Claim Piece
8 Apenas uma estratégia ofensiva
´´Se você pudesse voltar no tempo e mudar apenas uma coisa na sua vida, você mudaria? E se mudasse, será essa mudança tornaria a sua vida melhor? Ou será que ela acabaria partindo o seu coração? Ou partindo o coração de outro? Será que você escolheria um caminho totalmente diferente? Ou você só mudaria uma única coisa? Um único momento? Um momento que você sempre quis ter de volta. ``
– One Tree Hill (2003).
O colégio parecia mais um lugar nebuloso do que uma instituição.
Qual adolescente nunca pensou em como seria sua vida sem a escola?
Parece algo bom, não é? Mas, infelizmente, só podemos sonhar mesmo... Ou, virar um “ninguém” na vida.
Certo, hoje é um daqueles dias que daria tudo para ficar em casa assistindo seriados enrolada no meu cobertor não existe coisa melhor. Porém temos que aprender a enfrentar a tal preguiça.
As pessoas estavam começando a se acostumar comigo e isso era bom, eu me sentia menos vigiada.
Estava passando os intervalos ou com a Claudia, Harry, Letícia e Liam ou no corredor conversando (ou simplesmente em silêncio) com o Zayn. Ele me fazia sentir bem e ao mesmo tempo estranha.
Sentei-me e minha cama e olhei o relógio no criado mudo, marcavam 05h10min. Exatamente uma hora antes do meu irmão acordar.
Vesti um casaco, sai devagar do meu quarto e desci as escadas. Só conseguia pensar em algo: Iria descobrir a verdade.
Parecia uma ideia estúpida.
Olhei meu irmão, que dormia no sofá da sala e peguei a chave da porta, sai pela cozinha.
Eu só conseguia olhar uma luz que piscava devagar, ainda estava bastante escuro. Havia pessoas na rua, algumas indo trabalhar e outras estudar, peruas buzinavam e crianças sorriam alegremente e outras apenas iam normalmente para a escola.
Cheguei onde queria: A casa da Claudia.
Peguei meu celular e mandei um SMS para ela, tinha certeza absoluta de que ela iria ver. Dormia pouco e passava a madrugada toda jogando RPG com os seus “amigos virtuais”.
Logo, ouviu uma chave virando e viu a cara cansada de Claudia. Ela sorriu e fez sinal para entrar. “Que foi?” disse com uma voz sonolenta, enquanto subia as escadas.
“Quero saber a verdade” Claudia olhou para ela e riu.
“Que verdade?” riu enquanto entrava em seu quarto, me esperou entrar e fechou a porta. Sentou-se na cadeira de frente para o PC e ficou me encarando, séria.
“Quero saber o porquê de todos falarem para eu ficar longe do Zayn!” se sentou na cama. Claudia engoliu seco, tentou falar algo, mas falhou. Ficou um tempo olhando para o chão e então disse “Você quer mesmo saber...” foi tudo o que disse antes de começar a história.
“Cerca de um ano atrás, ouve um assassinato. Uma garota daqui.”
Ela parou e parecia pensar naquele momento, tentando se lembrar de cada detalhe.
“Era minha melhor amiga! Estávamos muito felizes por ela estar tão bem... Mas, ela andava estranha. Um dia, enquanto estava em uma viagem para a Filadélfia, recebi um telefonema... Ela estava morta.” Olhou no fundo dos meus olhos e lagrimas escorreram, como se vivesse aquele momento de novo.
“Nessa noite, ela teria um encontro com seu namorado. Ele estava na cena do crime, cheio de sangue, o sangue dela.”
“E onde o Zayn entra nisso?” engoliu seco.
“Ele é o tal namorado.”
* * * ** * * ** * * * * * * * * * * ** * * ** * ♥ * * ♥ * * * * * * * ** * * ** * * *** * * ** * * ** * * *
Depois dessa revelação resolvi voltar para casa atordoada, não me lembrei que ainda era de madrugada, olhei para meu relógio enquanto abria a porta e marcavam 5:50. “Onde você estava?” uma voz vinda de trás me fez pular. Liguei a luz e olhei para o sofá. Seu irmão estava sentado com uma xícara, onde devia haver café. Sentiu um arrepio correr pelo seu corpo, estava com medo de Ethan ficar bravo. Apesar de que a única vez que viu ele realmente nervoso, foi quando eram pequenos e ela viu ‘sem querer’ ele beijando a nossa prima, Jessica. Ele estava tão feliz com isso, só que depois ele viu ela com seu namorado. Ela é dois anos mais velha do que ele, e hoje em dia está solteira. Porém, não sei se algum dia eles voltaram a conversar.
“Eu estava na casa da Claudia, precisava falar com ela.” Disse enquanto me sentava ao lado dele (Acho que é mais apropriado dizer que eu me joguei no sofá).
Ele se virou para mim e sorriu. “Ainda bem, eu estava preocupado, avise da próxima vez!” depois disso eu respirei fundo e soltei o ar. Que alivio. “Ah, sim. Vou te acordar da próxima vez, que tal?” dei um sorriso irronico e ele arregalou os olhos.
“Não faça isso!” disse pulando do sofá. “Tá bom” eu ri e subi as escadas em direção ao meu quarto.
* * * ** * * ** * * * * * * * * * * ** * * ** * ♥ * * ♥ * * * * * * * ** * * ** * * *** * * ** * * ** * * *
Queria dormir mais um pouco, queria faltar no colégio e ficar em casa refletindo sobre o que ouviu da Claudia. A vida é tão confusa. Ser adolescente é muito difícil!
Sentei-me na cama e fiquei lembrando da minha conversa com a Claudia. “Não importa o que dizem, acreditamos na inocência dele. Mas, não podemos simplesmente apagar que isso aconteceu” ela disse enquanto eu saia de lá.
Será que ela falava sério? Esse não é o meu problema, na verdade. Sinto pena de apenas uma pessoa, pois ela sofreu e ainda sim é culpada. Vou falar com o Zayn, vou descobrir a versão da história de todos. Eu quero saber a verdade.
Agora, parecia mais fácil de entender por que ele ficava sozinho no corredor. As pessoas eram cruéis. Muitas deviam acreditar, mas a maioria não. Será que ele contaria a versão da história dele (?).
Isso não tinha nada haver comigo... Mas eu iria ajudar essas pessoas.
Fale com o autor