Ciúmes de Você
1 Ciúmes de você
Notas iniciais
A carranca emburrada do italiano chegava a dar aflição em quem visse. O bico quilométrico poderia dar voltas e mais voltas no Japão. Ele estava dirigindo seu carro, há uma velocidade alta. Ao seu lado, Kurosaki Ichigo observava a cidade passar tão rapidamente pela janela que por um segundo achou mesmo que o carro poderia levantar vôo. Então, respirou fundo, pedindo com a voz embargada, para que Alphonso não corresse tanto. Mas Al sequer lhe deu ouvidos. Passou pelo sinal vermelho, quase provocando um acidente com outro carro na avenida pouco movimentada.
Eram duas horas da madrugada, quando chegaram ao bloco de apartamentos residenciais onde Ichigo morava.
O italiano desligou o carro, acendendo seu cigarro de canela. Ichigo nem se mexeu no banco do passageiro. Estava esperando que o moreno lhe dissesse alguma coisa.
Tipo, desculpas.
Mas era mais fácil um meteoro cair ali, em cima deles.
Enquanto Alphonso mexia em seus cabelos, jogando-os para trás, tragando violentamente seu cigarro e olhando para um ponto qualquer do lado de fora do carro. Ichigo recordava-se das últimas horas que passaram. As primeiras até que foram boas. O restaurante que foram tinha uma comida ótima, e a sobremesa era perfeita. Estavam comemorando o trabalho final de faculdade de Ichigo. Al estava especialmente animado naquela noite. E o Kurosaki tinha até um palpite sobre aquele bom humor todo.
Sem a faculdade, talvez ele ache que Ichigo vá ter mais tempo livre para os dois.
Na visão de Alphonso, isso estava indo pelo caminho certo. Ichigo sairia da empresa em que estagiava, iria trabalhar em uma agência publicitária renomada, apenas por oito horas diárias. Tirando as outras oito de sono, e descanso necessário, sobravam aí mais oito horas de lazer, sem contar o sábado, domingo e feriados. Não havia mais desculpas.
Simples.
Já na cabeça de Ichigo, as coisas eram bem diferentes. Ele tinha uma entrevista marcada para a outra semana, onde iria decidir muitas coisas de seu futuro. Mas talvez não fossem agradar Alphonso. Embora fosse uma grande oportunidade para ele.
Depois de ir ao restaurante, eles decidiram estender a noite. Kurosaki queria ir num barzinho tranquilo, poderiam beber um pouco e ir pra casa, talvez ver um filme. Ou ficar juntos, mais nada. Tá, sei.
Mas como um bom italiano, boêmio e festivo que era. Alphonso decidiu ir num lugar que curtia bastante. O karaokê.
Lá eles beberam, e até Ichigo se encheu de coragem de ir cantar uma música em dueto com o moreno. Mas perto de Al, ele ainda estava bem travadinho. Ou na verdade, Al era por demais espalhafatoso e chamava atenção por si só.
A música acabou, e Ichigo desceu do palco, Al continuou porque uma conhecida ali do bar mesmo, o chamou para cantarem juntos também. Lá do balcão do bar, Ichigo o olhou. O moreno estava todo metido no palco, fazendo todo mundo gritar e cantar junto. Os cabelos bagunçados, moldados apenas por seus dedos, conforme os jogava para trás, a camisa branca apertada no corpo dele. A jaqueta havia deixado dentro do carro mesmo, porque lá dentro do Karaokê era quente. Al dizia que era o calor humano. O cigarro pendurado na boca, e quando cantava, segurava-o na mão. Depois dançando junto com a mulher. Ichigo sorriu, bebendo um gole do drink que pedira. Ele não sentia ciúmes do italiano. Era bobagem ficar, na verdade, Ichigo confiava em Al. Mesmo ele sendo como era. E depois de um tempo com o italiano, ele compreendeu que era natural aquele jeito todo sedutor. Digo, Alphonso era um descontrolado e impulsivo. Sarcástico e safado. Se fosse para enumerar defeitos e qualidades boas e ruins, talvez fosse passar muito tempo acordado e ganharia um calo nos dedos por tanto escrever. Ok! Ok! Todo mundo já entendeu que Alphonso era bem complicado. Mas ainda havia uma coisa que fazia Ichigo confiar nele. Estava apaixonado. Estava completamente apaixonado. Era mais forte que qualquer outra coisa que havia sentido antes em sua vida. Nem aquela atração que sentira por Renji, fora tão avassaladora quanto o que sente com Al.
E quando nós estamos apaixonados, não enxergamos, ou não nos importamos com defeitos e essas coisas. Tudo fica tão pequeno, que não parece incomodar.
Sim, mas algumas vezes, Ichigo tinha de relevar certas coisas.
E falando em defeitos e outras coisas.
Ichigo não era ciumento, porém, Al era pelos dois. Ou por qualquer pessoa que eles conhecessem. Não era apenas ciumento, era possessivo. Ele poderia brigar com quem quer que fosse, tendo culpa ou não, desde que visse algo que não estivesse de seu agrado. Como por exemplo, alguém perto do seu moranguinho.
E foi exatamente isso que ocorreu no bar, para deixar o italiano com a carranca brava lá do começo da história.
Ichigo bebia o mojito, feito especialmente para ele. Porque o barman conhecia as preferências do rapaz. Há um tempo atrás, logo que o conhecera, ele até tirava um sarro do ruivo, dizendo que não servia leite ou bebida alcoólica para moleques. E com o tempo, ele acabou se acostumando com as frescurinhas de Ichigo. Principalmente porque ele era a bola da vez de Al. Como era muito amigo do italiano, relevou algumas coisas. Enfim. Outra coisa que o barman conhecia muito bem; era o temperamento explosivo do moreno. E quando viu um homem alto, se aproximar de Ichigo, achou melhor tirar as garrafas mais caras do alcance de qualquer um que deseje quebrá-las.
– Hey! Você. O que está bebendo? – O tal cara alto se aproximou do lado de Ichigo, com um copo quadrado na mão, o gelo dançava no líquido amarelado, conforme ele fazia movimentos circulares.
Ichigo o olhou descontraído, porque ainda estava assistindo Al cantar no palco, seduzindo geral. E quando o ruivo virou, e olhou para o homem que lhe fizera uma pergunta, ele engasgou com o fraco mojito. Arregalou os olhos âmbar, sentindo um nó na garganta.
– É... é. – gaguejou nervoso.
– O que foi? Parece que viu um fantasma. – O homem riu, mostrando os dentes que mais pareciam presas de algum animal selvagem. Os olhos grandes azuis, tão intensos, cravados na face assustada do ruivo. Ele mexeu os cabelos rebeldes, de fios loiros. Ah. Era loiro. Mas todo o resto...
Ichigo deu um passo para o lado, como se pudesse fugir daquela pessoa. Não era possível que ele fosse tão parecido com––
A música então terminou, e em menos de um minuto, um italiano bem zangado jogava sua mão pesada em cima dos ombros de Ichigo.
– Algum problema, amigo? – perguntou, com aquele sotaque estrangeiro. Olhou sério para o homem alto, que na opinião de Al, tinha um sorriso de louco. Olha quem fala.
– Não é nada. Ele só queria saber o que eu estava bebendo. Talvez para pedir igual.
Alphonso gargalhou, jogando a cabeça para trás, apertando os dedos com força nos ombros de Ichigo.
– Acho que alguém que bebe whisky, não precisa de você para escolher uma bebida. Mas já que esta com problemas – Al se debruçou no balcão, e caçou por ali o menu do bar. Ele bateu o tal menu no peito do grandalhão, que semicerrou os olhos, pensando em qual melhor maneira de enfiar aquele menu no italiano desgraçado.
Ichigo ficou com medo. Por duas coisas, Al estava abusando da sorte, e o homem estava com uma cara assassina, ou quase chegava lá.
– Perdão, ele é assim mesmo, brincalhão. – Ichigo tentou se desculpar, mesmo ainda sentindo aquele arrepio estranho quando sentia ser olhado pelo homem.
Ainda estava impressionado, pois tirando os cabelos loiros – loiros e não azuis –, eram quase as mesmas pessoas. Aquilo iria perturbá-lo o resto da noite. Noite? Não, da vida inteira.
E Al notou como Ichigo o olhava para o bonitão. Isso já foi o suficiente para piorar o que já não estava nada bom.
– Cala a boca Ichigo. Eu não sou um palhaço para fazer brincadeiras. – Al rosnou feito um vira lata nervoso. – E essa merda é para mulher beber. – Ele apontou para o copo do ruivo, o gelo já havia derretido, e a hortelã se misturava com a bebida. – Ah! Desculpe, vai ver o whisky é forte demais para você.
Ichigo já estava vendo a briga se formar.
Porém, uma mulher loira se aproximou do homem de testa enrugada. Segurou-o no braço, dizendo em voz alta que aquele lugar estava chato. E que ela iria embora com a amiga. Mas se ele quisesse, poderia ficar lá.
Ichigo a observou bem, era uma mulher alta, embora fosse baixa perto do homem, cabelos repicados e loiros, óculos de grau e aro vermelho. Vestia um short e camiseta larguinha. Não deu para ver os sapatos, porque isso já seria demais até para o Kurosaki.
– Eu não vou levar vocês duas para nenhuma boate depois daqui. – A loira pareceu não se importar com o que ouvia. – Aqui, pega as chaves do meu carro. – tirou as chaves do bolso da calça jeans, e entregou para a loira. – Vai e me espera no carro. E fala pra sua amiga maluca não vomitar lá dentro.
A mulher saiu sacudindo os cabelos, e logo mais a frente, puxou uma ruiva para fora do estabelecimento.
Quando as duas sumiram das vistas dos três, Ichigo deu um sorriso amarelo, enfiando as mãos nos bolsos, depois de descartar o copo sobre o balcão.
– Viu, Al. A bebida era para a namorada dele.
– E eu com isso? – Alphonso foi até o balcão, ignorando todos.
– Se eu não tivesse duas malucas bêbadas no meu carro agora, eu dava uma surra nesse viadinho que você tem como namorado. – Ele virou o copo, bebendo o restante do whisky, em seguida bateu o mesmo no balcão, trincando-o. Ele deu um sorriso debochado para o barman. – Pendura a conta aí.
O cara saiu rindo, ouvindo uns xingos do barman, mas como não foi impedido de ir embora, Ichigo pensou que estava tudo bem. Ou quase. Vai saber.
– Aquele filho da puta. – Al tentou até ir atrás do cara, mas Ichigo lhe segurou fortemente com os dois braços. E ninguém duvida de que conseguiu. Porque sabemos que Ichigo é forte, visto seu currículo extenso de lutas e vitórias. Porém, Alphonso não conhecia aquelas façanhas do Kurosaki. Mas até que ficava curioso para saber de onde vinha tanta força. Não naquele momento.
– Você que começou.
– Eu não falei nada demais.
Quando sentiu que Al estava mais controlado, o soltou.
O moreno emburrou-se no banco do bar, pedindo algo forte para beber. E ao seu lado, um ruivo bem calado. E pensativo.
Estava perplexo na verdade. Era mesmo como se tivesse visto um fantasma para lhe atormentar a vida. Comprimiu os lábios, era um absurdo pensar naquele homem, ou no outro. Pior, nos dois, logo quando estava ali, ao lado de Alphonso. Porque se passasse pela cabeça dele que tipo de lembrança teve, ao se deparar com o estranho, talvez não tivessem mais o que tinham. Ichigo era um pouco inseguro, nesse quesito. Não que ele fosse contar para Al o que fizera antes de entrar na faculdade.
Ichigo suspirou, sentindo-se horrível.
– Ichigo! – Al gritou, fazendo o ruivo sobressaltar no banco. – O que foi? Ta pensando naquele cara ainda?
O ruivo revirou os olhos, pelo ciúme excessivo do namorado. Mas estava sim pensando no tal cara. E era um idiota por deixar isso tão transparente para Al.
– Esquece isso.
– Ele é um escroto. E você é outro por ter dado mole.
– Eu não dei mole pra ninguém. Você mesmo viu que ele estava acompanhado daquela mulher e de outra lá.
– Foda-se, poderia ser irmã dele, e a outra prima. Sei lá. – Al bateu a mão no balcão, pedindo mais bebida. Ichigo o olhou incrédulo.
Claro, como se um irmão fosse levar sua irmã e prima para um lugar bagunçado como aquele. Embora fosse um lugar bagunçado, mas de família. Como Al sempre dizia, quando Ichigo questionava algum absurdo que via lá dentro.
– Você bebeu demais. Vamos pra casa.
– Não pense que vai me fazer esquecer do que fez com sexo.
– E quem disse que eu quero fazer isso? – Ichigo se levantou, abriu a carteira e pagou a conta. Ele estava cansado aquela noite. Queria ir embora.
Saiu do bar karaoke, afim de procurar um táxi, tava tarde.
Até a avenida principal, Ichigo precisava caminhar um pouco, porque se ficasse ali esperando um táxi passar, era capaz de passar a noite toda em pé, acabaria criando raízes.
Quando virou a esquina, um Peugeot preto, na contra mão, começou a segui-lo. O ruivo revirou os olhos, ao reconhecer aquele carro, ele não parou de andar. Enfiou as mãos no bolso, porque começava a ventar. Estava com uma camisa vermelha, de gola larga, na altura do cós da calça jeans. Conforme o vento batia, a camiseta levantava, mostrando parte da barriga.
– Hey! Quanto é o programa? – O carro parou, e uma fumaça saiu da janela quando ela foi aberta. Dava para sentir o cheiro do cigarro de canela. Ichigo fechou os olhos, esfregando os olhos com dois dedos. – E ai, gato?
A gargalhada característica do italiano preencheu o carro, até chegar aos ouvidos do Kurosaki, fazendo-o arrepiar-se todo.
Ele se virou para ver Al pendurado na janela, com o cigarro na boca, dando uma piscadela.
– O que você quer?
– Quero você aqui dentro do carro.
– Não vou entrar. – Ichigo virou o rosto, mordendo o cantinho dos lábios. Tava fazendo charme e Al sabia disso.
– Qual é Ichigo? Vai ficar aí sozinho na rua? Tá pedindo pra ser estuprado com essa roupa. – O moreno riu, tragando pela última vez o cigarro e jogando-o na calçada, perto do pé de Ichigo, que resmungou, até entrar no carro. – Vamos pro meu apartamento?
– Não! Eu quero ir pro meu. E você nem vai entrar. Ainda to ofendido com o jeito que falou comigo.
Alphonso estreitou os olhos. Não respondeu, apenas deu partida no carro e pisou fundo.
Como foi dito no começo. O bico quilométrico de Al poderia dar voltas e mais voltas no Japão. E no banco do passageiro, Ichigo começava a ficar nervoso com toda aqueça velocidade. Ainda pediu para que o moreno diminuísse, mas isso só deu corda para o italiano correr mais.
Quando chegou em casa, Ichigo não se mexeu do banco, e continuou olhando Al fumar, como se estivesse sozinho no carro.
O Kurosaki ainda esperava as tais desculpas. E Alphonso sequer se recordava do porque deveria pedir. Nem sabia que devia pedir desculpas. Era justamente o contrário, ele tava esperando o ruivo abrir a boca e pedir de uma vez para ele subir até o apartamento. Lá dava um jeito de resolver o problema, que não tinha mais tanta importância.
Ah! É mesmo, agora ele se lembrou do idiota do Karaoke e a cara de peixe morto de Ichigo. Mas continuou calado.
Uns dez minutos depois, Ichigo saiu do carro, nervosinho. Al só riu.
Ele viu Ichigo ir até o portão do prédio, e voltar na mesma hora, com aquela cara que só ele sabia fazer. Bateu no vidro do carro, e Al abriu. Ficou olhando para aqueles olhos âmbar que brilhavam com qualquer mera luzinha que batesse ali.
– Esqueceu alguma coisa? – Perguntou o moreno, abrindo um sorriso irritante nos lábios.
– Sim esqueci de dizer uma coisa. – Ichigo encostou a mão no capô do carro, e respirou fundo, tomando coragem de falar a primeira merda que vinha a sua cabeça. E falou. – Não me procura mais. Chega! Cansei desses ataques de ciúmes. Quero ter um tempo de paz na minha vida. Você chegou e deixou tudo bagunçado. Esquece o meu endereço, o telefone de casa, meu celular, me exclua do bate papo. Entendeu? Acabou.
Ele foi afastando do carro, como se tivesse dito muito. Mas agora não dava pra voltar com a palavra. Afinal, era um homem.
Tá, Ichigo.
Alphonso perdeu o sorriso cínico, e no lugar não veio nada. Nada que fizesse Ichigo correr para sobreviver. Ele apenas saiu do caro, cruzando os braços e encostando no próprio carro, sem entender direito aquele fricote todo do morango.
– Ok! Eu vou embora, e nunca mais vai me ver. – Ichigo ficou boquiaberto. Claro que ele estava esperando o maníaco italiano o segurar pelo pulso e mostrar que tava errado, agarrá-lo e jogar contra o carro. Como já acontecera outras vezes, e elas sempre davam certo. Mas agora parecia diferente. – Mais alguma recomendação? Kurosaki Ichigo.
– Bem... eu não sei.
– Então, se me dá licença. – Alphonso entrou no carro, acendendo um novo cigarro.
Aqueles segundos em que Ichigo viu acender o cigarro de canela, e ligar o aparelho de som, numa música qualquer, foi o suficiente para ele mudar de ideia. Será que compensava mesmo jogar tudo pro alto, por causa de uma briguinha a toa? Mesmo que Alphonso jamais se curasse daquele ciúmes sem motivos.
Ichigo poderia estar fazendo uma tempestade no copo d'água.
– Al! Espera. Alphonso. – Ele bateu a mão no capô. O carro parou, e o motorista ficou encarando os olhos âmbar com curiosidade. – Espera.
Ichigo ficou ali com cara de bobo, sem saber como começar.
Mas um pedido de desculpas vinha a calhar. E foi o que aconteceu.
O moreno abriu aquele sorriso costumeiro. Vitorioso, porque ele sempre conseguia reverter a situação. Ichigo tinha muito o que aprender.
Eles estavam deitados na cama do ruivo. Alphonso esticou a mão, procurando na mesa de cabeceira seus cigarros. Não estavam ali, isso porque sua calça ficou lá na sala. Mas era um costume dele, sempre deixava um maço sobre a mesinha de cabeceira. Mas Ichigo os jogava fora na manha seguinte.
Ichigo se aconchegou melhor a cabeça no peito de Al, que fez um carinho nos cabelos dele.
– Ichigo? – Alphonso jogou a cabeça para trás, batendo no encosto estofado da cama.
– Não vou buscar seu cigarro, nem adianta pedir.
Al sorriu, era até uma boa ideia essa, mas não era isso que ele queria falar.
– Tudo bem, depois eu pego. – Virou um pouco o corpo, fazendo Ichigo olhar para ele, quando o segurou no queixo. – Eu quero saber outra coisa. Lá no bar...
– Não vamos começar, ok?
– Não vou, eu só quero saber uma coisa
– O que é?
– Você conhecia aquele cara? – Ichigo demorou a responder, fazendo Alphonso tirar suas próprias conclusões. – Tudo bem. Se conhece ou não. Eu só não quero ver ele de novo. Ok?
– Al...
– Não! To falando sério, você olhou para ele de um jeito estranho. Aquilo me deixou louco. Nem pro tal Renji você olhou daquele jeito. E eu sei que vocês tiveram alguma coisa no passado. Mas aquele cara. – Al torceu o rosto, engolindo todo o ciúmes que sentia. – Foi diferente.
– Eu não conheço aquele cara. E não olhei de jeito diferente. Você que viu coisas.
– Tá, tá. – Fez um gesto com a mão, como se quisesse esquecer aquilo. Mudar de assunto pra variar. – Ichigo?
– O que?
– Vai buscar meu cigarro?
Ichigo revirou os olhos. Mas em vez de reclamar, ele se levantou, vestindo uma bermuda que estava ali perto mesmo da cama, e foi pra sala, caçar os cigarros, e ia aproveitar pra arrumar algo para comer, porque estava morrendo de fome. Não só ele, mas Al também, que gritou la do quarto que estava com fome. Ia tomar um banho e depois comeria.
Ichigo ficou olhando para a geladeira aberta, e a fechou depois. Não ia cozinhar naquela aquela hora, o sol já ia nascer, resolveu então dividir o chuveiro com o italiano, depois eles desciam e iam comer alguma coisa na loja de conveniência vinte e quatro horas.
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