquela cena e ele falou um pouco mais alto “Vai”.

“Para que?” ele parecia agora, irritado.

“Você quer viver, né?” eu assenti “Então, faz o que eu mando”. Descemos as escadas e eu coloquei o capuz dele, que, passou o braço na minha cintura e saiu andando. Meu celular tocava sem parar “Não atende e anda rápido”. Estava ferrada, meu irmão nunca mais deixaria ir a algum lugar de novo. Chegamos perto de um carro preto muito bonito e ele apertou o botão para destravar as portas, abriu a porta pra ela e ‘jogou’ ela para dentro do carro.

“Está louco? O Ethan deve estar me procurando! Quero saber onde está meu irmão, já pensou no que pode ter acontecido com ele? Com alguém? Você é muito egoísta, eu te odeio”

“Fica calma, não querem ninguém lá dentro” disse enquanto rodava a chave e dava ré no carro.

“Então por que atiraram?” disse ainda aflita.

“Cadê o casaco que você estava” disse olhando em volta.

“Eu... Dei para uma moça bêbada que trombei” ele soltou um risinho e pensou em voz alta, mais para si mesmo do que para mim “Está explicado...”